Entre o Céu & o Inferno

17 Capítulo 17 - Pequena criança.


Notas iniciais
Voltando com uma inspiração repentina, é ! demora mas, as vezes ela aparece. Capítulo novo, espero que gostem, e se acharem que algumas coisas não lhe são estranhas, estão certos, ando assistindo muitas séries que me serviram de inspiração. Comentem, por Deus!

Guadalupe – México – Anos atrás

A pequena menina de cabelos escuros, pele bronzeada e grandes curiosos olhos escuros permanecia encolhida no corredor de uma casa simples,de gente simples, na parte mais simples da cidade de Guadalupe (México), olhos assustados pelos sons que vinham de um dos cômodos da casa. A pequena nunca ouvirá e nunca imaginava ouvir nada parecido com aquilo. O som de mil vozes esbravejando coisas em um idioma desconhecido.

– O que faz aqui,menina? Não lhe disse que era pra esperar do lado de fora?

Um homem moreno e forte com traços parecidos com o da pequena criança, bronqueava.

– Quem é papa, quem está La dentro com a mama?

– Cléo, saia agora, e não volte enquanto eu não chamar.

A menina de aproximadamente seis anos faz um bico de choro pela bronca que levou, o homem se abaixa até ficar cara a cara com a pequena, toma seu rostinho em suas mãos e lhe beija a testa com carinho.

– Minha pequena, mama está doente, preciso que você me ajude, está bem? Vá para casa de sua tia Isabel, ela cuidará de você, assim que mama melhorar irei lhe buscar.

– Mas papa, quem está La dentro com mama, de quem são todas essas vozes?

O homem se levanta com um olhar duro e bronqueia mais uma vez.

– Cléo, vá agora e não me desobedeça, vá!

A garota sai correndo e chorando, soluça como a garotinha que é, mas Cléo era uma garotinha esperta demais para sua idade, falava como um adulto, sem erros de dicção, quando ouvia conversas dos mais velhos conseguia compreender o teor implícito entre as entrelinhas do papo, se as houvessem, de uma forma estranha e inexplicável ela conhecia as pessoas e suas intenções. E algo lhe dizia que sua mãe não sofria de doença alguma, algo estranho acontecia naquele quarto e ela iria saber o que era.

A pequena de grandes olhos astutos de mar negro saiu de casa e foi se esconder do lado de fora da casa, logo abaixo da janela fechada do quarto em que sua mama estava, por uma pequena fresta da janela a menina bisbilhotou, La dentro viu algo que não esperava ver, algo perturbador demais para uma garotinha tão pequena ver, algo perturbador demais para qualquer um ver.

Dentro daquele cômodo haviam duas pessoas apenas, velas estavam espelhadas pelo mesmo, dando às paredes uma tonalidade pastel e refletindo grandes sombras, na cama , que ficava com sua cabeceira logo abaixo da janela onde espiava encontrava-se sua mãe, tinha os punhos amarrados por lençóis em cada lado da cabeceira, debatia-se com vigor, como uma pessoa em um ataque epilético, isso machucava seus punhos e cabeça, pois a mesma batia com força contra a cabeceira, os olhos abertos mas não focavam nenhum lugar, pois tinham seus globos voltados para cima, permitindo assim apenas vermos a parte branca o globo ocular, de sua boca saiam frases em idiomas desconhecidos, pareciam que mil vozes ecoavam essas frases. Logo aos pés da cama, de frente a janela, podia ver um homem alto e muito branco, aparentava ter seus quarenta anos, seus traços europeus, cabelos muito escuros, ondulados e lhe chegavam a altura dos ombros, nariz afilado, era magro porem forte, este estava sem camisa, o que revelava seu corpo coberto de marcas, como tatuagens, mal se podia ver pele branca por debaixo de tantas marcas, essas mesmas marcas pareciam mover-se cada vez que ele berrava algo também em um idioma diferente, e sua mama debatia-se ainda mais cada vez que esse homem as falava.

Em certo momento, o homem das marcas subia na cama, de pé, com sua mama entre suas pernas ele olhou pra ela, diretamente em seus olhos, a pequena assustou-se mas estava presa naquele olhar escuro, um olhar de mar negro, como o seu, o homem proclamou mais algumas palavras e lhe sorriu, o que veio a seguir foi um grande clarão, como o de uma grande explosão. Depois disso só silencio, a única coisa que podia ouvir era sua própria respiração ofegante ao correr para casa de sua tia Isabel.

A pequena disparou para casa da irmã de sua mãe e em sua cabeça só havia aqueles olhos lhe fitando, perguntava-se se ele sabia que ela estava ali, ou se ele olhara para um outro ponto, mas no fundo ela sabia que, ele tinha consciência de sua presença ali, a garota se maldizia e pensava por que não havia obedecido a seu papa.

Já na casa da tia, passou a tarde amuada, não quis comer ou brincar, os mais velhos entendiam que a pequena estava triste pela doença da mãe, logo mais no inicio da noite, seu pai fora lhe buscar, a levou pra casa dizendo que sua mãe havia melhorado, mas os olhos de seu pai não estavam tranqüilos, estava nervoso e apressado, assim que entraram, Cléo correrá para o quarto da mãe, que agora estava com a porte e janela abertos, uma brisa gostosa entrava no cômodo, a pequena aproximou-se da cama e pode ver sua mama dormindo serena, respiração compassada, ela deitou-se ao lado da mãe e com sua pequena mão lhe acarinhava a face, no quarto não existia nenhum sinal do que havia presenciado mais cedo, nenhum sinal da passagem daquele homem estranho por aquele lugar.

Ouviu barulho vindo de seu quarto, deu um beijo na testa de sua mama e levantou-se a procura do pai, achou-o em seu quarto, ele arrumava uma mala pequena colocando La seus poucos vestidos e o seu único sapato, seu pai estava apressado, com um olhar desesperado, ela o observava da porta do quarto.

– Papa, o que está fazendo, por que está arrumando meus vestidos?

– Minha menina, você vai passar um tempo com seu tio John, ele é meu irmão e mora nos Estados Unidos, seu tio Ravi irá te levar.

– Mas papa, mama está doente e precisa de mim, eu sou pequena , mas, sou esperta, eu posso te ajudar, eu ajudo papa, eu cuido da mama e te ajudo a arrumar a casa.

– NÃO!

O homem gritou com severidade e a pequena já formava um bico de choro. Ele abaixou-se e tomou seu rosto em suas mãos, como havia feito mais cedo.

– Meu coração, mama vai ficar bem, eu te prometo, você tem que ir, tem qu ir agora, papa faz isso para o seu bem, por favor, seja uma menina grande e faça o que te digo, sem questionar.

– Mas, eu não quero ir, quero ficar com vocês, eu nem conheço esse tio John.

– NÃO ME DESOBEDEÇA, CLÉO KINTANILLA! VOCÊ IRÁ E IRÁ AGORA.

A menina chorou, gritou, mas naquela mesma noite,após muitas suplicas ao pai para ficar e de se despedir com um beijo de sua mãe adormecida, ela partiu em direção ao Texas com seu tio Ravi. Cléo ao sair de casa e entrar no carro do tio, sentiu seu peito apertar, o ultimo rosto que viu foi o rosto molhado de lagrimas de seu pai, ela não sabia, mas jamais voltaria a ver seus pais.

Já na fronteira com os Estados Unidos, o carro de seu tio foi parado por alguns policiais, ele a olhou no banco traseiro e a tranqüilizou.

– Cléo, o tio vai falar com os guardas e já volta, fique tranqüila, eu tenho greencard e não teremos problemas para passar, fique aqui quietinha, está bem?

A garota concordou, não falará com o tio a viagem todo, estavam na estrada cerca de uma três horas, o relógio marcava 3:30h AM, estava bem escuro.

O tio falava com os guardas explicando que levaria a sobrinha para visitar parentes, mostrava a autorização do pai da criança, seria tranqüilo, pois ele conhecia muitos guardas que trabalhavam ali, de onde estacionou o carro , Cléo podia vê-lo conversando, alguns minutos depois da janela do seu lado direito ouviu duas batidas, ela abaixou a janela e quem estava do lado de fora era o mesmo homem que virá no quarto de sua mãe horas mais cedo, os mesmos olhos, ele estava com um uniforme igual ao dos outros guardas, a menina encolheu-se no outro canto do acento, o homem lhe sorriu, abaixado na janela para poder vê-la.

– A menina não deve temer. Ele disse.

– Você estava com mama hoje, eu vi.

– Sim, eu estava.

– Você é policial?

– Não, eu não sou.

– Quem é você, então?

– Eu sou um homem.

Ele soltou uma pequena gargalhada irritando a garota.

– O que aconteceu, o que você fez com ela?

– A menina viu o que aconteceu, e a menina me ajudou a fazer.

– Eu...

– Shiiiiiii...

O homem levou o dedo indicador a boca pedindo silencio a garota.

– Venho lhe trazer uma mensagem, ouça bem.

A pequena que já tinha os olhos arregalados concordou.

– Um homem sabe o que tem que ser feito, um homem faz o que tem que ser feito. Uma mulher sabe o que tem que ser feito, uma mulher faz o que tem que ser feito. Um leão é um animal selvagem, ninguém o doma, ele não sabe a diferença entre o certo e o errado, então eu me pergunto, pequena criança, um leão fará o que tem que ser feito?

Cléo não entendeu a mensagem, o homem simplesmente virou-se e andou, indo embora, antes de o perder de vista naquela escuridão, Cléo lhe perguntou.

– Ei, que leão?

Ele lhe sorriu mais uma vez e partiu.

Em segundos já não o avistava mais, havia se misturado com a escuridão da noite, seu tio entrou no carro e lhe perguntara com quem falava, ela desconversou e seguiram viagem rumo ao Texas.

Cléo ó entenderia aquela mensagem anos depois.

Naquele mesmo dia, horas mais cedo, o homem estranho falava com o pai de Cléo.

– Está feito. Sua esposa dorme tranqüila e livre de qualquer mal.

– Nunca poderei lhe agradecer, senhor. Ela é minha vida.

– Poderá me agradecer, e sabe como me agradecer.

– Senhor, podemos conversar sobre isso, vamos reconsiderar, podemos combinar outra coisa?

– Não há o que conversar ou reconsiderar, um homem promete, um homem cumpri.

– Mas, meu senhor, é minha única filha, é minha vida, meu bem mais precioso.

– Disse-me a pouco que sua esposa era sua vida, não tens mais de uma vida, que eu saiba.

O homem moreno chora desesperado, já da porta de saída da pequena casa o homem estranho vira-se para o outro e fala.

– Quando me procuraste lhe disse que todo ato tem uma conseqüência, o homem concordou com minhas exigências.

– Mas eu pensei que.

– Não deveria ter pensado, o que está acordado está acordado, no tempo certo cobrarei meu preço, seu pequeno leão será meu.

Notas finais
Espero que gostem, desculpem os erros.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.