Entre o Inferno e o Céu
11 Visitinha inconveniente
Notas iniciais
SHEBA POV
Eu odeio ser humana. A gente fica tão burra e ingênua. OH MEU DIABO COMO EU NÃO FUI PERCEBER ANTES.
Seria muita sorte minha, se os pais deles não me reconhecessem. Como eu fui pensar que por ter perdido meu fogo eles não iam notar.É claro que eles iam notar, sentir algo, sei lá qualquer coisa. Eu devia ter mentido melhor. Mas era inevitável recusar um pedido de Gabe. ARRRRRRRRRRRG que raiva.
Eu já tinha quebrado todos os pratos da minha casa, a mãe dele era uma BRUXA, sim ela era um anjo, mas era uma bruxa. Não consigo NÃO admitir, ela era incrivelmente linda,assim como seu marido, mas a raiva que eu estava dela era enorme. Ela iria destruir todo o meu disfarce, mas me lembrei que se ela fizesse isso, ela colocaria todo o seu abaixo também. Carlos André podia saber das coisas que se passavam, mas seus filhos não. E as coisas iam ficar pretas se ela revelasse algo.
Eu já estava indo quebrar os copos e depois os jarros de flores, quando me lembrei. Era essa a minha solução. Eu precisava de ajuda.
Corri aos prantos para meu quarto, procurar a chave que eu havia escondido, ela abria a porta do segundo quarto da casa. Esse que Gabe me pediu porque sempre estava fechado. E minha única resposta era “Não sei, eu nunca achei a chave”.
- ACHEEEEEI! Se ela quer guerra, é isso que ela terá!
Comecei a procurar pelos entulhos velhos e coisas empoeiradas o livro. Ele estava num baú cheio de fotos antigas que eu nunca vim a entendê-las. Peguei o livro e levei até a bancada da cozinha. Limpei com um pano úmido e comecei a folhar para encontrar um feitiço de invocação.
Achei o ideal, e segui até a sala da televisão. Corri até o quarto fechado e peguei três velas. Uma preta, uma vermelha e uma roxa. Peguei um pano acetinado preto com desenhos tribais, fósforo e uma tigela. Corri de volta a sala e me sentei no chão. Fiz um circulo ao meu redor e na minha frente coloquei as três velas acesas, na tigela picotei o tecido. Com a pagina aberta no feitiço comecei a sussurrar palavras invertidas. Acendi um fósforo e coloquei fogo nos pedaços de tecidos dentro da tigela, o fogo era pequeno. E falei:
Ouçam, demônios, esses que moram em baixo, ouçam;
Ouçam minha chamada e ouçam minha voz, ouçam minha ordem:
Enviem a mim o desespero, a angustia, o terror, o medo e o mal.
Peguei a vela preta derrubando um pouco de sua cera dentro da tigela falando:
“Assim como o obscuro...”
Fiz o mesmo com a vela vermelha
“... possuidora de fogo interno...”
E logo depois fiz com a vela roxa
“...dona dum coração de pedra...”
E por fim com minha unha fiz um corte no pulso dizendo:
“...Preto no preto, vermelho no vermelho, roxo no roxo, mal do mal, sangue do meu sangue, eu a invoco.”
E derrubei algumas gotas de meu sangue na tigela. O fogo que era pequeno aumentou de tamanho iluminando consideravelmente a sala, se tornando preto, depois vermelho e roxo e por fim uma mistura dos três com vermelho vinho, por cauda do meu sangue.
Uma neblina começou a entrar por debaixo da janela, e se apossando da sala. Levantei do circulo e cruzei os braços esperando. Quando a neblina sumiu completamente tinha uma garota mais ou menos da minha idade sentada na poltrona de pernas cruzadas. Ela tinha apenas uma blusinha clarinha, que era meio amarrada na frente, mostrando seu belo corpo e usava uma calcinha, seus cabelos eram pretos lisos indo até a cintura, e seus olhos eram azuis clarinhos.
- Você sabe que cor clara nunca combinou com você não sabe? E, aliás, não tem nenhum homem aqui para você aparecer desse jeito. E eu não te desejo! – eu falei olhando para ela ainda de braços cruzados, e extremamente cansada.
- Você sabe que eu gosto de fazer entradas triunfais. Você demorou muito pra me chamar, já estava cansada de esperar. – ela se levantou e começou a tirar a roupa e a andar pelo apartamento observando tudo, pelada. Parando na frente de um espelho e colocando as mãos na cintura e fazendo biquinho.
- Sabe a humanidade lhe cai muito bem Sheba, mas eu fico muito melhor! – falou dando uma voltinha e assobiando para si mesma.
- Pouco me importa isso. Mas tenho que admitir que você fica melhor,quando esta com pernas e sem seus chifres. Parece mais vulnerável. Quem sabe assim eu possa te matar.
- Você nunca faria isso irmãzinha, você precisa de mim. – ela falou ainda se olhando no espelho. Prendia os cabelos com as mãos e fazia pose.
- Odeio quando você tem razão Jezebel.
- Eu adoooooooooooro quando você admite que eu tenha razão! – Jeez falou se sentando que nem índio na poltrona e me olhando com cara de santa.
- Essa cara de taquara rachada comigo não vai funcionar. E por favor, Jeez vá se vestir, eu não preciso ficar te vendo pelada, ainda mais nessa posição.
- OK OK! Eu vou. Mas se Gabe tivesse aqui tenho certeza de que ele ia adorar!
- Jezebel não me provoque, eu já estou entupida de problemas. Você será mais estorvo na minha vida.
- Eu adooooro ser estorvo. Essas pernas realmente são ótimas.
- Ei como você sabia que eu ia te chamar?
- “Te vejo semana que vem maninha. Beijiin” – Jeez falou andando pelo corredor, ou melhor, ela falou enquanto rebolava pelo corredor. Fazendo um tchauzinho com as mãos para mim.
- Eu não acredito que não foi apenas um sonho. Eu vou enfiar meu cérebro no ácido.
- EU TE AJUDO! SABE NÉ! QUANDO PRECISAR CHAMA! – Jezebel gritou do meu quarto.
- Onde será que eu coloquei a pistola silenciosa?- eu ia matar ela, cortar em pedacinhos, congelar, depois eu ia reviver ela. Ai sim eu ia matar ela de novo.
- Então my little sister, porque me chamaste?- Jeez apareceu na sala, com uma regata roxa, e uma calça jeans clarinha, com uma bota preta por cima e de cabelos amarrados.
- A mãe do meu namorado é uma anja!
Como já era de se esperar, a vaca abriu a boca de boquetera e se estourou rindo. Chegando a chorar.
- Quero que um dia aconteça algo bem pior contigo.
- Não se preocupe amor, isso nunca vai acontecer comigo, pois eu não sou energúmeno que nem você. OK chega de passar a faca, vamos ao que interessa.
- Eu preciso da sua ajuda. – me corria por dentro ter que admitir isso.
- Isso é óbvio. Olha sua pele, não quer um creminho emprestado?
- Essa é a minha cara, acostume-se com ela.
- OOOOK! Depois quando o purpurinadinho te largar, não venha chorar pra mim.
- Isso não ira acontecer. Porque eu que vou terminar com ele.
- Huum é assim que se fala. Mulher no comando. Isso é HOT.
- Não estou a fim de saber de suas intimidades Jeez. Afinal você vai ou não me ajudar?
- Certo. O negócio é o seguinte eu só atendi a seu pedido por um motivo.
- Eu sabia que você não viria por livre e espontânea vontade. Desembucha!
- Eu quero a alma de uma pessoa. – Jezebel estava fazendo alto cu doce. Ela sabia que ela não precisava pedir, ela sempre conseguia a alma de qualquer um.
- Whatever! Quem é o ser vivente? – Ela se levantou e veio andando até parar na minha frente.
- Gabriel Michael Christensen.
Um arrepio passou rapidamente pela minha espinha, fazendo todos os pelos do meu corpo se eriçar. A imagem de Jezebel possuindo a alma de Gabe invadiu minha mente.
- O que foi irmãzinha, dói demais imaginar o seu querido Gabizinho no inferno?
- Não, é claro que não. É só que me pegou de surpresa.
- Claro, te peguei de surpresa. É impressão minha ou você esta suando frio e tremendo?
- É impressão sua.
- OMG OMG OMG OMG VOCE ESTA APAIXONADA POR ELE.
Jezebel fez sua maior cara de nojo, cuspindo as palavras que eu havia conseguido esconder de mim mesma por tanto tempo.
- Vê se me erra Jezebel. Você acha que eu estaria apaixonada por ele? – eu estava literalmente quicando de nervosa, mas eu não podia impedir Jeez, e se ela me ajudasse seria melhor. – Eu só estou me divertindo.
- Então porque você precisa de mim? Se ele é só uma diversão? – ela colocou as mãos na cintura, ergueu uma sobrancelha,e ficou me fitando,esperando minha resposta.
- Por que... Por... Porque a mãe dele é uma anja lembra? E eu quero me divertir mais um pouco com ele, e a mãe dele ta me atrapalhando. E eu quero curtir com a cara dela enquanto eu me divirto com ele, pra depois... – minha voz baixou consideravelmente – lhe entregar sua alma.
- Sim eu já sei que você quer se divertir com ele. Você repetiu isso duas vezes. E a mãe dele não deve ser um problema. Então eu ainda quero saber por que me chamou!
- AIII Jezebel não enche só me ajude OK!Se não pode voltar pra toca de onde veio.
- OK eu irei te ajudar.– suas mãos penderam para baixo, impondo uma posição quase de ataque, seu olhar ficou mais escuro e rugas de raiva apareceram no seu rosto. — Eu só irei te avisar uma vez Sheba, se você atrapalhar meus planos com Gabriel. Eu faço sua volta ao inferno um verdadeiro mar de rosas.
- Você não me assusta Jezebel. Mas eu não irei interferir nas suas crueldades.
- Eu agradeço muito. – ela foi se retirando em direção a cozinha, abriu uma porta e pegou uma tigela, abriu outra portinha e pegou dois pacotes de salgadinhos. Sentou-se no sofá, ligou a televisão, colocou num filme de terror e colocou os dois salgadinhos misturados dentro da tigela.
- Eu sempre quis comer isso! - falou de boca cheia e espalhando farelos pelo chão da sala. – Esses filmes são tão idiotas, essas coisas de demônios, bicho papão, exorcismo é só historinha pra criança dormir. Se eles soubessem o que acontece de verdade! – Jeez falou rindo das cenas que apareciam no filme.
- Eu vou dormir. Tente não colocar fogo no apartamento. – falei me retirando extremamente cansada com tudo aquilo.
- Tenha uma péssima noite, tenha pesadelos e durma com os demônios.
- Jezebe você ta no quarto ao lado, é óbvio que eu vou ter pesadelos.
- Me agrada muito!
GABE POV
- MÃE! Como você pode tratar ela assim? Eu tive que entrar no meu quarto com cuidado,olhando pra ver se você não tinha colocado uma bomba lá.
Eu andava de um lado pro outro na sala, inconformado com sua atitude. Angelique tinha ido dormir e eu resolvi lavar a roupa suja. Meu pai estava sentado na poltrona,enquanto minha mãe estava no sofá me olhando.
- Eu nunca trago ninguém aqui para conhecer vocês. E quando eu trago é alguém especial pra mim. Alguém que eu amo. E você a trata assim? Como se ela fosse um monstro?
- Meu bebe, aquela garota não te merece! Ela não merece ninguém. Como eu posso deixar o meu anjinho sair com um demônio daqueles?
- Meu senhor amado dona Annya como você pode falar isso? Você nem conhece a garota. Sheba é esperta, linda, carinhosa, amorosa, tudo bem que ela tem seus momentos bipolares, mas ela nunca iria ser um demônio.
- Desculpe meu filho, mas eu quero que você termine esse namoro. AGORA.
- Você ta louca? Você não pode mandar em mim assim, e eu não vou terminar com ela, por você achar que ela tem um pacto com o diabo. Isso é insano.
- Você merece coisa melhor. Ela não ira te trazer felicidade. E eu pensei que família era mais importante para você.
- Ela me trouxe muita felicidade até agora OK! E sim família é mais importante pra mim, desde que ela me apóie.
- Chega amor, já é tarde, se continuarmos com essa discussão vamos acordar os vizinhos. Outra hora você conversa com ele. Quando estiver mais calma de preferência.
- Não pai. Essa discussão termina agora. Eu não irei terminar com ela, nem por bem e nem por mal. E acho melhor você aceitar isso mamãe. Boa noite aos dois.
- Boa noite meu filho. – falaram os dois em coro.
Sai da sala furioso, enquanto deixava os dois conversando. Atravessei o corredor e subi em direção ao segundo andar do apartamento. Passei pelo quarto de Angie tentando fazer o mínimo de barulho possível, corri pelo resto dos corredores, chegando ao quarto de hospedes. Entrei nele e fui em direção ao closet. Adentrei-o e fui em direção ao espelho. Dei um leve empurrão nele,e ele se abriu,rangendo um pouco, e me mostrando um corredor escuro com uma pequena escada. Fechei o espelho atrás de mim e subi as escadas, empurrando uma portinha pesada que desse acesso a um terraço. O meu terraço. Que só eu sabia da existência.
Quando compramos a cobertura, eu fui o primeiro a olhar o quarto de hospedes, que foi meu por um tempo, até eu trocar pro meu quarto atual. Havia esse closet velho que tinha uma parte do espelho quebrada me mostrando essa pequena passagem. Troquei o espelho por um que cobrisse toda a entrada, e coloquei uma simples fechadura quê se abriria com uma leve pressão no lugar certo. Eu tinha feito daquele lugar o meu refugio.
O terraço era vazio, havia apenas algumas plantas em potes que eu de vez em quando vinha cuidar. Uma luz instalada na parede e um banco pequeno de dois lugares que eu coloquei lá, para quando quisesse ficar sozinho. O prédio era de estrutura antiga, mas tinha dois anos que havia sido reformado completamente, contendo um aspecto de novo e luxuoso. Ele era mais alto que alguns e mais baixo que outros. Assim eu não me sentia que estava no poço nem que estava no topo do mundo. Isso de certa forma era uma sensação boa. A noite estava quente, mas o vento que tinha refrescava tudo. Sentei no banco que ficava quase na beirada do parapeito do prédio, e olhei o céu, completamente estrelado, era estranho, toda vez que eu fazia isso eu me sentia bem, calmo, em casa. Eu adorava aquele lugar, me ensinou tanta coisa, claro que tudo isso que aprendi foi olhando a vida dos outros. Na noite escura ninguém me enxergava então eu tinha livre passe pra observar não espiar!
Eu olhava sempre pros prédios mais pertos, onde eu conseguia enxergar nitidamente. Éramos filhos do mesmo pai, segundo a bíblia, e todos irmãos, mas vidas totalmente diferentes. Pensamentos, rotinas, amores, ações, escolhas diferentes.
Amores. Eu amava Sheba. Eu nunca tinha me apaixonado assim antes. Pra falar a verdade eu nunca tinha gostado de alguém. Eu sempre tive aquela coisa de casais, sempre sabia quando um casal daria certo ou não, como por exemplo, Libby e Logan. Perfeitos um para o outro. Eu vivia falando pra Logan não deixar essa passar, que ele iria se arrepender. E eu estava certo. Mas comigo, era completamente diferente. Eu não sentia isso, nunca senti, com nenhuma que eu tenha me relacionado. E no baile quando eu vi Sheba, eu não dei à mínima se eu estaria roubando o par do meu amigo. Ela precisava de mim. Eu precisava dela.
E agora, eu não conseguia ficar longe dela. Eu não sabia se ela sentia a mesma coisa por mim. Aquela dor angustia e desespero que eu senti inúmeras vezes emanando dela, nunca mais voltou.Eu precisava achar uma maneira de fazer ela e minha mãe se acertarem, não estava certa essa situação. Senti que o vento começou a ficar frio, e asluzes dos prédios se apagarem. Estava tarde.
Fechei cuidadosamente o espelho, e sai do closet indo em direção ao meu quarto. Passei pelo quarto de meus pais e escutei-os discutindo, pensei em intervir, odiava quando brigavam, mas acabei escutando meu nome e a curiosidade aumentou. Foram poucas as coisas que eu consegui escutar e nenhuma delas se pareceu coerente.
- Não Carlos, ainda não é a hora.
- Querida, à hora esta chegando, uma hora ou outra nós teremos que contar a ele.
- Eu sei meu amor, mas eu ainda não admito perder meu filho. Não estou preparada para que leve ele.
- Você sabia dos riscos quando engravidou. E a escolha é dele. Isso iria acontecer. – ouvi minha mãe bufar fortemente. Esse era seu sim quando discordava de algo — 0Então quando vamos contar?
- Em breve. Muito em breve.
Notas finais
então! COMEENTEEM MUITOO o/o/
Beiinjiin - ENJOY
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