Entre o Aço e a Sombra
1 O Fim e o Início
O cheiro de fumaça e sangue ainda impregnava o ar, mesmo horas após o último grito de batalha ter se calado. Marcus Sinclair, General do Reino de Dhorwack Lâfrer, estava montado em seu cavalo preto, observando o campo de batalha agora silencioso. A Grande Guerra, que havia consumido anos e vidas incontáveis, finalmente terminara. A vitória era deles, mas o custo fora alto.
Seu uniforme, outrora imaculado e adornado com as insígnias do reino, estava sujo de lama e sangue alheio. Seu rosto, marcado por cicatrizes e dias sem dormir, refletia o esgotamento físico e mental. Marcus não sentia alegria pela vitória, apenas um cansaço profundo e uma amargura que se enraizara em sua alma.
Um mensageiro real se aproximou, sua respiração ofegante denunciando a pressa.
— General Sinclair! — disse o homem, curvando-se. — Trago uma mensagem urgente do Rei Dhorwack Lâfrer.
Marcus olhou para o mensageiro com desdém, sua expressão dura e impenetrável.
— Fale logo — respondeu, sua voz rouca e autoritária.
O mensageiro entregou-lhe um pergaminho selado com o brasão real. Marcus abriu-o com impaciência, seus olhos percorrendo as linhas escritas em letras douradas.
"A Sua Excelência, General Marcus Sinclair,
Em reconhecimento aos seus serviços inestimáveis ao reino durante a Grande Guerra, convido-o formalmente para passar uma temporada de descanso e celebração no Palácio Real de Lâfrer. Sua presença é requisitada para as festividades que se seguirão à nossa vitória e para que possamos honrá-lo como o herói que é.
A Rainha Elowen Styles Lâfrer e eu aguardamos sua chegada com grande expectativa.
Atenciosamente,
Rei Dhorwack Lâfrer"
Marcus bufou, um sorriso amargo curvando seus lábios. Uma temporada no palácio, rodeado por nobres aduladores e festas intermináveis. Era a última coisa que ele queria. Ele preferia estar em um acampamento militar, com seus homens, longe da falsidade e das intrigas da corte.
— O rei aguarda sua resposta — disse o mensageiro, hesitante.
Marcus olhou para o homem por um longo momento, ponderando suas opções. Ele sabia que recusar o convite real seria uma afronta, uma falta de respeito que ele mesmo não toleraria. Além disso, a guerra acabara. Seus homens estavam dispersos, e ele não tinha para onde ir, exceto para o palácio.
— Diga ao rei que aceito seu convite — disse Marcus, finalmente. — Chegarei em breve.
O mensageiro curvou-se novamente e partiu, deixando Marcus sozinho com seus pensamentos. O General suspirou, sentindo o peso do cansaço se abater sobre ele. Ele sabia que a temporada no palácio seria longa e tediosa, mas era o preço que ele teria que pagar por sua vitória. E assim, com a promessa de descanso e celebração no horizonte, Marcus Sinclair iniciou sua jornada em direção ao coração do reino, sem imaginar que seu maior desafio ainda estava por vir.
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