Entre o amor e a guerra - Season II
27 Capítulo 27 - Surto e sofrimento...
Notas iniciais
Era quase uma da manhã e Santana rolava na cama de um lado para outro...muitas coisas vinham em sua cabecinha perturbada...Emily tinha ido buscá-la no cursinho e pela primeira vez tinha voltado a falar em sentimentos, de como sentia-se diferente pela presença constante dela e de como sentia vontade de mudar sua vida; aquilo deixara a latina angustiada, lembrava-se da fala de Quinn sobre matá-la, sentia que estava fraquejando, mesmo que ainda quisesse que ela pagasse por tudo que havia feito. Por outro lado a cabeça girava, girava...e parava sempre em Brittany; não tinha notícias dela, afinal pedira que nem Quinn ou Rachel falassem mais sobre ela, como a própria Britt também tinha feito...a verdade era que cada uma tinha tentado seguir seu caminho, embora Santana não tivesse esquecido a loira por um só minuto, nem mesmo se apaixonado por qualquer outra.
De repente sentia uma enorme vontade de simplesmente ver a loira, mesmo que fosse de longe, mesmo que para isso precisasse chegar bem pertinho de onde tinha até medo de voltar...a casa onde haviam morado juntas. Era meio de semana, sabia que Britt ficava até mais tarde na faculdade e depois ainda passava para lanchar na mesma pizzaria sempre, então tinha certeza que ela ainda não estaria em casa, talvez se corresse pegaria ela chegando, e de longe poderia vê-la, pelo menos um pouquinho. Deu um pulo da cama, trocou a roupa e pegou a chave do carro de Puck, que dormia como um anjo no quarto de Quinn, esta que estava malocada na casa de Rachel, provavelmente fazendo sexo selvagem.
Desceu cantando pneus e em poucos minutos estava estrategicamente estacionada próxima ao portão, mas não o suficiente para ser vista; era quase uma da manhã e as luzes da varandinha ainda estavam acesas, o que significava que a loira ainda não havia chegado. A noite estava quente e estrelada, no Iphone Santana ouvia a mesma música, a que permanecia no repeat há dias...um funk que insistia em martelar sua cabeça e a fazia lembrar ainda mais de Britt, afinal falava de algo que ela nunca conseguira fazer...esquecer a loira...
“Minha princesa tanto tempo se passou até pensava que acabou nosso amor, nas noites frias eu lembrava de você e hoje eu me pergunto como fui te perder. Naquele dia em que eu te vi meu coração ia explodir, ver o teu olhar tocou meu coração, renascendo a paixão. Quero seu amor só pra mim, quero te fazer bem mais feliz, esqueça o que passou vem pra cá...deixa eu te querer, deixa eu te amar. Quero seu amor só pra mim, quero te fazer bem mais feliz, esqueça o que passou vem pra cá deixa eu te querer, deixa eu te amar. Olha meu amor como eu sofri, queria ter você e você não estava aqui, quando chegava a noite eu começava a chorar, pedia para Deus pra você voltar...mais você não voltou e o tempo se passou, hoje eu estou aqui, frente a frente a ti e sei que não te esqueci...quero seu amor só pra mim, quero te fazer bem mais feliz. Esqueça o que passou vem pra cá, deixa eu te querer, deixa eu te amar...” (Marcinho e Mc Michele)
A CHEGADA...PELOS OLHOS DE SANTANA...
Quando percebeu que o carro da loira estacionava em frente ao portão, Santana se ajeitou no banco, tirou os fones de ouvido e se preparou, afinal sabia que ela sairia rapidamente do carro e entraria no portão...seria tão rápido que a veria por alguns poucos segundos, mas suficientes para matar um pouco a saudade que insistia em aplacar seu coração. Passaram alguns segundos até que a loira saísse do carro, estava com uma roupa pouco típica para estar na faculdade, Santana estranhou mas permaneceu a observar...girou por trás do carro e abriu a porta do carona, certamente pegaria alguma coisa que havia deixado ali até chegar em casa, livros provavelmente...de repente saiu uma morena de quase dois metros, de fisionomia conhecida, quase pelada segundo o olhar clínico da latina...
A CHEGADA...PELOS OLHOS DE BRITTANY...
A ida da praia até em casa parecia uma eternidade, enquanto a loira dirigia Vanessinha acariciava suas coxas e volta e meia levava sua mão boba até o meio das pernas de Britt, que respirava fundo e tentava se concentrar no trânsito. Quando finalmente estacionou a morena deu-lhe um beijo molhado antes que saísse do carro e fosse abrir a porta para ela...logo que desceu encostou no capô do veículo e ficou alguns segundos olhando Britt, que não se agüentando de tesão resolveu começar a putaria ali mesmo...sentou Vanessinha no capô e, encaixada entre suas pernas, começou a beijá-la com intensidade, como quem tem urgência de viver o momento. A morena não ficava para trás, e desvencilhando-se da boca da loira enfiou a língua no ouvido de Brittany, deixando-a toda arrepiada e ainda mais cheia de tesão, o que parecia impossível, pois a garota era verdadeiramente muito quente...
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Santana assistia a tudo meio atônita, Britt estava sarrando com uma piriguete do São Jorge em frente à casa delas, praticamente comendo a piranha ali, onde era o “santuário do matrimônio” das duas, a casa onde viveram seus momentos mais felizes juntas. Quando olhou de novo viu que Brittany enfiava uma das mãos entre as pernas da piranha, sendo que a garota jogou o corpo para trás para facilitar a penetração...aquilo era ultrajante para a morena, que pensou seriamente em ligar o carro, acelerar e batê-lo contra o carro de Brittany, de forma que matasse as duas esmagadas...ou melhor, de forma que Britt ficasse presa entre os dois carros e só conseguisse sair dali com a ajuda dos bombeiros...passaria vergonha suficiente para nunca mais comer uma puta!!
O sexto sentido da loira parecia ser mais forte, e antes que Santana perdesse o pouco de sanidade que ainda preservava Britt desceu Vanessinha do carro, pegou a morena mais uma vez pela mão e entrou em casa; tinha um sorriso safado e feliz estampado no rosto, o que doeu mais em Santana do que a cena de sexo que presenciara pouco antes...ela tinha superado a separação e seguia em frente, o que fez a latina desmoronar; as pernas simplesmente não se moviam para sair dali, a cabeça pedia que sumisse mas o corpo não correspondia, só conseguia chorar, chorar e chorar...pensou em ligar para Quinn, mas era muito injusto com a amiga tirá-la da casa da hobbit aquele horário, ainda mais que sabia que deveriam estar no meio da brincadeira da floresta. Lembrou dos meninos, mas deixara Puck dormindo igual um anjo, e Blaine havia ido para o motel com Kurt comemorar aniversário de namoro; pegou o telefone e fez o que seu coração mandava naquele momento, ligou para Emily, que atendeu o telefone já no segundo toque...
– Não me pergunta nada, só me busca aqui onde estou, por favor!! Disse Santana, desabando a chorar no telefone. Emily, que estava com os meninos do movimento fazendo a contabilidade da boca, não entendeu muito bem o que estava acontecendo, mas não pensou duas vezes, entrou no carro e saiu em disparada para o endereço dado pela garota, sabia de antemão que era onde Santana morava quando ainda era casada com Brittany. Chegou em pouco mais de quinze minutos e viu o carro de Puck estacionado, onde Santana permanecia sentada, chorando.
– Não vou perguntar nada do que aconteceu aqui, vem comigo que eu te tiro daqui, amanhã mando alguém vir buscar o carro dos meninos. Disse a garota, abrindo a porta do carro e tirando a morena no colo. Dirigiu até certo ponto, quando perguntou a Santana, que continuava calada...
– Quer que eu te leve para casa ou para algum outro lugar minha vida? Disse Emily, com todo carinho possível, de forma a tirar Santana do transe em que estava. Já não pensava mais na cena que presenciara, mas no que faria da sua vida dali para frente.
– Não quero voltar para casa, posso ficar com você hoje, mesmo que eu não vá fazer nada do que sei que você quer há tempos?!
Emily deu um sorriso tímido e assentiu com a cabeça, estar com Santana por uma noite sem que fosse obrigada ou que fosse por conta de alguma armação era um sonho, mesmo que desconfiasse que todo aquele choro tinha haver com Brittany; não importava, era talvez o começo de algo que logo se tornaria verdadeiro e forte, esse era o desejo de Emily.
Chegando a casa onde Emily estava morando provisoriamente desde que fugiu, a latina pediu para tomar um banho, que foi demorado, pois queria tirar do corpo, da cabeça e do coração aquela cena com Britt. Lembrou-se que nunca havia ido até lá e depois do banho começou a observar o lugar, que era pequeno, mas bem organizado e limpo, com algumas coisas que ela nunca imaginaria encontrar ali...alguns bichinhos em miniatura de colecionador, uma almofada grande com braços, parecendo um grande boneco, uma foto da latina na escrivaninha e alguns álbuns espalhados pela estante...embora fosse madrugada começou a olhar foto por foto, a maioria eram de pessoas muito parecidas com Emily, embora parecessem de uma classe social bem abastada.
– São seus familiares?! Perguntou curiosa a morena, olhando um álbum com várias fotos de uma formatura.
– São sim, foi formatura da minha irmã. Santana olhava foto por foto, e tinha certeza absoluta que conhecia a formanda,o rosto lhe era completamente familiar, só não sabia de onde.
– É impressão minha ou eu conheço sua irmã?! Perguntou tentando forçar a memória para ver se lembrava quem era aquela garota.
– Você conhece...foi ela quem salvou sua vida depois que eu quase a destruí. Disse a menina, baixando a cabeça envergonhada.
– A médica do pronto socorro para onde fui levada depois que...Santana não terminou a frase, preferia não lembrar de tudo que havia passado, especialmente da tentativa de suicídio. Era melhor não lembrar mesmo, caso contrário sairia dali sem olhar para trás, afinal Emily fora a causadora de todo aquele sofrimento. Fechou o álbum e preferiu não continuar olhando, afinal só traria confusão a sua cabeça, afinal porque Emily tinha uma irmã médica e ela era uma traficante de favela?! Onde estava sua família e porque não tentavam tirá-la daquela vida amaldiçoada, que causava dor a tantas outras famílias?! Melhor era não pensar em nada naquele instante, melhor dormir...
– Podemos ir dormir? Acho que se eu continuar olhando fotos vamos acabar discutindo e eu vou querer ir para minha casa agora mesmo. Emily não pensou duas vezes, guardou o álbum dentro de um armário e guiou a latina até o quarto onde ela dormiria. Arrumou cuidadosamente a cama e também um colchão improvisado no chão, o que surpreendeu Santana, que achava que a garota tentaria se aproveitar da sua fragilidade.
– Vai dormir no chão porque eu estou aqui Emily?! Não faz sentido, pode dormir aqui, a cama é grande e cabe nós duas. Embora eu tenha dito que não vou fazer nada com você, pode dormir ao meu lado, confio que vai me respeitar. Disse a latina, sem convicção alguma. Emily mais que depressa subiu para a cama, deitando de frente para Santana, que depois de tanto chorar e do banho quente e relaxante, logo dormiu. Emily ficou ali acordada durante o resto da madrugada...acariciou seus cabelos, riu quando ela começou a roncar, abraçou-a quando percebeu que ela tinha pesadelos...passou a noite toda simplesmente contemplando a beleza da latina, sentindo o cheiro de seu próprio perfume, mas que no corpo de Santana ganhava outro sentido, outro aroma, completamente inebriante, mais alucinógeno que todas as drogas que já havia usado...era verdadeiramente apaixonada pela latina...
Notas finais
Quero seu amor - Marcinho e Mc Michele: http://letras.mus.br/mc-marcinho/78530/
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