Entre o Céu e o Inferno
11 As aparências enganam
Notas iniciais
Magnus seguiu pelo corredor até a enfermaria torcendo para que sua ausência não tivesse sido notada. Aparentemente tudo estava em sua perfeita ordem. Os Shadowhunters não pareciam estar em alerta, então novos ataques não deveriam ter acontecido.
Ao empurrar as portas duplas, automaticamente ele olhou na direção da cama onde estaria Adrian Lightwood e sua mãe. Mas para sua completa surpresa a cama estava vazia.
Ele abordou uma moça que andava entre as camas, verificando as pranchetas.
-Oi amorzinho... onde está Adrian Lightwood?
-O Adrian? Se recuperou! Já está até treinando.
-Em vinte e quatro horas?
-Não é impressionante? – a moça se afastou continuando sua tarefa.
Magnus voltou para o corredor indo até as salas de treinamento. E realmente. Adrian estava lá treinando, mostrando um vigor não condizente com o ferimento que havia sofrido.
-Magnus! – Isabelle o encontrou. – Muito obrigada! Não sei o que você fez com o Adrian, mas olha só para ele! Ele está ótimo.
-É. Estou vendo... – Magnus murmurou. – Ele simplesmente se levantou e foi treinar?
-Depois que você veio falar comigo e Alec, umas duas horas depois, ele apareceu na sala de comando. Disse que se sentia ótimo e que iria treinar.
Magnus olhou para o colar que Isabelle usava.
-Seu colar não pulsou mais?
-Magnus, ele só pulsa na presença de demônios, esqueceu? – de repente ela se apercebeu o motivo da pergunta. – Magnus está querendo dizer que aquele não é o meu filho? É um demônio? Ridículo!
-Izzy, eu vi os ferimentos de Adrian. Ele nunca poderia se recuperar em duas horas.
-Você está colocando em dúvida o seu próprio tratamento, Magnus. – a voz de Isabelle era dura, o que fez Magnus lembrar de Marysie Lightwood, sua mãe.
-Eu sei muito bem o que eu fiz, Isabelle. Só estou dizendo...
-Oi Magnus. Obrigado pelo que você me fez. – Adrian se juntou a eles, interrompendo o que Magnus dizia. – Me sinto ótimo.
-Ah, sim! É o que estava dizendo para sua mãe. Eu sou tão bom, que não reconheço meus próprios talentos.
-Você sabe se há alguma notícia da tia Clary ou da Genny? – Adrian perguntou.
-Não... eu estava fazendo algumas verificações nos subterrâneos e fiquei um pouco por fora.
-Mãe... eu vou tomar um banho e me reunir aos grupos de busca. Precisamos encontra-las.
-É claro querido... eu sei o quanto você se preocupa com a Genny.
-É como se ela fosse minha irmã. Não vou descansar enquanto não a encontrar. – ele beijou a mãe no rosto e se afastou.
-Eu não acredito que você achou que meu filho fosse um demônio, Magnus!
-Permita-me sentir dúvidas, Isabelle. Você é uma Shadowhunter experiente. Não acha estranho seu filho ter enfrentado um demônio maior e ter se recuperado tão facilmente? Mesmo com meus talentos extraordinários? Lembra-se quando Alec foi ferido quando conhecemos a Clary? Mesmo sendo ele e usando todas as minhas técnicas, Alec levou dois dias para voltar a treinar.
Isabelle considerou as palavras do feiticeiro, mas não queria dar o braço a torcer.
-Eu acho, Magnus, que a idade está começando a pesar para você. – ela se afastou dele rapidamente.
-É o que?! – ele estalou os dedos e um pequeno espelho apareceu em sua mão. Magnus se avaliou. Ficou satisfeito quando viu que sua imagem não havia mudado nos últimos vinte anos. – Nada disso. Menina teimosa...
Podia até ser um engano de sua parte, ele admitiu, mas manteria Adrian Lightwood sob vigilância.
***
Isabelle não queria concordar com o feiticeiro, mas avaliando a questão sem os olhos de uma mãe ansiosa, ele poderia estar certo. Como ele bem lembrou, Alec levou dois dias para se recuperar de um ferimento feito por um demônio maior. Por que com Adrian seria diferente?
Ela se sentou em frente ao monitor e acionou as câmaras de segurança. Reviu Jace e Clary treinando, mas desviou os olhos quando o treino se tornou mais íntimo. Logo um estrondo acabou com o momento dos dois e Jace mandou Clary sair dali. Incapaz de assistir à morte de seu outro irmão, Isabelle trocou de câmara. Viu Clary correndo e acionando o alarme. Um demônio apareceu e enfrentou ela. Rapidamente Clary deu cabo dele, mas outro veio em seguida e mais outro e outro. Logo Isabelle não conseguia mais ver a amiga diante de tantos demônios, mas antão Adrian chegou para ajudar.
Seu coração de mãe se afligiu, mas ao mesmo tempo se encheu de orgulho ao ver a coragem do filho. Após vencerem os demônios, Clary disse algo a Adrian e eles correram para lados opostos.
Isabelle moveu novamente a câmara e viu Adrian puxando Genny, a filha de Jace e Clary pela mão. Foi quando um demônio maior se colocou na frente deles. Adrian empurrou Genny para outro lado e começou a enfrentar o demônio.
Isabelle sufocou um grito ao ver o demônio fincar as garras no peito do seu menino e levantá-lo do chão. Mas antes de cair, Adrian fincou a lâmina serafim no peito do demônio. Ele caiu no chão quando o demônio virou cinzas. Ficou caído, sem se mexer por alguns minutos até que Clary e Genny surgiram correndo. Genny tentou se ajoelhar ao lado do corpo, mas Clary a segurou pela cintura, contendo-a. As duas continuaram a correr, mas Isabelle queria saber o que acontecera com o filho depois disso.
Por alguns minutos, quase meia hora nada aconteceu. Isabelle já estava pensando em mudar de câmara quando alguém apareceu e se abaixou ao lado do corpo de Adrian. Ele era loiro, alto e esbelto. Podia ser outro Shadowhunter. Ele olhou para a câmara e Isabelle sentiu uma necessidade enorme de desviar o olhar.
Quando levantou os olhos para o monitor novamente, Adrian e o homem loiro haviam sumido. Ela mudou as câmaras para procura-los, mas em vão. Então ela viu o homem loiro pegar um Shadowhunter e uma nuvem escura passou de um para o outro. O homem loiro desabou no chão e o outro começou a caminhar pelo Instituto.
—Graças ao anjo! Eu sabia! Adrian não foi possuído! – Isabelle abriu um sorriso enorme e saiu da sala de segurança.
O que Isabelle Lightwood não viu foi um jovem Shadowhunter a observando e o estranho brilho vermelho em seus olhos.
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