Entre o Inferno e o Céu
19 As flores
Notas iniciais
SHEBA
O papel em minhas mãos estava ficando todo molhado, devido às lágrimas que escorriam de meus olhos, meu coração doía demais. Ele estava sendo apedrejado e ninguém estava tendo piedade. Porque haviam escondido tudo isso de mim, era minha existência eu tinha direito de saber. Passei minha vida toda pensando que meus pais haviam sido assassinados, que eu era destinada ao inferno e agora descubro que minha mãe era um anjo? Porque Jezebel nunca tinha me dado essa carta? Porque ela sempre me omitiu os fatos, agora eu sabia por que sempre me sentia estranha no inferno, porque estranhamente eu o AMAVA. Afinal era o inferno e NINGUÉM ama o inferno. Mas eu o amava,assim como amava meu pai,minha mãe e às vezes Jeez.
Que tipo de mundo era esse? Em que o céu quer destruir uma criança inocente, que não tinha noção de nada, nem do que se passava ao seu redor. Agora eu entendia o porquê a mãe de Gabe havia me atacado. Todos querem proteger seus amores. Minha mãe abriu mão do céu e me mandou para o inferno e minha ex-sogra abriu mão de seu disfarce e da regra de nunca fazer mal a ninguém e brigou comigo. Por quê? PROTEÇÃO.
E foi isso que eu tentei fazer dês do inicio, quando conheci Gabe. Eu não sabia o que o destino me reservava, mas era como se meu coração falasse todo momento comigo e eu não o escutasse. Eu sabia que um dia seria dele, de Gabe, eu só não queria acreditar. Eu só queria me proteger meu coração para não acabar como ele estava agora. Totalmente destruído. Eu passaria o resto da minha existência como meu pai, no inferno, sofrendo e não conseguindo fazer nada de ruim, e então eu morreria. E Gabe seguiria com sua vida. Sem mim.
Levantei cambaleando do chão e me segurando pelo closet para não cair. Minhas pernas estavam bambas. Minha cabeça já não latejava mais e eu não sentia mais meu coração bater.
Jezebel ainda não havia chegado a casa. Fui até a cozinha e lhe escrevi um bilhete.
Fui passear. Não espere por mim. Não tenho previsão para voltar.
Sheba.
Obs.: Obrigada por me contar tudo.
O sol queimava minha pele. Estava muito quente, e meu corpo suava, mas nada disso estava importando. Eu caminhava pela rua ainda chorando, algumas pessoas me olhavam com curiosidade. Eu até conseguia imaginar o que eles estavam pensando:
“O que será que aconteceu com essa pobre menina”
“Que louca!”
“Será que seu namoro terminou”
“Algum parente deve ter morrido”
“Ela tem problemas mentais”
Todo tipo de pensamento passava pela minha cabeça. Porque tudo isso tinha que estar acontecendo comigo agora? Um turbilhão de pensamentos invadiu minha mente, assim como imagens também, meus pais, o inferno, Jezebel e finalmente Gabe. Eu não queria voltar para o apartamento,não queria ir para nenhum lugar. Novamente meu peito começou a arder. Avistei uma pequena pracinha,onde crianças brincava, e fui em sua direção.
Uma mulher que estava com um cesto de flores na mão, passava ao meu lado. Quando ela percebeu que eu estava prestes a cair de joelhos no chão, seu braço envolveu minha cintura e apesar de todo o meu peso ela me levou até um banco na praçinha.
- Tudo bem criança, tudo ficara bem! – sua voz era calma e melodiosa, queria que a minha estivesse assim também, mas tinha certeza que se abrisse a boca sairia apenas sons de dor. – Passe isso no rosto, você esta toda borrada. Não fica bem para uma moça bela como você andar por ai assim!
- Obrigada! – com a voz embargada e os olhos marejados peguei o pequeno lenço que ela me estendeu e limpei todo meu rosto borrado de maquiagem.
- Gostaria de me contar o que aconteceu? – pela primeira vez olhei para ela. Roupa velha e rasgada, rosto pálido, mas semblante limpo. Sorriso tímido, mas com olhos extremamente expressivos. Cabelos pretos e com iniciação de velhice. Devia beirar os cinqüenta e poucos anos. Cheirava a flores, de todos os tipos. Seu olhar continha um brilho que eu nunca havia visto antes. Magra e um pouco baixa, certamente pobre e precisando de ajuda. Na hora a pena bateu em mim, mas então me lembrei de que ela deveria ser mais feliz que eu. E que devia ter seu amor junto de si. Para sempre.
- A senhora é feliz? – eu não sabia o que estava fazendo, eu apenas sentia que precisava conversar com ela.
- Sou querida e muito.
- Desculpe estar lhe fazendo essas perguntas, mas eu preciso saber. Apesar de todas as dificuldades a senhora ainda assim é feliz?
- Não se preocupe, eu não me importo de respondê-las. Sim, apesar de todos os tormentos eu sou extremamente feliz.
- Por quê? Como? – eu já não chorava mais, apenas meu peito ardia novamente. A mulher estava sorridente, nada parecia lhe abalar.
- Porque eu possuo uma família linda. Uma casa pequena, porém acolhedora, e um ótimo trabalho.
- Que bom. Mas vender flores é um bom trabalho? – ela riu e alisou meus cabelos, sua mão gélida parecia que acalmava o turbilhão que passava na minha mente.
- Sim vender flores é muito bom. Eu vivo em contato com a natureza. Mas esse não é meu trabalho verdadeiro minha criança.
- Como assim não é? – em nenhum momento o pequeno sorriso deixou seu rosto.
- Eu passei minha vida toda vendendo flores, mas o que eu realmente faço é ajudar pessoas, assim como você. Eu as encontro certas vezes beirando a loucura, ou com machucados, ou como você, chorando pelos cantos.
- Então a senhora é tipo um anjo?
- Posso ser considerada muitas coisas, mas sim, se você quiser posso ser um anjo.
- Como depois de tudo, de ouvir de tudo e mais um pouco e ver como há maldade nesse mundo. A senhora continua de cabeça erguida? Sem pestanejar, nem reclamar?
- Eu irei lhe ensinar algumas coisas que eu aprendi com o tempo e com a vida. Considere-se de sorte, pois eu não costumo fazer isso. O certo seria as pessoas errarem e aprenderem, mas sinto em você algo especial.
- Obrigada.
- O que você tem se não tem amor? Daquele tipo que você quer distribuir ou apenas compartilhar com a pessoa amada? – nesse instante Gabe vagou na minha mente, e por ali permaneceu – Nós sabemos que em dias chuvosos é difícil manter-se erguido, você tem vontade de gritar com o mundo todo. E ficar sozinha. É muito fácil se perder dentro de um problema que parece tão grande, e não é nada. Às vezes você os vê como um rio volumoso que te inunda por completa, e se pergunta o que fez de errado dessa vez. O que você fez de errado foi ficar parada e pensando naquilo que não pode mudar, e se preocupando com as coisas erradas. – todo o tempo em que ela falou, eu prestei a máxima atenção, era como se as palavras que ela dizia entrassem na minha mente e mexesse em tudo lá dentro.
- Eu ainda não entendo!
- Entenderá criança, com o tempo. Mas eu ainda não acabei. – ela ainda passava a mão levemente pelos meus cabelos — Suas ações são o que define você, como você pensa o que você sente. Elas são você. Conhece aquele ditado “Você é o que você come”?
- Sim.
- Está errado. “Você é o que você quer ser”. Enquanto o tempo voa e passa muito rápido, é melhor que você faça tudo que realizou nesse mundo valer a pena, pois você não pode voltar atrás. Porque às vezes aquela montanha que você tem escalado é apenas um grão de areia. E o que você tem procurado dês de sempre esteve sempre em suas mãos, bem na sua frente. E quando você percebe que o amor é o que mais importa depois de tudo – ela fez uma pausa e ergueu as mãos fazendo movimentos de duvida – Com certeza isso faz com que o resto pareça tão...
- Pequeno. – novamente a expressão de suavidade invadiu seu rosto enquanto ela relaxava os ombros.
- Isso mesmo criança. Agora você entendeu.
- Eu não sei como lhe agradecer.
- Não agradeça, é apenas meu dever.
- E qual seria o MEU dever?
- O seu seria escolher uma dessas flores e ir resolver seus problemas. – eu me levantei e esperei ela me entregar a flor. Mas ela colocou a cesta no lugar em que eu estava sentada. E levantou-se também.
- Qual eu devo escolher? – eu disse abaixada olhando as flores e mexendo em algumas.
- Eu não sei. – ela fez uma pequena pausa – A escolha é sempre sua.
Eu já estava com a flor na mão, quando senti um pequeno vento balançar meus cabelos e o aroma de flores invadirem meu corpo,e quando me virei não havia mais ninguém ali. Ela havia sumido. E por final acabei me tocando da ultima frase que ela disse.
“A escolha é sempre sua”
Com minha pequena flor na mão eu corri.
GABE
- Mãe eu sonhei que você era um anjo!
O carro foi bruscamente freado no meio da avenida, fazendo a mim e a Angelique quase batermos à cabeça nos bancos da frente.
- Quando você sonhou isso meu filho? – o nervosismo da minha mãe estava começando a se tornar visível.
- Há umas semanas atrás. Mas não se preocupe mãe,você fez a coisa certa no sonho.
- Como assim? – ela olhava para mim pelo espelho do retrovisor.
- MÃE da pra andar? A gente ta parado no meio da avenida!
- Oh desculpe. – ela acelerou novamente o carro. Tínhamos recém terminado de almoçar. Um almoço tranqüilo, com algumas risadas da parte deles e direito ao melhor vinho do restaurante. Estávamos indo para casa, quando me lembrei do sonho que eu havia tido com minha mãe há uns tempos atrás e nunca havia comentado com ela. – Então como foi esse seu sonho?
- Você apareceu para mim de asas e cabelos compridos em um vestido branco, me abraçou disse que eu era seu filho e mandou-me ficar longe de Sheba. Só isso.
- Só isso? Huum... Interessante – todo tempo ela e meu pai ficavam se olhando, pareciam que estavam conversando telepaticamente.
- Não se preocupe dona Annya, é apenas um sonho. Mas eu devia ter seguido seu conselho dês do inicio.
Ninguém mais falou nada o caminho todo. No elevador novamente meus pais ficavam se olhando com expressões de duvidas.
- O que vocês dois tem? – eu pedi não agüentando mais aquele suspense todo.
- Nada... Nós não...
- Nós precisamos lhe contar algo Gabriel! — meu pai cortou minha mãe.
Notas finais
só q eu decidi acabar logo a fic
Ou seja tem mais uns 2 ou 3 cap O_o
NÃO ME MATEEM!
ENTÃOOO a únicaa coisa q peço é COMENTEEM!
Queem sab eu não prolongue a fic (?)
auihsuaihsahsuihaohashaui
Beiijooos!
Fale com o autor