Entre o Inferno e o Céu

22 Finalmente o verdadeiro Fim


Notas iniciais
ÚLTIMO CAPÍTULO!!! Com coraçãoo na boca >< Espero que gostem *.*

GABE POV

Meu corpo tremia levemente devido a velocidade do carro,eu estava a mais de 180/hora e podia sofrer um acidente, por causa da torrencial chuva que caia. Mas nem para isso eu estava ligando. Eu queria apenas chegar logo á colina, e poder resolver tudo.

Estacionei o carro embaixo de umas árvores, e andei o resto do caminho. Mais a frente, vi o carro de Sheba, e comecei a correr. Eu queria muito sentir sua pele macia contra a minha, seu perfume, sua voz doce e sensual. Passar a mão nos seus cabelos negros e macios. Eu a necessitava mais uma vez perto de mim.

Depois de correr alguns minutos, consegui avistar sua imagem um pouco turva, por causa da chuva e da escuridão; no ponto onde havíamos conversado pela primeira vez. Logo após o baile de formatura, que havia mudado drasticamente nossas vidas. E nossos destinos.

Aos poucos fui me aproximando. Ela estava de costas, as mãos caídas ao lado do corpo, tremiam levemente. A calça jeans molhada, assim como sua blusa e o casaco. Dos cabelos pretos e lisos, escorriam ondas finas de água, que refletiam a luz da lua. Quase inconsciente de meus atos, estiquei minha mão em direção a seu ombro, eu estava pronto para lhe falar como perfeita ela era. Porém, um calor estranho, e arrepiante tocou as pontas de meus dedos esticados. Havia algo errado.

- Sheba? – baixei minha voz, e deixei meu braço cair rente ao meu corpo. Eu nem cheguei a ver, mas sabia que um sorriso surgir em seu rosto. A longa cabeleira preta girou calmamente, e um belo par de olhos azuis fixaram-se nos meus. Eu estava certo, lá estava, o sorriso, expondo dentes branquíssimos. Mas o que me arrepiou, não foi o fato de eu ter adivinhado, mas sim que era a primeira vez que um sorriso colocava medo em mim. Algo tão inofensivo, e belo, poderia fazer minha pele toda eriçar-se?

- Olá Gabriel.

Sim, poderia. Pois ele não pertencia a Sheba.

- Olá Jezebel.

SHEBA POV

Correr. Definitivamente eu nunca tinha corrido tanto em toda a minha vida. Meu coração estava completamente a todo vapor, minhas pernas latejavam, e meu sangue fervendo.

Mas não apenas por eu estar em constante movimento, mas sim por ter chegado em casa, encontrado a porta escancarada,o chão molhado, e meu bilhete amassado. Meu celular jogado num canto, com uma mensagem recém lida, e meu carro fora da garagem. Ou melhor, não havia carro nenhum.

Eu havia sido cegamente enganada. E pela minha própria irmã, aquela que eu crentemente acreditei que havia mudado. Enganos e mais enganos. Eu só esperava que não fosse, tarde demais para concertar todos eles.

Após ter tido uma tarde reveladora, com aquela velha senhora, eu corri direto para casa. E vendo que a história toda havia pegado um rumo diferente, um rumo que eu definitivamente não queria para mim, para Jezebel e muito menos para Gabe. Impulsionada pelo ódio de ter sido traída tão friamente, eu peguei o primeiro táxi que consegui e o fiz me levar até a entrada do local que eu e Gabe iríamos nos encontrar. Porém ele só podia ir até uma parte, a outra eu teria que seguir de caminhando. Por isso todo o meu esforço para correr, pois eu cheguei e já notei os dois carros mal estacionados, e gelei por dentro sabendo o que poderia vir a acontecer.

Pensar? Era algo que estava fora dos meus planos no momento. Eu não conseguia pensar em nada, nem em verificar meus joelhos quando cai no chão escorregadio, nem em pegar o cara do táxi que gritava para mim. Eu só queria chegar lá encima a tempo.

Pela primeira vez, depois de muito tempo. Mais precisamente depois de Gabe ter extinguido totalmente meu fogo interior, eu sentia um cheiro de queimado, aquele cheiro de enxofre forte e doentio, que antes eu tanto adorava e que agora era repugnante. A única fragrância que eu queria sentir era aquela que exalava de Gabe. e foi por esse motivo que meu coração deu um solavanco, minhas pernas amoleceram,e eu cansadamente cai novamente de joelhos no chão. Pois não havia vestígios nenhum de seu cheiro no ar, muito menos das variadas flores que existiam naquela colina. Jezebel já estava agindo, mais rápido do que eu imaginava. Aquela cretina estava destruindo tudo que eu mais prezava na vida. Ela e Gabe.

Levantei e aos poucos comecei a correr, dessa vez com uma pequena ponta de esperança de que ela ainda não tivesse terminado o serviço, e eu tivesse chance de salvar a todos.

Sim, eu a prezava e a Gabe. Ela por simplesmente ser minha irmã, por muitos anos eu a odiei, até encontrar Gabriel, mas depois de vê-la tão vulnerável diante de mim, enquanto falava de seu antigo amor, meu conceito por sua pessoa foi mudando, e mudou mais ainda quando ela retrocedeu, e não comentou nada sobre a destruição de Gabe, nem minha volta à vida anterior. Outra vez sim, ela estava cometendo o maior erro de sua vida, ela poderia estar assinando sua sentença de morte, ou eu poderia estar assinando a minha e a de Gabriel. Mas no fundo, eu a queria bem, e se para isso eu tivesse que ficar contra ela não hesitaria nenhum minuto.

Antes mesmo de eu chegar ao topo, vi um clarão pairar o céu escuro, e o cheiro de queimado aumentar. Deu o ultimo passo, e senti meu coração ser esmagado, perfurado, ou inúmeras vezes torturado. A visão que eu estava tendo era a pior possível. Era a visão que por muitas vezes eu presenciei, ou causei. Mas que dessa vez a queria longe, de meus olhos e da minha mente.

A chuva caia forte, embaçando minha visão, mas ainda assim eu podia ver nitidamente. Sentei no chão, cansada de tudo, e conseguindo enfim, respirar. E fiquei a observar.

Os pingos grossos da chuva caiam e deslizavam pelos arbustos e flores em chamas. Aquelas flores lindas e coloridas que Gabriel havia me mostrado no nosso primeiro encontro, agora eram apenas cinzas e pequenas chamas vermelhas. O gramado abaixo de Jezebel era escuro e seco, não verde e macio como antes. E Gabe estava deitado sobre ele, de barriga para cima. Suas roupas queimavam, mas lentamente por causa da chuva que caia e apagava logo o fogo. Percebi ao longe que se houvesse alguma queimadura no seu corpo, não poderia ser considerada nem de terceiro grau. E Jezebel, minha odiada e tão amada irmã, estava de pé, ao seu lado. Não estava mais em forma humana, agora a neblina cinza cobria suas coxas para baixo, os chifres vermelhos e meramente curvados habitavam novamente sua cabeça, e nos seus lábios tinha o sorriso mais cruel que eu já havia visto.

Já sabendo que aquilo tudo estava acabando da pior maneira, fechei os olhos, ergui a cabeça para o céu negro, porém estrelado e deixei minha alma ser lavada. Escutei ao longe a risada diabólica de Jeez ecoar, e palavras em latim serem pronunciadas. Eu entendia todas, e sabia que ela estava dirigindo elas especialmente para mim, minha presença já havia sido vista ali, e agora, coisas como “eu lhe avisei, irmãzinha”, “ele é um fraco”, “finalmente serei promovida” e “é o fim, ele está morto”, eram ditas grossamente na minha direção.

Morto? O quão atraente aquela pequena palavra de duas silabas era para mim durante um bom tempo. E depois o quão temeroso ela havia se tornado. Bem, se ele estava morto, pelo menos estava num lugar melhor, no melhor lugar que ele poderia estar, e no lugar que ele pertencia. Bem longe de mim. Eu já não sabia distinguir se o que escorria pelo meu rosto, era chuva ou lagrimas. Que praticamente pela minha vida toda nunca cheguei a conhecer-las e que em apenas algumas semanas, tornaram-se constante em meu dia a dia.

- Eu não estou morto Jezebel, e será muito mais preciso que isso para me matar.

Abri os olhos, alarmada por escutar aquela voz que me deixava a mercê de loucuras. Gabe estava levantando-se calmamente, as suas roupas já não tinham mais vestígios de fogo, apenas parecia sujo. Quase caindo ao chão umas duas vezes, ele conseguiu ficar de pé, e o vi limpar o filete de sangue que escorria de sua sobrancelha esquerda.

- Como pode? – Jezebel arregalou os olhos por alguns instantes, mas logo voltou a sua expressão dura de sempre – Você entende latim?

- Entendo, minha mãe me ensinou! – ele estava quase acabado, não conseguia nem ficar reto, mas fazia o possível.

- Sua mãe é o anjo certo? Sheba me contou tudo sobre vocês! – enquanto ela conversava, eu engatinhei devagar até o centro – Trouxa, mil vezes trouxa. Você não é de nada.

- Como eu disse, será preciso muito mais disso para me derrubar.

Eu queria gritar para ele não falar mais nada, que ele se fingisse de morto, ou que saísse correndo. Mas faltavam palavras e fôlego.

E como eu havia previsto, Jezebel riu altamente, e em poucos segundos seu corpo estava completamente em chamas. Seu olhar virou-se para mim,e apontando um dedo para mim disse.

- Isso é para você irmãzinha, para aprender a nunca se meter no meu caminho.

As chamas intensificaram-se e um novo clarão rodeou a colina. Fazendo um arrastão, o fogo que estava em seu corpo, juntamente com um forte vento quente bateu em mim e em Gabe. Vi seu corpo ser arremessado para longe dela, e eu rodei algumas vezes para trás também. Minha pele pinicava, e parecia que estavam jogando brasa moída encima de mim. Eu sabia o que Gabe estava sentindo, pois eu sentia o mesmo. Mas aquilo era apenas o inicio, era a mais leve tortura. O pior estava por vir, e eu senti no mesmo instante que Gabe começou a se torcer no chão.

Minha garganta ardia muito, eu sentia o meu pulmão sujo e difícil de adquirir ar. Meu estomago e assim como todos os meus outros órgãos começaram a queimar. Azia, cólica, dor no coração, nenhuma dessas dores se comparava ao fato de um órgão seu estar realmente pegando fogo. Pois era isso que o golpe que Jezebel largou em nós causava. Superiormente era apenas um vento forte, rasteiro e muito quente, mas quando inalado causava a pior dor que existia. Gemi algumas vezes, e tossi varias outras, mas o que me preocupou mesmo foi escutar os gritos de dor de Gabe, além deles, varias e varias vezes ele tossiu. Eu sabia o que ele estava sentindo, Gabe sentia na pele o que era estar literalmente no meio de um incêndio pegando fogo, ele não conseguia respirar, sua garganta já estava quase completamente obstruída e seus órgãos aos poucos começariam a falhar.

Num ser humano normal, aquele ataque o mataria na hora. Mas não em mim e em Gabe, o que de certa forma era muito pior, pois morreríamos aos poucos.

- É novamente, só isso que você tem? – ele disse com a voz completamente rouca, e grossa. Tentou levantar umas três vezes, e em todas elas ia ao chão, mas na ultima vez ele conseguiu ficar de pé, com a mão apertando o estomago e tossindo muito. Virou para o lado e cuspiu varias vezes sangue. Sim, seus órgãos já estavam começando a parar. Respirava com dificuldade, e o corte de sua sobrancelha, escorria sangue demais, certamente ele havia aberto mais ainda.

- Mas... Mas como? Isso é impossível! Você deveria estar morto! – Jezebel retrocedeu alguns passos, e esbugalhou de vez os olhos, estava incrédula de como ele podia ainda continuar de pé. Eu levantei-me aos poucos, e tirei os pequenos tufos de fogo das minhas roupas.

- Você subestima demais as pessoas Jezebel. Mas além de tudo, você subestima mais do que tudo os anjos. – comentei, me aproximando mais ainda deles. Pela primeira vez, Gabe me olhava. Senti-me completamente segura, e feliz por ele saber que eu estava ali com ele, e que se fosse para acontecer alguma coisa, eu estaria sempre ao seu lado.

- Claro, eu já havia me esquecido, o nosso querido galã é um anjo. Bom pelo menos metade dele, o que o torna, me deixa pensar... Novamente nada.

- Jezebel, as coisas não precisam acabar assim! – ele comentou.

- Claro que precisa. Finalmente eu terminarei com tudo, e conseguirei minha promoção. E quando isso acontecer, eu irei mais além ainda. Quem destrói um meio-anjo, pode muito bem destruiu um anjo.

- Mas você não acabou comigo ainda Jezebel. E nem irá!

- Oh querido, é o que veremos.

GABE POV

Seus olhos estavam em chamas. O azul que antes que estava ali, agora era completamente preto. O fogo de momentos antes, havia voltado só que dessa vez de intensidade maior. Eu o podia sentir, o calor emanava até mim, e fazia minha pele arder.

Eu sabia que mais um ataque, e era meu fim. Mas minha maior preocupação era Sheba. Ela estava ali também, e sairia machucada, senão morta. E aquilo era a ultima coisa que eu queria. Eu havia ficado tão feliz por vê-la lá, pois o verdadeiro motivo de estarmos ali era para acharmos uma solução para tudo. Ou melhor, para eu falar que renunciaria minha castidade, minha santidade e ficaria na terra com ela. Até o fim de tudo.

Olhei para Jezebel, e sabendo que ela iria atacar novamente, achei melhor provocá-la, assim eu, seria apenas seu alvo, e não Sheba.

- Não se iluda Jezebel, você sabe que não conseguirá me destruir. Afinal, eu sou melhor que você.

Bingo, como eu havia previsto o fogo antes vermelho, foi escurecendo, até atingir o preto sombrio. Ela estava ardendo de ódio e raiva. E mais uma vez eu tinha certeza de que aquele era o meu fim. Ela abriu a boca, e riu. Sua voz era grossa e feia, se ela não fosse um demônio, eu poderia dizer que estava possuída.

- Adeus Gabriel, te vejo no inferno.

Música – (30 seconds to mars – Kings and Queens)

Ela ergueu as mãos na altura do peito, e as esticou. Uma forte rajada de vento forte e extremamente quente me atingiu. O clarão aluminou o lugar por vários segundos, e quando eu vi uma coisa negra, misturado com chamas vermelhas vivas, saírem de suas mãos. Eu fechei os olhos, curvando-me apenas na espera da morte. Eu só queria que Sheba saísse viva dali. Bem, se era aquela a ultima hora que eu poderia lhe dizer o que eu a amava nada mais certo que fazer.

- Sheba, te amarei para sempre.

E assim, um som abafado de uma pequena explosão invadiu meus ouvidos. Senti algo pesado chocar-se com o meu corpo, e me tirar do lugar. Cai de costas no chão, e logo não sentia mais dor nenhuma.

____x____

Bem, eu não sei quanto tempo cheguei a ficar desacordado, ou se eu estava morto. Mas quando abri os olhos, cheguei à conclusão de que era a segunda opção. Eu estava morto, e ainda por cima no inferno.

Respirei fundo, e apenas enxofre e cinzas eu consegui aspirar. Toquei minha cabeça, da tamanha a dor que eu estava sentindo, e lentamente me virei para o lado. A visão que eu tive, devia ter me alegrado, mas não. Eu estava completamente destruído. Principalmente por dentro.

Sheba estava deitava ao meu lado, com o rosto encostado na grama queimada. Seu rosto, assim como seu corpo todo estava sujo de fuligem. Não parecia estar dormindo, nem estar desacordada, ela não esboçava nenhum sinal vital. Sentei-me e avistei a uns 200 metros de nós, Jezebel de joelhos no chão. Respirava profundamente, parecia exausta, e triste ao mesmo tempo, e de seu corpo saia uma pequena fumaça.

Voltei novamente minha concentração para Sheba. E não consegui controlar minhas lagrimas. Ela estava morta, pois o choque que eu havia sentido no meu corpo, não era o ataque de Jezebel, mas sim o corpo de Sheba chocando-se com o meu, e quem por fim recebeu o ataque foi ela e não eu. Arrastei-me até seu lado, e a peguei no colo, abraçando seu corpo mole, e derramando minhas lagrimas sobre ele. Era incrível como, mesmo depois de morta, ela conseguia continuar perfeita.

- Sheba, porque fizestes isso? Você não deveria morrer, mas eu sim. Eu te amo tanto! – beijei a testa dela – O que eu farei sem você aqui? Como eu vou viver sem você? Você era a minha vida.

- Pare de cantar vitória, você não irá se ver livre de mim tão rápido!

Olhei para baixo, e lá estava ela, sorrindo e com os olhos cheios de lágrimas. – seu lábio inferior estava cortado e inchado, vistoriei seu corpo inteiro, e apenas encontrei alguns cortes profundos, mas nada de muito grave, porém sua voz denunciava sua fraqueza no momento.

Sem pensar muito, juntei meus lábios aos seus, a abraçando mais forte do que nunca. Eu nunca mais iria largar ela, não a trocaria por nada, nem mesmo por um lugar no céu. Sheba gemeu abaixo de mim, e a vi fazer uma cara feia, uma cara de dor.

- O que foi? Esta doendo alguma coisa? – apalpei todo seu corpo, imaginando que algo pudesse estar quebrado. Mas ela apenas riu levemente.

- Meu lábio dói. – pedi desculpas e a fitei. Sheba colocou a mão no meu rosto, e fechou os olhos, respirando normalmente dessa vez. Ela fez menção de se levantar, e eu rapidamente a ajudei, fazendo-a apoiar o corpo no meu. Sheba olhou para frente, mais precisamente para sua irmã jogada no chão. Deu alguns passos e eu a acompanhei, até que estranhamente ela já conseguia caminhar sozinha, e como se nada tivesse acontecido.

SHEBA POV

Eu me sentia tão bem, o que era muito estranho, pois há poucos instantes eu estava na beira da morte, jogando-me contra o corpo de Gabe e recebendo o ataque por ele. E posso dizer que foi a pior dor que se pode sentir em todo o mundo. Jezebel estava claramente furiosa quando tentou matar Gabe, pois eu apaguei na hora, e só fui acordar quando senti meu corpo ser levemente chacoalhado.

E o que era mais estranho ainda, era que eu sentia meu fogo interior. Eu sentia que podia “queimar” a qualquer instante. Eu estava de volta, eu podia fazer o que eu quisesse, porém, não era como antes. Eu estava ali, com Gabe do meu lado, com a mão na minha, e eu já não me sentia a mercê completa dele. Nem sentia aquela angustia de antes, eu pertencia ali, e não iria para lugar nenhum.

Eu finalmente estava livre, eu podia ir embora. Mas eu não queria, e nem iria.

Aproximei-me de minha irmã, e a chamei. Recebendo como resposta um “vai à merda” dela.

- Jezebel? Você não irá me agradecer por ter salvado sua vida?

Ela levantou-se e se pos na minha frente, me olhando com os olhos vermelhos de tanto chorar, e com os punhos cerrados.

- Lhe agradecer? Por me salvar? – ela cuspiu aquelas palavras na minha cara – Você só pode estar ficando louca. Sua demoniazinha de quinta categoria destruiu com a minha vida, eu te odeio do fundo do meu coração.

- Já é um bom início. Já esta falando que tem coração. – debochei de sua cara.

- Você se acha muito esperta não é? Só porque resolveu dar um showzinho a parte com seu ato de coragem momentâneo, acha que pode tudo!

- Você ainda irá me agradecer! Isso foi o melhor que podia ter lhe acontecido. Acredite em mim.

Notei que alguns fios do seu cabelo, começaram a levantar, e sua expressão tornou-se dura novamente. Sim, ela ainda não tinha cansado, estava pronta atacar novamente. Sua boca formou uma linha reta, e seus olhos ficaram pretos novamente. Senti o cheio de enxofre e queimado sair de sua pele, agora que a chuva havia parado, e não estava ali para lavar aquele fedor.

- Jezebel,por favor. Pare, eu estou cansada. Não quero lhe machucar, você perdeu, é tão difícil de aceitar?

- Eu nunca perco! – e lá estava a voz grossa e feia de um demônio.

- Eu lhe avisei.

Antes mesmo de ela pensar em atacar, voei com minha mão direita para trás, e depois a joguei com toda minha força no meio da sua cara. Sim, eu havia socado minha irmã, e no momento eu me sentia muito bem. Jeez deu uma pequena cambaleada e caiu dura no chão, com seu fogo interior já completamente fora de si.

- Esses demônios são tão difíceis de lidar.

- Você sabe que ela não deixará assim. – Gabe comentou do meu lado, fazendo cara de tédio.

- Eu sei, mas eu a manterei em radias curtas.

Ele deu um passo a frente, e colocou as mãos na minha cintura, olhando fixadamente para mim. Que engano o meu. Eu ainda estava completa e totalmente a sua mercê. Eu ainda pertencia a ele. E aquilo me agradava demais.

- Obrigado, por de certa forma me salvar! – ele disse.

– Você não faz idéia de como eu te amo. Eu viveria eternamente no inferno, se fosse preciso, apenas para lhe salvar. – acariciei seus cabelos desgrenhados. Era a primeira vez que eu falava que o amava, e ele percebeu isso, abraçando minha cintura.

- Não se preocupe, ainda estamos na terra. Entre o inferno e o céu, e ninguém irá nos tirar daqui!

- Entre o inferno e o céu, é o melhor lugar para se viver. – comentei rindo e o levando a rir também. Porém ele logo colocou uma cara de duvida no rosto.

- Mas, como ainda estamos aqui? Devíamos estar mortos, não é?

- Alguém me disse uma vez, que no final, o amor é a única coisa que importa!

Aproximei-me de seu rosto, para beijar sua boca, porém ele regrediu um pouquinho, me olhando curioso.

- Seus lábios não estão doendo?

- Existe melhor remédio que um beijo?

Ele esboçou um perfeito sorriso no rosto, negando com a cabeça e me beijando.

Agora sim as coisas estavam certas. Aquele era o meu fim, o meu verdadeiro fim. E era muito melhor, do que eu um dia podia vir a sonhar.

Notas finais
N/A: Beem, ontem eu tentei postar (pela madrugada) e eu tinha escrito um comentário mto bunitinho *.* ai o site resolveu me atrasar, e travou...resumindo, eu tive que fechar tudo e perder tudo o que eu tinha escrito!! >< Mas aquii vai

Geeenteeeem! ÚLTIMO CAP *.* O que acharam? priimeiro minhas sinceras desculpas pela exagerada demora para postar!....pois não sei se todos sabem, mas eu comecei a facul este ano, e ela é integraal, ou seja, aula a tarde e a noite DIRETO! enfim, ainda estou pegando o jeitinho, por isso me perco no tempo e não consigo escrever! Mas agora estou começando a me organizar melhor, e assim todo mundo sairá beneficiado *.*

Só quero que me perdoem mesmo, eu fiquei naquela pressão de último cap, que eu tinha que agradar e dar o meu melhor, enfiim, eu tentei...espero que todos tenham gostado! e que comentem, pois estou mto curiosa para saber suas opiniões *.*

P.S: Se alguém tiver alguma duvida sobre toda a história, ou algum fato que ocorreu nela, sinta-se a vontade para me perguntar... pois eu deixarei tudo explicado Tim tim por tim tim no epílogo *...* que será quando eu me despedirei de vcs (ou será que não?) uihasuiahuishuai! Bom, é isso!

Enormes beijos e até a próxima!

Isa Sartor