Entre o amor e a guerra - Season II

57 Capítulo 57 - Dias que voam...


Notas iniciais
Antes de mais nada agradecer ao love Furriel pela recomendação...amei demais pônei do S2!!! Vocês estão se superando!!! :)

O capítulo é para dar uma contextualizada na vida das meninas, um mês se passou desde a morte da mãe de Santana...aproveitem a tranquilidade da vida das periguetes, isso pode acabar!!kkkk

Um mês havia se passado desde a morte da mãe de Santana...algumas coisas haviam mudado. Desde a conversa com Demi, tanto Quinn como Brittany haviam decidido que elas tomariam a frente de tudo e qualquer coisa que dissesse respeito à vida de suas famílias, assim como ficariam mais ativas e atentas quanto à proteção de todos. Ambas começaram a fazer aulas de defesa pessoal e tiro a noite com Demi, era uma forma de se prepararem para um possível confronto, assim como uma forma de ficarem mais próximas e estabelecerem estratégias e planos sem que Rachel ou Santana soubessem...aliás, Rachel e Santana surtavam todas as vezes que as meninas saíam de casa com Demi para a academia, fantasiavam um triângulo amoroso, surubas em motéis, troca de casais e toda forma de traição possível e impossível; por duas vezes chegaram a segui-las para ver se realmente iam para a academia, e foram pegas bem na hora que espionavam as esposas...as meninas levaram tudo na brincadeira, afinal sabiam que lidavam com duas piriguetes malucas e ciumentas.

Demi por sua vez fez questão de abrir o jogo com Quinn sobre sua relação anterior com Emily, o que fortaleceu ainda mais a amizade entre elas e Brittany, que a cada dia se dedicava mais ao MMA, tinha sede de pegar a “latina-asiática” pela frente e sabia que aquilo iria acontecer mais cedo ou mais tarde. A trindade profana se preparava para defender o que era seu, e só se rendia e perdia batalhas quando o assunto eram as esposas, que literalmente as infernizavam...a última idéia mirabolante de Rachel era apresentar a filha de Ema, Alejandra, à Demi...queria juntá-las como casal mesmo que fosse na marra!!

Santana, com todo o apoio de Marcos, Rodrigo e Sam, assim como dos movimentos comunitários e de entidades não governamentais ligadas a familiares de vítimas de violência, intensificou a pressão sobre os órgãos responsáveis pela apuração da morte de sua mãe, assim como da atuação da polícia naquela operação...era claro que haviam falhado na forma como abordaram os suspeitos, mas era necessário provar que policiais ditos “preparados”, haviam feito papel de grupo de extermínio, e não de agentes da lei que deveriam proteger os cidadãos...a cada dia a menina se aprofundava no tema “autos de resistência”, e percebia que aquilo se tornara um prática rotineira entre policiais, era a forma de esconder seus crimes mais obscuros e desumanos. A latina se apaixonava pouco a pouco pela defesa de inúmeros familiares que haviam passado por aquela mesma situação, e antes de mesmo de enveredar pelo curso de Direito, já sabia muito bem para qual lado iria atuar...seria defensora pública e atuaria junto às comunidades que nunca tinham a possibilidade de ver seus problemas solucionados, defendidos dignamente.

A família, o trabalho na empresa de RH e nos assuntos da academia, assim como a busca pela verdade no caso da mãe viraram o motivo de continuar vivendo da latina, que se dividia entre a vida profissional e o “filhote”, afinal Carlinhos demandava atenção afetiva de mãe da latina, a qual dividia com Brittany, que se revelou dedicada, atenciosa e extremamente preparada para a vida em família...com um mês no cargo de “pãe”, a loira já havia assumido as responsabilidades de acompanhar Carlinhos nos horários das atividades diárias de esporte e música, assim como de acompanhá-lo as sessões de terapia infantil, afinal ainda tinha muitos pesadelos com tudo o que vivera no dia da morte da avó. Aparentemente era um momento de vida feliz e completa para os três, que aprenderam rapidamente a se organizar como família, e acima de tudo se amar como uma...os preconceitos que diziam respeito a afetividade e respeito entre famílias homoafetivas caíam por terra quando se viam os três interagindo, convivendo e principalmente construindo laços de amor e respeito.

Carlinhos mesmo com apenas quatro anos já enfrentava alguns problemas na escola nova, por vezes era chamado de “neguinho faveladinho” pelas crianças um pouco mais velhas, e em uma noite contou algumas coisas para as mães. Estava amuado e choroso, não querendo ir para a escola no dia seguinte, o que fez Santana e Britt se preocuparem e sentarem com o menino para entender o que estava acontecendo...

- ok, como as mamães dizem sempre...vamos conversar e entender o porque do cara mais inteligente e sabido da escolinha não querer ir estudar. O que está acontecendo meu filhotinho? Disse Brittany, pegando o menino no colo e sentando na cama junto com Santana.

- Eu só não quero mais ir...acho que já sei tudo que ensinam lá, na minha escola antiga eu aprendi bit...não posso voltar para minha escola lá do morro?

- A escola lá do morro era ótima meu bebê, mas essa nova é melhor e mais pertinho da nossa nova casa. Não é possível que você já sabe tudinho que eles tem de bom por lá...será que é isso mesmo ou é alguma coisa que não quer contar pra gente? Lembre-se que tudo você pode contar, pode confiar que vamos te ajudar como a vovó te ajudava, afinal precisamos de você forte e corajoso para tomar conta de mim, lembra?! Disse Santana, vendo que o menino baixou a cabeça e as lágrimas correram no rosto. Depois de ganhar um abraço coletivo das mães, finalmente Carlinhos se sentiu à vontade para falar, e revelou o que o incomodava

- Assim...eu sou forte e corajoso, bato em todo mundo se precisar, mas fico muito triste e choro quando os meninos dizem que eu sou feio e diferente; dizem que não posso brincar com eles porque eu sou “mameladinho”...ai eu choro e quero voltar para casa, mas a tia da escola fala que eu tenho que ficar...ai eu fico, mas me dá raiva e eu não quero mais ir nessa escola porque eu sou diferente, sou “mameladinho” e os meninos disseram que eu tenho que ficar junto com os “mameladinhos”. Não quero mais ir, por favor. Carlinhos parecia triste e chateado com a história de ser “mameladinho”, mesmo não sabendo direito o que era aquilo. Santana e Brittany se entreolharam e mesmo sem entender claramente o que era um “mameladinho” decidiram que iriam juntas na escola no dia seguinte tirar aquela história à limpo...desconfiavam muito bem do que estava acontecendo. Era cedo quando ambas chegaram à escola e foram direto a direção, queriam tirar a limpo a história do tal “mameladinho”...explicaram tudo que Carlinhos havia contado em casa, e a diretora, tentando não ser preconceituosa mas já sendo, tentou contar o que estava acontecendo...

- Então, o que tem acontecido com freqüência é que algumas crianças tem implicado com o Carlos Rafael, com a forma como ele fala, o jeitinho que ele usa algumas palavras. Como vocês sabem ele não aprendeu as mesmas palavras que as outras crianças, usa algumas inclusive que elas nem conhecem, palavras da favela, como algumas gírias simples, mas que quando as outras crianças ouvem começam a fazer hora com a carinha dele. Disse a diretora, tentando ser o mais coerente possível em sua fala.

- Eu não entendi direito o que a senhora quis dizer. Por exemplo o que quer dizer “mameladinho”? E outra coisa...crianças não são preconceituosas por si só, precisam que adultos digam coisas, elas apenas repetem, não aprendem com o vento. Disse Santana, já sabendo onde aquela conversa iria chegar.

- Mameladinho eu acho que é faveladinho, e eu compreendo que crianças tão pequenas não saibam fazer essas diferenciações. A verdade é que alguma coisa aconteceu na turma deles, que eles acabaram aprendendo isso. Eu não sei sinceramente o que foi, mas prometo apurar. O Carlos é muito inteligente e aprende rápido atudo que lhe é ensinado, mas talvez não seja adequado mantê-lo nessa escola que tem um nível social muito diferente do dele. Quando a senhora veio matriculá-lo imaginei que teríamos esse problema senhora Santana, mas não imaginava que seria assim tão rápido e complicado. Disse a professora, que até então não havia tido contato com Brittany, somente com Santana, que sempre ia a escola levar e buscar o menino.

- Pelo que estou entendendo alguém do seu corpo de profissionais vem chamando meu filho de faveladinho, as crianças ouvem e repetem. E pior que isso...a senhora está dizendo que seria melhor tirá-lo da escola, afinal ele não é do mesmo nível social das outras crianças...é isso mesmo? Perguntou Brittany, ainda calmamente, para desespero de Santana, que já queria sair dali com seu filhote; não iria discutir, outras escolas certamente seriam melhores para o desenvolvimento do menino.

- Não é exatamente isso. Não sei quem é a senhorita, até então tive contato somente com a senhorita Santana, e como ela veio já preparada para inserir o menino na escola e pagou duas mensalidades, deixamos o tempo correr para ver como seria, mas logo percebemos que o Carlos não era do mesmo nível social das outras famílias. Não temos preconceito, mas sabemos que isso interfere na vida deles, afinal o menino tem outros costumes, outra criação, mesmo ainda tão pequeno...ele as vezes até chama os outros menininhos de “parceiro”...olha só!! Falou a diretora, como se o linguajar de Carlinhos fosse algo que o tornaria um futuro marginalzinho. Nesse momento Brittany não se conteve e levantou-se, parecia que ia embora, mas chegou bem pertinho da diretora e pegou pelo colarinho de sua blusa alinhada e bem passada...

- A senhora realmente não me conhece, pois até então não tinha vindo à escola do meu filho. Isso mesmo, Carlinhos tem duas mães, Santana Lopez, que é essa que a senhora já conhece, e eu...Brittany Pierce. Acho que você já deve ter ouvido falar da família Pierce não?! Pois é...o Carlinhos é Carlos Rafael Lopes Pierce, embora na certidão dele não conste meu sobrenome, ele é meu filho e herdeiro direto, por isso acho até estranho falar da forma como o meu pequeno herdeirinho usa as palavras, afinal ele mal aprendeu a falar...sinto muito por ele ter causado constrangimento as suas criancinhas, mas sinto mais ainda por tirá-lo do seu renomado colégio, que inclusive já fez seleções e recrutamentos com nossa empresa...eu havia pedido para minha esposa matriculá-lo aqui justamente porque conhecia a fama de escola de ponta de vocês, mas tenho certeza que meu pai e todos os colaboradores das empresas Pierce ficarão muito chocados quando souberem do tratamento que meu filho recebeu aqui. Disse Brittany, soltando o colarinho da diretora, que já estava vermelha e totalmente constrangida com a descoberta de quem o menino era “herdeirinho”, como Britt mesma havia dito.

- Acho que entendeu errado senhorita Brittany Pierce, não foi isso que queria dizer quando falei que ele era diferente. Quis dizer que é diferente, mas uma diferença bonita...ele pode até ensinar as outras crianças a aprender a respeitar as diferenças sociais, ele pode ser um exemplo para as outras crianças. Não conheço pessoalmente seu pai, mas a escola é uma grande parceira da empresa que ele é dono, assim como a senhorita, não gostaríamos que entendessem mau o que eu falei, é uma honra ter o Carlinhos aqui, não sabíamos que era seu filho também, afinal ele não tem seu sobrenome. Disse a diretora, tentando concertar as merdas que havia acabado de falar.

- Muito pelo contrário, acho que entendi muito bem o que a senhora quis dizer. O Carlinhos não fica mais nem um dia aqui, e acho sinceramente que o vínculo do nosso nome enquanto empresa com sua escola parece inviável a partir de agora. Acho que nossa conversa termina por aqui. Disse Brittany, saindo da sala e sendo seguida por Santana, que estava surpresa com a reação da esposa...nunca tinha visto a loira tão decidida e cheia de brios em relação a alguma coisa. Já fora do espaço a latina, toda sorridente, tentou entender que alienígena tinha tomado o corpo da sua loira...

- É impressão minha ou algum ET tomou o corpo da minha esposinha linda? Achei que iria bater naquela monstra lá dentro, nem precisei falar nada, você dominou a situação como uma legítima Pierce barraqueira. E que história é essa de herdeirinho Pierce? Fiquei com vontade de rir naquela hora amor. Disse a morena, dando um beijo na bochecha rosada da loira, que ainda estava nervosa.

- Olha, sou muito paciente, mas minha vontade era de dar uma surra naquela diretora ridícula e preconceituosa. Nunca mais quero que nossa empresa tenha nenhum contato com essa escola, muito menos que tenha vinculação com qualquer seleção profissional deles. E outra, quero entrar com um processo por discriminação do nosso filho...isso não vai ficar assim!! Acho que temos que regularizar a situação dele o quanto antes amor, quero que ele tenha o meu sobrenome, afinal ele é meu filho também. Disse Brittany, ainda indignada com a mulher arrogante.

- Como assim regularizar a situação dele...ele é seu filho e eu nem fiquei sabendo? Você fez inseminação em minha irmã e eu nem sei que fui traída? Disse a morena, sorrindo da forma como Britt tinha afirmado a “paternidade” de Carlinhos.

- Para de zuar amor...acho que já tem um mês que ele está conosco, estamos mais do que casadas e acho que passou da hora de conversarmos sobre isso...conversei com meu pai e com Rodrigo como poderia legalmente ser parte da vida do Carlinhos...quero que ele seja meu filho de verdade!! Disse Britt séria, assustando Santana com a afirmação, afinal era só um mês de convivência com o menino, que já respeitava mais a loira do que a tia...dizia que a “tia bit era maneira e parceira” ...

- Não sei Britt...acho prematuro demais conversarmos sobre isso agora. Sei que ele e você estão se aproximando demais até, mas não é muito cedo para pensarmos em algo desse tipo? Tenho medo de você sair de novo da nossa vida e ele ficar sem chão...

- Eu não vou sair da vida de vocês, nem que você queira mais...e mesmo se você quiser, ele vai continuar sendo parte de mim, por isso mesmo quero que ele seja legalmente meu filho. Além do mais, acho que daqui a pouco ele vai precisar de um irmãozinho ou irmãzinha...acho que vamos precisar dar a ele alguém para dividir a vida, o que a senhorita me diz de começarmos a pensar em ter um bebê dessa barriguinha sarada?! Disse a loira, beijando a latina e acariciando sua barriga por baixo da blusa.

- Vamos deixar para pensar isso com calma, não sei se estou preparada para deixar meu moleque chamar outra pessoa de mãe, e nem sei se serei uma boa mãe para gerar uma criança...os dias vão dizer o que é melhor a fazer senhorita “Pierce doida para povoar o mundo”!! Disse Santana, saindo abraçada com a esposa...parecia que a família começava a querer crescer, se fortalecer enquanto família, mesmo enfrentado todas as dificuldades possíveis.