Entre o amor e a guerra - Season II

16 Capítulo 16 - O bicho vai começar a pegar...


Notas iniciais
Boa tarde amores!! Capítulo fresquinho para as (os) fominhas do bonde dos pôneis...o bicho vai começar a pegar!! A noite volto aqui para responder os comentários do capítulo anterior...boa leitura e bjs no coração!! Lu

E a vida parecia mesmo ter seguido para alguns, pelo menos no Morro de São Jorge; mortos são enterrados e esquecidos, só permanecem na memória de seus familiares...foi assim com os dois adolescentes assassinados na porta da academia; dois meses após as mortes a vida já havia voltado ao normal no morro, na academia, na vida dos moradores, que muitas vezes achavam “natural” a morte violenta em comunidades pobres.

Brittany e Rachel também voltaram a sua rotina normal após esses dois meses, regressaram tanto as atividades de suas faculdades como do trabalho e da academia, o que as fazia estar de forma direta no São Jorge; se por um lado a rotina fazia bem por significar que finalmente a vida tinha voltado ao normal, por outro a dor do fim dos relacionamentos se reacendia pois embora não tivessem tido mais contato com Santana e Quinn, nos corredores da academia corriam boatos que o casamento das duas era o assunto do morro pois tinham regressado a comunidade com pompas de chefe e primeira dama, o que significava que havia deixado para trás toda a vida construída ao lado das ex esposas. Desde que ficaram sabendo dessa bomba, Britt e Berry decidiram por não mais tocar no assunto assim como não procurá-las, mas a verdade era que doía demais, as “novidades” ainda eram muito recentes e frescas, incomodava não olhar cara a cara aquelas duas e dizer-lhes algumas verdades.

Certa manhã o incômodo bateu mais uma vez na cara das duas. Era um dia como outro qualquer, a academia estava lotada de crianças e adolescentes realizando atividades de esporte e dança, Berry, Britt e boa parte da equipe técnica estava no espaço quando uma senhora chegou correndo, chorando e pedindo ajuda. De pronto foi atendida na recepção da academia e logo encaminhada para as técnicas, que pediram ajuda as coordenadoras presentes.

– Desculpe entrar assim na reunião de vocês, mas esse caso é complicado e desesperador demais pra gente, por isso vim pedir ajuda. Temos uma senhora desesperada lá embaixo, cujos filhos começaram as atividades aqui na academia, se encantaram pelas aulas de hip hop e passinhos de Puck e estavam freqüentando regularmente, mas ainda não haviam conseguido se desvencilhar totalmente das dívidas contraídas com o tráfico de drogas. Acontece que ambos estavam devendo uma quantia muito alta no “movimento” e a mãe deles chegou aqui agora desesperada e chorando, dizendo que o tal chefe do movimento ordenou que ambos fossem levados ao “tribunal” de julgamento da favela, e possivelmente serão condenados e mortos. Disse Spencer, psicóloga do espaço, a Brittany, Rachel e Sam, que se encontravam anteriormente em reunião de avaliação das ações do espaço.

– Como assim tribunal da favela? E a chefe daqui não voltou a ser a Quinn depois que ela veio de volta para o morro? Não acredito que ela vai fazer isso com esses meninos. Perguntou Sam, meio por fora das regras do tráfico das comunidades mais carentes.

– Sam, esse tribunal é composto por integrantes das bocas do morro; eles julgam os crimes cometidos e resolvem qual será a pena daqueles que foram condenados. Normalmente quem tenta passar a perna na boca é condenado à morte para servir como exemplo na comunidade; e quanto a Quinn, infelizmente depois da morte de Finn o morro voltou a ter várias facções, e Quinn comanda somente uma parte da comunidade, esses dois meninos estão nas mãos de outro grupo, que embora não tenha guerra com Quinn, não é comandado por ela.

– Pelo que estou entendendo ela veio nos pedir ajuda para interceder pelos dois filhos, que já estão sendo julgados, é isso? Perguntou Rachel, meio desesperada com a demanda.

– Isso mesmo Rachel. O julgamento normalmente acontece no ponto mais alto do morro que é o mirante, e os condenados são fuzilados e jogados de lá na ribanceira; as famílias nunca mais tem acesso ao corpo de seus entes queridos. Disse Rebeca, que embora fosse amiga de Natalie, era muito envolvida e apaixonada pelo trabalho que desenvolvia na comunidade.

– Putz, isso é surreal...não dá para acreditar que em pleno século XXI as pessoas ainda passem por isso...vamos lá agora, temos que interceder por nossos meninos, afinal eles não são só dessa mãe, eles também são nossos. Disse Brittany, decidida a sair dali e ir direto no tal julgamento.

– Tá louca Britt, não é assim que a banda toca por aqui. Não temos acesso a esses julgamentos, não conseguiremos chegar nem na metade do caminho e seremos barradas pelos “soldados” do movimento. Vamos perder tempo e ainda não conseguiremos chegar nem perto de onde eles estão. Disse Spencer, meio impaciente com a ingenuidade de Britt, que mesmo estando dia após dia no espaço, não conhecia de fato a realidade de violência que as famílias sofriam diariamente.

– Ok Spencer, então qual é a sugestão de vocês, já que não temos tempo a perder. Precisamos impedir que esses meninos sejam mortos, mesmo que a gente se responsabilize pelas dívidas deles e depois dê um jeito de pagar aos poucos. Disse Rachel, já desesperada.

– A única pessoa da academia que conhecemos que poderia interceder seria Puck, que é da comunidade e tem estado conosco nas atividades da academia, mas ele não está aqui hoje pois foi levar Mercedes para a cirurgia bariátrica que já estava agendada a muito tempo...tirando ele só conseguimos pensar em Quinn e Santana, que embora não sejam mais da nossa equipe, são amigas, conhecem os meninos e tem acesso aos chefes do tráfico da outra facção. Disse Spencer, mesmo sabendo que aquela proposta faria Britt e Rachel surtarem.

– Eu não vou pedir ajuda aquelas duas nunca, esquece isso e pense outra alternativa!! Gritou Brittany, muito revoltada com a proposta e dando uma porrada na mesa que assustou a todos.

– Ok Brittany, então ache uma nova alternativa. E que seja rápido, senão teremos mais duas mortes em questão de minutos!! Disse Sam, revoltado com a postura da amiga.

– Sam tem razão Britt, não é hora de colocarmos nossos assuntos pessoais a frente de duas vidas que podemos salvar. Elas ainda moram no mesmo lugar Spencer? Disse Rachel, decidida a resolver tudo no menor tempo possível para resgatar os dois meninos, que segundo rebeca não tinham nem quinze anos ainda.

– Sim, moram no mesmo lugar, borá lá? Disse Spencer, já levantando e descendo para seguir rumo a casa de Quinn e Santana. Rachel seguiu a menina, assim como Sam, Rebeca e Natalie, que não perdeu tempo em entrar na história para monitorar os passos de Britt, que permaneceu sentada por mais alguns segundos, pensando em como seria finalmente reencontrar Santana e Quinn...não sabia se conseguiria se segurar e não voar nas duas. Logo se deu conta que ficaria para trás do restante do grupo, e sabia que era importante sua presença, afinal Rachel não daria conta de lidar com aquela situação sozinha, precisava da amiga do lado.

Em questão de minutos estavam naquele beco estreito da casa de Quinn, que trazia inúmeras lembranças de brincadeiras, correrias, apuros, tudo voltava na cabeça de Rachel e Britt, que se entreolhavam quando Sam gritou no portão, pelo nome de Quinn.

Brittany ainda parecia não acreditar que tinha voltado ali, jurara para si mesma que não retornaria e que se possível nunca mais olharia na cara de Santana, mas ao mesmo tempo sentia o coração não obedecer suas ordens afinal disparou quando viu o cachorro de Santana vir correndo até o portão, todo se rebolando, afinal reconhecera sua antiga dona loira. Já Rachel sentia um misto de medo, dor e resignação...sabia que precisava de Quinn naquele momento, mas também sabia que sofreria demais ao constatar que realmente ela a tinha trocado por Santana. De dentro da casa alguém gritou...

– Entra ai Sam, o portão está só encostado. Era a voz de Santana, que reconhecera o grito do amigo, que tinha ido algumas vezes em sua casa com Blaine e Kurt depois que ela se despediu da empresa, na esperança de que ela reconsiderasse a decisão. Santana só não imaginava que com ele estavam Britt e Rachel, além de Spencer, Rebeca e Natalie.

O grupo entrou pelo quintal e logo o cachorro pulou no colo de Britt, relembrando a menina o quanto sentia falta daquele vira lata espaçoso que insistia em disputar a atenção da latina com ela...falta não só dele, mas da vida que levava antes do fim de seu relacionamento, da latina e de tudo que dizia respeito a ela. A casa estava extremamente arrumada, alguns livros sobre a mesa indicavam que alguém ali ainda freqüentava a escola; logo Britt esticou o olho e pode perceber que eram do cursinho de Santana, a menina não havia desistido do sonho de se tornar uma advogada. No canto uma escrivaninha com algumas fotos, e para surpresa de todos, várias fotos de quando ainda eram “o bonde”...fotos de todos em ocasiões como churrascos no puxadinho, festas na piscina da casa de Rachel, ou mesmo do “cine pipoca” que faziam volta e meia na casa de Britt e San; muitas fotos com a presença de Finn, o que fez Rachel voltar no tempo e lembrar de quando tudo era tão perfeito, de quando os relacionamentos ainda existiam e todos eles ainda eram amigos...lágrimas insistiam em brotar, mas ela teria que ser forte e resistir até sair dali.

Entraram pela casa e só avistaram Santana quando já chegavam na cozinha, estava sobre uma escada tentando retirar algo de cima de um armário. Vestia um micro short jeans e uma blusa tomara que caia vermelha, que relembravam os tempos de piriguete...linda e totalmente gostosa; Britt não conseguiu desviar o olhar, o corpo da latina ainda a hipnotizava, e quando a mesma percebeu que não era só Sam que estava ali, o susto foi tão grande que acabou por se desequilibrar e cair, sendo amparada logo por Britt, que com o instinto de proteção a segurou nos braços. Foi um instante mágico que nenhuma das duas conseguiu evitar, os olhos se cruzaram e o tempo parou por alguns segundos...a vontade era de permanecer ali eternamente, olhando uma nos olhos da outra, como se pudessem voltar no tempo e esquecer todo o sofrimento causado nos últimos meses.

– Desculpa a gente ir entrando assim Santana, a casa estava toda aberta e como estávamos meio afobados nem pedimos licença. Falou Sam, interrompendo o clima que se formou. Britt logo saiu do transe e colocou Santana no chão, afastando-se para não sentir o cheiro da morena...aquilo tirava ela do sério, mesmo querendo que sua mente sentisse nojo e repugnância da menina.

– Não, tudo bem Sam; eu me assustei, pois achei que era só você, ai de repente entra essa comitiva, achei que era invasão. Disse a morena, realmente muito assustada com o grupo que estava na sua cozinha, mas principalmente com a presença de Brittany tão próxima de si.

– Pode ficar tranqüila, no dia que a polícia resolver invadir essa boca aqui não será pedindo licença, vai ser atirando. Disse ironicamente Natalie, olhando bem dentro dos olhos de Santana, que ia responder, mas logo percebeu que Quinn entrava na cozinha por trás dela; como tinha passado a noite no movimento ainda dormia quando ouviu o barulho de várias pessoas na cozinha e foi ver do que se tratava. Chegou-se ao grupo e quando percebeu a presença de Britt e Rachel fez questão de cumprimentar a latina com um pequeno beijo na boca, o que causou repulsa imediata na loira e um começo de choro em Berry.

– Ei Quinn. Como estava dizendo a Santana, desculpa invadir tua casa desse jeito; vejo que estava dormindo e nós te acordamos, mas é por um motivo urgente e desesperador. Disse Sam, tentando mediar o conflito que estava por se formar com a fala escrota de Natalie e o beijo que a loira tinha dado na latina.

– Fala aê loiro boca de truta, saudades de você meu chegado. O que aconteceu? Disse Quinn ainda com a cara marcada do travesseiro, abraçando o loiro com carinho, mas não conseguindo desviar os olhos de Rachel, que estava logo atrás do menino. Rachel por sua vez não conseguiu esconder o nervosismo de reencontrar Quinn, e automaticamente abaixou a cabeça quando a garota lhe direcionou o olhar...

– Então truta, estamos com um caso urgente lá da academia e viemos como você mesma falava, “de bonde”, pedir um help a você. Mas vou te contar tudo correndo, pois o bicho ta pegando e só você pode nos ajudar a salvar duas vidas. Logo Sam e Spencer contaram todo o ocorrido para Quinn e Santana, que se propuseram na hora a subir com o grupo até o mirante, para tentar interceder em favor dos dois meninos, que por sinal eram muito conhecidos de Santana por conta do envolvimento da mãe deles no centro comunitário do bairro.

Em menos de cinco minutos Quinn lavou o rosto, colocou sua arma na cintura, chamou alguns meninos do seu bonde e seguiu na frente, tiraria os meninos de lá por bem ou por mal. Um pouco atrás Rachel se lembrava de quando conhecera Quinn, de quando a menina salvou sua vida e se tornou seu mundo, seu tudo...sentia falta daquela Quinn, daquele tempo, daquele amor que parecia ter se perdido em algum lugar que ela não conseguia mais resgatar. Já Britt não sabia se odiava Santana ou se sentia vontade de surrar Quinn por beijar sua morena bem debaixo de seu nariz...aquela loira filha da puta merecia morrer por ter tomado sua esposa...logo depois pedia desculpas em pensamento por desejar o mal a Quinn, era da boca para fora e não queria que nada acontecesse de verdade...uma surrinha já bastava para aquela sacana aprender a não comer a mulher alheia...

No alto do mirante o julgamento estava em seu fim, era dado o veredicto na hora em que o bonde chegou ao local: Rafael e Rodrigo haviam acabado de ser condenados a morte...