Entre o Amor e as Correntes
19 Batidas do Coração
O burburinho se espalhava pelo tribunal conforme todos voltavam a seus lugares. O júri já havia retornado, rostos sérios, olhos fixos à frente. O juiz ajeitou a toga e pigarreou, o som ecoando pesado no silêncio repentino.
Heather entrou por uma das laterais, com o mesmo ar de confiança arrogante. Seus saltos batiam firmes no piso de mármore enquanto ela se sentava ao lado do advogado de defesa. Cruzou as pernas, lançou um olhar rápido a Grissom — um meio sorriso insinuante — e depois fixou os olhos em Sara, do outro lado da sala.
Mas desta vez, a morena não desviou o olhar. Sentou-se ereta, tranquila, emanando aquela serenidade que sempre vinha quando ela sabia que tinha a verdade ao seu lado. Grissom, a poucos metros, observava-a com um orgulho contido, o olhar cheio de ternura e admiração.
O promotor Harry Coleman ajeitou os papéis sobre a mesa e lançou um rápido olhar à equipe do laboratório.
— Prontos? — murmurou ele para Grissom e Catherine.
Eles assentiram.
O juiz retomou a palavra:
— Senhores do júri… chegaram a um veredito?
O representante do júri se levantou, o papel nas mãos tremendo levemente.
— Chegamos, meritíssimo.
O juiz acenou para que lesse. A tensão era quase palpável. Heather, ainda confiante, recostou-se na cadeira com um sorrisinho provocante. Grissom, porém, nem piscava. Sara, de mãos entrelaçadas, respirava fundo.
— No caso do réu Dennis Vintage… — começou o jurado, a voz firme. — Consideramos o acusado culpado pelo assassinato de sua esposa, Rebecca Vintage.
O silêncio durou meio segundo antes que um murmúrio de surpresa e alívio tomasse conta do tribunal. O promotor fechou os olhos brevemente, respirando aliviado. Catherine trocou um olhar satisfeito com Warrick. Sara soltou o ar, um sorriso discreto curvando seus lábios.
Heather, porém, ficou imóvel. O sorriso sumiu. Seus olhos faiscaram por um instante, e então ela lançou um olhar gélido em direção a Grissom e depois a Sara.
Grissom manteve o olhar nela — não com raiva, mas com a calma cortante de quem venceu sem precisar baixar o nível.
O juiz bateu o martelo:
— O réu será levado sob custódia imediata. Caso encerrado.
A equipe do laboratório se levantou, trocando olhares de vitória silenciosa. Sara sentiu uma mão suave pousar em seu ombro. Era Grissom. Ele apenas murmurou:
— Você foi brilhante, Sara.
Ela virou o rosto para ele, o coração acelerado.
— Foi justiça, Gil. Só isso.
Mas os olhos dele diziam outra coisa. “Foi amor”, pensou.
O corredor do tribunal estava cheio de vozes comemorando o veredito, mas Heather caminhava em silêncio, os saltos ecoando como pequenos estalos de raiva no piso de mármore. A expressão, antes confiante, agora era uma mistura de fúria e controle. Ela não permitiria que ninguém a visse desmoronar — principalmente não eles.
O advogado de defesa a seguiu, aflito:
— Heather, eu sinto muito, mas… não havia como contestar o depoimento dela. Aquela CSI desmantelou todo o nosso argumento em minutos.
Heather parou abruptamente e se virou para ele, os olhos faiscando.
— Aquela CSI, como você chama, é uma mulher movida por emoção. E emoção é previsível. Eu só perdi hoje porque subestimei o apego que Grissom ainda tem por ela.
O advogado hesitou:
— Então… acabou?
Ela soltou uma risada curta, amarga.
— Acabou? — repetiu, com ironia. — Não, meu caro. Isso é só o começo.
Deu alguns passos, parando diante de uma janela que dava para o estacionamento do tribunal. Lá embaixo, viu Sara e Grissom saindo juntos. Ele a ajudava a colocar o casaco, um gesto pequeno, mas cheio de carinho. O toque das mãos, o sorriso dela, a forma como ele a olhava…
Heather apertou o punho.
— Ela pensa que venceu — murmurou, quase para si mesma. — Mas ainda não sabe o quanto eu posso destruir.
O advogado engoliu seco.
— O que pretende fazer?
Heather virou-se para ele, um sorriso glacial no rosto.
— O mesmo que sempre faço quando alguém ousa tirar algo meu. Vou esperar o momento certo… e quando ela menos esperar, vou fazê-la duvidar de tudo — de Grissom, do trabalho, até dela mesma.
Puxou o celular da bolsa, digitando uma mensagem curta:
“Hora de voltar a se aproximar dela. Quero saber tudo. Cada movimento.”O nome no topo da tela? Hank Pettigrew.
Ela guardou o telefone, os olhos voltando à janela — exatamente no momento em que Grissom tocava o rosto de Sara antes de abrirem a porta do carro.
Heather sussurrou, com um sorrisinho frio:
— Aproveite enquanto pode, Sara Sidle. O próximo jogo… é meu.
O sol de fim de tarde dourava o estacionamento do tribunal. Sara caminhava ao lado de Grissom, finalmente permitindo que a tensão do julgamento começasse a se dissipar. Ainda sentia o coração acelerado — não apenas pela vitória, mas pela presença dele.
GG: Você foi incrível lá dentro, Sara.
SS (sorri, tímida): Obrigada. Eu só… fiz o meu trabalho.
GG (aproximando-se): Não. Você foi muito além disso. Foi brilhante, confiante, implacável… e linda.
Ela desviou o olhar, tentando disfarçar o rubor que subia pelo rosto.
SS: Está tentando me conquistar de novo, doutor Grissom?
GG (sorri): Não preciso tentar. Eu nunca deixei de te amar.
Sara o encara por alguns segundos — o tempo suficiente para ver a sinceridade nos olhos dele. E antes que possa reagir, Grissom a envolve pela cintura e a beija. Um beijo calmo, mas intenso, carregado de tudo o que haviam contido nos últimos dias.
Quando se separam, ela encosta a testa na dele e sussurra:
SS: Cuidado, se continuar assim, eu desisto de resistir.
GG (rindo baixo): Essa é exatamente a minha intenção.
Ela ri, balançando a cabeça.
SS: Vamos, antes que Catherine mande uma equipe de busca.
GG: Franks?
SS: Franks.
No Franks, o clima era de pura celebração. Catherine levantava um copo de cerveja, Greg contava — pela terceira vez — o momento em que o juiz elogiou o depoimento de Sara, e Warrick apostava que Heather devia estar quebrando alguma coisa em casa.
Harry Coleman se juntou ao grupo, sorridente:
HC: Tenho uma boa notícia pra coroar essa noite. O júri acabou de enviar o veredito final. O depoimento da Sara foi decisivo para condenação de Dennis Vintage.
Todos vibraram. Catherine abraçou a amiga, Nick bateu palmas, e Greg soltou um assobio alto.
CW: Está vendo, Sidle? Ninguém derrota você quando está com raiva.
GG (com um sorriso discreto): Nem quando está calma.
Sara olhou para ele e sorriu de volta, cúmplice. Pela primeira vez em muito tempo, ela sentia paz — como se o peso dos últimos meses começasse, enfim, a sair de seus ombros.
Mas no fundo da mente de Grissom, uma pontada de preocupação surgia. Algo dizia que Heather Kessler não deixaria as coisas terminarem assim.
Enquanto no Franks o riso e as comemorações ecoavam entre copos e abraços, do outro lado da cidade o clima era bem diferente.
Hank Pettigrew estava sentado dentro da ambulância, estacionada nos fundos do Hospital Desert Palms. O plantão estava calmo, mas a mente dele, não. O celular vibrou sobre o painel. Ele o pegou com certo receio — o nome que aparecia na tela bastava para gelar o sangue de qualquer um: Heather Kessler.
Ele respirou fundo antes de abrir a mensagem.
HK: "Já sabe o resultado do julgamento? Dennis pode até ter sido condenado, mas ainda não terminou. Grissom vai pagar por ter se voltado contra mim. E ela… vai pagar junto."Hank fechou os olhos por um momento, sentindo um nó apertar o estômago. Ele não era santo — sabia que tinha ido longe demais ao ajudar Heather — mas ameaçar Sara... aquilo era diferente.
Com a testa apoiada no volante, murmurou:
HP: Você está ficando louca, Heather… completamente louca.
Ele deslizou o dedo pela tela e abriu outra aba: a mensagem anônima que havia enviado para Grissom horas antes, pedindo que fosse ao hospital — o mesmo horário da consulta de Sara.
“Assunto relacionado à Sara Sidle. Compareça ao Hospital Desert Palms. Máxima discrição.”Hank olhou para o relógio, o ponteiro marcava 19h40. O coração dele disparou.
HP (baixo): Espero que tenha lido, Grissom. Ela precisa de você agora… antes que Heather descubra.
Ele encostou o corpo no assento, passando as mãos pelo rosto. Por um instante, o olhar endurecido do paramédico deu lugar a um homem visivelmente cansado, dividido entre o medo e o arrependimento.
Do lado de fora, as luzes do hospital refletiam em seu semblante tenso. Hank sabia que, se Heather soubesse da gravidez, Sara não estaria segura.
E naquele momento, mais do que tudo, ele torceu — de verdade — para que o amor de Grissom fosse suficiente para protegê-la do inferno que Heather prometia trazer.
A noite em Las Vegas estava quente, mas o ar entre Sara e Grissom parecia ainda mais carregado — de emoção, alívio e algo que ambos tentavam esconder há semanas.
Do lado de fora do Franks, os últimos risos da equipe ecoavam na calçada. Catherine e Warrick se despediam animados, enquanto Nick e Greg já discutiam quem pagaria a próxima rodada.
Sara olhou discretamente para o supervisor. O sorriso dele era sereno, como se o peso dos últimos dias tivesse finalmente se dissipado.
SS (baixo, com um sorriso tímido): Obrigada… por acreditar em mim.
GG: Eu nunca deixei de acreditar.
Num impulso, antes que Catherine chamasse seu nome, Sara segurou o rosto dele com as duas mãos e o beijou — um beijo intenso, cheio de saudade e desejo reprimido. Grissom correspondeu de imediato, envolvido pelo perfume e pelo calor da morena.
Quando o beijo terminou, Sara sussurrou próxima ao ouvido dele:
SS: Boa noite, meu amor.
E entrou no carro de Catherine, deixando para trás um supervisor completamente perdido em um sorriso que beirava a adolescência.
Brass, observando a cena a poucos metros, soltou uma risada abafada.
JB: Caramba, Gil… se eu tivesse filmado, isso rendia uma bela lembrança de formatura.
GG (ainda sorrindo): Vai rir de outro, Jim.
Os dois seguiram juntos até a casa de Grissom. Já mais relaxados, abriram duas doses de uísque e começaram a conversar sobre o caso, sobre Sara, e sobre como Heather sempre conseguia se infiltrar onde não devia.
Entre uma risada e outra, o celular de Grissom vibrou sobre a mesa. Ele pegou o aparelho, curioso, e franziu a testa.
Mensagem anônima: “Assunto relacionado à Sara Sidle. Compareça ao Hospital Desert Palms amanhã as 09:00. Máxima discrição.”Grissom ficou alguns segundos imóvel, lendo e relendo a mensagem. O olhar, antes descontraído, ficou sério.
JB: O que foi, Gil?
GG: Recebi… uma mensagem estranha. Sem número identificado.
JB: Estranha como?
GG: Diz pra eu ir amanhã ao Desert Palms… é sobre a Sara.
Brass se endireitou imediatamente no sofá.
JB: E você vai, não é?
GG: Eu não sei… pode ser uma armadilha.
JB: Pode, mas você não sabe e se for algo sério e você não for, nunca vai se perdoar.
Grissom olhou o relógio. Quase dez da noite.
GG: Você vem comigo?
JB: Claro que vou. Vamos descansar. Vou dormir aqui.
O relógio marcava quase onze. A casa estava silenciosa, iluminada apenas pela luz suave da cozinha. Catherine, de moletom e cabelo solto, servia duas canecas de chocolate quente. Sara, deitada no sofá, segurava uma almofada contra o peito, perdida em pensamentos.
CW (sorrindo, entregando a caneca):
Então… amanhã é o grande dia, hein? Consulta marcada?
SS (assentindo, com um leve sorriso):
Sim. Às nove. No Desert Palms.
(uma pausa curta)
Ainda nem acredito, Cath.
CW (sentando ao lado dela):
E o pai da criança… já sabe?
Sara soltou um suspiro, olhando para a bebida fumegante.
SS:
Ainda não.
Eu quero ter certeza antes de contar. Quero ver o exame, ouvir o médico confirmar.
(se ajeita no sofá)
Depois… eu conto. Do meu jeito.
Catherine a observava em silêncio, com aquele olhar protetor de amiga mais velha.
CW:
Você sabe que ele vai ficar maluco quando souber, né?
(graceja)
Provavelmente vai tentar te colocar dentro de uma bolha de vidro e trancar as portas do laboratório.
Sara riu, balançando a cabeça.
SS:
Ah, isso é bem a cara dele. Mas… acho que vai ser diferente desta vez.
Ele tem tentado, sabe?
A forma como me olha, o jeito como fala comigo… e aqueles beijos...
Catherine ergueu a sobrancelha, divertida.
CW:
Ahá! Então os boatos são verdadeiros.
(graceja)
Cadê a mulher que jurou que não daria mole para o entomologista?
SS (rindo):
Ela tentou resistir, juro! Mas... é o Grissom, Cath.
(olhar se suaviza)
Eu o amo. E quando ele me beija, parece que o resto do mundo some.
CW (sorrindo com ternura):
Então talvez esse seja o recomeço de vocês.
Mas... (fica séria) você precisa se cuidar. E ficar de olho na Heather.
O sorriso de Sara desapareceu. Ela pousou a caneca sobre a mesinha e cruzou os braços.
SS:
Eu sei.
Ela ainda está por aí… e eu não duvido que tente fazer algo.
Mas, dessa vez, eu não vou fugir.
Se ela vier, vai encontrar uma mulher pronta pra lutar — por mim, por ele… e por esse bebê.
Catherine estendeu a mão e apertou a da amiga com firmeza.
CW:
É isso que eu queria ouvir.
E amanhã, depois da consulta, você me liga. Quero saber de cada detalhe, entendeu?
SS (sorrindo):
Entendido, chefe.
As duas riram, e por um instante o clima pesado se dissipou. Catherine se levantou, recolheu as canecas e apagou as luzes da sala. Antes de subir, olhou novamente para Sara, que ainda fitava o teto, pensativa.
CW (num tom afetuoso):
Vai dar tudo certo, querida.
Você merece um novo começo.
Sara sorriu de leve, e quando Catherine subiu as escadas, levou a mão até o ventre, acariciando-o com cuidado.
SS (baixinho, quase um sussurro):
Vai dar certo sim… a mamãe promete.
O sol já aquecia o estacionamento. Sara descia do carro com uma pasta nas mãos, vestida de forma discreta, óculos escuros cobrindo parte do rosto. Respirou fundo antes de atravessar a entrada principal.
SS (pensamento):
"Hora da verdade."
Enquanto isso — em outro ponto da cidade, Grissom tomava café com Brass na varanda de casa.
BRASS (erguendo o copo):
Então, o grande herói do tribunal vai descansar hoje?
GRISSOM (meio distraído):
Algo assim…
Ele pega o celular e vê a mensagem anônima novamente:
“Sr. Grissom, é sobre Sara Sidle. Encontro no Hospital Desert Palms, 9h. Por favor, mantenha sigilo.”Ele franze o cenho.
GRISSOM:
Algo não está certo.
BRASS (curioso):
Deixe-me ver isso.
(lendo)
Parece uma armadilha, mas… se for sobre Sara, acho que você vai querer ir de qualquer jeito.
Grissom o encara, pensativo.
GRISSOM:
Eu não posso ignorar.
(se levanta)
Se há alguma chance de ela estar em perigo, eu preciso ir.
BRASS:
Então vamos.
Sara sentada, folheando revistas sem realmente ler. Uma enfermeira chama seu nome.
SS:
Aqui.
Ela entra na sala, o médico sorri cordialmente.
MÉDICO:
Bom dia, senhorita Sidle. Pronta para confirmar o que suspeita?
Sara sorri timidamente, coração acelerado.
SS: Mais do que nunca.
Grissom e Brass chegam. O entomologista observa o prédio, o olhar tenso.
BRASS:
Então, qual o plano?
GRISSOM:
Primeiro: descobrir se essa mensagem é verdadeira;
Depois, descobrir quem mandou essa mensagem… e por quê.
Brass e Grissom perguntam na recepção se Sara tem alguma consulta nos hospital e a recepcionista, depois que os dois se identificam como da policia, dá a informação de onde a morena está.
Sara esta deitada na maca, observando o monitor de ultrassom.
Grissom e Brass estão caminhando pelos corredores, procurando a sala indicada pela funcionaria.
O som do coração do bebê ecoa — suave, constante.
Sara leva as mãos ao rosto, emocionada.
MÉDICO (sorrindo):
Parabéns, Sra. Sidle. Você está grávida.
Grissom, para diante da porta com o nome “Dr. Haynes – Obstetra”.
Ele hesita, confuso.
GRISSOM (murmura):
Obstetra?…
Brass observa o amigo congelar, tentando entender o que o destino acabava de unir naquele instante.
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