Entre o amor e a guerra - Season II

37 Capítulo 37 - Amor e doença...


Notas iniciais
Boa tarde amores...capítulo fresquinho para os viciados de plantão!! :)
Parece que as coisas são bem mais complexas do que imaginamos quando amor se confunde com doença, e mais especificamente com violência doméstica...o capítulo é fofo por conta de Faberry, mas bem triste em relação a Samily...

PS: Violência doméstica é coisa séria, por isso resolvi abordar nesse capítulo!!

Boa leitura!! Bjs

A vida às vezes reserva situações inusitadas, situações que muitas vezes não nos parecem as mais coerentes, mas que naquele momento parecem ser as mais seguras...dois meses haviam se passado desde o dia em que Brittany e Natalie haviam viajado para a França, a vida parecia começar a se ajeitar da forma como podia. Na França, Natalie dominava sonhos, desejos e vontades da loira, através de um romance morno e aparentemente tranqüilo. Britt vivia do apart para a academia na qual fazia aulas de dança e interpretação, e da academia para o apart; estudava para tentar entrar em uma das universidades francesas, saía raramente para programas como teatro ou museus...a vida morna fazia dela um quase vegetal. Raros sorrisos emergiam, quando as escondidas fugia até um lugar que lhe trazia lembranças quentes de um tempo em que realmente senti-se feliz...a Torre Eiffel.

No fim do segundo mês na França Natalie teve a idéia...queria oficialmente ser a senhora Pierce; por mais que a loira achasse aquilo desnecessário sabia que era algo que Natalie queria muito, afinal dizia que nunca havia deixado de amá-la. Muito pressionada e triste por não conseguir esquecer tudo que deixara para trás no Brasil, Brittany aceitou a proposta e combinou com Natalie de oficializar a relação no fim do mês seguinte, assim teria tempo para pensar alguma coisa especial para as duas, como também falar sobre isso com o pai. Natalie aceitou e começou a fazer planos de como seria se tornar a senhorita Pierce, afinal era um sonho antigo...queria mais do que aquele sobrenome, queria ter o poder de um dia gerenciar todo o dinheiro de uma família riquíssima que só tinha como herdeira direta Brittany...manipulá-la seria a parte mais fácil da história, depois do casamento tudo ficaria do seu jeito.

No Brasil Santana parecia não ter mais noção dos riscos reais de conviver diariamente com Emily; a cada dia a namorada parecia mais ciumenta e possessiva, tendo atitudes como trancá-la várias vezes em casa, assim como proibir que mantivesse contato com algumas pessoas, entre elas Quinn, da qual a menina surtava de ciúmes. Embora cada vez mais distante, volta e meia a latina conseguia fugir e ver as amigas, que estavam ainda mais preocupadas com aquela relação doente...Santana estava cada vez mais triste, embora não admitisse, mas o pior era que se tornava cada vez mais refém de Emily, embora não entendesse que aquilo era doentio.

O ápice das atitudes doentes de Emily aconteceu ao fim do dia da primeira fase do vestibular; tinha feito de tudo para convencer a namorada a desistir da prova, mas não conseguiu, então fez questão de levá-la e esperar que terminasse. Ao fim do dia Santana saía da prova com um amigo do cursinho, que sem maldade alguma fez um carinho nos seus cabelos ao se despedir; Emily, que a esperava no carro, enlouqueceu com o toque de carinho do garoto e saiu do carro apontando a arma para o menino, mandando que ele se deitasse no chão. Em seguida desferiu chutes no menino até que perdesse a consciência, só parando quando acertou a própria Santana, que se pôs entre ela e o garoto para protegê-lo. Na hora a menina entrou em desespero ao ver o sangue que saía do nariz da latina com o impacto do chute, mas sem Santana perceber demonstrava extrema felicidade por ter machucado bastante o menino que “ousou” tocar na sua mulher.

Nos primeiros dias Santana se manteve afastada, terminou o relacionamento e voltou para o São Jorge, mas diante da insistência diária de Emily a latina voltou a ceder, reatando o relacionamento. Foi a primeira de outras duas vezes que acabou machucando-se com os acessos de Emily, que chegou a quebrar “sem querer” um braço de Santana no meio de uma discussão. Era claro que Santana se tornara totalmente refém das chantagens e loucuras da namorada, que volta e meia fazia ameaças veladas, dizendo que o relacionamento das duas mantinha a paz entre as comunidades, assim como a vida de pessoas inocentes das duas favelas. Sem perceber Santana acabara adoecida por aquela relação, como tantas mulheres, que para fugir das relações familiares, dos problemas aparentemente insolúveis, acabam se tornando reféns de relacionamentos amorosos que muitas vezes as levam a morte pela violência doméstica.

À distância, Quinn via a amiga se afundar naquela história que começara como uma vingança pela morte de Finn e se tornara seu próprio cárcere afetivo; não conseguia mais acessar Santana como antes, uma vez que a menina a evitava para que nada lhe acontecesse. Tentava em vão contatos telefônicos, e-mails, mensagens por celular, mas raramente a latina respondia, e quando fazia era com meias palavras, sempre dizendo que tudo estava bem. Desesperada, Quinn tomou uma decisão importante, contar toda a verdade à esposa e pedir ajuda...sabia que corria o risco de Rachel não perdoá-la pelas mentiras, mas precisava ser verdadeira e dividir tudo que acontecia à meses, afinal se preparavam para morar juntas de novo, não queria mentiras entre elas.

Preparara tudo as escondidas...a casa ela simples, mas arejada e decorada como Rachel gostava; localizada em um ponto estratégico, permitia uma proximidade de acesso a zona sul e ao mesmo tempo um contato com pessoas mais simples, não de periferia mas acostumadas a conhecer seus vizinhos, fazer amizades, ter crianças brincando juntas de bicicleta na rua...queria algo que fizesse a esposa feliz com um pouco da realidade que fora criada na zona sul, mas que também lhe trouxesse a tranqüilidade da vida simples que tinha no São Jorge. Puck e Mercedes ficaram responsáveis por achar o lugar junto com Quinn, enquanto Kurt e Blaine ficaram encarregados de dar o toque de decoração que a morena amava, uma decoração que não deveria ser chique como sua mansão, mas que trouxesse para Berry a tranqüilidade e conforto para viver bem...que fosse um pouco o sonho de uma e da outra, assim poderiam ser felizes juntas, vivendo um pouco a realidade uma da outra. Marcos fez questão de ajudar Quinn no empréstimo para o financiamento do imóvel, afinal a garota não aceitou a casa como presente, e Rodrigo ajudou na compra dos móveis..tinham Rachel como filha, e vê-la sofrer não tendo Quinn por perto em tempo integral, como casadas, fazia com que os dois sofressem também.

Tudo pronto e ajeitado, o grande dia havia chegado...Rachel passaria o dia na Academia e a noite ainda iria para a faculdade, assim o bonde arrumou tudo para uma festinha entre amigos, faria a surpresa para a morena junto com aqueles que mais amavam e ajudaram na realização daquele sonho. Durante todo o dia ficaram as voltas com a mudança e arrumação, precisavam levar o máximo de coisas para a casa nova de forma que Rachel surtasse quando chegasse em casa...a surpresa tinha que ser surtante no começo para depois tornar-se maravilhosa aos olhos da amada...Quinn mentira dizendo que chegaria tarde em casa pois iria ver um curso novo de fotografia, Rachel caíra direitinho na mentira...agora era esperar!!

Eram quase nove e meia da noite quando Berry girou a chave na maçaneta da sua mansão e chegou em casa...estava cansada, mas ainda na sala percebeu que algo estava errado...seus discos de vinil não estavam na estante preparada exclusivamente para eles, mas logo pensou que um dos empregados poderia ter tirado para limpá-los. Tirou os sapatos e subiu para um banho, quando no quarto começou a surtar...a coleção de filmes antigos também havia sumido, assim como seus bibelôs de várias viagens pelo mundo, sapatos e roupas do armário...sentou desesperada no chão e também percebeu que as poucas roupas de Quinn que ficavam em sua casa também haviam sumido...gritou alto e chorou ali sentada quando percebeu que sua coleção de brinquedinhos eróticos também tinha sumido...chorava quando Quinn entrou no quarto e perguntou o que estava acontecendo.

- Amor, um psicopata veio aqui e levou tudo da gente...roubou meus discos, filmes, roupas...até nossos brinquedinhos eróticos!! Dizia Rachel, sentada chorando no chão do quarto...maquiagem borrada, pés sem a sandália, blusa meio caída no ombro.

- Calma amor, não estou entendendo nada. Você está dizendo que roubaram sua casa?! Você deixou alguém entrar aqui Rachel?! Explique-se!! Dizia Quinn, séria, mas doida para rir.

- Eu não sei bebê!! Cheguei aqui e não tinha ninguém em casa, nenhum dos empregados...a casa estava revirada, as coisas sumiram...não sei o que aconteceu amor!! Dizia Berry, em prantos.

- Calma. Coloque essa sandália de volta no pé e vamos a uma delegacia, precisamos dar queixa imediatamente, afinal os ladrões devem ser conhecidos e de repente ainda estão pelo bairro, assaltando outras casas. A morena calçou de novo a sandália, pegou a bolsa e saiu meio desnorteada com Quinn, que na direção do veículo, seguia para a casa nova, mas antes mandou um sms para o bonde avisando que estava a caminho. Rachel não entendia porque estavam parando naquela porta, e logo questionou Quinn...

- Porque paramos aqui Quinn? Não iríamos direto a uma delegacia mais próxima para fazer a queixa? Perguntou Rachel curiosa e desconfiada.

- Desculpa amor, não era assim que queria que você descobrisse o que eu escondia. Acho que quem entrou na sua casa queria uma vingança e creio que eu saiba quem é...indo para a delegacia lembrei que uma das meninas que peguei no passado a pouco tempo me ameaçou dizendo que se não voltasse para ela iria se vingar de mim atingindo você. Pode ser que ela tenha feito isso, por isso resolvi parar primeiro na casa dela, que é aqui, para ver se descobrimos alguma coisa. Disse Quinn, com cara de mentirosa e traidora.

- Espera aí Quinn Fabray!! Está me dizendo que comeu alguma piranha no passado e ela só agora resolveu se vingar entrando na minha casa e roubando minhas coisas mais amadas?! Você quer que eu acredite nessa história fajuta sua filha de uma puta? Aposto que você ainda esta comendo essa piranha e agora deve ter feito alguma coisa com ela a ponto da garota se vingar!! Rachel gritava e saía de dentro do carro indo em direção ao portão, que estava aberto...voltou e deu dois murros no ombro de Quinn, que desviou para não acertar em seu rosto...a morena estava completamente surtada!! Foi entrando porta a dentro sem pedir licença, quando foi surpreendida pelo bando de amigos todos reunidos na sala...

- Surpresaaaaaaaaaaa!!!! Gritaram todos juntos, assustando Berry, que não entendia nada do que estava acontecendo. Rachel olhou para trás e viu Quinn entrar, com uma pequena caixinha nas mãos e dar-lhe um longo beijo antes de começar a falar...

- Dizem que os casamentos para serem perfeitos devem fazer felizes as duas partes...devem deixá-las tão a vontade na relação que as duas pessoas sintam-se como se estivessem no paraíso ao lado da pessoa amada. Casamos, descasamos, mas o meu amor ainda é o mesmo da primeira vez que em que ouvi um monólogo seu Rachel Berry...vivemos coisas difíceis, situações complicadas, mas esse amor resistiu a tudo. Depois da nossa última separação percebi que precisávamos de um lugar que fosse não só a cara de uma de nós, mas que fizesse nós duas felizes...bem vinda ao nosso novo lar!! Como tudo será novo, essas alianças são para selar o nosso novo casamento meu amor. Falando isso Quinn pegou a mão delicada de Rachel e colocou calmamente a nova liança...

- Aceita morar comigo aqui nesse “meio cafofo — meio mansão” minha amada Rachel Berry?! Disse Quinn, segurando a mão da amada esposa, que só sabia chorar, envergonhada com toda aquela surpresa e feliz por perceber que Quinn queria morar de novo com ela, agora tentando uma nova vida juntas.

- É claro que eu aceito sua loira filha da puta!! Da próxima vez que fizer isso corre o risco de ficar viúva antes de casar de novo comigo...então nunca mais faça uma surpresa como essa sem antes se certificar que meu coração agüenta ok? Disse Berry, agarrando-se no pescoço da esposa e depositando vários beijos pela sua boca e rosto. Logo todos estavam rindo, fazendo hora com a cara de Berry, que caiu direitinho no plano da esposa, que a levou para conhecer a nova casa, o novo ninho das pombinhas mais fofas do bonde do São Jorge.

A família São Jorge estava toda reunida, se divertia, ria e fazia de sua amizade um elo forte que parecia nunca se romper. Em uma das raras vezes nos últimos meses, Santana também estava junto aos amigos...o sorriso era farto com as brincadeiras e o amor dos amigos, embora por dentro parecesse triste, solitária. Quinn percebera aquilo, mas a latina simplesmente não dava a ela abertura para conversar, para tentar ajudar. Foi quando Quinn decidiu que precisava da ajuda de Rachel, mas só poderia contar com ela se fosse verdadeira, se abrisse todo o jogo sobre as ameaças das milícias, a tentativa de assassinato de Britt, a aproximação e o desejo de vingança contra Emily...era hora de abrir todo o jogo com a pessoa que mais amava, precisava ser sincera se queria que aquele casamento fosse a frente.

Antes mesmo da festa surpresa acabar Emily já havia ligado milhões de vezes, de longe Quinn via a latina dar explicações, dizer que ficaria mais um pouco com os amigos, mas mesmo assim a garota apareceu para buscá-la de surpresa. O combinado era Puck e Mercedes levá-la até o morro, mas Emily simplesmente decidiu que era hora dela ir embora e foi até lá buscá-la. Santana ficou toda sem jeito quando a menina chegou, logo inventou uma desculpa para ir embora, queria tirar Emily o quanto antes de perto de Quinn, afinal sabia que a menina a odiava e só fingia que a suportava...quando já saiam no portão Quinn não se agüentou e foi conversar com Santana, mesmo Emily estando junto...

- Acha mesmo que me engana dizendo que está feliz Santana?! Disse Quinn, quando a latina se dirigia para entrar no carro da namorada. Emily, que já estava no carro, saiu e respondeu, antes que Santana pudesse falar qualquer coisa.

- Acha que ela não está feliz ou que eu faço algum mal a ela Quinn?! Perguntou Emily, parando de frente a Quinn, pronta para voar em cima dela.

- Não perguntei nada a você Emily! Quero que Santana me responda, ela é minha amiga e não você. Disse Quinn, saindo da direção da garota e indo ao outro lado do carro, onde Santana estava.

- Entra para casa Quinn, depois conversamos. Não quero confusão em um dia tão especial para você e Rachel. Disse Santana, virando o rosto e pedindo que Emily entrasse no carro para irem embora. A menina aceitou e entrou, saindo cantando pneus, tamanha a raiva que estava. Aquela noite mais uma vez passou do limite na discussão com a latina, acusando ela de ter um caso com Quinn; no meio da briga acabou esmurrando o rosto da latina, deixando-a desmaiada. No dia seguinte era o dia da segunda e decisiva fase do vestibular...