Entre o Inferno e o Céu
1 O Início do meu fim
Sheba POV
– Eu acho que devíamos dar uma volta! – Disse Gabe. Perdida em seus olhos azuis anis , era quase impossível não me afogar.
Gabriel era assim para mima agora, um mar sem fim inúmeras possibilidades, futuros incertos. Ele era tão bom, que todo o meu fogo interior havia desaparecido, e eu já sentia falta de casa. Ou melhor do meu ‘caloroso’ aconchego. Sou uma criatura eterna, até conseguir minha espera graduação ficarei presa neste corpo insano de adolescente fraca, vivendo como uma humana normal. Isso me irrita profundamente, mas no momento estando nos braços dele, era quase difícil me concentrar em algo ruim e desonesto. Fica difícil respirar quando eu quase consigo escutar o seu e o meu coração batendo descompassados.
É, eu odeio Gabriel Michael Christensen. E eu serei seu inferno na terra.
Andávamos por Reed River a 140 km/h, nada que me assusta-se no momento, mas por ele ser meio anjo — claro, ele não fazia ideia de que era um- isso era um pouco digamos que, fora do normal.
Anjos são extremamente cuidadosos, tanto na terra quanto no céu,fazem tudo milimetricamente calculado para não alterar o futuro de seus protegidos,de seus ‘amados’ e de suas vidas também. Eu já tive encontros ao acaso com alguns anjos,mas nunca nos metemos no caminho um do outro. E eu claramente me tornei a vida de um agora. No céu, toda aquela imagem de cabelo loirinho encaracolado,auréola, asas e arpas é verdade. Na terra as coisas se tornam um pouco diferentes,quando um anjo renuncia sua castidade e as suas asas, ele se torna parcialmente um humano normal, sua aparência física muda. Então os traços físicos, como a cor de sua pele,cabelos,olhos muda e ganham algumas curvas esculturais. Mas seus dons eles não perdem,sabem identificar uma entidade do mal assim que as enxergam, conseguem se comunicar com outros anjos por meio da oração,e como toda aquela coisa irritantes de divinos e fubá a fora eles são glamorosos e tudo que eles possuem é divino. Irônico não? E como eu sei tudo isso? Cap 12. ‘Conhecendo o campo inimigo’. Escola! Manual de um mau demônio.
É estranho e repugnante pensar que um anjo ou até um demônio trocariam suas asas e chifres,por arroz,bife e um pouco de cheiro de humanidade. Eu não sei muito bem o que acontece com um demônio que renuncia sua origem, pois na escola eles não costumam ensinar essas baboseiras pra não colocar na cabeça de certos ‘retardemonios’ ideias de girino.
Já havíamos passado da entrada da cidade a uns 20 minutos e fiquei imaginando aonde aquele tipo estava me levando. Um frio subiu pela minha espinha me causando náuseas quando imaginei que Gabe tivesse descoberto o que eu sou e estivesse me levando pro caminho do extermínio,logo lembrei que ele nem sabia que era um ‘cacheadinho’ e a náusea melhorou,mas ainda estava intrigada com o que vinha pela frente.
A partir do momento em que Gabe tocou minha pele naquele maldito baile eu me tornei dele,ele me possuía!
E até ele desistir de mim,teria completo poder sobre mim, e sabendo disso eu o odiava mais ainda.
Jezebel aquela desgraça eminente devia estar rindo da minha cara agora de tacho, claro, desde que entramos no carro eu não parava de olhar aquele rosto tão angelical,e me perguntar como fui me perder assim! Como eu não percebi o que estava na minha frente? E como Jezebel era uma vaca!
Relutante demais, consegui virar meu rosto e olhar a estrada, devia ser quase três horas da manhã, o baile devia estar na maior maravilha, eu me sentindo um pokemón não evoluído dentro de um Jaguar XKR 100 preto reluzente, com um garoto altamente atraente para os padrões humanos. Alto,levemente musculoso,cabelos negros desgrenhados e feições simétricas,e seus malditos olhos azuis anis.
O que mais um demônio poderia querer?
Gabe foi diminuindo a velocidade ate parar na entrada de uma estrada de chão batido! Pronto morri! Seguimos mais uns dez minutos, nessa estrada entre árvores enormes,e o céu estava estrelado até demais,isso me revirava o estômago. Paramos no alto de uma colina. Por mais que me enoje admitir o garoto havia escolhido o luar mais lindo que eu já tinha visto,ao nosso redor havia vários tipos de flores e seus perfumes estavam me embriagando, há uns 700 metros havia uma pequena cabana e a nossa frente estava Reed River, impecável com suas dimensões fascinantes e luzes brilhantes, não pude deixar de perceber que eu já estava admirando tudo aquilo! É, era o meu fim.
Eu já estava bolando planos para acabar com aquele momento quando fui interrompida com os sinos vocais de Gabe:
– Sei que já te perguntei isso,mas como esta sendo sua noite? – Seu rosto virou totalmente para mim,me fazendo esquecer o motivo do porque eu o odiava tanto.
– Esta sendo incrivelmente prazerosa! – Sem conseguir conter minhas ações,abri o meu maior sorriso,fazendo Gabe suspirar e remexer no banco.
– Então Sheba,quanto anos você tem? – Será que ele se assustaria se eu respondesse que passava dos 1800? É acho que sim!
– Eu tenho 17,e você Gabe? – Falar seu apelido me causou formigamento na língua que logo passou,mas continuei me sentindo estranha.
– Tenho 17 também,mas irei fazer 18 daqui a uns 4 meses. – Seu sorriso de canto se abriu me tirando dos devaneiose fazendo toda minha atenção ser voltada para ele. E eu estava lá me importando com seus 18 anos!
– Porque veio morar aqui Sheba? Será que conheço sua família?
– Oh! Provavelmente não! Minha mãe é uma estilista,e meu pai é um e executivo bem sucedido,eles moram em Ohio,e como eu quis ter uma vida mais independente decidi vir morar aqui sozinha! – Inferno o que eu to fazendo? Nunca falei tanto em toda minha existência. E claro eu tive que mentir, o que eu adoro fazer, é tão, como posso dizer, sombrio! Não possuo pais, pensar em alguém me mandando lavar a louça me faria chamar o "hugo'. Possuo muito dinheiro, digamos que é bom ter alguns dons extras de persuasão para certos meios. Eu sou filha do diabo também, tenho direito de viver no meio da luxuria.
– Minha mãe Annya Aniel e meu pai Carlos são floricultores e minha irmã Angelique esta se formando em comunicações este ano. Moro com eles ainda,mas espero me mudar ano que vem,quando terminar o colegial e for fazer faculdade.
– Já tens um rumo traçado? – Pedi pela ultima vez tentando me concentrar em um plano diabólico para fazer ele me mandar pro inferno. Mas isso já era de se esperar,Gabe abriu seu sorriso de canto,deu uma leve passada de mão no cabelo,me causando arrepios e me fazendo notar que aquele garoto era uma perdição!
– Quase! Estou arquitetando ainda este meu rumo! Quando descobrir eu te conto. – Sorriu Gabe de modo tímido.
Essa ultima frase me trouxe um certo desespero e uma enorme felicidade. Desespero pois ele não iria desistir de mim tão cedo e, bom, felicidade porque ele não ia esquecer de mim tão cedo. É, eu estava muito confusa e enojadamente teria que admitir de novo que, Gabe me atraia e até demais.
Gabe POV
O desespero emanava daquela garota, era como se ela estivesse se afogando em si mesma,nas suas próprias trapaças,e eu indiscutivelmente tinha que ter ela pra mim,podendo assim aliviar sua possível dor e minha angústia.
Já estávamos a um tempo no carro embalados ao som que saia do rádio,que eu particularmente nem estava prestando muita atenção. Depois de ter tocado nela no baile senti que a noite seria tranquila, apesar desentir algumas vezes seus desespero voltando, mas sempre sumia e eu não entendia como e porque isso acontecia.
Ainda não tinha parado e reparado direito nela,só sei que via por relance seus cabelos negros brilhosos,quase como um espelho negro balançarem levemente com o tocar do vento. E seu perfume? Era simplesmente doce e eu não sabia dizer que flores e essências eram, pois de flores eu entendo bem. Ele era diferente,um tanto exótico, assim como Sheba. Comecei a sentir aquela angustia de novo,chegando a conclusão de que era só por causa do silencio eminente que se implantou ali,e tratei logo de quebra-lo.
Perguntei de novo como sua noite estava sendo e ela me respondeu simples e com uma voz um pouco embriagada — penso eu pelo nervosismo.
– Esta sendo incrivelmente prazerosa! — Sheba movimentou seus lábios,formando um sorriso cintilante,me mostrando uma carreira de dentes brilhantes. Ali quase perdi todo o ar,ela era simplesmente deslumbrante,quase exagerada,mas exótica. Seu perfil pálido e fino, um contraste perfeito para com seu cabelo incrivelmente preto, e olhos profundos. Seus lábios eram os mais convidativos que eu já vi,lábios grossos e de um tom avermelhado. Seus brincos reluziam com o brilho da lua,trazendo a seus olhos e a si mesma uma áurea diferente,parecia que estava tendo uma visão de algo maravilhoso,eu só não sabia do que era. Seu corpo era estonteante,curvilíneo até demais,deixando seu vestido vermelho escarlate marcar,e me causando pensamentos impuros. Fazendo-me remexer no banco e suspirar.
A conversa foi fluindo calmamente,era como se não tivéssemos pressa pra sair dali,ela falou de sua família e eu me peguei falando da minha. Senti de novo aquele sentimento estranho após ela me perguntar se eu já tinha um rumo traçado na vida. Ia responder que sim,mas percebi que não tinha nenhum,nem faculdade tinha escolhido ainda,e lhe respondi da forma mais sincera possível, que quando descobrisse iria lhe contar.
O que era verdade, porque eu não pretendia tirar Sheba de minha vida tão cedo.
Notas finais
Espero que gostem :D
Fale com o autor