Entre o Inferno e o Céu
3 Doces ou travessuras?
Sheba POV
Eu andava de um lado para o outro no apartamento,meu desespero era gritante,já no elevador comecei a tirar o vestido,pois não agüentava mais aquele cheiro dele impregnado em mim.
Ele estava invadindo minhas narinas, e me trazendo momentos pequenos da noite passada, mas que mudariam nossas vidas. Resolvi tomar um banho bem gelado, com óleo de dragão, me aliviaria os músculos e me deixaria quente,e o cheiro me traria lembranças de casa.
A água caia fria em minha pele,me fazendo arrepiar e esquecer de tudo,logo assim comecei a bolar meu plano contra Gabe. Mas nada de muito coerente e diabólico entrava em minha mente. Havia algum bloqueio,e eu estava disposta a quebra-lo. Precisava me afastar dele,tentar achar maneiras de meu fogo interior voltar sem precisar ir pro inferno,assim eu não sofreria as conseqüências,nem teria que recomeçar tudo que já havia aprontado.
Já de lingerie preta e passeando novamente pelo apartamento, reparei em como tinha sorte de ser um demônio,ou achava que ainda era. Tinha quase tudo que queria,a luxuria era enorme em mim,queria tudo do bom e do melhor e Gabe era isso. Eu o queria mas não poderia ter. Linda, rica, tenho um apartamento muito luxuoso,um carro perfeito e sempre conseguia o que queria,pelo menos era isso que eu fazia até agora. As aulas só começariam daqui a dois meses,e até la eu me manteria longe dele o máximo possível,fazendo coisas ruins e tentando achar maneiras defazer tudo voltar ano normal.
Dormir um pouco seria um bom começo e uma boa ideia, eu teria pesadelos e seria um tempo a mais longe dele. Já estava afundada na minha enorme cama cheia de travesseiros e cobertas. Era calor, mas quanto mais calor melhor, peguei no sono logo em seguida, me levando em mundos totalmente diferentes deste em que os humanos vivem,estava sonhando com destruições e mortes quando fui interrompida por um som irritante e desconcertante do meu celular.
– Alo?!?!
Gabe POV
Eu estava deitado na minha cama,olhando o teto com as mãos atrás da cabeça,quando aconteceu de novo. Aquela sensação que me puxava para algum lugar,aquele medo e ódio,me remexi na cama impaciente,tentando chegar a uma conclusão: se ligava ou não ligava pra Sheba.
O telefone chamou quatro vezes até eu escutar sua voz novamente embargada:
– Alô?
– Oi! Sheba aqui é o Gabe,sei que faz pouco tempo que te deixei em casa mas senti que precisava checar novamente como você estava. – Meu senhor,eu estava ficando biruta – Então como você esta? – falei tentando parecer o mais normal e calmo possível, coisa que não obtive muito sucesso.
– Hum! Eu estou bem,obrigada!
Ela soltou um longo bocejo, cara como você é demente, é claro que após ficar acordada até o amanhecer uma pessoa normal iria dormir. Como eu fui burro.
– Me perdoe se te acordei,não era minha intenção! Deixarei você dormir,mais tarde te ligo. OK?!
– Olha cara você me acordou no meio do meu sonho,eu estava tendo um sonho muito prazeroso! E desculpe me esqueci de te avisar durante as férias irei visitar meus pais,então não poderemos no ver OK? Então Boa noite, beijosenãomeliga. – O telefone ficou mudo, e a única coisa que eu conseguia escutar era a dúvida crescente em minha mente.
Isso que era um distúrbio bipolar dos grandes. A necessidade de ter Sheba sempre perto de mim,parecia que ia aumentando. Ficar dois meses longe dela tava me deixando neurótico. Ó meu amado senhor,eu devo ter grudado chicle na cruz,pois eu só conhecia a garota a praticamente 13 horas e ela já tinha me deixado obcecado.
Talvez dois meses passem rapidinho.
Fui me tranqüilizando, e o sono logo começou a pesar,me tirando a consciência e amenizando minha angústia.
___x___x___
– GABRIEL MICHAEL CHRISTENSEN! Pare agora mesmo de rodar feito um cachorro demarcando território nessa sala. – Minha mãe já estava pirando comigo, meu pai já estava pirando comigo, EU já estava pirando comigo mesmo. Já havia uma semana desde aquela noite,e eu não aguentava mais. Sentei como índio no tapete russo da sala de estar e fiz posição de Buda, eu precisava extravasar minha energia,e me acalmar. Sheba havia ido visitar os pais fazia sete dias,ou seja, em exatamente 54 dias, 1.296 horas e 3.240 minutos, ela estaria de volta. Para meu total alívio,e do tapete da sala.
Ela não ligava,não atendia os telefonemas,nem nada que pudesse me manter avisado de seu estado atual. E se algo tivesse acontecido com ela? Meu desespero se tornou maior ainda e comecei a murmurar palavras indianas ensinadas pelo meu pai,para acalmar a alma. TOTAL PERDA DE TEMPO. Eu podia ta sentado no sofá com um pote de pipoca, um copo de coca-cola e M&M`S, comendo me sentindo feliz e dando risada. OK! eu estava me sentindo um demente só de ficar sentado no chão tentando encontrar minha paz interior.
Why can't I breathe whenever I think about you? Acho que distúrbio de bipolaridade era contagioso.
– GABRIEL MICHAEL CHRISTENSEN! Quantas vezes eu vou ter que te dizer que você não é o Dalai Lama??
– MÃE!! Você não percebeu que eu estou num dilema aqui? Não to conseguindo nem rezar ‘meu anjinho,meu bom vizinho’- ou era ‘meu bom amiguinho? E a senhora quer que eu me acalme? – GOD definitivamente distúrbio bipolar era contagioso.
Sheba POV
UAU,realmente eu merecia um Oscar. Caraca, eu era a melhor atriz do mundo. Nunca dei tanta risada da cara dos outros como fiz nessa primeira semana. Eu entrei em praticamente todos os apartamentos do meu prédio,e como eu havia perdido meu fogo interior — graças ao idiota e gostoso Gabe — eu tinha q fazer tudo ‘manualmente’,mas quando você passa 1.800 anos vivendo de doces e travessuras — praticamente travessuras e travessuras — você já age por impulso,então eu estava muito feliz.
Na primeira semana,entrei no apartamento de um casal,a mulher tinha saído para fazer compras e o seu marido inútil ficou em casa coçando. Bati na porta de seu ap,com um micro shorts,uma regata transparente – sem nada por baixo – fiz um rabo de cavalo mal arrumado e coloquei a minha melhor cara de menina inocente na cara.
– Oi! Sou sua nova vizinha. Sei que não deveria pedir isso,mas será que o senhor poderia me ajudar com o chuveiro do meu ap? Eu ia tomar banho,e quando fui ligar ele começou a jogar água pra todo lado,olha eu até me molhei. – fiz cara de choro com o dedo enrolando uma mecha de meu cabelo.
O santo estrupício ficou com cara de chupa cabra me olhando com a boca aberta,e tentando desviar o olhar de meus seios,um pouco a mostra digamos. Seu pomo de adão subiu e desceu duas vezes,já estava ficando impaciente com a demora dele. Será que ele tinha retardamento mental?
– Espere só um minutinho que eu vou pegar minhas ferramentas, OK? – saiu correndo que nem uma gazela até a lavanderia. Fácil fácil.
Fui até a bancada da cozinha,peguei um pedaço de papel uma caneta e escrevi :
Mulher, fui na casa da vizinha concertar seu chuveiro,não me espere,não sei que horas volto.
Tchau.
Voltei até a porta e esperei o protótipo de gente voltar com a maleta na mão. Nos dirigimos até meu ap, e lhe indiquei onde ficava o banheiro. Enquanto ele entrava no box e começava a concertar o desconcerto que eu fiz,sentei em cima da pia e cruzei as pernas.
– Acho que estou quase terminando. Estou conseguindo arrumar, isso esta muito estranho, parece que não tinha como estragar sozinho,é de ótima marca e qualidade, a senhorita devia reclamar com o vendedor. – falou ele pensando que eu estivesse prestando alguma atenção.
– Então como o senhor sabe tanto sobre eletricidade? – perguntei fingindo interesse.
– Antes de me tornar modelo de comerciais,eu era como dizem um ‘faz tudo’, então um dia eu fui concertar um cano entupido em uma certa casa,e o dono estava procurando novos talentos,ele gostou de mim e me chamou para fazer um comercial teste. E ai estou eu, – deu uma risadinha meio esnobe – pronto terminei!
Sem ele perceber,eu escutei sua mulher chamando seu nome,e logo após uma porta bateu,e de novo sem ele perceber tirei minha roupa toda,entrei no box e fechei.
– Então,muito obrigado pelo favor,mas acho melhor nós testarmos o chuveiro antes, não acha? – ele ainda estava agachado no chão guardando suas ferramentas. Terminado isso,levantou deu um passo pro lado e ligou o chuveiro.
– Olha moça, ele deve estar ótimo agora, eu consegui dar uma bela ajeitada nele, apesar do grande estra...go. -sua boca ficou aberta,e gaguejou um pouco ao me ver parada completamente nua na sua frente.
– Então,eu teria que lhe agradecer de alguma maneira não acha? Fazemos o seguinte,a gente toma um banho de chuveiro,e se ele der algum problema você logo arruma ele, – coloquei um grande sorriso na boca e comecei a empurrar ele pra debaixo da água,tirando sua camiseta,e constatando que o cara dava pro gasto.
– Eu não acho uma boa ideia, eu amo minha mulher, e se ela descobre ela vai me castrar. – seus olhos estavam fechados,e as mãos lhe tremiam um pouco.
– Ó que nada,ela nem vai desconfiar – peguei suas mãos e coloquei em minha cintura,me apossando de seus lábios frios de nervosos.
O beijo começou leve, mas assim que ele percebeu que não iria conseguir resistir, me imprensou na parede,suas mãos passeavam pelo meu corpo,e eu só estava esperando o momento certo para agir.
– Carlos,onde você esta? CARLOS? – gritou uma mulher do meu quarto. Pronto, chegará o meu momento certo.
– SOCORRO, ME LARGUE SEU BRUTAMONTE,ME SOLTE,SOCORRO! – Gritei me debatendo nele,o assustando e chamando a atenção da mulher,que correu no banheiro e abriu o box.
– Por favor me ajude, ele me atacou,não consegui me defender! – forcei um choro e dando tapas nele,estiquei meus braços para a mulher que estava parada,com os olhos regalados olhando a cena de assédio.
– CARLOS O QUE É ISSO? SOLTE ESSA GAROTA AGORA! – seus berros, o fizeram me soltar,corri ao encontro da mulher que já estava com uma toalha na mão para me aconchegar.
– Como assim? Você é doida garota? Amor ela me assediou,não eu,você sabe que eu nunca faria isso contigo, essa garota me trouxe aqui e entrou pelada me agarrando! – seu desespero era enorme e a mulher já chorava.
– Mentiroso,você me atacou,eu pedi pro senhor me ajudar com o chuveiro,não pra usar ele comigo! – abracei a mulher que estava vermelha de raiva.
– Como você pode fazer isso com uma garota de 17 anos? Hein? Meu deus Carlos onde você tava com a cabeça? Ela é apenas uma criança!
– Querida eu não fiz nada com ela,e com certeza criança ela não é,depois de tudo que aprontou. Eu já te disse foi ela que me atacou!
– Aé? Então se foi ela,como você me explica essas roupas rasgadas no chão. Acho que ela não seria capaz de fazer isso.
– Manuela,eu sou um homem casado de 34 anos,em quem você vai acreditar em mim,ou nela?
– Claro que nela, olha o estado da coitadinha. E aliás o nosso casamento acabou agora. Em 15 minutos eu irei para o MEU APARTAMENTO e se você estiver ainda nele,chamarei a policia te acusando de estupro. E não adianta falar mais nada. Acabou. Agora sai!
Com os olhos marejados, o homem saiu da minha casa,deixando a mulher frustrada,mas que cuidou de mim até dar os 15 minutos e voltar para sua insignificante vida.
Na outra semana, troquei todas as correspondências, causando maior confusão no prédio,perdas de cartas,contas não pagas e assim cortadas, noticias não recebidas. Um casal de idosos não recebeu suas aposentadorias,e tiveram que sair do prédio por não pagar o aluguel.
E assim foi meu primeiro mês longe de Gabe,regado de desastres,como uma queda de luz repentina,um alarme de incêndio falso,um casal separado,outro despejado,um elevador travado,e um quase assalto no prédio,pois o segurança dormiu misteriosamente. Que estranho não? Quem faria tais coisas assim?
Ah claro, eu.
Notas finais
Reviews Pleaaaaaaaase *.*
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