Entre o Inferno e o Céu
13 Vem a chuva e molha o meu rosto
Notas iniciais
MAIS REVELAÇÕES *----------* COMÉDIA E AMOR(não no sentido carnal)
GABE POV
- Eu andei discutindo com minha mãe essa semana toda.
- Porque fizestes isso Gabe?
- Porque ela não te aceita. Ela quer que eu termine com você urgentemente. Ela anda falando coisas sem nexo, dizendo que você não presta que é de outro mundo, que é malvada. – o olhar de Sheba entristeceu rapidamente, assim como seu rosto que ficou branco como a neve. – Mas não adianta ela me falar nada disso. Eu sei o que você é. – dessa vez seu olhar se alargou, mostrando certo nervosismo.
- Sabe é? Então... Huum... O que eu sou? – seu nervosismo era visível.
- Você é minha. Sempre foi e sempre será. – peguei em seu queixo, erguendo-o até meu rosto e lhe beijando os lábios. Lábios que eram meu paraíso, meu gostinho de doce,minha alma.
Assim como os outros, resolvemos gazear as ultimas aulas. Passamos pelo ginásio e vimos sua prima Jezebel se enroscando com o professor de Ed. Física em um canto. Libby e Logan resolveram voltar para casa, e bom, Bryan ainda esta correndo das garotas psicóticas. E eu e Sheeb,atravessamos os campos da escola,pulamos uma cerca pequena,e corremos em direção ao quintal de uma mansão.
- Gabe você tem certeza de que podemos ficar aqui?
- Sim, a família é muito rica, e raramente passa alguns dias aqui. Eles devem estar em alguma mansão de verão.
Estávamos encostados numa arvora do maravilhoso jardim da casa. Eu encostado na madeira e ela sentadas entre minhas pernas,aconchegada por meus braços olhando o pequeno lago ao nosso redor.
- Eu andei pensando. – ela disse pausadamente.
- Em que?
- Em nós – ela se endireitou podendo olhar claramente em meus olhos. E eu podendo ver sua linda face. – Assim, desde que começamos a sair, só acontecem problemas. Estamos quase sendo expulsos da escola.
- Isso porque não consigo ficar muito tempo longe de seu corpo. – eu disse beijando seu pescoço e sentido seus pelos se eriçarem.
- GABEE FOCO! – ela gesticulou com as mãos do lado da cabeça. – Você tem ataques de ciúmes até com seu primo às vezes. Não sai mais com seus amigos. Nem com sua família. Passa os dias lá em casa. E agora esta discutindo com sua mãe por minha culpa.
- Sheba. Apenas me escute um pouco. Eu te amo como nunca amei ninguém. Você entrou tão estranhamente na minha vida. Que às vezes eu não entendo de onde você saiu. Eu sei, eu nunca briguei com minha família, ainda mais por uma garota. Mas eu não entendo o motivo, eu só sei que você vale à pena. Algo me diz que eu estou certo. E eu pretendo seguir meu instinto. – ela escutava tudo calada e de cabeça baixa. – Eu não me importo de não estar fazendo as mesmas coisas de antes. Eu fiz isso durando 18 anos.
- Gabe você não...
- Eu falei com minha mãe hoje de manhã. Ela aceitou te conhecer melhor. Nós iremos almoçar com eles de novo no sábado. Dessa vez você coma antes de ir lá, porque será a Angelique que ira fazer a comida.
- Gabe isso pode acabar muito mal. – seu rosto era pura piedade.
- O que? A comida da Angie? Essa sempre acaba mal. – eu sabia que ela não estava falando disso, mas eu não queria continuar aquela discussão.
- Não seu bobo. Isso. – ela gesticulou apontando nós dois – Isso pode acabar mal, e você não parece nem se importar. Se não fosse por mim você nunca teria chegado tão longe com sua mãe. Se você não fosse tão bom para sua idade, eu teria sido capaz de me controlar.
- Que bom que você não soube se controlar. E isso nunca vai acabar mal. Porque eu te amo. E é só isso que conta.
- ARRRG! – ela levantou resmungando e andando de um lado ao outro. – Eu não quero que você me ame. Isso aconteceu rápido demais. Não era pra ter sido assim, era pra ser um simples baile. E então você apareceu, com sua postural impecável, e seus malditos olhos azuis, e eu me perdi.
- Porque você quer uma coisa assim? Que eu não te ame? Todo mundo quer alguém que a ame. – me levantei também, segurando-a pelos braços e a virando de frente pra mim. – Porque você não quer que eu te ame? – um pequeno nó estava se formando na minha garganta. Então ela explodiu em choro.
- PORQUE EU NÃO TE AMO. EU NÃO QUERO TE AMAR. EU NÃO TE MEREÇO.
Seu corpo chacoalhava com todo o choro que saia de seus olhos. Eu nunca a tinha visto chorar, por mais triste que fosse eu estava me deliciando com sua imagem frágil na minha frente.
- É incrível como você pode ficar tão linda mesmo braba, triste, safada, chorosa e bêbada.
- Gabe, para, por favor. – eu sentia seu corpo mole em meus braços, sua voz estava toda embargada.
- Sheba eu não me importo se você ainda não me ama, ou se nunca ira me amar. Eu só quero que você de tempo ao tempo. Eu sei que pra mim foi rápido demais. Eu só sei que a necessidade que eu sinto de sempre estar perto de você é muito grande. E me dói demais. – eu estava tentando explicar tudo da melhor maneira para ela, explicar o quanto eu a precisava. – Claro que isso às vezes machuca saber que você não me ama.
- Viu, é disso que eu estou falando. Eu vou acabar te machucando. E além do mais, machucando mais ainda eu mesma quando tudo isso acabar. Eu nunca deveria ter ido para aquele baile. Sua mãe esta certa, eu não sou boa o suficiente pra você, eu sou um monstro. — Não agüentava ouviu e ver ela falar daquela maneira de si mesma. Doía-me saber que ela não se achava o bastante pra mim. – Um dia quando tudo vier à tona, você irá me odiar. E minha única opção será de ir embora.
- Quando tudo o que vier a tona? MEU DEUS, você e minha mãe parecem que escondem as coisas. Que sabem coisas que eu não sei.
Seus braços foram deslizando dos meus, até caírem pesados do lado de seu corpo. Sua voz era fria e arrepiante e no seu olhar não tinha mais nenhum vestígio de brilho. Era apenas escuro.
- Eu não sei de nada Gabe, só foi um modo de falar.
- Ok eu não irei te forçar a nada, nem irei te forçar a falar,quando você sentir pronta,eu estarei aqui apenas te ouvindo.
- OK. Eu acho melhor eu ir embora. Não estou me sentido bem.
Sheba foi saindo sem dizer mais nada. Minha ânsia por ela ainda era grande, peguei em seu braço lhe trazendo de encontro ao meu peito e grudando meus lábios na sua fonte de vida. Como sempre era, foi e será. Não me controlei e a levantei no ar. Seus braços já estavam ao redor do meu pescoço e apertando fortemente meus cabelos. Minhas mãos percorriam sua coluna lisa por dentro da blusa. Seria impossível me esquecer de um beijo seu, era sempre doce, não digo na maneira, mas o gosto era como comerr algodão doce, ou mel. Aquele estava sendo um dos melhores beijos que já havíamos dado até hoje. Nossas línguas em sincronia perfeita como sempre. Antes de sentir seus braços se afrouxarem do meu pescoço, senti o gostinho de uma pequena lágrima. E quando eu abri os olhos ela estava lá, escorrendo por sua bochecha rosada. Era apenas uma.Uma lágrima. Seus olhos ainda eram frios e escuros. Beijei sua bochecha enxugando a pequena gotícula de água.
- Nunca se esqueça que eu te amo. Amo-te mais do que poderia.
Ela apenas segurou meu rosto e me deu um longo celinho, antes de sair apressada. Fiquei mais uns 15 minutos parado naquele lugar que me trazia tranqüilidade e lembranças de nossos momentos juntos. Meu reflexo na água do lago era mais claro possível. Eu sentia que o nosso tempo estava acabando. E lá estava ela de novo estampada, mas dessa vez no meu rosto. Uma lágrima.
Voltei para casa caminhando. Eu precisava de tempo para pensar. E de carro eu não teria muito sucesso. O elevador se fechou atrás de mim, e eu logo senti um cheiro muito bom, mas ao chegar perto da porta do meu apartamento, parecia queimado. Tinha algo pegando fogo. Adentrei o AP às pressas procurando o local do incêndio, e apenas encontrei uma Angelique debruçada na bancada da cozinha com cara de “TOMA NO CU MEEERMO”. Na sua frente havia um pedaço de carne com batatas e legumes.
- Oi.
- Oi. Então...?
- Então que eu estou tentando cozinhar para sábado. O que achou da minha carne assada?
- Maninha não querendo desmanchar sua feição de esperança. Mas isso esta mais para carne queimada do que assada. Se você fizer assim sábado, vamos todos morrer de câncer. Você podia fazer cachorro-quente,sabe,pelo menos esse você acerta!
- Gabe?
- Huum?
- Caiu ali ó! – ela falou apontando pros meus pés.
- O que?
- Seu cérebro.
Angie me deu as costas levando a panela com as “queimaduras” até o lixo, e foi saindo da cozinha,me deixando lá com cara de Pokémon não evoluído. Eu ainda não tinha movido um músculo quando meu pai apareceu no local sorrindo.
- Oi filho. Pensei que fosse ficar hoje com sua namorada.
- Ela tinha compromissos.
- Huuuuuuum! Bom então eu vou indo pra loja.
- Tchau pai!
Ele já estava saindo da cozinha quando se virou e me encarou.
- Gabe?
- Sim pai?
- Só cuidado para não pisar encima.
- Do que?
- Do seu cérebro!
Eu apenas escutei a porta batendo e Angelique se rachando rindo na sala. Agachei-me peguei meu suposto cérebro e fui até meu quarto. No corredor encontrei minha mãe, que estava muito pensativa,mas quando me viu abriu seu lindo semblante.
- Olá meu amor.– ela olhou para minhas mãos em forma de concha. — Gabe o que você ta carregando?
- Meu cérebro.
- A ta! – ela me beijou na testa e foi saindo, provavelmente estava indo até a loja também.
- Tchau mãe.
- Gabe?
- Huum?
- Acho que se você for à lojinha de R$1,99 da esquina eles trocam pra você!
- Trocam o que?
- Seu cérebro.
PORRA ISSO SÓ PODE SER Complô!QUE ÓDIO! AGORA A PIADA DA FAMILIA É MINHA FALTA DE MENTALIDADE? TOMA NO CU MEERMO.
Subi até meu quarto, onde atirei meu tapado cérebro num canto, me jogando na cama e olhando pro céu. Ainda estava claro, mas algumas estrelas já apareciam no céu. Fechei os olhos para pensar um pouco e acabei dormindo. E tendo o mesmo sonho que tive esses tempos atrás com a “suposta minha mãe anja”.
Acordei no meio da noite com pingos grossos de chuva no vidro acima de mim. Por mais estranho que pareça, o céu não estava totalmente coberto de nuvens. Tinha algumas estrelas, e mesmo assim chovia certa vez fraco outras vezes forte. Percebi que estava todo desajeitado da cama, me revirando e chegando a conclusão de que no outro dia precisaria de remédio para dor muscular. Levantei, tomei uma ducha rápida, olhei no relógio e vi que era 03h15min da manhã. Certamente ninguém estaria acordado essa hora. Coloquei uma calça de moletom vermelha e desci até a cozinha.
Era raro eu acordar no meio da noite. Mesmo eu tendo pesadelos, eu sempre tinha um sono bom e dormia bem. Eram raras as vezes que acontecia, duas vezes com o sonho da anja, e outra vez que sonhei que Sheeba era um demônio. Acordei dando risada, claro, pois eu tinha brigado com minha mãe aquele dia, ela ficava falando que Sheeb era má. Isso me irritava.
Eu sentia a água gelada descer pela minha garganta me aliviando. Acordei com muita sede e muito suado. Fechei algumas janelas do apartamento, pois estava começando um temporal. Fui até a sala de estar e olhei pelo paredão de vidro que tinha ali. Era tarde,mas Reed River ainda estava acordada.
Gabriel!
Não sei se foi coisa da minha cabeça, ou eu com meu minúsculo cérebro imaginamos aquilo, mas alguém tinha sussurrado meu nome, eu tinha visto pelo reflexo do vidro uma sombra branca e um pouco brilhosa passar atrás de mim. Meu coração acelerou consideravelmente. Fechei as cortinas, e escutei novamente me chamarem.
Gabriel!
Me virei. Errado. Ao me virar tinha uma pessoa toda de branco e brilhosa na minha frente, isso ocorreu em frações de segundos, pois não tive tempo de piscar e ela sumiu. Eu estava enlouquecendo. Corri pelos corredores da casa,mas em cada cômodo que eu passava havia alguma coisa branca r brilhosa,eu quase nunca enxergava seu rostos e nem o que eram,mas pareciam que estavam me seguindo.
O lance de escada eu subi, a cada três degraus. Meu coração nunca tinha martelado tão forte. Estava passando pelo quarto de Angelique, quando resolvi entrar e conferir se tudo estava bem. Estava. Ela dormia tranquilamente, como um anjo, seus cabelos loiros meio ondulados ficavam espalhados pelo travesseiro. Nem parecia que era aquela pessoa que queimou um pedaço de carne. Sai do quarto cuidadosamente para não acordar ela, e nem chamar a atenção pra mim. Olhei pelo corredor e ele parecia estar limpo, sem nenhum branquinho por ali. Passei pelo quarto dos meus pais e notei uma luz excessivamente acesa. O quarto estava organizado como sempre, só que dessa vez ele estava completamente cheio daquelas coisas que me perseguiram antes. Eu não conseguia me mexer e nem falar nada. Minha voz ficou presa na garganta e meus pés colados no chão. Alguns deles me olhavam e outros deles olhavam meus pais. Todos trajados igualmente, camisola branca, cabelo loiro cacheado e luzes pequenas que emanavam de seus corpos.
- GABE?! O que você esta fazendo aqui?- Minha mãe olhava pra mim sentada na cama e fazendo meu pai acordar e me olhar também assustado. Eu não conseguia lhe responder, apenas ficava olhando aquelas “coisas” ao nosso redor.
- Carlos? – minha mãe cutucou meu pai.
- O que?
- Ele está vendo eles.
E então eu apaguei.
SHEBA POV
Não queria ir pra casa de carro. Eu queria sair e andar. Pensar. Refletir. Passei no ginásio da escola,deixei a chave do meu precioso carro com a besta da minha irmã e andei. Andei. E andei. Até sentir minhas pernas dormentes e meus pés doloridos. Coisa que eu nunca havia sentido antes. Pela primeira vez eu me sentia humana. Pela primeira vez eu pude sentar em um banco da praça enquanto a chuva caia sobre minha pele e imaginar que tudo ficaria bem e que eu poderia ficar para sempre com ele. Gabe. Esse alguém que depois de hoje lá no quintal da mansão me deixou perdidamente apaixonada. Foi por ele e com ele que eu derramei minha primeira lagrima. Foi ele que foi o único que disse que me amava. E provavelmente seria só ele. Seria por ele que eu morreria.
Eu não tinha mais nada. Nada mais me importava. Dinheiro, sofrimento, festas, inferno, céu, o raio que os parta. Nada disso fazia sentido pra mim agora. Eu havia passado meses escondendo de mim mesma esse sentimento. E agora me doía admitir que eu o amava,e nada mudaria isso. Ele me possuía.
Passei horas e horas no banco da praça, sentada, de olhos fechados olhando pro nada. Algumas vezes alguém aparecia e pedia se eu precisava de ajuda, mas era sempre “não,” não” e “não”. Eu não entendia essa necessidade humana que eles tinham de sempre ajudar.
A chuva começou fraca, mas com o tempo foi ficando forte de modo que os pingos machucavam ao tocar meu corpo. Então eu chorei. Chorei como nunca havia chorado. Eu ergui minha cabeça ficando com ela apontada pro céu e o encarei. Chovendo mas com estrelas, como podia isso acontecer? La encima parecia ser tão diferente daqui ou lá debaixo.Às vezes minha vontade era de largar tudo e me mandar lá pra cima. Todos falavam que eu era louca, pois ninguém mais se sentia assim, apenas eu. E eu não podia negar minha raça. Eu era um monstro causador de dor. Nunca eles me aceitariam como eu sou. Muito menos Gabe. Pensar que ele poderia me rejeitar tão facilmente, e finalmente me mandar pro inferno, como eu tanto sonhava, me revoltava o estômago, eu estava sentindo um enjôo enorme. Então tudo veio a tona quando me lembrei de Jezebel. Ela queria a alma de Gabe, e eu não poderia fazer nada para mudar isso. Virei pro lado e coloquei tudo pra fora. Meu estômago doía de tanto vomitar. Minha cabeça ardia, e eu mesmo molhada parecia que estava suada. Provavelmente com febre.
Cheguei em casa de madrugada completamente encharcada e com minha voz por um triz. O apartamento estava todo silencioso, me olhei no espelho e notei minhas enormes olheiras. Fui até a cozinha, fiz um chá, coloquei um pouco de mel. E tomei. O gosto do mel ao tocar na minha língua, me trouxe instintivamente a lembrança de Gabe, e parecia que eu estava provando de sua boca novamente.
Passei pela lavanderia tirei minhas roupas pegando no armário uma toalha e me secando o corpo, juntamente com meus cabelos. Minha cabeça ainda ardia, e a tosse começava a se apossar de mim. Lembrei-me de Jezebel, e me direcionei até seu quarto, verificar se ela tava viva ou morta não faria mal a ninguém.
Entrei em seu quarto, encontrando-a encostada na cabeceira e me olhando. Seu quarto estava totalmente diferente de antes. Antes ele era amarelinho com azul, com uma cama de casal simples, o closet malvado, algumas cômodas, a televisão na parede e o banheiro. Agora ele estava todo roxo, com muitos espelhos, uma cama enorme, tipo da realeza,as cortinas escuras e muitas almofadas.
- O que você fez com seu quarto? – minha voz estava completamente rouca,e meu rosto continha uma expressão de cansaço,eu achava.
- Deixei ao meu gosto. Aquele amarelinho e azulzinho me causava ânsia. Tive sonhos bons com essas cores de noite. – só então depois de dar sua graça,ela me notou realmente e se endireitou na cama,colocando uma cara falsa de preocupação. – O que aconteceu irmãzinha? Tomou chuva é?
Não tive coragem de retrucar e nem vontade. Minha inspiração tinha ficado na praça. E meu ódio por ela também. Apenas caminhei em sua direção deitando na cama, onde minha cabeça ficou em seu colo. Senti elas virem de novo. As lagrimas. Jeez enrijeceu, e percebi que ela não sabia o que fazer.
- Sheeb?- sua voz era cautelosa.
Apenas levantei e a olhei, seu rosto de confuso passou a piedoso, e no instante seguinte eu estava chorando em seus braços. Os soluços eram inevitáveis.
- Não se preocupe, eu irei fazer essa dor passar. – ela me abraçava fortemente afagando minhas costas e mexendo nos meus cabelos.
- Porque você esta sendo tão gentil comigo?
- Se lembra aquele dia do baile quando você me encontrou do lado de fora? E eu disse que queria que você fosse promovida?
- Sim.
- Bom eu não estava mentindo. Afinal eu ainda sou sua irmã mais velha. – sua voz era calma e havia se tornado muito bonita. – E apesar de tudo, eu sei o que você esta passando, e não quero que sofra o mesmo que eu.
Se eu pudesse, estaria enxergando dentro de seus olhos. Vestígios de lagrimas começaram a surgir e seus lindos olhos azuis começaram a se tornar líquidos.
- Obrigada. – foi à única coisa que eu consegui sussurrar. Jeez foi mais pro lado me dando espaço na cama, puxamos as cobertas entramos embaixo, meu corpo estava muito gelado. Agarrei uma de suas inúmeras almofadas e a abracei, para ver se aplacava a dor que eu sentia no peito. Jeez apagou as luzes e me deu um beijo na testa me desejando boa noite. Estava pegando no sono devido ao meu grande cansaço quando ela soltou.
- Eu sei que fiquei um pouco sentimental hoje. Mas se você falar pra alguém, eu corto fora o tico do Gabe. – seu medo era engraçado. – E não se encoste em mim,você ta pelada!
- Aii Jezebel só você pra me fazer rir numa situação dessas.
Rimos altamente, e acabamos pegando no sono.
Eu deixei minha mente vagar abertamente dessa vez. Sonhei que estava no inferno novamente, como sempre fazia, só que dessa vez eu estava lá. Perdida. Andava pelas ruas e masmorras destruídas como se estivesse procurando algo. Mas não achava. Então eu a escutei.
Sheba!
A voz mais melodiosa de todas, ela ecoava por dentro da minha cabeça. Fechei os olhos pra escutar de novo, mas nada. Não estava mais ali. Então eu abri meus olhos.
Sheba!
E ela estava lá novamente, dessa vez saindo da boca de uma mulher, de estatura media, cabelos curtos, pretos, olhos claros e pele acetinada. Seu sorriso era aberto em seu rosto, o que eu achei estranho, pois para alguém que estava no inferno, isso deveria ser impossível, até mesmo pra mim. Vestia um sobre tudo preto, e seus pés descalços. Ela veio vindo até mim e eu me apavorei.
- NÃO ANDE! Você ira se cortar! – tentei lhe alertar, mas parecia que estava sendo impossível. Pois ela começou a andar novamente com seu sorriso impecável no rosto.
Seu cheiro era doce, como flores, rosas, mais precisamente. Ficou a um passo de mim e me abraçou. Estranhamente lhe retribui o abraço. Senti ela relaxar e suspirar em meus braços.
- Como você esta linda e grande! – nos separamos e ela me olhou nos olhos mexendo em meus cabelos.
- Vo... Você me conhece? – eu estava totalmente espantada.
- Claro que eu conheço você! Tu és fruto de meu amor.
- Como assim?
- Certamente não se lembras de mim, foi tirada muito cedo de meu seio. Eu sou sua mãe. Meissa.
- Minha mãe? Meissa? – aquilo não podia ser possível, minha mãe havia morrido quando me deu a luz, e meu pai morreu dias depois. Assassinado. Quem sempre me criou foi Jeez que era 500 anos mais velha que eu.
- Sim eu sou sua mãe. Meissa, pois eu sou a brilhante. Meus pais deram esse nome, pois era de uma estrela, e ela por si era a mais brilhante.
- Mas você não pode ser minha mãe. Minha mãe morreu. E você não parece ser alguém que vive no inferno.
- Sim filha, eu e seu pai estamos mortos. Mas não foi assim. Nós dois fomos assassinados. Você era muito nova para entender as coisas, então te deixamos sob cuidado de Jezebel.
- Mas porque eu nunca fiquei sabendo disso? E como você esta aqui agora? Se vocês estão mortos, onde vivem?
- Pelo visto não mudou nada, continua a mesma curiosa de sempre. Mas antes de lhe contar precisamos nos esconder. Eles não podem saber que eu estou aqui! – ela pegou em minha mão e saímos correndo em direção a uma loja totalmente destruída, entramos e nos agachamos atrás do balcão.
- Eles quem?
- Os equilibradores.
Eu já tinha ouvido falar desses tais equilibradores. Eles não eram nem anjo nem demônio. Era um intermediário entre os dois. Eles vagavam pelo portão do céu e do inferno, impedindo que qualquer coisa acontece-se, tipo uma invasão. Era por isso que guerras entre o bem e o mal não aconteciam mais.
- Minha querida você nunca ficou sabendo de certas coisas, pois eu e seu pai proibimos Jezebel de contar. – ela tentou me explicar – E eu só estou aqui, porque eu quero te ajudar. Eu e seu pai moramos no intermédio dos dois mundos.
- Terra? – se ela morava na terra porque nunca apareceu pra mim?
- Não exatamente, nós apenas vagamos.
- Se vocês foram assassinados porque vocês não vivem no céu?
- Não temos tempo pra isso agora. Eu preciso te alertar meu amor! Você não deve fazer o que seu instinto manda. Siga sempre seu coração. – ela pegou minha mão e colocou por cima de meu peito. Eu sentia meu coração descompassado.
- Do que você esta falando? O que eu estou fazendo de errado.
- Eu estou falando do seu futuro,da sua vida, da sua continuação. Não quero que sofra como Jeez e nem como eu sofri.
- Você esta falando de Gabe? – tive que engolir um nó que se formou na minha garganta.
- Sim. Você não deve fazer o que esta fazendo! Renegue a todos e a tudo, menos a ele. Você foi à salvação dele e ele a sua.
- “Gabriel e Sheba” é uma equação inexistente. Impossível de ser resolvida.
Ela se levantou, olhou ao redor e pegou novamente em minha mão, nos guiando para fora.
- Meu tempo é curto demais. – ela me abraçou fortemente novamente – Pra tudo tem uma solução. – e foi andando, sua forma foi desaparecendo.
- EIII ESPERA! Eu vou te ver de novo? – eu já estava com meus olhos cheios de lágrimas.
- Você nunca me verá de novo querida. Mas nunca se esqueça que eu e seu pai te amamos eternamente.
Então ela foi. Como um sopro, desapareceu, pro meu total desespero. Ajoelhei-me no chão segurando a barra da minha camisola e chorando.
Apenas lembre-se a escolha é SEMPRE sua.
Sua voz invadiu novamente minha mente, o fazendo ecoar como antes. Eu sentia novamente meu peito arder, dessa vez eu tinha certeza que era de medo e dor. E assim eu acordei. Totalmente suada e com cheiro de enxofre.
Notas finais
- A CADA COMENTÁRIO QUE VC NÃO FAZ,UM AUTOR MORRE! -
REVIEWS PLEASE!!!!
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