Entre o Céu e o Mar.

1 Conhecendo Capitu.


Notas iniciais
Genteeeeeeeeeeeeeeeee, olha eu aqui com outra fic huauahuah nessa daqui eu to juntando meu amor pela literatura e pela historia brasileira, então vai ser cheia de termos da literatura, tipo parnasianismo, romantismo, realismo e etc, mas eu vou sempre fazer meu maximo pra explicar. Outra coisa, vou encher de trechos de poemas e musicas q eu goste, pq quero q seja bem didatica essa fic.
Lembrem q eu sou novata ainda nesse ramo de fics, então perdoem qualquer erro e boa leitura!

“Capitu, apesar daqueles olhos que o diabo lhe deu...Você já reparou nos olhos dela?São assim de cigana oblíqua e dissimulada. Pois apesar deles, poderia passar, se não fosse a vaidade e a adulação.Oh! A adulação!”¹

A mãe de Emma a arrastava pelos corredores da Sine Timore High, uma escola para garotas "rebeldes", como era considerada. Rebelde sem causa. Perdida na vida. Caso sem salvação. Era assim que a jovem de 17 anos era conhecida por todos os diretores das escolas em que já estudara.

Vinda de uma familia rica, Emma valorizava as pequenas coisas, ou seja: tudo, menos o dinheiro ou o luxo que seus pais tanto prezavam. Emma gostava de andar descalça na beira da praia, de ler livros antigos de poetas parnasianos*, de estudar as jogadas econômicas dos presidentes do período democrático liberal**. É claro que nesse meio tempo ela também gostava de tragar um cigarro ou outro, ou de beber tequila até esquecer o próprio nome.

A verdade é que Emma não sabia amar. O mais perto que tinha chegado do amor foi quando ganhou um cachorrinho, o único ser no mundo que dera carinho a ela. Como sempre, logo a mãe dela deu um jeito de acabar com a sua felicidade e abandonou o bichinho na rua.

-É para o seu próprio bem. — dizia Mary Margareth com uma voz fofa capaz de enganar até ao diabo, mas a ela não enganava. Iria apodrecer naquele reformatório disfarçado de "Escola Para Garotas Problemáticas", teria que ficar pelo menos um ano lá, até ficar maior de idade. Uma vida fodida para uma garota fodida, nada poderia ficar pior.

Sua primeira aula naquele inferno de escola seria literatura, pelo menos alguma matéria que ela gostava e entendia. Entrou na sala apontada pelo diretor e encontrou uma mulher, de no máximo 23 anos, em pé em cima do tablado que separava alunos de professores.

Linda, pensou Emma. Com os lábios vermelhos curvados num sorriso convidativo, a professora a chamou para entrar na sala e lhe designou um lugar, sem perguntar-lhe seu nome ou sua história, e lhe poupando de se expor na frente de todas aquelas garotas, que provavelmente tinham o mesmo sofrimento que ela, mascarado por trás de rebeldia.

No quadro era possível ler, com uma letra floreada demais, o nome de um de seus escritores favoritos: Machado de Assis. Logo abaixo estava escrito a escola a qual o escritor pertencia, o realismo*** e, ligado por um traço, estava o nome de seu mais famoso livro, Memórias Póstumas de Brás Cubas****.

-E então, dedicando seu livro ao verme que primeiro roeu seu corpo, Brás Cubas se mostra uma pessoa pessimista e, quem sabe, depressiva. Alguns até acham que Machado se coloca em Brás, tornando, assim, o livro ainda mais realista. — a professora conclui brilhantemente, pelo menos na visão de Emma, que pela primeira vez via alguém que concordava com ela quanto à face depressiva de Brás Cubas. Sem ter tempo para levantar a mão e concordar com a professora, foi logo interrompida pelo sinal, indicando que a aula tinha chegado ao fim.

-Leiam Dom Casmurro no final de semana, vou querer um resumo.- A professora falou para uma sala quase vazia. Quase, pois Emma ainda estava lá, queria conhecer um pouco mais sobre aquela mulher, pelo menos o seu nome.

-Olá, meu nome é Emma. — A jovem loira estava com a mão estendida. — Muito boa a sua análise sobre Machado.

-Regina, prazer.- A professora agora apertava a mão da jovem estendida na sua frente. — E obrigada...

Um silêncio constrangedor se instaurou na sala e Emma o quebrou.

-Dom Casmurro, huh? — A aluna perguntou. — Eu amo Capitu.
Regina riu. Capitu era o sonho de qualquer homem, e de algumas mulheres também.

- Minha obra favorita de Machado. – Regina sorriu. – “Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada.” – Citou.

- Capitu e aqueles olhos que o diabo lhe deu... – Emma também sorria, lembrando-se da passagem do livro em que Bentinho descrevia a amada, e diabólica, Capitu.

- Vejo que temos uma apaixonada por literatura aqui... — Regina disse enquanto arrumava as coisas em sua bolsa e se preparava para ir para a outra sala. – Gostei de você, Emma. Espero te ver nas minhas próximas aulas. – Disse isso pois sabia da facilidade que as alunas daquela escola tinham para dar um jeito de filar suas aulas, assim como a de qualquer outro professor.

- Literatura é minha matéria favorita, não perderia por nada. – Emma assegurou. – Literatura e história, claro.

- Também sou formada em história, mas não leciono essa matéria aqui. – A morena contou, sem explicar o porquê de não lecionar tal matéria naquela escola. – Bem, qualquer duvida, é só falar comigo, ficarei mais do que feliz em atendê-la. – Disse solícita.

- Certinho, professora, obrigada. – Disse a mais jovem. – Agora vou indo, ainda não conheci a escola direito e não sei onde fica o meu dormitório.

- Eu conheço essa escola de ponta a ponta, acho que posso te indicar o caminho, vem comigo. – E então, Regina puxou Emma pela mão e saiu andando pelo colégio, que mais parecia um campus de Faculdade, de tão grande que era.

Durante a caminhada, Regina apresentou a Emma a cantina, as quadras e a biblioteca, dizendo que, a ultima, era seu lugar favorito e que, sempre que podia, estava por lá.

- Dormitório B614 é esse aqui. – A morena apontou para uma porta de madeira com uma placa na porta que indicava a numeração do quarto e logo abaixo continha os nomes “Emma Swan” e “Ruby Lucas”. – Vou te deixar descansar. – Dito isso, beijou a mais nova nos dois lados da face e saiu andando em direção ao estacionamento onde estava localizado o seu carro.

Emma entrou vacilante no quarto e logo viu uma morena de cabelos longos e mechas vermelhas deitada em umas das camas. Um dos lados do quarto eram decorados com postêrs de bandas de rock, fotos de lobos, e cheia de cds espalhados por cima da cômoda. O outro lado, que julgou ser o seu, estava intacto. Possuía uma cama de solteiro, uma mesinha de cabeceira e uma cômoda para guardar suas roupas e pertences pessoais. Havia, ainda, uma porta que levava ao banheiro, nada muito chique, como Emma estava acostumada, mas simples, limpo e organizado.

A outra aluna presente no quarto parecia não ter reparado em Emma, e, se reparou, ignorou-a muito bem.

-Hey. – Emma disse – Hey! – Gritou e dessa vez a outra garota lhe deu atenção. – Meu nome é Emma.

-Ah, oi. – A outra, que Emma supôs se chamar Ruby, pelo nome da porta, forçou um sorriso. – Meu nome é Ruby. – Levantou-se, estendendo a mão para que Emma apertasse.

- O meu é Emma. – Retribuiu o sorriso e apertou a mão. – Então, em que ano você está? – Tentou puxar uma conversa.

- No terceiro, e você? – perguntou.

- Tô no terceiro também, terceiro A.

- Na mesma turma que eu! – A morena exclamou.

- E porque eu não te vi na aula hoje? – perguntou, curiosa como sempre.

- Ah, não estava afim de encarar a Regina e as merdas dela sobre Machado de Assis bla bla bla. – Resumiu, curta e grossa. Emma nunca conseguiu entender como alguém era capaz de não gostar de literatura, a matéria poderia compreender tudo e nada ao mesmo tempo!

- Eu gosto de Machado, e gosto dela também. – A loira disse, lembrando eu a professora havia sido muito gentil com ela durante o tempo que passara lhe mostrando o colégio.

- Gosta dela? – Ruby riu. – Aquela mulher é um dragão.

- Nada a ver, ela é linda. – Emma protestou.

- Não tô falando de beleza, pois ela é a professora mais bonita que tem aqui. Tô falando de personalidade. – Resumiu.

- Ah, ela foi super gentil comigo. – Emma contou para a recém-amiga.

- Isso por que você, provavelmente, falou bem de alguma obra que ela gosta.

- É...- Emma concordou. – Foi bem isso.

- Te disse! –Ruby gritou, e Emma riu. – Mas pode relaxar, se você falou bem de algo que ela gosta, pode se considerar uma das queridinhas da professora. A única na verdade.

A loira se recusava a acreditar que as pessoas odiavam Regina. Ela tinha se mostrado muito doce e gentil para a aluna, inclusive tinha se oferecido para ajuda-la. Sei lá, pensou. Talvez a doce professora fosse que nem Capitu, só não imaginava que ela viria a ser sua perdição.

Capitu
Feminino com arte
A traição atraente
Um capitulo a parte
Quase vírus ardente
Imperando no site
Capitu”²

Notas finais
*Parnasianos: poetas da escola literaria conhecida por ter quebrado os padrões romanticos da época.
**Período democratico liberal: periodo depois da era vargas, que teve como principais presidentes eurico gaspar dutra, jk, getulio vargas e joão goulart. Esse periodo antecedeu o golpe militar.
***realismo: escola literária que sucedeu o parnasianismo que também se opunha ao romantismo e buscava retratar a realidade acima de td.
****Memorias Postumas DE Bras Cubas: livro de machado de assis narrado por um personagem morto (sim, morto)
¹ - Trecho retirado do livro "Dom Casmurro", de Machado de Assis.
² - Pedaço da música "Capitu", de Zelia Duncan. Ouçam essa musica, é maravilhosa!
Vejo vcs nas reviews, bjssssss