A tela escureceu. “Game Over.” Erro dela. Encostou-se na cadeira, frustrada. O cão aproximou-se e tocou-lhe com o focinho. Ele não via fracassos, apenas tentativas.

Respirou fundo, tentando acalmar-se. Perder fazia parte, mas doía. O cão deitou-se, esperando pacientemente. O jogo podia recomeçar, mas a sensação de falhanço pesava-lhe no peito. Olhou para o monitor apagado e depois para o amigo de quatro patas.

Para ele, não importava vencer ou perder, apenas estar ali. A jovem sorriu. Reiniciou o jogo.

Afinal, desistir não estava nos planos. E o cão continuaria sempre ao lado, pronto para a próxima partida. Fechou o portátil. Um dia difícil. O coração pesava mais do que devia. Sentou-se no chão e chamou o cão.

Ele veio, encostando-se ao seu peito, quente e firme. O abraço silencioso dissipou parte do peso. O mundo podia desmoronar, mas ali, naquele momento, havia paz. Ele respirava fundo, constante.

Ela acompanhou o ritmo, encontrando alívio. Não havia pressa, julgamentos ou expectativas. Apenas carinho puro. Acariciou-lhe o pelo macio, sentindo a energia do dia a dissipar-se. O cão bocejou, relaxado.

No fundo, talvez fosse ele quem a ensinava a viver. Um dia de cada vez, sem pressa.

O sol entrou pela janela. Novo dia, novas tentativas. O cão espreguiçou-se, pronto para a rotina.

Ela ligou o computador, voltou ao jogo. Desta vez, sem medo. O cão observava-a, atento, abanando a cauda. No ecrã, a personagem avançava. Jogava melhor, mais confiante. O cão não entendia os jogos, mas entendia-a a ela. Notava a mudança na postura, no tom de voz.

Quando ganhou, ele latiu baixinho, celebrando com ela. Riu-se. O dia começava bem. Um jogo, uma vitória. Mas o mais importante não era ganhar. Era continuar a tentar. Com ele ao lado, tudo parecia mais fácil.

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