Entre o Amor e Ódio
30 Cerejeiras
Notas iniciais
Depois de explicar tudo para meu pai com muito custo ele entendeu que o melhor que a gente poderia fazer era entrar em um acordo com o promotor e os pais da Bruna e das meninas.
– Você tem certeza que quer fazer isso Juliana? – meu pai franziu o cenho
–Sim pai, É o melhor para todos. Eu não teria força para encarar tribunais e muito menos ficar vendo elas constantemente.
– Bom se todos estão de acordo, eu irei entrar em contato com os oficiais e notificar os responsáveis pelas jovens e faremos uma reunião, senhor Renato. Acho que o senhor não terá muita recusa sobre essa proposta. Os pais das jovens estão realmente desesperados que isso se torne algo maior, eles ficarão realmente agradecidos. – O delegado falou
Meu pai acenou a cabeça e eles apertaram as mãos. Quando o Delegado e os policias foram embora eu suspirei bem alto e agradeci por aquilo tudo ter finalmente acabado. Eu tinha certeza que tinha feito a escolha certa de elas terem que pagarem com trabalho comunitário o que elas fizeram. De acordo com o delegado elas iriam limpar ruas, ajudar em abrigos de crianças e outros tipos de serviços para sociedade por pelo menos 4 anos ou mais devido a gravidade de tudo que aconteceu. Eu estava satisfeita pela minha escolha, pois elas iriam aprender muito mais fazendo esses trabalhos do que se revoltando em algum abrigo para menores e ainda pouparia dor de cabeça para mim e os meus pais. Eu queria era nunca mais ter que olhar para elas.
– Bom acabou, amanhã as 9hrs eu irei me encontrar com os pais dessas garotas e resolver isso tudo e finalmente podemos voltar a nossas vidas ou pelo menos tentar – Meu pai disse me despertando dos meus pensamentos.
– Não adianta vocês pedirem , eu não irei voltar pra escola tão cedo – eu disse rispidamente
Eles suspiraram e não quiseram dizer nada. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde teria que voltar pra lá, mas eu não queria. Ainda estava assustada e com medo de que elas pudessem fazer qualquer coisa contra mim de novo. Não queria ver o Fernando tão cedo pois sabia que na hora que eu colocasse meus olhos nele eu desmoronaria. Resolvi subir para o meu quarto e assistir um dos meus filmes favoritos ‘’ De Repente 30’’ e esquecer o mundo lá fora, mas só que o mundo não me esquecia . Meu celular começou a tocar umas 10 vezes e eu não tava com a mínima vontade de atender agora e muito menos levantar da minha cama e ir pegar na mesinha do outro lado quarto, então deixei tocar e me concentrei no filme. Sem perceber caí no sonho.
***
Eu estava em um parque cheio de cerejeiras a minha volta, estava ventando muito e eu estava com um vestido leve e branco e meus cabelos batiam contra o vento e as flores a minha volta caíam das cerejeiras como se fossem gotas chuvas. Eu estava esperando por ele.
– Juliana? – ouvi uma voz atrás de mim
Eu me virei e logo nossos olhos se encontraram, seus olhos azuis estavam tão intensos e ternos. Ele estava lindo com os cabelos pretos caídos no olho com um ar bagunçado, e um visual despreocupado usando short e uma camisa branca que ficava muito bem nele.
– Fernando você veio. – eu sorri
– É claro que eu vim, eu prometi nunca mais te deixar lembra? – Ele se aproximou de mim lentamente entrelaçando suas mãos nas minhas.
– Eu lembro, mas você não cumpriu. Você me deixou sozinha. – eu abaixei minha cabeça e meus olhos encheram de água.
– Eu nunca te deixei Juliana, não de verdade. Eu estava aqui ó. – ele disse colocando sua mão sobre meu coração
Ele levantou o meu queixo fazendo com que meus olhos encarassem os deles.
– Assim como você sempre esteve aqui dentro do meu. – ele pegou minha mão e colocou sobre o seu coração.
Sem que eu percebesse nossos lábios já tinham se encontrado, estávamos nos beijando lentamente, era doce e cheio de ternura. O vento nos envolvia e as flores caíam ao nosso redor. Quando acabou aquele momento, ele me olhou profundamente.
– Eu te amo Juliana. Confie em mim. Mesmo que não pareça eu sempre vou estar perto de você. Sempre.
Ele soltou suas mãos das minhas e foi caminhando em direção a luz.
– Fernando não vai, por favor! – Eu gritei
– Confie em mim.
Foram as últimas palavras ditas por ele antes que a escuridão me envolvesse novamente.
***
Eu acordei sentindo as lágrimas descendo pelo meu rosto. Não queria acreditar que aquilo foi só um sonho. Toquei minha boca como se eu pudesse sentir o gosto daquele beijo. Não era real eu dizia a mim mesma. Ele não me amava e se amava não me ama mais. Eu chorei mais um pouquinho até que minha mãe gritou lá da cozinha falando que a Marina e a Luíza estavam querendo subir para o meu quarto. Eu suspirei. Não queria que elas me vissem assim desse jeito. Andei me apoiando na parede até o banheiro para lavar o rosto e cheguei a conclusão que realmente eu ia precisar usar aquelas muletas horrorosas se eu quisesse parar de depender da minha mãe pra tudo.
– Ju pronta ou não a gente ta entrando –Luiza gritou
– Tudo bem podem entrar eu só ta lavando o rosto meninas, acabei de acordar.
Quando saí do banheiro estava as duas sentadas na minha cama espalhando cadernos e livros. Eu realmente tinha perdido a noção do tempo, quando olhei no relógio eram umas 15hrs e claro que as meninas iriam passar aqui depois da aula, eu tinha me esquecido.Eu olhei para as duas sem entender e quando eu ia perguntar a Marina já foi me explicando.
– Ta achando que só porque você ta de atestado ia ficar sem lição de casa e trabalhos Ju, nada disso eu e a Luiza vamos vim aqui todos os dias para trazer a matéria e suas lições assim você não vai ficar atrasada nas coisas quando voltar pra escola.
– É isso mesmo e falando nisso nós já temos trabalho em dupla para fazer – a Luiza sorriu
Eu olhei para elas e comecei a gargalhar de nervoso.
– Meninas eu agradeço o que vocês estão fazendo, mas eu não sei nem quando vou voltar a estudar e além do mais não sei se quero voltar para a nossa escola – eu olhei seriamente para elas.
– Como assim não quer voltar para nossa escola? – as duas falaram ao mesmo tempo.
– É que eu estou pensando em mudar de escola e por favor não me matem, vocês tem que entender que eu não posso ficar no mesmo ambiente que a Bruna.
– Mas aí é que ta Ju você não vai precisar conviver nem com ela e nem com as outras meninas, elas foram expulsas hoje de manhã da escola – Luiza disse orgulhosa
Eu olhei surpresa pras duas.
– Então nada de desculpas, eu sei que você ainda deve vê-las por causa desse problema com a polícia e tal mas não vai precisar trocar de escola por causa delas – Marina completou a Luiza
Elas tinham me dado uma das melhores notícias, eu não sentia pena da Bruna e suas amigas terem sido expulsas do colégio, era as conseqüências pelo o que elas fizeram, eu me sentia em paz pelo menos com isso.
– Eu não vou precisar ver elas nunca mais, meninas. – eu abri o maior sorriso e contei as meninas a minha decisão.
– Ah, mas eu pagava pra ver a Bruna limpando a Rua, imagina a senhora perfeita com um uniforme e toda suja. – Luiza sorriu maliciosamente
Nós começamos a rir e eu me senti feliz por esse problema ter acabado.
– É meninas seria tudo perfeito se eu não tivesse que ver a Manuela e o Fernando todos os dias – eu suspirei
– Ué! Mas você não sabe ainda? – Marina indagou
– Saber de que? – eu disse confusa
– A Manuela levou maior surra da tia dela dentro da diretoria, está todo mundo comentando e até o Fernando começou a rir dela dentro da sala, só que a gente ainda não sabe o motivo mas eu vou consultar minhas fontes. – Luiza disse
– Eu não estava sabendo de nada, como assim o Fernando riu? Eles não estavam juntos Luiza? Você mesmo disse e será porque ela levou uma surra da tia? – eu estava boquiaberto com isso tudo.
– Nossa Juliana, mas você não lê as mensagens mesmo, eu e a Luiza mandamos trilhões de mensagens pra você – Marina riu
– Ah então foram vocês que tentarão me ligar?
– Não, a gente só mandou mensagem. – Luiza respondeu.
Eu olhei para elas sem entender e fui pegar meu celular pra ver quem tinha me ligado e quando abri as notificações tive a maior surpresa, tinha 10 chamadas perdidas do Fernando.
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