Entre o Inferno e o Céu
14 É um quebra pau só
Notas iniciais
Attóórúun!
GABE POV
Acordei quando senti algo gelado e molhado ser posto na minha testa. Abri os olhos lentamente sentindo minhas pálpebras pesadas.Minha visão estava um pouco embaçada, mas consegui identificar a cabeleira loira de minha irmã.
- Eii esta se sentindo melhor?
Ela estava passando um pano branco úmido na minha testa e me olhando com um meio sorriso.
- O que aconteceu?
Seus olhos voaram até o outro lado da cama, onde minha mãe estava sentada me olhando.
- Você acordou no meio da noite com a tempestade,subiu as escadas correndo,tropeçou e bateu a cabeça, desmaiando em seguida. – sua expressão estava calma e serena. Mas sua voz não transmitia a mesma coisa. Minha cabeça latejava, me fazendo gemer de dor. – Esta melhor? – ela disse colocando de novo o pano na minha testa e me aliviando.
- Acho que preciso de um analgésico.
- Eu vou buscar. – Angelique levantou e foi buscar o remédio.
- Sua irmã passou a noite toda aqui te zelando. Cada suspiro que você dava era um alarme. – ela disse rindo, me fazendo pensar que apesar de todas as nossas brigas,eu amava minha irmã,e o homem que casasse com ela teria muita sorte. Ele só teria que comer todo dia no restaurante.
- Me lembre de dar um presente pra ela depois!
- Querido você se lembra de algo de ontem de noite? – ela estava muito cautelosa ultimamente. Suas ações,falas,tudo era controlado,como se fosse deixar algo escapar.
- Não sei,eu não me lembro direito,ta tudo meio embaçado. Mas eu farei um esforço pra me lembrar!
- NÃO NÃO! – ela levantou rapidamente gesticulando com as mãos negativamente – Vo... Você... Você precisa descansar. É, é isso precisa repor energias. Não tente se lembrar de nada!
- OK mãe,eu descansarei. Mas só até hoje de noite. Pois amanhã de meio dia temos um almoço lembra? – falei me ajeitando na cama, de modo que eu ficasse apoiado na cabeceira.
Ela soltou um longo suspiro, fechando os olhos, massageando as têmporas e andando um pouco de um lado para o outro.
- Mãe?
- Sim sim,claro meu amor,pode trazer ela! Eu tentarei de todas as maneiras me dar bem com ela.
- Obrigado.
- Tudo pra te ver feliz meu filho. – ela veio e me deu um beijo na testa. – Eu te amo.
- Também te amo. – ela foi saindo quando eu a chamei de novo. – Mãe deixe um dinheiro no balcão da cozinha.
- Por quê?
- Se você não quer um filho morto por intoxicação alimentar, é melhor deixar o dinheiro! — logo após escutamos um berro vindo do corredor.
- EU ESCUTEI ISSO GABRIEL!
- TAMBÉM TE AMO ANGIE!
Então minha mãe deixou meu quarto dizendo que precisava conversar com meu pai. Minutos depois Angie adentrou o quarto com um copo de água numa mão e na outra o remédio.
- Angie – eu disse engolindo o comprimido – você me faz um favor?
- Claro!
- Vai até o canto do meu quarto. – ela me olhou estranhamente, mas levantou e foi – Se agache. – me olhou com cara de cu,mas o fez – e pegue meu cérebro que eu joguei ai noite passada.
- Senhor salve esta alma, porque o corpo já ta podre! – me olhou com cara raivosa colocando as mãos na cintura.
- É só minha forma de te agradecer por me cuidar a noite toda! Afinal, já que meu cérebro está estragado você pode tentar cozinhar ele, pra ver se não queima! Só treinamento sabe.
Falei com a minha maior cara de pau, esperando ela atirar as facas em mim. E ela apenas riu juntamente comigo. Se sentando na ponta da cama em posição de índio.
- Então, como andam as coisas com minha cunhada preferida?
- Angie, ela é sua única cunhada!
- Ah OK! – seu sorriso denunciava seus pensamentos. Ela não tinha entendido.
- Nós... Nós discutimos ontem. – momentos de ontem à tarde no jardim me invadiram a cabeça.
- Por quê?
- Ela acha que não é boa o suficiente pra mim!
- E o que você acha?
- O que eu acho? Que ela é mais do que suficiente. Desde o momento em que eu a vi naquele baile, eu soube que ela me pertencia que era minha. Pena eu ter acordado tarde demais.
- Mas o que interessa é que vocês estão juntos agora. Não é?
- Ontem se não me engano, se ela realmente quisesse teria terminado tudo. Anda falando coisas estranhas, como “isso pode acabar mal” ou “quando tudo vier à tona você ira me odiar” coisas assim sem nexo. E a mamãe esta da mesma maneira, resmungando pelos cantos, com ações cautelosas. Tem alguma coisa de errado.
- Pior maninho que eu também percebi isso. A mamãe ta muito estranha. Ontem ela acordou e mudou um vaso de lugar. Realmente estranho. – ela falava como se aquilo fosse o fim do mundo, seu olhar era esbugalhado. – E hoje de manhã, você não ira acreditar! Ela acordou e foi na loja buscar flores. Extremamente estranho.
- Angie?
- O que?
- Ela faz isso todo dia.
- Ah ta bom! – ela sorriu,levantou,beijou minha testa – Eu vou pedir algo pra gente comer! Eu não estou com humor pra cozinhar! – ela falou saindo do quarto.
- Imagine se ela tivesse com humor pra cozinhar! – estremeci ao pensar na gororoba que ela ia aprontar se quisesse.
- EU ESCUTEI DE NOVO GABRIEL!
- CARALHO! Como é que ela faz isso?
Angelique voltou após uns 20 minutos com nosso almoço. Sentamos na minha cama e comemos. Passamos a tarde dando risada, colocando os assuntos em dia. Ela tinha decido terminar a faculdade em Reed River. Para passar mais tempo com a nós, contou que tinha tido um caso com um carinho, e que o amava muito, mas no estava na hora de se apaixonar ainda. Pelo menos pra ela. Então ela terminou tudo e voltou. Eu comentei que estava muito apaixonado por Sheeba,e que as coisas não andavam bem,mas que eu faria de tudo pra resolver. Ela disse que se precisasse de sua ajuda, estaria ali a qualquer hora. Disse também que já tinha arrumado tudo pro almoço de amanhã. Mandou um restaurante fazer o almoço e entregar aqui em casa, ela passaria a manhã na cozinha fingindo que estava fazendo algo de útil. Assim ninguém iria desconfiar. Eu concordei claro, pois se ela cozinhasse íamos morrer todos de fome.
Já era muito tarde,e nem tínhamos percebido a hora passar. Angie foi tomar um banho pra dormir. Peguei meu celular e liguei pra Sheba.
- Alo?
- Sheba?
- Oi Gabe!
- Você esta bem? Parece doente!
- É eu fiquei um pouco resfriada, mas minha prima esta cuidando de mim.
- Espero que melhore logo. Estou com saudades.
- Obrigada. Eu também estou!
- Então eu só te liguei para te pedir perdão novamente por hoje de tarde. E te lembrar que amanhã de meio dia tem almoço aqui em casa.
- Não tem o que se desculpar. Na verdade quem deveria fazer isso era eu. Desculpe. – ela deu um longo suspiro– Pode deixar que eu não me esqueci do almoço,sei que é importante pra você.
- Obrigado novamente. Sheeb... Eu vou desligar, preciso descansar!
- Aconteceu alguma coisa?
-Nada que você devesse se preocupar. Amanhã te conto tudo.
-OK!
- Boa noite! Durma bem.
- Você também.
- Eu te amo. – escutei ela respirar fortemente no telefone e soluçar baixamente.
- Tchau Gabe.
E então a ligação acabou. Tomei uma ducha, deitei na cama e olhei novamente pra cima. Enxergando dessa vez um céu escuro e minado de estrelas.Com pensamentos confusos e indecifráveis eu adormeci.
Despertei com os raios fracos do sol batendo na minha cara. A casa estava de novo silenciosa, coloquei uma roupa e desci as escadas. Angie estava ainda dormindo pelo jeito. Meu pai havia ido à loja buscar flores, pra deixar a casa perfumada. E mamãe estava tomando café, com as duas mãos na xícara e olhando pro espelho que tinha na frente da mesa. Sua perna embaixo da mesa ficava chacoalhando. Sentei-me a mesa
- Bom dia mãe!
Ela ainda continuava a olhar pro espelho, como se estivesse examinando algo.
- Mãe? – e nada dela me responder. Às vezes ela sorria, ou bufava. Era como se eu não tivesse ali.
- MÃE?
Aquilo estava irritando profundamente. Se ela estivesse braba comigo que falasse e não me ignorasse.
- Mãe você esta brava comigo? – eu já ia me retirando da mesa quando percebi que não ia obter resposta nenhuma. Foi então que ela “acordou” soltando um grito.
- EXATO! – ela olhava pra aquela porra daquele espelho e sorria. Eu estava pasmo com toda aquela cena. Era impressão minha ou minha mãe tinha amigos imaginários? Ela sorriu mais uma vez “pra ela mesma” e me olhou.
- Bom dia meu filho! Eu não te vi ai!
- Pois é eu percebi. – sentei-me novamente na mesa dessa vez comendo alguma coisa.
- Mãe eu sei que é falta de educação pedir isso. Mas a senhora é louca? – sua risada foi extremamente alta, ela estava debochando da minha cara?
- Meu amor de onde você tirou isso?
Me aproximei dela por cima da mesa e sussurrei.
- Mãe você estava conversando com o espelho. — ela apenas soltou um “OOOUW” com um olhar saltado – Eu sei que é bom voltar à infância de vez em quando, mas você tem amigos imaginários?
- Da onde você tirou isso garoto?
- Se lembra? Leitcha e Poiftchi? Meus amigos imaginários de quando eu tinha 6 anos?
- EIIIII A LEITCHA ERA MINHA AMIGUINHA!
Angelique adentrou a sala com uma cara amassada, cabelo desgrenhado e de camisola de ursinho.
- Bom dia – ela disse bocejando. E soltando seu bafo matinal em mim.
- Nossa Angie, você bocejar de manha deveria ser crime. – eu disse me distanciando. Ela me olhou com aquela cara tipo ‘ To pouco me importando para o que você pensa’
- Você ter nascido deveria ser considerado um crime. – e logo após me cortar os braços ela começou a comer e conversar com mamãe.
- Ei meu filho,você esta lindo hoje. Aonde vai assim?
- Vou buscar minha namorada pra Almoçar aqui. — ela olhou pras janelas e continuou a tomar seu café. Às vezes, mas raras vezes eu a pegava olhando de canto pro espelho e concordando levemente com a cabeça. Mas resolvi deixar quieto. Só ela que não roubasse a Leitcha da Angie, se não ia ter morte.
As horas foram passando, a casa estava toda arrumada, papai havia voltado com as flores e distribuídas pela casa. Mamãe foi se arrumar, Angelique “cozinhar”, e eu fui buscar Sheba.
Apertei no numero de seu apartamento, e uma voz melosa atendeu.
- O que foi?
- Sheba?
- Não aqui é a Jezebel. Quem esta falando?
- Gabe. Você poderia ver pra mim se sua prima já esta pronta?
- Ela já esta descendo. – a voz sumiu e eu só escutei Sheba se despedindo e depois Jeez dizendo pra ela ligar se precisasse de ajuda.
Sheba apareceu no hall de entrada linda como sempre. Mas seu olhar e sorriso denunciavam seus sentimentos. Ela me abraçou e quando íamos nos beijar, um som muito estridente saiu dele.
- Ela não sabe ainda usar o interfone direito. – rimos e eu me dirigi até o carro a esperando, pois ela estava tentando ensinar Jeez a desligar o interfone, pelo interfone. Ela entrou logo em seguida no carro sorrindo. De novo aquele sorriso, não digo falso, mas sem emoção.
- Pronto! Já resolvi.
- Conseguiu ensinar ela a mexer?
- Não!
- E o que ela fez?
- Provavelmente deu uma panelada no interfone, pois ele ficou mudo. — agora sim seu sorriso sem dentes era verdadeiro. Era como se aquilo a divertisse. – Gabe eu estou nervosa, mais do que a primeira vez.
- Não se preocupe, minha mãe arranjou amigos imaginários pra conversar. – escutei ela engolir fortemente a saliva e me olhando estranho – Não se preocupe, dará tudo certo.
- Você esta um gato como sempre!
- E você esta excepcionalmente fofa hoje! – falei colocando minha mão direita na sua coxa e ficando assim o resto do trajeto.
Entramos no elevador e eu a abracei por trás. Sheeb tirou seus óculos guardando na bolsa e deitando sua cabeça no meu ombro. A olhei de cima e notei vagas olheiras embaixo de seus olhos.
- Você esta bem? Esta com olheiras, não muito bonitas.
- Noite difícil.
- Ainda esta com medo?
- Muito – ela disse se virando e me encarando com seus lindos olhos pretos.
- Você sabe que eu sempre estarei do seu lado. Não importa o que aconteça.
- Promete? – seu olhar continha muita dor e piedade. Como se ela precisasse escutar aquilo.
- Sempre. – meus lábios foram de encontro aos seus. Tínhamos nos visto anteontem,mas meus lábios e minha língua sentia sua falta. Nosso beijo era calmo, sereno e simples. Apenas o tocar das línguas para amenizar a angustia, e eu já a sentia relaxando em meus braços. O elevador abriu nos fazendo parar.
- Vamos lá? – eu disse pegando em sua mão e a puxando.
- Dessa vez eu trouxe a bazuca.
SHEBA POV
O cheiro de flores já estava impregnado dentro do elevador. Eu tinha decido aceitar a ajuda de Jezebel, eu terminaria com Gabe, provavelmente a mãe dele contaria tudo, ele me odiaria, Jezebel teria a alma dele e eu minha esperada graduação.
Não contei a Jeez sobre meu sonho com minha suposta mãe, pois provavelmente foi só um sonho mesmo. Meu coração parecia que estava sendo esmagado, parecia que estavam enfiando palitos nele e depois colocando vinagre, de tanto que me doía imaginar minha vida sem Gabe, a imagem de Jezebel levando a doce e pura alma dele era como um tapa na cara. Só que dessa vez minha preocupação era outra. Annya Ariel. Minha sogra.
A porta foi escancarada que nem na primeira vez que vim aqui, e claro que de detrás dela saiu a cabeleira mais loira que eu conhecia.
- AMIIIGA! QUANTO TEMPO! — Angelique simplesmente pulou encima de mim.
- Oii Angie! – eu tentei falar, mas ela estava me sufocando. – Eu sei que você é pequenininha, mas é pesada sabia. – eu nunca devia ter falado aquilo.
- Pesada? – ela estava falando sozinha e olhando pra um ponto fixo inexistente no corredor.
- Angelique? – eu a chamei, passando a mão na frente de seu rosto. O que não adiantou merda nenhuma. Ela ficava olhando pra esse bendito ponto e passando a mão na barriga, diga-se de passagem, lisa e resmungando “pesada”. Gabe me soltou e foi ao seu lado segurando um braço seu.
- Mana? Ta viva? – ele murmurou pra ela. Mas nada adiantou novamente. E ela continuava a fazer os mesmos movimentos. – ALOO SUA BALEIA! TA ENCALHADA NA PORTA! O IBAMA NÃO VAI CONSEGUIR TE TIRAR DAQUI, E MUITO MENOS UM GUINDASTE!
Eu infelizmente não me contive e tive que me agachar no chão de tanta risada que eu dei. Gabe estava tentando ficar o mais serio possível, mas estava sendo inevitável com a cara dela. Angelique piscou algumas vezes até sair da porta sem dizer uma palavra entrando no apartamento e indo direto pra cozinha. Ele me guiou até a sala de jantar, onde seu pai e sua mãe estavam sentados no sofá conversando algo bem baixinho.
- Olá Sheba! É muito bom revê-la novamente. Continua linda como sempre. – o Sr. Carlos levantou e veio me dar um abraço. A meu ver ele já sabia de tudo que estava acontecendo. Mas não entendia porque ainda me tratava bem. Devia ser pura encenação. A Sra.Annya levantou e me cumprimentou novamente da mesma forma da vez passada. Um aperto de mão simples e forte com trocas de olhares maçantes.
- Bom dia Sheba.
- Bom dia senhora Annya.
Angelique continuava trancada na cozinha, provavelmente passando a mão na barriga e murmurando algo como “pesada”. Eu esperava realmente que ela estivesse fazendo o almoço, pois eu não agüentava mais ficar na sala sentada, fingindo estar feliz e tendo que encarar minha angelical sogra. O pai de Gabe era muito gentil comigo, mas eu tinha certeza que ele sabia o que eu era, pois em alguns momentos lançava olhares de desculpa pra sua esposa. Passamos mais algum tempo ali, todos fingindo se adorar e gastando saliva. Eu preferia estar gastando minha saliva com Gabe.
Angelique apareceu na sala um pouco mais feliz nos chamando pro almoço,e comentando que havia feito tudo sozinha,sem ajuda de ninguém,e que esperava que a gente se deliciasse com a comida.
E realmente estava muito boa. Ela tinha feito vários pratos, que não me interessavam saber o nome. O almoço até então estava ocorrendo calmamente, em ótima harmonia. Até Gabe agir.
- Eu te amo – ele me disse dando-me um selinho e alisando minha perna por debaixo da mesa. Todos na mesa nos olhavam, Angie com cara de deficiente mental, Sr. Carlos confuso e Sra. Annya extremamente nervosa. Ela levantou bruscamente da mesa recolhendo alguns pratos.
- Sheba querida você poderia me ajudar? – eu sabia que algo de ruim ia acontecer. Eu tinha pensado só em quatro opções.
1° — Ela ia me matar.
2° — Nós íamos colocar fogo no apartamento.
3° — Eu ia matar ela (mas infelizmente eu não teria coragem pra fazer isso).
E 4° — Ela ia me matar (de novo).
- Mãe, Sheba é visita hoje. – Gabe disse tentando me tirar daquela enrascada. Mas eu precisava enfrentar a “MãeZila”.
- Tudo bem Gabe, eu a ajudo sem problema nenhum. – lhe lancei um sorriso de confiança que o fez soltar meu braço e me deixar ir com ela pra cozinha.
Entramos na cozinha, ela na frente me guiando. Os pratos que estavam em suas mãos foram fortemente jogados dentro da pia, fazendo um barulho estridente. Os pratos que estavam em minhas mãos, os coloquei encima da bancada. Estávamos andando ao redor da bancada central da cozinha. Seu dedo indicador passeava pelas bordas da bancada enquanto ela me lançava um sorrisinho de deboche, mas eu não ficava muito atrás, meu rosto demonstrava total desagrado a sua pessoa. Depois de darmos uma volta e meia na bancada ela parou em uma ponta e se apoiou com as duas mãos me olhando, me fazendo parar na mesma posição.
- Eu sei o que você é! – ela disse me olhando e rindo levemente.
- Eu também sei o que você é! – lhe respondi da mesma maneira.
- O que eu era você quis dizer!
- Então você também quis dizer o que eu era!
- Não você nunca deixará de ser aquilo. Um monstro.
- Obrigada pelo elogio.
- Eu irei repetir só uma vez. SE AFASTE AGORA DO MEU FILHO.
- Eu também irei repetir só uma vez. NÃO. – a vi fechar os punhos fortemente e respirando fundo.
- O que você quer? Eu lhe dou o que quiser dinheiro, carros, casas, viagens. Posso lhe dar algumas almas para torturar. É só me dizer. – ela ergueu os braços como se estivesse esperando a resposta.
- Coisas materiais não me interessam, afinal eu já tenho tudo isso. – meu sorrisinho de canto lhe arrancou um longo suspiro.
- Eu já tinha me esquecido como vocês adoram luxuria. Então?
- Então que eu não quero nada. Será que é difícil de acreditar que eu ame seu filho.
Sua alta e sonora risada ecoou pela cozinha me machucando os ouvidos. Ainda rindo ela disse.
- Você amando? – ela estava claramente debochando da minha cara, mas logo após seu rosto ficou totalmente frio e calculista – Vocês demônios são desprovidos de sentimentos. Você NUNCA ira amar alguém.
- Pra uma cacheadinha – eu disse fazendo aspas – você não crê muito na mudança das pessoas não é?
- Na verdade eu acredito sim. Só que a diferença é que você NÃO É HUMANA.
- Eu estou aqui não estou? Você pode me matar a qualquer hora, e verificar.
- Eu já disse que não irei repetir de novo. Saia fora de nossas vidas, principalmente a de Gabriel.
- Eu não sei você entendeu ainda. Mas eu não irei fazer isso. — ela começou a andar de um lado para o outro com as mãos na cabeça.
- PORQUE VOCE TINHA QUE ESCOLHER ELE? PODIA SER QUALQUER UM! MAS ELE. MEU GABE. MEU QUERIDO ANJINHO. POR QUÊ?
- INFERNO,NÃO FUI EU QUE ESCOLHI,FOI ELE. EU NÃO QUERIA NADA COM ELE. ELE SIMPLESMENTE APARECEU E ME TORNOU DELE. VOCE ACHA QUE EU NÃO SOFRI COM TUDO ISSO.
- GABE NUNCA IRIA ESCOLHER UM MONSTRO QUE NEM VOCE!
- POIS ESCOLHEU AGORA AGUENTE.
Estávamos as duas gritando muito alto dentro da cozinha. Ela saiu de sua posição e eu também nos encontrando uma de frente com a outra, apenas um passo de distancia.
- Vocês demônios, só querem saber de destruição, ódio, rancor e sexo.
- Não se preocupe minha querida sogrinha que Gabe faz sexo como ninguém. – disse me deliciando com a forma que as palavras saiam e a afetavam.
- Eu não acredito que ele teve coragem de encostar em você. – ela falou de olhos fechados e cerrando os punhos.
- Pois acredite, ele encostou em todo o meu corpo. Qualquer dia desses nós te mostramos um vídeo.
- Eu não irei ver nada. Ele nunca mais ira encostar em você e muito menos você ira ver ele novamente.
- Por quê?
- Porque eu irei te matar! – teoria comprovada, assim que ela terminou de falar isso, sua mão voou fortemente na minha cara, me fazendo virar o rosto e sentir um pouco de gosto de sangue.
- Cadela.
- Olha só a demoniazinha sangra. – um filete pequeno de sangue escorria do canto da minha boca. Minha raiva era tão grande que não consegui me controlar e revidei o tapa com toda minha força. E de seu lábio tambem surgia um filetezinho de sangue.
- Olha só a anjinha sangra. – não tive tempo de falar mais nada. Ela voou encima de mim me derrubando no chão e me enchendo de tapas e socos. Mas eu não ficava muito atrás, lhe acertando vários socos no estomago. Consegui reverter à situação, tirando-a de cima de mim, ela se levantou rapidamente me olhando com ódio mortal. Estávamos as duas descabeladas e sangrando. Sua mão voou pra prateleira de pratos e assim que alcançou um me atirou. Consegui desviar, mas o prato de espatifou na parede. Atrás de mim havia uma prateleira com copos de vidros que imediatamente atirei em sua direção.
- SUA CADELA, AQUELE COPO ERA PRESENTE DA MINHA SOGRA.
- FALOU CERTO. ERA.
Se pudesse, estaria saindo fogo dos seus olhos, assim como dos meus. Suas mãos novamente alcançaram os pratos e atirando com tudo. Eu só tinha tempo de desviar e pegar os copos pra atirar também. A cozinha estava ficando uma bagunça, os pratos e copos batiam na parede e se espatifavam no chão. Acertei-lhe um copo na perna fazendo um corte profundo. Quando todos os copos e pratos terminaram,eram as panelas que estavam voando,estava sendo muito difícil de desviar,ela levou uma panelada nas costas e eu uma na cabeça,que me doeu horrores e me deixou tonta. Num descuido meu ela veio novamente pra cima de mim,me socando e agarrando meus cabelos,segurei em seus e começamos a rodopiar pela cozinha,minhas costas bateram na bancada de forma que eu deitei e ela subiu encima de mim,me estapeando novamente.
- PORQUE VOCE NÃO MORRE SUA CADELA?
Dei-lhe um chute na barriga a derrubando do lado do balcão. Para conseguir me defender fiquei de pé na bancada pegando uma bandeja toda decorada que estava encima da bancada. Ela com muita flexibilidade. Diga-se de passagem, por causa da ioga subiu na bancada com um olhar mortal ao triplo.
- Se você quebrar esse prato será sua sentença de morte assinada.
- Eu já a assinei há muito tempo.
Fiz o movimento para atirar o prato no chão, mas ela foi mais rápida me segurando os braços e me chutando, minha cabeça voou de encontro a sua,abrindo um corto no seu nariz e um no canto da minha testa. Nossos gritos começaram a ecoar pela cozinha.
- FILHA DA PUTA!
- VACA LEITERA.
- MORRE SUA DESGRAÇA! – nós gritamos juntas, com os braços erguidos e segurando o prato. Ela tentando salvar ele, e eu tentando quebrar ele. Ela estava pronta pra acertar meu estomago com uma joelhada e eu outra cabeçada quando a porta foi escancarada e um berro nos tirou do transe.
- O QUE ESTA ACONTECENDO AQUI? – Gabe Angie e Sr. Carlos nos olhavam com expressões de espanto e medo.
- Oi meu filho, eu deixei os pratos caírem no chão!
- Oi Gabe, eu fui trocar a lâmpada e escorreguei jogando a bandeja pra cima e nós duas conseguimos salvar ela. – eu disse sorrindo com dificuldade por causa dos socos e cortes. Virei pra Sra. Annya e lhe entreguei o prato sorrindo.
Gabe olhou furiosamente pra sua mãe e saiu pisando fundo da cozinha, subindo as escadas correndo. Aproximei-me calmamente de Annya sussurrando em seu ouvido.
- Acho que ganhei. – e ela sussurrou também.
- É só a primeira batalha, a guerra ainda não esta ganha.
- Então veremos.
Gabe adentrou a cozinha com a maior cara amarrada, levando consigo uma pequena mochila. O olhar de sua mãe se agravou assim que ela viu a mochila.
- ONDE VOCE PENSA QUE VAI GABRIEL MICHAEL?
- Eu vou embora – ele disse se aproximando de mim e me pegando na cintura, eu estava toda dolorida, mas não podia reclamar na sua frente, e me colocando no chão. Beijou minha testa e me perguntou como eu estava.
- Você não ira fazer isso com sua querida mãe. – Annya disse sendo retirada do balcão pelo seu marido, que já estava limpando seus cortes.
- Já estou fazendo. – pegou em minha mão e me puxou pra fora do apartamento.
Notas finais
Mesmo assim,espero que continuem lendo!
(ATTÓRUÚN criticas,a gent aprende com elas) Fikdik!
COOMENTEEM PLEASE!
Fale com o autor