Entre o Rei de Illéia e a Princesa da França
1 Capítulo Único
Notas iniciais
O casamento estava espetacular e Daphne não esperava menos de seu amigo.
O arranjo de cores, os tecidos utilizados nas decorações e até os aromas que se alastravam pelo local estavam magníficos. Apesar de tudo isso, o modo como Maxon olhava para sua noiva era uma das coisas mais preciosas que ela já tinha visto na vida e a princesa da França desejara, por um momento, que seu casamento tivesse sido desse modo.
A jovem se virou e percebeu sua mãe lhe olhando com simpatia antes que virar seu rosto novamente para o casal. Daphne resistiu o impulso de revirar seus olhos. Ela não entendia o motivo de sua mãe estar tão preocupada, não amava Maxon. Sabia que aquilo havia sido apenas um momento de histerias em sua vida, precisando tomar controle de algo novamente em sua vida; mas não passara disso. Era até casada, afinal.
Seu marido não era tão ruim quanto pensara que ele seria, no início. Ele era respeitável, inteligente e talvez um pouco severo; mas ele respeitava as opiniões da mesma e a tratava como ela sabia que merecia. Estava contente, não feliz, mas contente. Afinal, se tivesse se casado com Maxon estaria infeliz, tentando se convencer que amava um homem que não a amava e nunca amaria.
Portanto, sorriu enquanto assistia seu melhor amigo e a nova esposa se beijarem.
...
A festa de recepção estava esplendida, isso ela podia afirmar. A comida estava deliciosa, o salão colorido com azul e branco, a iluminação dava um brilho sobrenatural para o chão tão polido que conseguia ver seu próprio reflexo nele. Daphne conversara com alguns governantes de outros países, marcando dias para reuniões de negócios na perspectiva de formar novos aliados. Seu esposo Frederick havia sido firme sobre sua participação como governante e ela estava pronta para ajudar.
Depois de tantas conversas diplomáticas, sentara ao lado de uma calma jovem chamada de Elise Whiskers. Ela era centrada e também tinha muitos assuntos interessantes sobre os quais comentar e a princesa (futura rainha) francesa não podia deixar de se interessar. Aparentemente, Elise era uma ex-Selecionada que agora participava na recente reformação das castas atuando na recolocação de antigos Oitos.
As duas mulheres trocaram palavras até que uma garota (a francesa tinha certeza que a mesma era menor de idade) viera falar com Elise. A mesma tinha cabelos ruivos e parecia estar exalando energia, com um grande sorriso no rosto. Sua atitude elétrica teria sido uma graça, em particular ou se a jovem, que aparentemente se chamava May, fosse mais calma sobre isso. As vezes a mesma falava tão alto que os convidados viraram para os encarar e parecia estar pulando nos próprios pés. Um pouco escandaloso para o casamento do rei, ainda mais em um país tão abalado quanto Illéa, que necessitava de aliados.
– Aquela era a irmã da rainha, May Singer.– Elise murmurara assim que May fora falar com Kriss. – Ela está um pouco agitada.
– Entendo. – Daphne murmurou, enquanto encarava a mesma pulando pelo salão.
...
Falar com Elise fora interessante, mas Daphne já estava com um pouco de dor de cabeça. Com isso, decidiu ir à bancada. Agora que não haviam mais rebeldes algo que antes era tão complicado se tornou extremamente simples. Podia olhar para as estrelas e sentir o vento frio batendo em seu rosto. Lembrava-se de quando ela e Maxon se escondiam naquele mesmo lugar quando eram crianças, falando das coisas verdadeiramente importantes como quantos soldados de macinha cada conseguia fazer em cinco minutos e se o castelo que eles teriam quando formasse um país junto seria de chocolate ou de bolo (se perguntava como nunca chegaram ao consenso de “castelo de bolo de chocolate”.
– Faz tempo que não lhe vejo aqui, Daphne. – Sentiu calor radiando de seu lado e viu Maxon sentado lá, um sorriso brilhante em seu rosto.
– Maxon. – Ela respondeu. Pensar sobre o rei de Illéa era uma coisa, mas não se falavam desde que o acusara de “não saber o que era o amor mesmo se fosse esfregado em seu rosto”. – Não estava com sua noiva?
– Esposa. – Ele corrigiu, antes de encostar sua cabeça na parede. – América gosta de festas “animadas”, mas era barulhento demais.
– Deve estar morrendo de dor de cabeça. – Eles tinham isso em comum. – Maxon... Sinto muito por ter te acusado de não saber o que era amor. Eu sei que eu não te amava, mas eu estava tão desesperada...
– Você estava errada, mas o que eu fiz depois também não foi certo. – Maxon a interrompeu e Daphne geralmente odiava quando as pessoas a interrompiam, mas sua voz estava embargada de emoção. Ela entendia. – Eu não pensei em como você estava, se estava feliz. Não pensei se estava bem ou preocupada. E você podia mudar todos os sentimentos que tinham por, Daphne, mas você sempre foi minha única amiga. A Única. E eu não fui um bom amigo.
Sentiu seus olhos queimarem e o abraçou, lágrimas correndo por seu rosto. Estava feliz demais e não tinha como esconder. Ela sorriu e riu para demonstrar que não estava triste e ele sorriu de volta para ela. Parecia que eram crianças novamente, escondendo-se em seu castelo de bolo/chocolate protegidos por seus soldados de macinha.
Ambos passaram mais um tempo falando sobre tudo, atualizando-se nas poucas coisas que não sabiam um sobre o outro antes de se levantar. Entraram na festa sorrindo antes do mesmo dançar com ela. Naturalmente, a princesa era melhor do que o rei nisso. Não pelo horrível estereotipo de que mulheres eram melhores nesse tipo de coisa, mas porque ela sempre teve talento. Dançaram duas músicas, discutindo sobre o motivo de “bolo de chocolate” nunca ter entrado na conversa sobre materiais para castelos, antes de serem interrompidos pela rainha.
– Eu sou América Singer Schreave, prazer. – A rainha sorriu desajeitada, a cumprimentando. – Mas pode me chamar de América.
– Eu vou ficar com Rainha América. – Daphne não queria soar antipática, mas se sentiria desconfortável em chamar uma desconhecida pelo primeiro nome.
– Entendo. – Tinha certeza que viu uma expressão de desagrado passar por seu rosto antes de sumir rapidamente. – Você é a princesa francesa, não? Soube que vocês eram bem próximos.
O jeito que ela falara “próximos” era um pouco desgostoso e Daphne decidiu que não gostava de América. Era desajeitava e, pelo visto, invejosa. Maxon não percebia, apaixonado demais pela mesma. Daphne respondeu a primeira coisa que viera a mente e se despediu. Abrira alguns parênteses, mas pôde fechar alguns. E Maxon estava feliz, esperava que continuasse assim.
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