Entre o Céu e o Mar.

13 A Bahia tem um jeito...


Notas iniciais
Gente, eu chorei escrevendo esse capitulo kkkkkk n é pq tem tristeza n, é pq eu falo mt sobre a Bahia nele e tá pra nascer alguém que ame mais essa terra do que eu. Todos os lugares que Emma e Regina passam nesse capitulo eu já passei também e, gnt, são lindos demais. Inclusive, chorei horrores lembrando da minha visita ao deposito negreiro subterrâneo, pq, qnd eu fui, ainda n tinha reformado, e, nas paredes, ainda restavam desenhos feitos pelos negros escravizados (n sei se com unha, pedras, eu sei q estava riscados na parede e eu fiquei mt na bad). Eu realmente espero que vocês curtam esse capitulo e se interessem pela cidade que eu tanto amo, bjao.

Regina tinha o dom de me fazer sentir ciúme, não era possível aquilo. Eu encarava ela rindo e conversando com Zelena e, mesmo sabendo que elas eram apenas amigas, eu não conseguia deixar de ter vontade de puxar cada fio ruivo daquela cabeça. Vi minha oportunidade quando minha professora, ou namorada, ou ficante, ou o que quer que fosse, passou em direção aos elevadores. Nem me despedi das meninas e fui atrás dela.

– Ei! – Adiantei meu passo e coloquei o braço na frente da porta do elevador, impedindo-o de fechar com Regina lá dentro. – Posso entrar?

– Até onde eu sei, todos que estão hospedados no hotel podem entrar no elevador, Swan.

Esbocei um sorriso com ironia e entrei no elevador, deixando meu ombro tocar o dela. As portas se fecharam e, em poucos segundos, eu já a imprensava contra uma das paredes.

– Você gosta de me provocar ciúme, né? – Perguntei, forçando meu corpo contra o dela.

– Com um pouco de ciúme tudo é mais gostoso, Swan. – disse, sorrindo. Aquela mulher era a minha perdição, estava estampado nos seus olhos o quão dissimulada ela poderia ser, principalmente quando se esforçava para isso.

– Sinceramente, não acho. – Minha mão direita vagava pelo seu cabelo enquanto a esquerda repousava em sua cintura.

– Se não fosse meu ciúme a gente nem aqui estaria. – Regina sorria pois sabia que tinha razão. Seu ciúme tinha desencadeado aquela combustão muito louca que nós havíamos nos tornado.

– Vou deixar passar dessa vez, só porque você tem razão. – Dei um beijo casto em seus lábios.

– Eu sempre tenho razão. – Como que de forma programada, o elevador se abriu, indicando o meu andar. Ela apontou para o corredor vazio e, com os olhos, indicou que eu ficaria por ali mesmo. Sem sexo matinal para Emma Swan, lindo isso.

– SQ –

Já tinha tomado o meu banho e encarava o teto do quarto devido a meu castigo de não poder sair do hotel por dois dias. Lily tinha ido me visitar mais cedo e eu dei uma desculpa de que estava me sentindo mal, não queria ter “A conversa” com ela ali, não sabia do que ela seria capaz de fazer.

Batidas na porta me tiraram dos meus devaneios e eu corri para a porta, na esperança de que Regina estivesse me chamando para almoçar.

Nada de Regina.

Era um funcionário com um bilhete que mandava eu vestir uma roupa leve para sair e descer para o lobby. Reconheceria aquela letra de longe, era a minha professora me chamando para fazer alguma coisa, eu obviamente não recusaria.

Vesti um short jeans desfiado nas pontas, uma camiseta listrada azul, vermelha e branca e calcei um all star. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e desci para encontrar com Regina.

Ela estava de costas, mas ainda assim sabia que ela estava linda. Usava um short desfiado, assim como o meu, uma camisa polo branca e tênis de caminhada. Seu cabelo curto estava preso também, deixando sua nuca exposta com alguns fios soltos pendendo pelo seu rosto. Quando me viu, abriu aquele sorriso de tirar o fôlego e eu quase enfartei.

– Vamos aonde, posso saber? – Perguntei, segurando na mão que ela estendia para mim.

– Vou te levar para conhecer Salvador.

– Eu achei que não pudesse sair do hotel. – Disse, temerosa tanto por mim quanto por ela.

– Relaxe, eu falei com Fiona e está tudo certo. – Caminhávamos de mãos dadas em direção ao ponto de táxi que ficava do lado de fora do hotel.

– E a Lily?

Regina fez uma careta engraçada ao ouvir o nome dela.

– O que é que tem a Lily? – pergunta entre dentes.

– Nada, é só que...

– Quer voltar e fazer companhia a ela? – Questiona, soltando minha mão e parando na minha frente. Abro a boca para falar e logo sou interrompida. – Se você quiser, você pode voltar agora. – E, simplesmente, sai andando. Corro atrás dela, puxo a sua mão e, sem dar tempo pra Regina pensar, a beijo. Bem ali, na frente do hotel. Maldito ciúme, maldita insegurança, que faz com que a gente seja assim uma com a outra.

– Eu não quero a companhia de outra mulher, Regina. – eu a segurava pela cintura e falava firme para que ela entendesse, de uma vez por todas, que ela era a única que eu queria. – Agora deixe de xaxo* e vamos logo. – Soltei sua cintura e busquei por sua mão, a prendendo firmemente entre a minha.

– Xaxo? – Ela deu risada. – Significa o quê?

– Sei lá... – dei de ombros. – eu ouvi alguém daqui falar e achei engraçado.

– Que doença.

– Essa doença tá me fazendo morrer de amores por você.

– SQ –

Regina me levou para um lugar chamado Pelourinho. Logo reconheci o largo onde Michael Jackson tinha gravado o clipe “They Don’t Care About Us” e fiz muxoxo para subir na varanda e ela me prometeu que, depois que almoçássemos, subiríamos lá para tirar fotos.

Comemos num restaurante chamado “SESC”, e foi, sinceramente, a melhor comida que eu já comi na vida. Comi comida baiana de novo e Regina só olhando, devido a alergia a camarão que ela tinha. Bem, a culpa não era minha se praticamente todos os pratos dessa cultura levava o item. Inclusive, tinha descoberto uma mistura melhor que nutella e oreo: azeite de dendê, castanha e camarão. Voltaria obesa para São Paulo.

Saímos do restaurante e, cumprindo sua promessa, Regina me levou na sacada para tirar foto com um Michael Jackson de papelão gigante. Fiquei feliz e comprei um monte de imã de geladeira com foto do Michael, mesmo não tendo geladeira para colocar, primeiro porque era do Michael e segundo porque o tiozinho que vendia foi super legal com a gente.

Compramos blusas iguais do Olodum, mesmo sendo uma fortuna cada uma. O vendedor me assegurou que era pra manter o comércio rolando, mas um monte de baiano veio me falar depois que era tudo para lucrar em cima de gringo branquelo que nem eu. Ficamos estarrecidas por me chamarem de branquela, e fizemos uma promessa mútua de tomar bastante sol.

Subimos uma ladeira super legal, que não era asfaltada e sim de paralelepípedos, como todas as outras ladeiras daquele lugar, e o que não faltava lá era ladeira. Paramos em frente a uma igreja, chamada igreja de São Francisco e foi, sinceramente, o lugar mais lindo que eu já vi na vida. Regina também estava encantada, e me contava a história por trás de cada lugar que visitávamos.

Essa igreja, a igreja de São Francisco, era toda feita de ouro por dentro e remontava o período barroco. Placas espalhadas nos pediam para não tirar fotos com flash, para o ouro não ser deteriorado.

Passamos por casarões antigos e Regina me explicou uma coisa super legal sobre um ditado popular, que diz “sem eira nem beira” quando se quer referir a alguém pobre. Eiras e Beiras eram nada mais, nada menos, que adornos que as casas antigas possuíam. Os ricos, que tinham dinheiro para construir bem suas casas, possuíam eiras e beiras. Os pobres não.

A cada rua que passávamos eu ficava mais e mais animada. Aquele lugar transpirava história. Era insano passar por um lugar e saber que, ali, escravos, índios e portugueses haviam pisado. Caetano estava certíssimo quando afirmou que a Bahia tem um jeito que nenhuma terra tem, era insano.

Descemos a praça da Sé e, depois de tomar um sorvete na Cubana, fomos pelo elevador lacerda até o bairro do Comércio. O elevador Lacerda liga a cidade alta e a cidade baixa, como Salvador é dividida. Pude conhecer o Mercado Modelo e parecia pinto no lixo de tanta felicidade.

O Mercado Modelo vivia do turismo. Parecia mais um shopping center de blusas, patuás, imagens de santos... tudo para cativar bastante o turista mesmo. Por todos os lugares que passávamos, Regina tirava fotos e mais fotos, e não soltou a minha mão por nenhum segundo. Quase chorei quando ela me levou na parte inferior do Mercado e me explicou que, naquele lugar, ficavam alojados os escravos que chegavam da África. Incrivelmente, a água da Baia de Todos os Santos invadia o lugar, e ela me explicou que era porque a Baia se estendia por todo aquele bairro, e, quando os portugueses chegaram, eles foram cimentando tudo. Toquei na parede daquela caverna e, por alguns segundos, me imaginei lá pelos idos de 1600 chegando num país desconhecido para ser escravizada.

Saímos de lá de baixo e assistimos um show de capoeira muito bonito. Me arrisquei a fazer uns “aús” enquanto Regina filmava e dava risada de minha cara. Queria ter visitado também o Forte São Marcelo e a Ribeira, mas ela chiou dizendo que o sol estava se pondo e que ela ainda queria ver o por do Sol da Praça da Sé, em frente à prefeitura.

Subimos novamente o Elevador Lacerda e estávamos de volta na Praça da Sé, que antes era conhecida como praça da parada. Fiquei encantada que ainda tinham trilhos de bondes por ali, pouca coisa havia sido modificada com o passar do tempo. De frente para a imensidão do mar, Regina me abraçou por trás, apoiou sua cabeça no meu ombro e, juntas, observamos o sol se por, abençoado pela Baía de Todos os Santos, naquela terra encantadora.

– SQ –

– Eu estou exausta. – Ri, apoiando minha cabeça no ombro de minha namorada. Nem sabia se éramos namoradas já, mas eu considerava, então foda-se.

– Só você? – Ela afagava meus cabelos enquanto fazíamos o caminho de volta para o hotel.

– Olha. – apontei para fora da janela. – É aqui que Ivete Sangalo mora.

O taxista riu, percebendo que a gente era turista.

– Uau, que prédio enorme. – Ela observava.

– A gente vai morar num desses, amor.

– Amor?

–É, amor, vamos morar num desses. – afirmei, novamente.

– Você me chamou de amor duas vezes. – ela usava uma entonação encantadora.

– Claro, você é o meu amorzinho.

– Desde quando você ficou tão romântica?

– Desde o dia em que me apaixonei por você, sua boba.

– SQ –

Entramos de mãos dadas no hotel e as meninas da excursão ainda não tinham voltado.

– Vem, vamos lá pro meu quarto. – Chamou e eu olhei para ela sugestivamente, fazendo ela rir.

– Só pensa nisso, né, Regina Mills?

– Com você por perto, eu vou pensar em mais o quê? – Entramos no elevador e, aos beijos, fomos para o oitavo andar fazer o que fazíamos de melhor: nos amar.

Ah, imagina só
Que loucura é essa mistura
Alegria, alegria o estado que chamamos Bahia
De todos os santos, encantos e axé
Sagrado e profano, o baiano é carnaval

No corredor de história
Vitória, Lapinha, Caminho de Areia
Pelas vias, pelas veias
Escorre o sangue e o vinho
Pelo mangue Pelourinho

A pé ou de caminhão
Não pode faltar a fé
O carnaval vai passar
Na Sé ou no Campo Grande
Somos os Filhos de Ghandy
De Dodô e Osmar

Por isso chame, chame, chame, chame gente
E a gente se completa
Enchendo de alegria
A praça e o poeta

Notas finais
*Xaxo- ficar de xao significa ficar de draminha, mimimi, etc. O lance da sacada do Michael é, na vdd, uma experiência minha. Até hj to cheia de imã de geladeira do michael jackson só pq queria tirar a ft com ele de papelão. É mt legal lá, mt mesmo, e o tio é um fofo super legal. Quanto as blusas do olodum: se vc ver alguem aqui usando, pode ter certeza q é turista. baiano nenhum vai gastar dinheiro com aquela camisa, caro demais por um pedaço de pano. galera, coloquei as fotos para vocês terem alguns exemplos do que elas viram. Não quis botar a foto da parte inferior do mercado modelo pq realmente é punk rock, mas tá aqui um link pra quem tiver coragem de ver ( https://www.google.com.br/search?q=subsolo+mercado+modelo&espv=2&biw=1366&bih=667&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ei=Zy-GVbuJOYKp-QHWjYG4Bw&ved=0CAcQ_AUoAg) A musica do final é de Dodô e Osmar, os inventores do famoso trio elétrico. Essa musica remonta os lugares marcantes de salvador e, nada mais baiano do q chamar gente msm. Espero que vcs tenham gostado, no proximo vai rolar cena picante uhauuhau e mais visita por Ssa.