Entre o amor e a guerra - Season II
72 Capítulo 72 - Tempo de morte?!
Notas iniciais
Não dá nem para desejar boa leitura, pois definitivamente não será... :(
PS: Vou tentar postar o próximo mais a noite (até meia noite acho que consigo), para que vocês não morram até amanhã...
Demi correu pela quadra a procura de Quinn, enquanto Alejandra ia saindo com Rachel devagar do banheiro, não podiam correr o risco de nenhuma das duas começar a nascer antes que chegassem a maternidade, eram prematuras extremas, e duas...o risco era ainda maior que o do nascimento de Rocksanny....era correr contra o tempo mesmo!!!
Rachel sentia dor, mas não parava de tagarelar...reclamava, chorava, resmungava, perguntava por Quinn e ainda fazia um monólogo para as bebês, questionando o porquê das duas resolverem nascer justo no dia daquela mega festa. Aos poucos Alejandra conseguiu levá-la até o meio da quadra, mas a morena acabou sentindo muita dor, não conseguindo mais andar; foi quando Brittany de longe viu que algo errado acontecia e correu em direção as duas. Logo
Alejandra explicou o que havia acontecido, Britt pegou a morena no colo e correu com ela até o estacionamento. Nesse momento Demi vinha com Quinn, já desesperada, que entrou no banco do motorista, já se preparando para sair em disparada...
– Sai daí agora lorah. É hora de você sentar aqui atrás e acalmar a louca da sua esposa, que está fazendo monólogo com as crianças, se continuar assim na maternidade mesmo elas vão pedir para ser emancipadas e correr de vocês duas. Disse Britt, puxando a amiga pelo braço e dando espaço para Demi assumir o volante. Quinn entendeu o recado e pulou no banco traseiro, colocou Rachel deitada em seu colo e começou a conversar com ela calmamente, tentado contornar seu desespero...
– Calma amor, agora você precisa controlar a ansiedade e o nervosismo, Demi é uma ótima piloto de fuga (não melhor que eu, é claro!!), em minutos vamos estar no hospital. Britt ficou com o seu telefone e já está ligando para sua médica, com toda certeza do mundo ela já estará no hospital quando chegarmos. Disse Quinn, acariciando os cabelos da morena, que chorava baixinho.
– Eu to com medo amor. Perdi muito líquido, pelo que lemos juntas, o líquido da placenta mantém as bebês bem, quando você começa a perdê-lo as bebês começam a entrar em sofrimento fetal...isso quer dizer que nossas filhas estão sofrendo. Disse a morena, tentando conter o choro. Quinn sabia que a esposa estava certa, porém não podia deixá-la ainda mais nervosa, seria pior. Por mais que Demi voasse, sabia que as meninas estavam por um fio, e se segurava para não chorar também.
Em menos de quinze minutos Demi já estava estacionando o carro, Quinn desceu correndo com Rachel nos braços e foi prontamente atendida por duas enfermeiras que entraram com a morena em uma maca para a área de emergência; a situação parecia agravada, uma vez que Rachel já não fazia seus monólogos tradicionais, nem mais chorava, parecia já em estado de choque. Quinn, Demi e Britt permaneceram na recepção, agora era a hora mais complicada, a espera por notícias. Alguns minutos depois o resto do grupo chegou, incluindo Santana e Santaninha, não deixariam a loira passar por aquele momento delicado sem o apoio dos amigos.
– Virou romaria esse parto as pressas?! Disse a loira para a amiga latina, que entregou sua bebê para a “pãe” cuidar, sentou ao lado da loira e a abraçou. Sabia que Quinn provavelmente tinha se feito de forte para Rachel, mas estava desesperada.
– Pode parar de show minha loira do coração. Sei que deve estar se fazendo de forte e macho alpha para todo mundo, mas eu te conheço e sei que está sofrendo e angustiada. Disse a morena, acariciando o rosto da amiga. Santana estava certa, e nesse momento Quinn desabou a chorar...tinha medo de perder as filhas, medo de perder Rachel, medo de perder todas elas...por mais que quisesse ser forte e positiva sabia que as coisas estavam fora de controle, a morena já não respondia seus chamados quando entrou para a sala de parto. Coube a latina arrastá-la dali e sentar com ela na entrada do hospital...sabia que as notícias iriam demorar, então carregou Quinn até os bancos do estacionamento e lá ficou com a mesma, deitada em seu colo por horas...o dia parecia escorrer por suas vidas, a vida parecia escorrer pelas mãos delas...
...........................
Quase quatro horas se passaram desde que Quinn sentira que adormeceu no colo de Santana. Acordou com um ventinho frio batendo em suas costas, já era tarde daquele sábado de outono...como podia ter dormido tanto sabendo que Rachel passava por um momento tão delicado, o mais importante de suas vidas?! Sabia que Santana havia lhe dado algum remédio para desacelerar, parar de chorar, mas não podia ter dormido; o pescoço doía, percebeu logo que a cabeça estava apoiada em uma pequena bolsa, Santana havia saído dali e deixado-a dormindo...ela simplesmente havia apagado. Logo pode ver, a certa distância, Brittany abraçada a Santana...parecia chorar. Foi questão de segundos até chegar correndo até as amigas, precisava de notícias de Rachel e das meninas, precisava entender o que acontecera naquelas quase quatros horas...
– Posso saber por que me deixou dormir tanto Santana?! A médica já veio trazer notícias da minha mulher e das minhas filhas?! Porque vocês estão chorando?! Gritava Quinn, exigindo respostas das amigas, que não conseguiam sequer falar. Logo Brittany foi incisiva, segurou pelos braços da amiga e sacudiu com força, praticamente gritando com ela também...
– Para de gritar e me ouça Quinn. Olha nos meus olhos e tente entender...você vai precisar ser forte e encarar o que aconteceu de frente. Não pensa que é fácil estar aqui agora e dizer o que aconteceu...começou Brittany, mas os olhos encheram-se de lágrimas e ela simplesmente abraçou Quinn, não conseguia falar mais nada.
– Fala logo o que aconteceu, pelo amor de Deus Britt, eu quero entrar e ver minha hobbit e meus bebês. Chorava a loira, não conseguia mais se conter e começou a ficar agressiva, sendo contida por Demi, que ouvindo a gritaria chegou e a travou pelos braços.
– Ouça Quinn, a Rachel chegou aqui já em estado de choque, os bebês já respiravam com dificuldade e uma das meninas não resistiu e morreu antes mesmo de ser feito o parto. A outra neném foi retirada com vida, mesmo muito fraquinha está na UTIN recebendo toda a atenção necessária. Infelizmente logo após o nascimento da última bebê Rachel desenvolveu uma complicação pós-parto, que se chama Síndrome de Hellp...é rara e de difícil diagnóstico, e causa a queda rápida das plaquetas da gestante. Essa doença deveria ter sido identificada durante a gravidez e a gestação deveria ter sido interrompida imediatamente, mas a médica ainda não consegue explicar porque não diagnosticou isso a tempo...provavelmente a Rachel já tinha alguma doença grave de coração, rim ou mesmo lúpus e não sabia, por isso a síndrome foi tão fulminante.
Quinn ouvia aquilo meio que estática...parecia em um universo paralelo, logo sairia daquele pesadelo e voltaria tudo ao normal...Rachel estaria bem, as nenéns nasceriam com saúde e prontas para se desenvolver no que faltava, já que eram prematuras. Demi falava mas parecia que sua voz ecoava longe...como se estivesse dentro de um túnel, cada vez mais longe, mais inaudível...
– Os médicos fizeram de tudo para mantê-la viva, mas infelizmente ela não resistiu Quinn...tem mais ou menos vinte minutos que a médica veio falar conosco. Você está me ouvindo Quinn?! Quinn?! Já era tarde demais, Quinn entrou porta adentro e foi direto a sala de parto, passou pelas portas da emergência, da UTIN e da UTI e só foi contida por dois seguranças que ajudaram Demi, foi preciso força de três pessoas para contê-la.
Alguns minutos depois de contida mais chorando muito, a loira foi levada junto com Santana até onde o corpo da morena ainda estava à espera de exames complementares para liberação para a família. Coberta por um lençol fino, o corpo ainda estava com a temperatura ambiente, o rosto sereno, típico da morena...costumavam dizer que quando tudo estava perdido era necessária a presença de Rachel para achar um novo caminho...agora quem acharia um novo caminho, quem iluminaria sua vida como sua estrela fazia?! O vento frio que lá fora bateu em suas costas voltou, a tarde de sábado de outono ficou mais fria e a sensação de estar dentro de um túnel escuro parecia ainda mais real...queria morrer ali, naquele momento. Não queria mais a filha, não queria mais os amigos, queria ir embora com Rachel...
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