Entre o amor e a guerra - Season II
14 Capítulo 14 - Después de tu amor ya no hay nada*
Notas iniciais
PS: São capítulos bem decisivos nas histórias dos dois casais, mas deixo aqui um spoiler bem importante: nem tudo que parece é...não surtem e confiem em sua escritora do coração!!
Mais tarde respondo os reviews do capítulo anterior...bjs e boa leitura!! Lu
Aquele dia parecia ter passado se arrastando para as quatro pessoas que até pouco juravam um amor capaz de atravessar todas as barreiras possíveis e impossíveis, mas que agora estava por um fio. Era noite e Quinn estava sentada no alto do mirante, no São Jorge...tinha sido ali que tinha casado com Rachel, onde aquela história de amor havia finalmente sido selada como eterna. Não sabia o que havia acontecido depois que a hobbit entrara no carro com Alejandra, mas seu orgulho era maior que tudo, por isso não ligou e nem tentou descobrir nada depois daquela discussão sem sentido, ainda se perguntava o porque de ter agredido a esposa.
No hospital, Brittany olhava para o teto, e por vezes desciam algumas lágrimas que insistiam em brotar; uma das técnicas de enfermagem começava a preocupar-se com as lágrimas, seu silêncio e sua falta de fome, por isso pediu que o serviço social do hospital fizesse contato com a família, e em questão de minutos Marcos chegou ao local, disposto a descobrir o que acontecera, assim como passar a noite com a filha.
Um pouco mais longe, Rachel pensava se voltaria ou não para casa naquela noite; queria poder ter certeza que seu amor por Quinn era mais forte que tudo, mas aquela agressão e a possível traição desencadearam uma espécie de dúvida...seria capaz de suportar tudo por Quinn? Começava a ter dúvidas se aquele casamento realmente seguiria em frente. Alejandra, por sua vez, pensava uma forma de se reaproximar de Rachel sem extrapolar seus limites, embora tivesse ultrapassado o sinal vermelho com a morena, sabia que ela amava a esposa e que não poderia simplesmente desejá-la, precisaria provar que a merecia mais que Quinn.
Em casa, deitada na sala abraçada ao seu cachorro (aquele do começo da primeira temporada!!kkkk), que disfarçadamente comia o fecho de seu cinto, Santana pensava em tudo que acontecera...Brittany tinha gritado com ela, tinha a enxotado do hospital como um cachorro sarnento; nunca tinha falado um pouco mais alto com ela, muito pelo contrário, ela que sempre gritava com a loira quando estava irritada...nunca havia visto a esposa daquela forma, transtornada. Pela fala de Natalie ainda havia outro problema...Rachel sabia do que estava acontecendo entre ela e Quinn..mas nada estava acontecendo!! Algo dentro dela gritava isso, embora ela tivesse dúvida disso. Ensaiou pegar o telefone e ligar para Britt, mas sabia que ela não atenderia, já havia mandado pelo menos dez torpedos que ficaram no vácuo...sem qualquer resposta!! Pensou em ligar para Quinn para saber o que havia acontecido, mas temia que as coisas piorassem, por isso decidiu por ficar ali, imóvel, jogada no sofá, pensando em como estava sofrendo por causa de algo que não tinha feito.
A única coisa em comum que as ligavam, além de um amor que agora estava à prova, era a música que tocava em uma rádio qualquer, mas que fez com que todas elas parassem seus pensamentos e se fixassem naquela letra, que embora em espanhol, parecia perfeita para aquele momento tão confuso e doloroso...
“Tengo un pobre corazón que aveces se rompio se apago pero nunca se rindio...entre estrellas de carton perdi la ilución que llegara un angel, me levante y que me pida que lo ame...y de pronto un día de suerte se me hizo conocerte, y te cruzaste en mi camino ahora creo en el destino. Tenerte por siempre conmigo, pero mas suerte es quererte tanto, y que tu sientas lo mismo...dicen que este loco amor no tiene solución que tu mundo y mi mundo no (que tu mundo y mi mundo no). Entre estrellas de cartón perdi la ilucionque, llegara un angel me levante y que me pida que lo ame...y de pronto un dia de suerte se me hizo conocerte, y te crusaste en mi camino ahora creo en el destino. Tenerte por siempre conmigo...pero mas suerte es quererte tanto...y que tu sientas lo mismo”
Día de Suerte – Alejandra Guzman
Era hora de certezas, não de dúvidas que pairavam no ar...foi pensando assim que Quinn decidiu engolir seu orgulho e tentar falar com Rachel, ligando para seu celular. Foi a mesma decisão que moveu Santana a tentar falar mais uma vez com sua amada, afinal o não ela já tinha, queria uma chance de mostrar que não tinha feito nada de errado; no hospital, o celular tocou uma, duas vezes, caiu a ligação depois de tocar inúmeras vezes e a menina não se dispôs a atendê-lo. Não queria mesmo falar com a latina, estava magoada, ferida, sentia-se traída pela esposa e por uma das pessoas que mais admirava. Já na casa de Alejandra o telefone de Rachel tocou por duas vezes e foi atendido...
- Não fala nada amor, deixa eu falar primeiro. Passei por cima do meu orgulho e resolvi te ligar para dizer que eu te amo, que não quero viver sem você, pois a minha vida não tem mais sentido sem sua presença. Por favor, eu te imploro que perdoe minha insanidade, eu nunca pensei que faria aquilo com quem mais amo nesse mundo...me perdoa, por favor!!
- Desculpa Quinn, mas não é a Rachel que está falando e sim a Alejandra. Ela chorou bastante até adormecer, ai como o celular estava tocando insistentemente resolvi atender para não acordá-la...
- Posso saber onde vocês estão para a Rachel estar dormindo e você estar por perto a ponto de atender o telefone dela para que a “pobrezinha” não acorde do seu sono de beleza?! Perguntou Quinn, já impaciente e irônica com a garota.
- Eu trouxe a Rachel para uma casa onde costumava vir com minha família quando queríamos descansar, esquecer do mundo. Viemos cedo, mas como foi ficando tarde e ela acabou adormecendo decidi por não acordá-la e só voltar amanhã, mas não estamos longe, pode ficar tranqüila que ela está bem. Disse Alejandra, com uma voz que irritou ainda mais Quinn, afinal parecia mais a namorada de Rachel.
- Vocês não perderam tempo...meus parabéns ruivinha!! Façam bom proveito da noite juntas, mas antes avisa a Rachel que quando ela chegar amanhã eu já não estarei mais sobre o mesmo teto que ela. Foi um erro achar que nossos mundos poderiam se completar, na verdade somos diferentes como água e óleo, nunca deveríamos ter tentando nos aproximar; eu nunca a trai, nunca dormi fora de casa, muito menos com alguém que estivesse querendo me comer como você claramente está querendo comer ela...ou eu estou enganada santinha?! Não...não precisa responder, eu sei bem a resposta, vai dizer que é só amiguinha dela...
- Você está enganada comigo Quinn, eu não sou uma canalha que vai mentir para você. Se quer mesmo saber, eu quero sim a Rachel, acho que pela primeira vez estou apaixonada de verdade, mas quero ela de forma série e limpa, não aprontando pelas suas costas. Ela está mesmo dormindo, acredite se quiser. Falando isso Alejandra desligou o telefone na cara de Quinn, que não retornou a ligação, estava farta só de pensar que no primeiro deslize Rachel já havia ido dormir com outra...o sangue ferveu. Tratou de pegar o carro de Puck e descer o morro em alta velocidade, precisava buscar suas coisas antes que Rachel chegasse em casa, não queria sequer olhar na cara dela.
Eram quase oito da manhã quando os raios de sol voltaram a tocar o rosto da morena, dormira durante toda a noite sem sequer se mexer. Alejandra passou boa parte do tempo acordada ao seu lado, observando o quanto era linda e como conseguia ter a feição serena, mesmo passando por aquele momento tão complicado. Durante a noite arriscou deitar-se ao seu lado por alguns minutos, mas logo depois levantou-se e sentou, não queria passar dos limites, ainda mais agora que já tinha cometido a burrada de atender o telefone de Rachel e talvez selado o fim do casamento da menina.
- Bom dia Alejandra. Desculpa ter cochilado enquanto conversávamos, estava tão desgastada e cansada que não percebi quando o sono chegou e acabei dormindo. Que horas são agora? Perguntou Rachel, vendo Alejandra entrar no quarto com uma bandeja de café da manhã.
- Preparei um café da manhã meia boca para você, afinal não tinha muita coisa aqui que pudesse aproveitar, mas espero que goste. Tinham torradas e uma geléia, assim fiz um café, você toma café? E quanto as horas, são quase oito da manhã.
- Meu Deus do céu, achei que ainda era madrugada!! Eu não podia ter dormido aqui. Desculpa mas não posso ficar mais tempo, preciso ir, Quinn vai achar que sai de casa. Falava Rachel enquanto arrumava as poucas coisas que tinha na bolsa, já sem levantando e indo em direção ao banheiro passar uma água no rosto.
- Toma pelo menos o café Rachel, você precisa se alimentar. Disse Alejandra, meio a contragosto.
- Você não está entendendo, eu quero ir embora agora. Preciso ver Quinn, por mais que tenhamos brigado e ela extrapolado todos os limites, eu sou uma mulher casada, não tem lógica dormir fora de casa. Não posso fazer com ela o que não gostaria que ela fizesse comigo.
- Você respeita quem não te respeita Rachel, deixa de ser tola e tome seu café com calma, a Quinn ligou ontem e me disse um monte de gracinhas na cara, achando que você estava dormindo comigo. Ela deve estar em casa bufando, te esperando para te dar outro tapa no rosto, como fez anteriormente.
- Como assim a Quinn ligou, ela tem seu celular? Perguntou Rachel, já pegando seu aparelho e vendo se não tinham ligações não atendidas ou torpedos.
- Não, ela ligou para o seu telefone. Como você estava dormindo e estava tocando alto, resolvi atender para não te acordar. Espero que não se importe. Disse a ruiva, já imaginando que levaria um sacode daqueles.
- Você não tinha o direito de atender meu telefone, a Quinn vai achar que eu estava com você traindo ela. Mesmo que ela não tenha me respeitado eu não quero que ela pense que eu fiz algo errado. Quero ir embora agora, e se você não me levar vou para a estrada e consigo uma carona. Disse a morena, agora já emburrada e com a bolsa já nos ombros. Alejandra percebeu que tinha feito uma burrada, por isso tratou de pegar a chave do carro e sair rapidamente com a garota, senão era capaz dela voltar a pé.
A viagem de volta transcorreu silenciosa e tensa...Rachel não dirigiu uma única palavra a Alejandra, estava chateada pela menina ter atendido seu telefone e falado sabe-se lá o que com Quinn, que já estava cismada, imagine agora que ela dormira fora de casa. Seria uma guerra quando chegasse em casa, já estava até imaginando. Já Alejandra preferiu ficar calada, não queria cometer mais nenhum erro, queria Rachel, mas para isso precisa somente contar com os vacilos de Quinn.
Já em casa, Rachel entrou e foi direto ao quarto, como Quinn não estava no primeiro andar provavelmente deveria ainda estar dormindo, afinal era feriado na cidade naquele dia e ela não iria ao trabalho. Olhou todos os cômodos sem entanto encontrá-la, depois desceu a procura de um dos empregados, eles deveriam saber por onde andava a loira.
- Bom dia Marta, sabe me dizer onde está Quinn? Perguntou Rachel a copeira da casa, que passava algumas roupas na dispensa.
- Senhora Rachel a última vez que vi dona Quinn foi essa madrugada. Ouvi ela chegando de carro e alguns minutos depois saindo apressada. Como tenho o sono leve só percebi que era ela porque me direcionei a sala e vi quando ela bateu a porta e saiu carregando duas bolsas grandes. Ainda chamei ela pelo nome, mas ela não olhou para trás, entrou no carro e foi embora cantando pneus.
Rachel na mesma hora subiu correndo até o quarto, precisava ter certeza que Marta não estava enganada; quando abriu uma das portas do guarda roupa da esposa teve a certeza, Quinn havia mesmo ido embora e levado boa parte de suas coisas. Em cima da escrivaninha havia um bilhete escrito a mão, meio trêmulo, mas com a caligrafia de Quinn, cheia de garranchos e que Rachel achava fofo...
(...)
“Pensei em várias formas para começar esse bilhete, mas como você sabe, sou péssima nessa coisa de escrever, ainda mais quando são bilhetes de despedida. Deveria estar com raiva por você ter corrido para os braços de outra pessoa, mas sei que o que fiz foi inaceitável, te bater foi a gota d’água para o fim do nosso relacionamento, por isso entendo que esteja com outra, pois creio que você finalmente achou alguém que pode lhe oferecer tudo que eu não posso. Juro que tentei ser o que você queria, me esforcei para oferecer o que existia de melhor dentro de mim, mas confesso que provavelmente dentro de mim não exista nada de bom, por isso simplesmente não consegui...dentro de mim só deve ter maldade, incompreensão, desrespeito e falta de amor...dentro de mim tem um monstro que as vezes dorme, mas que quando acorda fere quem mais ama; não sei ser boa, por isso acabei te machucando fisicamente e ferindo seus sentimentos.
Confesso que perto de você me senti a pessoa mais importante do mundo, achei que tinha peito de aço e que poderia enfrentar o mundo, pois tinha o que mais me importava, que era você; mas aos poucos percebi que eu sou um nada perto de você, uma favelada qualquer querendo ser uma coisa que nunca vai conseguir, afinal não sirvo para nada, muito menos para ser casada com uma das pessoas mais especiais do mundo, você!! Meu lugar é de onde nunca deveria ter saído...do morro, com as pessoas que são iguais a mim, pensam igual a mim , agem assim como eu. Acho que por isso ficava tendo atitudes idiotas com relação a Santana, no fundo sempre achei que nunca daria conta de ser boa para alguém como você, só serviria para meninas como eu e como a San, meninas pobres de favela, sem sonhos, sem chances de crescer na vida. Só depois que dei esse mole percebi que nem para a San eu sirvo, porque até ela tem sonhos, tem um amor pelo qual vai lutar até não poder mais, até ela tem algo dentro dela que a faz diferente...
Eu não tenho nada, meu único talento é e sempre será o crime, as drogas e logo a morte, pois sei que nessa vida ninguém dura o suficiente para contar sua história. Você precisa de alguém do seu nível social, com sonhos iguais aos seus, que saiba se portar na sociedade, que entenda das coisas que você gosta, que seja inteligente e um dia faça uma faculdade importante como você faz; essa pessoa com certeza é a filha da Emma, mesmo achando ela uma patricinha cor de ferrugem, sei que ela vai cuidar de você e dar toda a atenção e o amor que você precisa para ser feliz. Quero que saiba que meu amor não foi suficiente para te fazer bem, mas ele foi verdadeiro e mais forte que a minha própria vida...até um dia...Quinn!!”
Ao terminar a leitura Rachel já chorava descompensadamente, recostada no guarda roupa, sem qualquer controle. Não conseguia acreditar que Quinn sentia ainda toda aquela sensação de inferioridade frente a ela, imaginava que ela já havia superado aquilo. Nunca se imaginava sem aquela loira, ela era tudo na sua vida, mesmo sabendo que a agressividade do dia anterior teria que ser conversada, trabalhada entre o casal. Amava mais que tudo naquele mundo, e não conseguia se imaginar sem ela...podiam brigar, se estapear mil vezes, mas o amor superaria tudo, não tinha mais as dúvidas da noite anterior...queria Quinn, só Quinn!!
Notas finais
Dia de Suerte - Alejandra Guzman
http://www.youtube.com/watch?v=Qp6HgVeGZGI
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