Entre o Frio e o Fogo | Twilight Saga
5 A Reunião dos Condenados
O amanhecer trouxe consigo uma névoa densa e um frio cortante que parecia penetrar até os ossos. Na clareira atrás da casa dos Cullen, um jato particular, de um preto fosco e elegante, aguardava. Era uma cortesia dos Volturi, ou talvez uma imposição, para garantir que a "aliança" chegasse ao seu destino sem atrasos. Jacob, Embry e Quil estavam ali, os rostos sérios, a respiração formando pequenas nuvens no ar gelado. Levavam consigo mochilas com alguns pertences. A presença de Jane, parada a poucos metros, envolta em um casaco escuro que parecia absorver a pouca luz, era um lembrete constante da farsa que estavam prestes a encenar.
— Estão prontos? — A voz de Jane era um sussurro gélido, carregado de um sarcasmo que fez Jacob cerrar os punhos. Ele não respondeu, apenas lançou-lhe um olhar de puro desprezo. Quil e Embry, embora visivelmente desconfortáveis, mantiveram-se em silêncio, a lealdade a Jacob e às matilhas superando o medo que a vampira inspirava.
O voo foi uma tortura silenciosa. O interior do jato era luxuoso, mas o espaço confinado amplificava a tensão entre eles. Jacob sentou-se o mais longe possível de Jane, com os amigos formando uma barreira protetora. O cheiro dela, embora sutil, ainda o incomodava, uma lembrança constante de sua natureza fria e mortífera. Ele podia sentir os olhos dela sobre ele de vez em quando, um escrutínio que o fazia querer rosnar. Ela, por sua vez, parecia entediada, os olhos vermelhos fixos na paisagem que passava rapidamente abaixo, como se a presença deles fosse um mero incômodo.
A viagem durou quase um dia inteiro. Nenhuma palavra foi trocada. Os três lobos se revezavam entre breves cochilos, mas nenhum deles parecia confiar o bastante em Jane para relaxar completamente. A vampira percebia cada mudança no ritmo da respiração deles e não podia evitar uma leve satisfação ao notar como ficavam tensos quando um dos lobos ousava adormecer.
Aro, com toda sua falsa cordialidade, providenciara uma refeição para o grupo. De repente, uma comissária de bordo apareceu à porta da cabine, empurrando um carrinho com pratos quentes e frescos. A comida parecia tão humana, tão simples, tão normal... tão destoante do clima de perigo e morte que pairava no ar. Jacob fixou o olhar naquela mulher. O sorriso dela era cordial e despreocupado, mas isso não lhe passava confiança.
Será que ela sabia quem eram? O que significava estar ali? O que poderia acontecer com uma humana tão perto dos Volturi? Não, provavelmente não sabia... mas isso não tornava a cena menos perturbadora.
– Comam – sussurrou Jane, num tom tão autoritário que parecia uma ordem gravada no ar. – Ou serão mortos pela primeira formiga que picar vocês, se não estiverem fortes o bastante.
– E como vamos saber que não colocaram veneno? – retrucou Quil. Sua voz não carregava desafio, mas uma ponta de desconfiança tão honesta que acabou ressoando no silêncio.
Jane sorriu de canto, maliciosa.
– Se quiséssemos matá‑los, não precisaríamos perder um dia inteiro nesta viagem. São três contra uma, mas isso não impede que eu dê um fim em todos vocês antes que possam pensar em reagir. – O olhar dela ficou tão afiado e intenso que poderia rasgar. – Bella não está mais aqui para te proteger.
Embry estremeceu visivelmente. Quil ficou calado, e Jacob continuava a encarar a comissária humana. Jane captou cada pensamento não dito e, num sussurro tão claro que parecia uma lâmina, explicou:
– Ela não entende uma palavra do que estamos dizendo. Fala só italiano. Não foi enfeitiçada, nem obrigada. Está aqui por livre e espontânea vontade. – Os olhos vermelhos cravaram em Jacob. – Agora, peguem a comida antes que ela perceba que estamos perdendo tempo.
Quil não discutiu. Pegou uma bandeja e Embry o seguiu em silêncio. Jacob, por um instante, não desviou o olhar de Jane. Não era medo mas uma espécie de desconfiança misturada a uma curiosidade irritada. Por fim, aceitou a bandeja e, quando a comissária deu um leve aceno e virou as costas, Jane agradeceu num italiano tão fluente e doce que parecia outra persona:
– Grazie, Laura.
Jacob não conseguiu evitar reparar. O tom dela não era só mais natural, era quase humano.
Eles comeram rápido, cada qual imerso em seu silêncio e exaustão. A atmosfera tornou-se menos densa depois daquela breve interação. Os lobos começaram a comentar, entre uma garfada e outra, sobre o clima gélido que enfrentariam quando chegassem. Jacob não relaxou, atento e protetor com o restante do bando, enquanto Jane parecia tão à vontade que poderia estar numa sala de estar — hora mexendo no celular, hora colocando um fone de ouvido para escutar música ou, quem sabe, escutar uma playlist de gritos e súplicas tão comuns ao seu dia a dia.
E assim, naquela noite tão longa, tão cheia de não ditos e tensões mal resolvidas, cada um deles ficou imerso no seu canto, presos num silêncio tão pesado que parecia impossível romper.
Quando o jato finalmente pousou em uma pista de pouso isolada, escondida em meio a uma vasta floresta de pinheiros, o ar gelado da Rússia os envolveu. A paisagem era desoladora, mas de uma beleza selvagem: árvores altas e esguias cobertas de neve, um céu cinzento que prometia mais neve. Um carro blindado os esperava, e um homem de semblante sério, vestido com um uniforme militar, os cumprimentou com um aceno de cabeça. Ele era um contato dos Volturi, encarregado de sua logística.
– Bem-vindos à Rússia – Disse o homem, a voz rouca. – Alguns alvos foram avistados na Floresta de Urais, a algumas horas daqui. Alec já está no local, aguardando vocês."
Jane assentiu, um vislumbre de algo que parecia alívio passando por seus olhos. Jacob notou. Era a primeira vez que via qualquer emoção nela, e isso o incomodou. A ideia de que ela tinha alguém que se importava com ela, alguém que a esperava, era estranha e perturbadora.
O carro partiu, embrenhando-se na floresta. A estrada era precária, coberta de neve e gelo, e o silêncio no veículo era ainda mais pesado do que no jato. Jacob observava a paisagem, a mente já se preparando para a caçada. Ele sabia que a Rússia era um lugar vasto e impiedoso, e que os lobisomens que caçariam seriam tão piores quanto o ambiente. Ele se virou para Quil e Embry, um olhar de determinação em seus olhos.
— Fiquem alertas. Não confiem em nada, nem em ninguém.
Jane, sentada no banco da frente, ouviu as palavras de Jacob. Um leve sorriso de escárnio brincou em seus lábios.
— Uma lição que você deveria ter aprendido há muito tempo, lobo — Ela murmurou, sem se virar.
Jacob sentiu a raiva borbulhar novamente, mas se conteve. A missão havia começado. E a verdadeira batalha, a batalha entre eles, estava apenas começando.
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O carro blindado deslizou por uma trilha coberta de neve, serpenteando por entre pinheiros gigantescos, até parar diante de uma estrutura rústica, mas sólida, que parecia ter brotado da própria floresta. Era um refúgio de caça, isolado e discreto, perfeito para a missão que os aguardava. A porta se abriu, e o frio cortante do país gelado invadiu o interior do veículo, trazendo consigo o cheiro de neve e terra congelada.
Jacob foi o primeiro a sair, seguido pelos amigos. Seus olhos varreram o local, avaliando a segurança e a funcionalidade do lugar. Era simples, mas parecia adequado para o que precisavam: um lugar para os lobos descansarem, se alimentarem e traçarem um plano longe dos olhos curiosos. Jane desceu do carro com sua habitual graça gélida, os olhos vermelhos fixos na entrada do refúgio. E então, ele apareceu.
Alto, esguio, com cabelos escuros e olhos vermelhos que espelhavam os de Jane, Alec surgiu da sombra da porta. Havia uma semelhança inegável entre os irmãos, mas Alec possuía uma aura diferente. Jacob sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Havia algo naqueles olhos, uma profundidade fria e calculista, que sugeria uma crueldade ainda mais refinada do que a de Jane. Ele parecia o tipo de vampiro que desfrutava da dor alheia de uma forma mais sádica, mais prolongada. Mas mesmo assim, seu sorriso ao ver ela foi grande.
— Irmã. — Seu sotaque tão carregado de italiano quanto o dela como na primeira vez que Jacob a ouviu. Sua voz era suave, afetuosa, coisa que Jacob nunca imaginou que um Volturi pudesse possuir.
Jane, para a surpresa dele, relaxou visivelmente. A tensão que a envolvia desde que saíram de Forks pareceu diminuir, seus ombros caíram ligeiramente, e seus olhos, embora ainda vermelhos, assumiram uma expressão mais neutra, quase confortável. Era como se, na presença de Alec, ela pudesse finalmente respirar, ou o equivalente vampírico disso.
— Alec! — Jane respondeu, um aceno de cabeça quase imperceptível. — Tudo pronto?
— Como sempre. — Alec sorriu, um sorriso que não alcançava os olhos. Ele então se virou para os meninos, seus olhos pairando sobre eles com uma curiosidade quase científica. — Espero que tenham feito uma boa viagem. Em nome de Aro agradeço a presença de vocês e garanto a sua segurança. Nenhum de vocês será ferido... não por nós. — Jacob sentiu o clima tenso em sua voz. — Manteremos nosso lado do tratado enquanto mantiverem o de vocês. Nosso intuito é que todos possamos voltar para nossas casas a salvos e vitoriosos.
Alec falava como um diplomata. Beirava a perfeição em sua formalidade. Algo completamente diferente de Jane. Talvez a convivência com o outro gêmeo fosse mais fácil do que com ela.
Jacob assentiu com a cabeça.
— Essa também é nossa ideia: voltarmos a salvo, e logo, pra casa. Iremos cooperar com o que for preciso.
Alec deu um breve sorriso, sem um pingo de emoção.
— Vamos entrar.
Jane foi a primeira a se mover. Parecia não dar a mínima importância para os lobos agora. Jacob estava grato por isso. Seguiram ela até o interior da pequena casa. Era bem abafado, mas arrumado e otimizado para receber uma família ou um pequeno grupo. O cheiro predominante era de lenha e terra úmida. A iluminação de uma lamparina a óleo e de uma pequena janelinha tapada por uma lona escura para não revelar luz à noite. Haviam duas camas, um sofá antigo e duas poltronas. Cobertores grossos tanto para as camas quanto para as paredes. Pareciam serem feitos de alguma pele de animal. Também havia um pequeno baú com mantimentos e algumas panelas. Não pareciam suficientes para mais do que uma semana. Jacob ficou esperançoso com a possibilidade de irem embora rápido.
— Não é grande coisa mas foi o mais escondido do vilarejo que achamos. Esperamos que o cheiro de vocês se misturem ao nosso e disfarce um pouco dos lobissomens. — Alec comentou. — Aro mandou Cassius para se juntar a nós. — Agora ele estava olhando para Jane. Jacob seguiu seu olhar. — Quando Alice pediu um cérebro ele foi o escolhido.
— Para ser nosso cérebro ou para me vigiar? — Jane retrucou, aspera.
Jacob notou uma mudança sutil nela. Ficou mais rígida, seus olhos se desviaram por um instante, e uma pontada de algo que parecia desconforto passou por seu rosto. Era quase imperceptível, mas Jacob, sempre atento às nuances, percebeu. A menção de Cassius a incomodava. Isso acendeu uma pequena chama de curiosidade em Jacob.
— Quem é esse? — Perguntou, sem rodeios.
— É um membro do nosso Clã. Ele também faz parte da aliança, embora suas atribuições sejam um pouco diferentes das nossas. — Ele trocou um sutil olhar com Jane, que revirou os olhos. — Irá chegar daqui a algumas horas.
Jacob não deixou a informação passar batida. O nome de Cassius parecia não agradar Jane, e isso não escapara à sua percepção. Era uma espécie de irritação contida, quase uma memória antiga ganhando forma no leve estremecer de mandíbula dela.
Enquanto Alec retirava uma mapa amarelado de uma bolsa e o estendia sobre a mesa improvisada, Jacob não tirava os olhos de Jane. Não perguntou mais nada no momento, mas guardou para si todas as impressões, todas as microexpressões dela. Não era só a batalha contra os lobisomens ou o peso do acordo com Aro que tornava Jane tão tensa assim.
– De quantos estamos falando? — perguntou Quil, apontando para o mapa.
Alec não ergueu o olhar imediatamente. Os dedos finos percorreram as marcações com uma calma quase perturbadora antes de responder.
– Os relatos variam, mas são muitos. Não estamos lidando com lobisomens isolados ou tribos dispersas. Há uma alcateia antiga aqui. Organizada. Não tão primitiva como as lendas dizem. São tão astutos quanto mortíferos.
Embry assobiou baixo, trocando uma troca de olhares rápida com Quil.
– Ótimo! – Murmurou – Quer dizer que vamos caçar uma lenda viva no quintal dela.
Alec deu um sorriso sarcástico. Se não considerassem a gravidade da situação, poderia até ser cômica.
Eles se dispersaram, colocando as mochilas em um canto, perto das camas. Jacob já sabia que iriam revezar para dormir. O perigo estava dentro e fora do refúgio, não iria arriscar. As palavras de Alec eram bonitas mas não o suficiente para abrir uma trégua na guarda de Jacob.
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A noite caiu como uma mortalha sobre a cabana isolada. O vento assobiava por entre as árvores carregadas de neve, e as chamas da pequena lareira pareciam tão tensas e vibrantes quanto todos ali dentro. Jacob e seus lobos mantinham uma distância segura dos Volturi, mas não tão longe a ponto de não notar quando o clima mudou.
A porta rangeu sob o peso de uma presença que não podia ser ignorada.
Primeiro entrou o cheiro — gelo e ferro misturados a uma atmosfera antiga, tão antiga que parecia roubar o calor do ambiente. Em seguida, a figura alta e esguia preencheu o vão da porta.Os cabelos escuros caíam em ondas cuidadas, a pele tão clara que parecia refletir a luz fraca do lampião, e olhos vermelhos tão intensos que pareciam capturar todos ao redor. Cassius.
Ele não pediu licença para entrar. Não sorriu. Não saudou ninguém. Simplesmente lançou o olhar direto para Jane. Um olhar tão carregado que poderia fender uma parede de pedra. O silêncio caiu tão absoluto que até a respiração dos lobos pareceu cessar por um instante.
Jane não se mexeu. Não desviou o rosto. Não lhe deu sequer o privilégio de uma resposta visível, mas Jacob, atento, percebeu uma linha tênue de rigidez percorrendo o maxilar dela, tão sutil e tão clara para quem estivesse atento.
– Finalmente chegou. – Alec murmurou, sem olhar para o vampiro. Estava com os olhos vidrados em papéis em cima da mesa.
– Da próxima vez eu peço para a neve não cair ferozmente antes da minha chegada. – Poderia ser uma piada, pois Alec sorriu descontraido, mas sem tom de voz forte não demonstrava qualquer humor em sua voz. – Minha querida Jane — Disse, a voz tão baixa e tão calma que parecia feita para não ecoar. Ele se aproximou dela e depositou um breve beijo em sua testa, segurando sua mão.
Jane não reagiu. Nem se quer um sorriso. Estava rígida feito uma estátua. Sua respiração era inexistente. Seu olhar impenetrável.
– Jacob Black, não é?! – Ele se virou na direção dos lobos. Seu olhar não conseguia esconder o nojo que sentia ao estar ali, perto de seus inimigos e tendo que conviver com eles. – Perdão, não sei o nome dos outros.
Quil e Embry se apresentaram, ficando menos rígidos que Jacob. O alfa sequer havia percebido que estava prendendo sua própria respiração. Seus músculos estavam tão rígidos quanto os de Jane, e ele estava olhando para ela. Não fez questão de responder. Se Cassius incomodava Jane, não seria Jacob o ser vivo a confiar nele. Mas algo na ação dele ao beijar a testa dele proporcionou mil perguntas em sua mente.
– Aro me enviou com as últimas informações. – Ele continuou falando. – O grupo principal de lobisomens está se refugiando em uma caverna nas montanhas, a cerca de um dia de viagem daqui. Eles são mais numerosos do que esperávamos, e estão se preparando para a próxima lua cheia.
– Temos alguns dias então. – Alec respondeu, apontando para os mapas e os desenhos de Alice em sua frente. – Temos focos menores para enfrentar nesses locais antes de chegar ao banquete principal.
– Lobisomens são criaturas noturnas, certo? – Jane perguntou enquanto desviava o olhar para o grupo de lobos, a cabeça ligeiramente inclinada, como quem tenta decifrar uma equação antiga.
– Isso não funciona com a gente – retrucou Quil, direto, a voz baixa mas firme. – Não estamos ligados à lua ou à noite. Funcionamos a qualquer hora.
– De acordo com as nossas lendas — interrompeu Cassius, arrastando as sílabas com uma calma quase enervante, enquanto não tirava os olhos de Jane —, os filhos da lua têm seu ápice de magia quando esta atinge o ponto mais alto no céu. O pico central da noite, quando a lua está mais forte.
Seus olhos vermelhos não pareciam focados nas palavras que saíam de sua própria boca, mas sim em Jane, escavando-a com uma intensidade tão antiga e tão pessoal que era impossível não notar. Jacob não conhecia a história por trás dos dois, mas conseguia sentir no ar uma energia estranha.
– Quer dizer que daqui a algumas horas isso vai acontecer... – Embry comentou, quase para si mesmo.
– Então é quando temos que ir – concluiu Jacob, direto, a mandíbula tensionada enquanto olhava para Jane.
– Não querem descansar antes? – Jane perguntou, e pela primeira vez não parecia tão dona de todas as situações. A oferta não soava apenas prática, mas quase... cuidadosa.
– Quanto antes terminarmos aqui, mais perto estaremos de casa, não?! – Jacob respondeu, sustentando-lhe o olhar. Não era só uma resposta. Havia uma camada invisível de significados naquela troca de olhares, tão densa e tão viva que poderia sufocar quem tentasse atravessá-la.
Jacob não sabia ao certo o que pensava dela. Não sabia por que, mesmo sob uma atmosfera tão tensa e tão gelada, a presença dela parecia mexer com todas as partes dele — mesmo as mais selvagens. Não era preocupação — não por enquanto. O que o mantinha atento era outra coisa: o modo como Jane mudava quando Cassius a olhava, a leve rigidez nos ombros, o silêncio mais contido, quase calculado. Não era medo, mas também não era simples desdém. Era algo mais complexo, uma camada escondida sob a superfície tão impecavelmente controlada dela. E isso o deixava alerta. Porque naquela aliança improvisada e tão frágil, Jane era uma peça-chave e uma incógnita ao mesmo tempo. E Jacob não podia permitir que uma incógnita assim o apanhasse desprevenido.
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