Notas iniciais
Nesse capítulo... — Sabe o que eu acho. Que no fundo vocês, os Mikaelson, tem medo da vida. Ficam se apegando a juramentos e sentimentos mofados e gastos. Poder... Guerrinhas... tudo para esconder a covardia de seus corações. — Escuta aqui garota... - Klaus avançou contra ela e o aviso de Elijah veio tarde demais. Genny ergueu a mão e Klaus foi paralisado. — Não se atreva a me dar ordens Niklaus. - Ela deu as costas para eles e começou a caminhar cambaleante.

Depois de rodar por um tempo ele parou em frente a um lugar que parecia um armazém. A palavra "Sacrifício" brilhava em neon vermelho.

Parecia que toda Nova Orleans estava ali pulando e se mexendo ao som de uma batida animada. Jovens de todos os estilos. Genny olhava para os rostos sorridentes e começou a se sentir contaminada pela atmosfera festiva.

Patsy andava pela multidão a levando pela mão, mas a todo minuto ela parava para cumprimentar alguém. Ela parecia conhecer todos ali. Até que as duas chegaram em um longo balcão.

— Você disse que iriamos ao Rousseau.

— É, eu sei. Mas ele ficou pequeno para tantos convidados.

Ela fez um sinal com a mão e como magica dois copinhos com um liquido vermelho brilhante apareceram.

Ela os pegou e deu um para Genny.

— Vamos comemore comigo, Genesis.

Genny pegou o copo e bateu com o dela no de Patsy.

— Que você tenha todos os seus desejos realizados.

Patsy deu um sorriso misterioso para ela ao responder.

— Eu já os tenho.

Enquanto isso, na casa dos Mikaelson, Elijah pegou um estojo de violino e o abriu. Acariciou a madeira pensando em Gia, a pobre inocente cujo único erro fora se envolver com ele.

Elijah pegou o violino e o aprumou abaixo do queixo. Vibrando o arco sobre as cordas, tirou uma melodia simples como se o estivesse testando.

Satisfeito com o teste, ele fechou os olhos e começou a tocar uma peça para violino de Tchaikovsky, Canzonetta. Era uma melodia que sempre lhe faria lembrar Gia. Triste, mas viva.

Depois ele passou para Noturno de Chopin. Essa lhe fazia lembrar de Genesis. Tão suave e calma quanto as águas plácidas de um lago que ele vira na Áustria. Mas ela tinha momentos onde o tom subia e era como Genesis com o rosto rosado de cólera, como há alguns minutos atrás.

Ele parou de tocar e guardou o violino. Preparou uma dose de uísque e a tomou enquanto os pensamentos inundavam a sua mente. Não era errado sentir atração por Genesis. Ela era bonita, inteligente e divertida. Ha muito tempo ele não se permitia uma conversa sobre seu passado que não lhe trouxesse raiva ou dor. E Genesis lhe havia instigado recordações muito boas de sua existência. Mas ele não podia se permitir algum envolvimento com ela. Não depois do que acontecera com Hayley e Gia. Como diria sua querida mãe, ele tinha o habito de arrancar as asas das borboletas que pousavam em sua mão.

Mas Genesis passava o tempo todo trancada na casa. Quando não estava treinando, estudava os livros que o feiticeiro Magnus trazia para ela. É claro que, em sua juventude, ela queria ver mais do mundo e das pessoas. Ela merecia um descanso, decidiu.

Encaminhou-se até o quarto dela e bateu a porta.

— Genesis? Olha, eu estive pensando... se você quiser, podemos sair para ouvir um pouco de música. O que acha? Genesis?

Freya apareceu embalando Hope.

— O que foi?

— Acho que ela está chateada comigo. Irmã será que você poderia...

— Está bem! Vou limpar sua barra com ela. – passou Hope para ele e bateu na porta. – Genesis? Sou eu Freya.

Nem passou pela cabeça dos dois irmãos que Genesis poderia estar dormindo. Para os Mikaelson sinal de silencio era sempre preocupante.

Freya abriu a porta com um feitiço e os dois entraram se deparando com a janela aberta e a cama intacta.

— Ela não está aqui! – Elijah constatou.

— Acha que ela foi levada por alguém? – Freya perguntou.

Elijah trincou os dentes.

— Ou ela me desobedeceu e foi se encontrar com Marcel. Vamos!

Os dois desceram e se encontraram com Klaus que pegou Hope no colo.

— O que foi, irmão?

— Genesis sumiu! – respondeu Elijah.

— Ela recebeu um convite para jantar com Marcel e Elijah não deixou ela ir. — esclareceu Freya.

— Hum! Problemas no paraíso!

— Não sabemos se ela foi levada ou se está com ele por vontade própria.

— É... Marcel sabe mesmo com mexer com uma mulher...

— Niklaus, não está ajudando. – avisou Freya com um olhar de advertência que ia de Elijah para Klaus.

— Está bem... O que pensa fazer, irmão? – Klaus perguntou ainda com vontade de rir.

— Ir até a casa dele e trazê-la de lá. Freya, tente localizá-la. Estou indo para lá agora. – ele tomou o rumo da saída.

— Vá com ele Klaus! – pediu Freya. – Nunca vi Elijah tão nervoso.

— É o amor. Enquanto eles não se admitirem, vamos ficar nessa guerrinha. — entregou Hope para a irmã. — Fique com sua tia, minha princesinha. Vou tentar controlar o seu tio bonzinho que resolveu ir para o lado negro. Eu devia ter pegado algumas lições com Damon Salvatore sobre irmãos bonzinhos.

Marcel Gerard estava muito tranquilo na sua casa, bebendo um Bourbon quando os dois Mikaelson entraram.

— Marcellus! – chamou Elijah.

— Ei! O que é isso?

— Onde ela está?

— Boa noite para você também Elijah. E de quem está falando?

— Genesis. Onde ela está? – ele pegou Marcel pelo colarinho e o levantou no ar.

— Calma, Elijah. – pediu Klaus numa total inversão de papéis.

— Me solta! – ele empurrou Elijah que o soltou. — Não deveria estar na sua casa?

— Você a convidou para jantar. Para onde a levou?

— Eu a convidei, mas foi durante o jantar na sua casa. Depois nem me lembrei mais disso.

— Mas você mandou flores para ela hoje.

— Não mandei não. — ele olhou para Klaus — Seu irmão ficou maluco, Klaus?

— Bem... ele não anda muito bem ultimamente, sabe? Problemas com um certo anjo...

— Querem parar? Se Genesis não está aqui, como você diz, onde ela está? – ele sacou o celular e ligou para Freya. – Freya? Conseguiu localizá-la?

"Sim," disse Freya. "Ela está na parte norte da cidade. "

— Parte Norte? Pode ser mais especifica, Freya? – respondeu Elijah

— A única coisa na parte norte são alguns armazéns abandonados. Alguns foram transformados em boates. – informou Marcel.

Nesse momento, Joshua, fiel escudeiro de Marcel entrou na sala.

— Ei, estao falado de sua protegina, Elijah? Acho que eu a vi agorinha.

Elijah voou para perto dele.

— Viu? Onde?

— Numa boate chamada Sacrifício. Ela estava fazendo o maior sucesso. – completou com um sorrisinho.

Elijah o olhou com ar de poucos amigos e fez um sinal para Klaus. Os dois saíram na mesma hora.

Joshua sentou-se no sofá e olhou para Marcel.

— Acha que eu deveria ter dito a eles que essa boate é de bruxos renegados e vampiros desgarrados?

Marcel se serviu de uísque e serviu um copo para Joshua também.

— Não... eu acho que bruxos renegados e vampiros sem clãs vão ser o menor dos problemas deles essa noite.

Algum tempo mais tarde e algumas bebidas também, Genny já estava dançando no meio das pessoas sempre acompanhada de Patsy e seus amigos. As músicas variavam entre batidas eletrônicas e flashbacks dos anos noventa.

As luzes piscantes e o fato de já ter tomado vários drinks fez com que Genny se sentisse um pouco tonta como se estivesse em um carrossel que rodava sem parar.

Em uma dessas voltas, ela pensou ter visto o rosto de Sebastian. Assustada, recuou dando de encontro com um rapaz alto e loiro.

— Oi gatinha. Que tal uma dança?

— Não. Eu preciso de ar... — ela murmurou fracamente.

— Que nada, vem! — ele a pegou pela cintura e a levantou do chão

— Não. Por favor, eu não quero dançar.

— Talvez você queira outra coisa então. — ele arreganhou os dentes para ela.

Genny colocou a mão no peito dele e o empurrou. O rapaz, que tinha o dobro do tamanho dela foi lançado a metros de distância.

Vampiros! Todos ali eram vampiros? Foi quando ela começou a notar que alguns casais pareciam estar muito juntos, mas na verdade, uns bebiam o sangue de outros.

Ela começou a correr entre as pessoas. Onde estava Patsy, Genny se perguntava

Como por encanto, Patsy apareceu na frente dela.

— Genny! O que foi? Onde você estava?

— Patsy, são todos vampiros. Eles querem me atacar.

— Do que você está falando? Não há vampiros aqui. Olhe só todos se divertindo... Genny, acho que você está há muito tempo com os Mikaelson. Você precisa disso aqui. – estendeu um copo para ela, que bebeu sem pestanejar. – Venha vamos dançar.

E Genny se deixou levar iludida pelas imagens que Patsy queria que ela visse.

Elijah e Klaus chegaram até a boate e, claro, muitos dos que estavam ali os olharam surpresos. Afinal eram os irmãos Mikaelson.

— Vamos nos separar. Assim a encontramos mais rápido.

Klaus e Elijah seguiram por direções opostas e começaram a procurar por Genny.

— Atenta a presença dos dois originais, Patsy viu quando Elijah chegou onde elas estavam. Fez um sinal para que dois homens se juntassem a elas. Alheia à armadilha, Genny dançava junto da nova amiga exibindo vitalidade e fluidez nos movimentos, embora nunca tivesse estado em uma boate antes.

Quando Elijah a viu dançar, ficou estático diante dela. Genny mostrava uma sensualidade à qual ela não fazia ideia.

A música pulsante ressoava em seus ouvidos refletindo o bater de seu coração. Seu sangue corria rápido nas veias. Suas mãos tremiam querendo percorrer a pele quente daquela menina. Não, ele estava errado. Genesis não era uma menina. Era uma mulher. Ele apenas não tivera coragem para enxergar.

Coisa que todos os homens naquele salão tinham percebido no momento em que colocaram os olhos nela.

E agora um deles a enlaçava pela cintura, trazendo o corpo dela ao encontro do seu.

Isso foi demais para ele. Colocou a mão sobre o ombro do homem fazendo que ele recuasse.

Genny o sentiu no momento em que Elijah parou atrás dela.

— Genesis, vamos embora.

— Por que? Eu estou me divertindo.

— Você esta bêbada? — a incredulidade permeava a voz de Elijah.

— Um pouquinho alta. Ora vamos... por que você não se solta um pouco e se livra dessa máscara de autocontrole? — ela colocou a mão sobre o rosto dele.

Ele trincou o maxilar. Se ela respirasse mais fundo, perderia o controle de vez.

— Não. — Elijah pegou o braço dela. — Vamos agora.

Alguma coisa o rosto disse a Genny que era melhor concordar.

— Está bem. Disse amuada.

Ele daria tudo para não a entristecer, mas tinha alguma coisa errada com aquele lugar.

Eles mal deram um passo e Patsy apareceu.

— Genny! Você já está indo?

— Ela não tinha nem que ter vindo. — Elijah a encarou. — Fique longe dela ou irá se arrepender.

Patsy olhou para ele com um sorriso nos lábios vermelhos.

— Você primeiro original. — E saiu da frente dele.

Se Elijah achou estranha a maneira dela falar, não falou nada na hora. Saiu levando Genny pela mão até fora da boate.

Klaus se encontrou com eles logo depois.

— Ah encontrou essa fujona. Você sabe a preocupação que nos causou garota?

— Porque ficou com medo de perder o seu trunfo, Niklaus?

— Do que ela está falando, Elijah?

— Acredito que Genesis esteja um tanto alterada para saber o que está falando.

— Sabe o que eu acho. Que no fundo vocês, os Mikaelson, tem medo da vida. Ficam se apegando a juramentos e sentimentos mofados e gastos. Poder... Guerrinhas... tudo para esconder a covardia de seus corações.

— Escuta aqui garota... — Klaus avançou contra ela e o aviso de Elijah veio tarde demais. Genny ergueu a mão e Klaus foi paralisado.

— Não se atreva a me dar ordens Niklaus. — Ela deu as costas para eles e começou a caminhar cambaleante.

Mas o cérebro humano e traiçoeiro quando deturpado pelo álcool. Da mesma maneira em que a fúria veio ela se foi deixando apenas a tristeza pelo que ela tinha feito com Klaus.

Genny voltou ainda cambaleante e falou

— Klaus, eu sinto muito. Eu não queria...

— Mas fez. E isso dói pra diabo!

— Deixe Niklaus. Eu cuido dela. Diga a Freya que já iremos para casa.

— Tenha cuidado irmão. Talvez os acontecimentos dessa noite tenham servido ao propósito de alguém. Leve ela para casa logo.

— Vou dar tempo para ela curar a embriaguez. — Elijah disse a Klaus enquanto conduzia Genny pela rua.

Patsy estava observando os dois quando um homem se aproximou dela.

— Você falhou?

— Não. Apenas estudando o próximo movimento. — Ela olhou para ele reparando em sua juventude e beleza. Os olhos de um tom raro de verde.

— Eu o conheço?

— Não. Mas temos um amigo em comum. Sou Sebastian Morgenstern.

Notas finais
E no próximo capítulo... — Você é um estraga prazer! Aposto que você nunca saiu da linha, não é nobre Elijah? Genny começou a mexer na gravata dele. Elijah respirou fundo para se conter. — Você não sabe o que está fazendo. – ele murmurou com voz tensa. — Não fale, apenas beije. Não fale, apenas beije... – Genny o olhou com os olhos semicerrados.