Entre o Inferno e o Céu

16 Limpando as feridas (parte II)


Notas iniciais
OMMMMMMG OOOOMMMG OOOOOMMMMMG MIIIL PERDÕES PESSOAL! Realmente desculpem minha demora.
Espero que não tenham me abandonado!
Agooora finalmentee o cap

SHEBA

Acordei no outro dia com Jezebel chacoalhando meus pés. Apenas abri os olhos e me levantei sentindo todo meu corpo dolorido. Meu celular começou a tocar incansavelmente. Eu sabia quem era, mas não queria atender, não com Jezebel na minha frente.

- Você não vai atender?

- Não!

- Então atendo eu. – ela foi andando até o criado mudo para pegar o celular quando eu fui mais rápida e o atendi.

Tudo bem com você? Demorou pra atender ao telefone. – eu já estava virando vidente,era impossível me enganar. Era realmente Gabe.

Eu estou com alguns problemas. – uma parte era verdade, a outra não.

Quer ajuda? Eu posso passar ai.

Não, mas agradeço desde já. Problemas com Jezebel. – ela me olhou torto. Mais precisamente fulminando-me.

Huuum, então não irei me intrometer. Podemos nos ver hoje?

Não vai dar Gabe, são alguns problemas sérios. Acho que ficaremos uns quatro dias sem nos ver. – o que eu iria fazer sem ver ele durante quatro dias? Aturar Jezebel.

Ooooou,tudo bem então. Eu esperarei. Se precisar de ajuda é só me ligar.

Obrigada novamente, e desculpe.

De nada. Eu te amo. – como sempre foi, toda vez que ele falava ‘Eu te amo’, meu coração acelerava. E dessa vez eu queria responder ‘Eu também te amo’, mas eu não podia, por vários motivos. Jezebel, inferno e eu mesma.

Tchau Gabe.

Joguei o celular no meio das cobertas e encarei minha irmã.

- O que você quer Jeez?

- Acordar você!

- Por quê?

- Estou me sentindo sozinha nesse apartamento.

- Jezebel! Compra uma boneca e seja feliz!

- LEVANTE DESSA CAMA AGORA SHEBA! Você acha que eu não percebi seus machucados?

Eu já tinha me esquecido completamente deles, apesar de sentir o corpo doer. E tinha esquecido também que ela não sabia de nada. Joguei a coberta longe, e me levantei andando meio torta até a cozinha, onde peguei a caixinha de leite e bebi do bico mesmo.

- Porque você esta cheia de hematomas e a cama com manchas de sangue? – ela disse fechando a porta da geladeira e me olhando séria.

- Eu cai da escada.

- E eu sou o Bozo. – ela falou ainda me olhando de braços cruzados.

- Sabe que eu sempre notei certa semelhança entre vocês?

- Conta outra Sheba, o que aconteceu?

Guardei o leite na geladeira, peguei uma bolacha recheada no pote e segui para a sala, sentando que nem índio no sofá e ligando a televisão. Jezebel o tempo todo estava me seguindo, e ao ver que eu não estava lhe dando atenção nenhuma se pôs na frente da TV, tapando minha visão e me fazendo dar por derrotada.

- Eu briguei com minha sogra.

O silencio se instalou na sala. Sua expressão antes braba estava agora confusa.

- O que? Vai ficar me olhando com essa cara? E foi ela que começou. – eu disse cruzando os braços e puxando a manta do sofá para me enrolar. Jezebel saiu da posição indo até a cozinha pegando uma caixa de primeiros socorros e vindo se juntar a mim no sofá.

- O que você vai fazer?

- Estou treinando para meu curso de enfermeira! – ela disse tirando a coberta de meus ombros e limpando o ferimento que provavelmente sangrou na cama.

- Sério?

- Claro que não sua burra. Só to fazendo isso, porque você é minha irmã e levo uma sova de pau e ta parecendo o pé grande de tão inchada que esta.

- Obrigada pelo carinho, adoro ser tratada assim.

- Se reclamar, vou enfiar a agulha em você e vou dizer que foi sem querer.

- Calei.

- Então, pode começar me contando?

- Tipo?

-Tipo TUDO? Serve?

Contei tudo que havia acontecido, dês do momento em que cheguei até quando Gabe me tirou do balcão. Ela escutava tudo calada, enquanto cuidava dos meus ferimentos leves, e certas vezes resmungando algo como “vadia” ou “vaca”.

Eu nunca pensei que pudesse me dar bem assim com minha irmã. Ela era meu total oposto. Desde criança nos odiávamos e passamos pouco tempo juntas. Nesses mais de 1800 anos de existência minha pelo menos, nunca trocamos palavras sinceras ou qualquer coisa que demonstrasse que fossemos irmãs. Sempre brigávamos, sabotávamos os planos das outras. E depois do que ela me contou que por minha causa, havia perdido o grande amor da vida dela, eu sabia que aquele ódio todo era só por isso. Mas após ver ela me ajudando, ver que ela aceitou a condição de humana por um tempo para me ajudar, me fazia pensar que nem o pior de todos os demônios possuía apenas sentimentos negros dentro de si. Pois se um demônio pode amar, quem diria o contrário?

Quando ela terminou olhei para meu ombro e notei um pequeno relevo, ela havia costurado meu corte e feito um curativo encima. Tudo perfeitamente. E eu não havia sentido nenhuma dor.

- Como você soube fazer isso?

- Apenas sei!

- Conta outra Jeez, eles não ensinam isso na escola. Porque afinal, a gente não precisa. – ela guardou as coisas e a levou de volta ao armário da cozinha, voltando e encostando-se no batente da porta, cruzando os braços e suspirando fortemente.

- No tempo em que vive na terra, ainda existiam aquelas guerras. Se não me engano foi na primeira Guerra Mundial. – ela saiu da porta e se sentou numa poltrona do meu lado, abraçando os joelhos. – O... O Ca...O Cara por quem eu era apaixonada havia sido recrutado para a guerra,e quando voltava estava sempre machucado com ferimentos horríveis. Então eu criei coragem e pedi ajuda para uma mulher que ficava nos centros de enfermos para me ensinar o básico. Eu não agüentava ver mais tanto sofrimento, destruição, mortes, choros, e dor. Eu via como ele sofria, e isso me matava. Então depois de um tempo, ele foi recrutado de novo, eu já estava desistindo de ser um demônio e iria trocar por um corpo humano. Então quando ele voltou, eu cuidei dele da melhor maneira possível. E depois ele me deixou, quando eu fui “obrigada” a contar para ele que iria finalmente virar um demônio de verdade.

- Ou seja, quando eu nasci.

- É.

- Eu sei que já pedi desculpas Jeez, mas pedirei de novo. Me perdoe, não era minha intenção.

- Eu sei, eu nunca deveria ter te culpado por uma coisa minha. Na verdade quem nunca foi bom o bastante naquele relacionamento, era ele, que não me aceitou quando eu iria me tornar... Isso. – ela falou se apontando. Eu havia entendido quando ela disse isso, ela quis dizer isso de demônio, não isso de metade humana e metade demônio.

- Você não pensa em tentar amar novamente? – eu precisava perguntar aquilo.

- E sofrer tudo de novo? Ter que matar ele depois? E sofrer como EU SEI que você esta sofrendo agora? – ela disse olhando diretamente para mim com aqueles olhos claros, que ela dizia ter herdado de nosso pai. – Não muito obrigada.

Ontem, era Gabe que cuidava de meus ferimentos, hoje Jeez cuidava dos meus, e eu cuidava dos dela. Só que nossos ferimentos eram internos, e ali não havia concerto e nem costura que ajudasse. Pensei na ligação que Gabe fez logo cedo, e eu mesma não entendi o motivo de ter pedido um “Jejum de Gabriel” por mais ou menos uns quatro dias. Então decidi deixar como estava,e passar esses dias relaxando,pensando e decidindo minha vida.

Nem eu e muito menos Jezebel comparecemos em lugar nenhum. Passamos o tempo todo em casa,conversando,comendo e assistindo filme. Típico programa de irmãs, numa noite de semana. Só que nosso programa durou quatro dias. Não trocamos nenhuma palavra de alta calunia, e nem nada que demonstrasse ódio pela outra, pois realmente naqueles momentos não havia. Éramos apenas duas garotas, com problemas para resolver e comendo muito chocolate.

Gabe não me ligou, e nem eu me atrevi ligar. Eu estava com muitas saudades, de tudo nele, seu cheiro, seus abraços, beijos, seu corpo, de tudo que englobava o nome Gabriel. Mas eu não podia falar, pois Jezebel iria contra qualquer coisa que eu falasse, e minha mente nunca havia estado tão confusa em toda minha existência. Eu o queria, mas também não queria. Eu precisava dele, e sei também que ele precisava de mim também. Eu era egoísta demais, a ponto de raptar ele, fugir e nunca contar o que eu era. Meu medo era dele descobrir o que eu sou ou era, sei lá, e eu acabar tendo o mesmo final trágico que minha irmã. E eu não suportaria ver a cena de Jezebel arrancando a alma dele bem na minha frente. E foi exatamente com isso que sonhei durante essas noites, com ela arrancando ele de mim, minha alma.

Passei muito tempo sentada na sacada do apartamento, pensando no que deveria fazer. Eu tinha chegado a três conclusões. Primeiro: eu o largava, deixava Jezebel levar sua alma, e eu ganharia minha vida de volta. Segundo: lutava por ele, contra tudo e todos, e viveríamos felizes para sempre (o que era QUASE impossível) e terceiro: eu lutava por ele, e no final acabava sem Gabe, sem inferno. Resumindo sem nada.

- Você sabe o que eu penso sobre isso! – Jezebel estava se sentando ao meu lado, com uma xícara cheia de café nas mãos.

- Como você sabe o que eu estou pensando? Agora esta lendo mentes?

- Não sei se você percebeu, mas estava pensando um pouquinho alto demais.

- Desculpe. – eu sabia sua opinião, sobre tudo, ela falava descaradamente. E isso às vezes era bom, era como levar um tapa na cara. Quando se esta perdida.

- Então? Já decidiu?

- Já. – falei amassando o papel e jogando-o sacada a fora.

- Então? – ela continuava me pressionando, e eu odiava pressão.

- Você ficara sabendo, amanhã irei falar com ele. – disse enquanto me levantava e me rumava até o quarto. – Boa noite.

- Noite! – ela gritou ainda sentada na sacada.

Tive tempo apenas de entrar no quarto, trancar a porta, agarrar um travesseiro e dormir.

Notas finais
N/A: Eu sei que demorei horrores para postar,e que este cap esta pequetucho. Mas eu de novo reforço,estava muiiiiiiito ocupada! Agora ja não estou mais
Podeerei postar sempre o/o/
COOOMEEENTEEM PLEASE D

Obs: A fic esta chegando ao fim
NÃO ME MATEEM! E: FEEEELIIIIZ NAATAAAL PARA TOOODOOOS *---*