O burburinho se espalhava pelo tribunal conforme todos voltavam a seus lugares. O júri já havia retornado, rostos sérios, olhos fixos à frente. O juiz ajeitou a toga e pigarreou, o som ecoando pesado no silêncio repentino.

Heather entrou por uma das laterais, com o mesmo ar de confiança arrogante. Seus saltos batiam firmes no piso de mármore enquanto ela se sentava ao lado do advogado de defesa. Cruzou as pernas, lançou um olhar rápido a Grissom — um meio sorriso insinuante — e depois fixou os olhos em Sara, do outro lado da sala.

Mas desta vez, a morena não desviou o olhar. Sentou-se ereta, tranquila, emanando aquela serenidade que sempre vinha quando ela sabia que tinha a verdade ao seu lado. Grissom, a poucos metros, observava-a com um orgulho contido, o olhar cheio de ternura e admiração.

O promotor Harry Coleman ajeitou os papéis sobre a mesa e lançou um rápido olhar à equipe do laboratório.

— Prontos? — murmurou ele para Grissom e Catherine.

Eles assentiram.

O juiz retomou a palavra:

— Senhores do júri… chegaram a um veredito?

O representante do júri se levantou, o papel nas mãos tremendo levemente.

— Chegamos, meritíssimo.

O juiz acenou para que lesse. A tensão era quase palpável. Heather, ainda confiante, recostou-se na cadeira com um sorrisinho provocante. Grissom, porém, nem piscava. Sara, de mãos entrelaçadas, respirava fundo.

— No caso do réu Dennis Vintage… — começou o jurado, a voz firme. — Consideramos o acusado culpado pelo assassinato de sua esposa, Rebecca Vintage.

O silêncio durou meio segundo antes que um murmúrio de surpresa e alívio tomasse conta do tribunal. O promotor fechou os olhos brevemente, respirando aliviado. Catherine trocou um olhar satisfeito com Warrick. Sara soltou o ar, um sorriso discreto curvando seus lábios.

Heather, porém, ficou imóvel. O sorriso sumiu. Seus olhos faiscaram por um instante, e então ela lançou um olhar gélido em direção a Grissom e depois a Sara.

Grissom manteve o olhar nela — não com raiva, mas com a calma cortante de quem venceu sem precisar baixar o nível.

O juiz bateu o martelo:

— O réu será levado sob custódia imediata. Caso encerrado.

A equipe do laboratório se levantou, trocando olhares de vitória silenciosa. Sara sentiu uma mão suave pousar em seu ombro. Era Grissom. Ele apenas murmurou:

— Você foi brilhante, Sara.

Ela virou o rosto para ele, o coração acelerado.

— Foi justiça, Gil. Só isso.

Mas os olhos dele diziam outra coisa. “Foi amor”, pensou.

O corredor do tribunal estava cheio de vozes comemorando o veredito, mas Heather caminhava em silêncio, os saltos ecoando como pequenos estalos de raiva no piso de mármore. A expressão, antes confiante, agora era uma mistura de fúria e controle. Ela não permitiria que ninguém a visse desmoronar — principalmente não eles.

O advogado de defesa a seguiu, aflito:

— Heather, eu sinto muito, mas… não havia como contestar o depoimento dela. Aquela CSI desmantelou todo o nosso argumento em minutos.

Heather parou abruptamente e se virou para ele, os olhos faiscando.

Aquela CSI, como você chama, é uma mulher movida por emoção. E emoção é previsível. Eu só perdi hoje porque subestimei o apego que Grissom ainda tem por ela.

O advogado hesitou:

— Então… acabou?

Ela soltou uma risada curta, amarga.

— Acabou? — repetiu, com ironia. — Não, meu caro. Isso é só o começo.

Deu alguns passos, parando diante de uma janela que dava para o estacionamento do tribunal. Lá embaixo, viu Sara e Grissom saindo juntos. Ele a ajudava a colocar o casaco, um gesto pequeno, mas cheio de carinho. O toque das mãos, o sorriso dela, a forma como ele a olhava…

Heather apertou o punho.

— Ela pensa que venceu — murmurou, quase para si mesma. — Mas ainda não sabe o quanto eu posso destruir.

O advogado engoliu seco.

— O que pretende fazer?

Heather virou-se para ele, um sorriso glacial no rosto.

— O mesmo que sempre faço quando alguém ousa tirar algo meu. Vou esperar o momento certo… e quando ela menos esperar, vou fazê-la duvidar de tudo — de Grissom, do trabalho, até dela mesma.

Puxou o celular da bolsa, digitando uma mensagem curta:

“Hora de voltar a se aproximar dela. Quero saber tudo. Cada movimento.”

O nome no topo da tela? Hank Pettigrew.

Ela guardou o telefone, os olhos voltando à janela — exatamente no momento em que Grissom tocava o rosto de Sara antes de abrirem a porta do carro.

Heather sussurrou, com um sorrisinho frio:

— Aproveite enquanto pode, Sara Sidle. O próximo jogo… é meu.

O sol de fim de tarde dourava o estacionamento do tribunal. Sara caminhava ao lado de Grissom, finalmente permitindo que a tensão do julgamento começasse a se dissipar. Ainda sentia o coração acelerado — não apenas pela vitória, mas pela presença dele.

GG: Você foi incrível lá dentro, Sara.

SS (sorri, tímida): Obrigada. Eu só… fiz o meu trabalho.

GG (aproximando-se): Não. Você foi muito além disso. Foi brilhante, confiante, implacável… e linda.

Ela desviou o olhar, tentando disfarçar o rubor que subia pelo rosto.

SS: Está tentando me conquistar de novo, doutor Grissom?

GG (sorri): Não preciso tentar. Eu nunca deixei de te amar.

Sara o encara por alguns segundos — o tempo suficiente para ver a sinceridade nos olhos dele. E antes que possa reagir, Grissom a envolve pela cintura e a beija. Um beijo calmo, mas intenso, carregado de tudo o que haviam contido nos últimos dias.

Quando se separam, ela encosta a testa na dele e sussurra:

SS: Cuidado, se continuar assim, eu desisto de resistir.

GG (rindo baixo): Essa é exatamente a minha intenção.

Ela ri, balançando a cabeça.

SS: Vamos, antes que Catherine mande uma equipe de busca.

GG: Franks?

SS: Franks.

No Franks, o clima era de pura celebração. Catherine levantava um copo de cerveja, Greg contava — pela terceira vez — o momento em que o juiz elogiou o depoimento de Sara, e Warrick apostava que Heather devia estar quebrando alguma coisa em casa.

Harry Coleman se juntou ao grupo, sorridente:

HC: Tenho uma boa notícia pra coroar essa noite. O júri acabou de enviar o veredito final. O depoimento da Sara foi decisivo para condenação de Dennis Vintage.

Todos vibraram. Catherine abraçou a amiga, Nick bateu palmas, e Greg soltou um assobio alto.

CW: Está vendo, Sidle? Ninguém derrota você quando está com raiva.

GG (com um sorriso discreto): Nem quando está calma.

Sara olhou para ele e sorriu de volta, cúmplice. Pela primeira vez em muito tempo, ela sentia paz — como se o peso dos últimos meses começasse, enfim, a sair de seus ombros.

Mas no fundo da mente de Grissom, uma pontada de preocupação surgia. Algo dizia que Heather Kessler não deixaria as coisas terminarem assim.

Enquanto no Franks o riso e as comemorações ecoavam entre copos e abraços, do outro lado da cidade o clima era bem diferente.

Hank Pettigrew estava sentado dentro da ambulância, estacionada nos fundos do Hospital Desert Palms. O plantão estava calmo, mas a mente dele, não. O celular vibrou sobre o painel. Ele o pegou com certo receio — o nome que aparecia na tela bastava para gelar o sangue de qualquer um: Heather Kessler.

Ele respirou fundo antes de abrir a mensagem.

HK: "Já sabe o resultado do julgamento? Dennis pode até ter sido condenado, mas ainda não terminou. Grissom vai pagar por ter se voltado contra mim. E ela… vai pagar junto."

Hank fechou os olhos por um momento, sentindo um nó apertar o estômago. Ele não era santo — sabia que tinha ido longe demais ao ajudar Heather — mas ameaçar Sara... aquilo era diferente.

Com a testa apoiada no volante, murmurou:

HP: Você está ficando louca, Heather… completamente louca.

Ele deslizou o dedo pela tela e abriu outra aba: a mensagem anônima que havia enviado para Grissom horas antes, pedindo que fosse ao hospital — o mesmo horário da consulta de Sara.

“Assunto relacionado à Sara Sidle. Compareça ao Hospital Desert Palms. Máxima discrição.”

Hank olhou para o relógio, o ponteiro marcava 19h40. O coração dele disparou.

HP (baixo): Espero que tenha lido, Grissom. Ela precisa de você agora… antes que Heather descubra.

Ele encostou o corpo no assento, passando as mãos pelo rosto. Por um instante, o olhar endurecido do paramédico deu lugar a um homem visivelmente cansado, dividido entre o medo e o arrependimento.

Do lado de fora, as luzes do hospital refletiam em seu semblante tenso. Hank sabia que, se Heather soubesse da gravidez, Sara não estaria segura.

E naquele momento, mais do que tudo, ele torceu — de verdade — para que o amor de Grissom fosse suficiente para protegê-la do inferno que Heather prometia trazer.

A noite em Las Vegas estava quente, mas o ar entre Sara e Grissom parecia ainda mais carregado — de emoção, alívio e algo que ambos tentavam esconder há semanas.

Do lado de fora do Franks, os últimos risos da equipe ecoavam na calçada. Catherine e Warrick se despediam animados, enquanto Nick e Greg já discutiam quem pagaria a próxima rodada.

Sara olhou discretamente para o supervisor. O sorriso dele era sereno, como se o peso dos últimos dias tivesse finalmente se dissipado.

SS (baixo, com um sorriso tímido): Obrigada… por acreditar em mim.

GG: Eu nunca deixei de acreditar.

Num impulso, antes que Catherine chamasse seu nome, Sara segurou o rosto dele com as duas mãos e o beijou — um beijo intenso, cheio de saudade e desejo reprimido. Grissom correspondeu de imediato, envolvido pelo perfume e pelo calor da morena.

Quando o beijo terminou, Sara sussurrou próxima ao ouvido dele:

SS: Boa noite, meu amor.

E entrou no carro de Catherine, deixando para trás um supervisor completamente perdido em um sorriso que beirava a adolescência.

Brass, observando a cena a poucos metros, soltou uma risada abafada.

JB: Caramba, Gil… se eu tivesse filmado, isso rendia uma bela lembrança de formatura.

GG (ainda sorrindo): Vai rir de outro, Jim.

Os dois seguiram juntos até a casa de Grissom. Já mais relaxados, abriram duas doses de uísque e começaram a conversar sobre o caso, sobre Sara, e sobre como Heather sempre conseguia se infiltrar onde não devia.

Entre uma risada e outra, o celular de Grissom vibrou sobre a mesa. Ele pegou o aparelho, curioso, e franziu a testa.

Mensagem anônima: “Assunto relacionado à Sara Sidle. Compareça ao Hospital Desert Palms amanhã as 09:00. Máxima discrição.”

Grissom ficou alguns segundos imóvel, lendo e relendo a mensagem. O olhar, antes descontraído, ficou sério.

JB: O que foi, Gil?

GG: Recebi… uma mensagem estranha. Sem número identificado.

JB: Estranha como?

GG: Diz pra eu ir amanhã ao Desert Palms… é sobre a Sara.

Brass se endireitou imediatamente no sofá.

JB: E você vai, não é?

GG: Eu não sei… pode ser uma armadilha.

JB: Pode, mas você não sabe e se for algo sério e você não for, nunca vai se perdoar.

Grissom olhou o relógio. Quase dez da noite.

GG: Você vem comigo?

JB: Claro que vou. Vamos descansar. Vou dormir aqui.

O relógio marcava quase onze. A casa estava silenciosa, iluminada apenas pela luz suave da cozinha. Catherine, de moletom e cabelo solto, servia duas canecas de chocolate quente. Sara, deitada no sofá, segurava uma almofada contra o peito, perdida em pensamentos.

CW (sorrindo, entregando a caneca):

Então… amanhã é o grande dia, hein? Consulta marcada?

SS (assentindo, com um leve sorriso):

Sim. Às nove. No Desert Palms.

(uma pausa curta)

Ainda nem acredito, Cath.

CW (sentando ao lado dela):

E o pai da criança… já sabe?

Sara soltou um suspiro, olhando para a bebida fumegante.

SS:

Ainda não.

Eu quero ter certeza antes de contar. Quero ver o exame, ouvir o médico confirmar.

(se ajeita no sofá)

Depois… eu conto. Do meu jeito.

Catherine a observava em silêncio, com aquele olhar protetor de amiga mais velha.

CW:

Você sabe que ele vai ficar maluco quando souber, né?

(graceja)

Provavelmente vai tentar te colocar dentro de uma bolha de vidro e trancar as portas do laboratório.

Sara riu, balançando a cabeça.

SS:

Ah, isso é bem a cara dele. Mas… acho que vai ser diferente desta vez.

Ele tem tentado, sabe?

A forma como me olha, o jeito como fala comigo… e aqueles beijos...

Catherine ergueu a sobrancelha, divertida.

CW:

Ahá! Então os boatos são verdadeiros.

(graceja)

Cadê a mulher que jurou que não daria mole para o entomologista?

SS (rindo):

Ela tentou resistir, juro! Mas... é o Grissom, Cath.

(olhar se suaviza)

Eu o amo. E quando ele me beija, parece que o resto do mundo some.

CW (sorrindo com ternura):

Então talvez esse seja o recomeço de vocês.

Mas... (fica séria) você precisa se cuidar. E ficar de olho na Heather.

O sorriso de Sara desapareceu. Ela pousou a caneca sobre a mesinha e cruzou os braços.

SS:

Eu sei.

Ela ainda está por aí… e eu não duvido que tente fazer algo.

Mas, dessa vez, eu não vou fugir.

Se ela vier, vai encontrar uma mulher pronta pra lutar — por mim, por ele… e por esse bebê.

Catherine estendeu a mão e apertou a da amiga com firmeza.

CW:

É isso que eu queria ouvir.

E amanhã, depois da consulta, você me liga. Quero saber de cada detalhe, entendeu?

SS (sorrindo):

Entendido, chefe.

As duas riram, e por um instante o clima pesado se dissipou. Catherine se levantou, recolheu as canecas e apagou as luzes da sala. Antes de subir, olhou novamente para Sara, que ainda fitava o teto, pensativa.

CW (num tom afetuoso):

Vai dar tudo certo, querida.

Você merece um novo começo.

Sara sorriu de leve, e quando Catherine subiu as escadas, levou a mão até o ventre, acariciando-o com cuidado.

SS (baixinho, quase um sussurro):

Vai dar certo sim… a mamãe promete.

O sol já aquecia o estacionamento. Sara descia do carro com uma pasta nas mãos, vestida de forma discreta, óculos escuros cobrindo parte do rosto. Respirou fundo antes de atravessar a entrada principal.

SS (pensamento):

"Hora da verdade."

Enquanto isso — em outro ponto da cidade, Grissom tomava café com Brass na varanda de casa.

BRASS (erguendo o copo):

Então, o grande herói do tribunal vai descansar hoje?

GRISSOM (meio distraído):

Algo assim…

Ele pega o celular e vê a mensagem anônima novamente:

“Sr. Grissom, é sobre Sara Sidle. Encontro no Hospital Desert Palms, 9h. Por favor, mantenha sigilo.”

Ele franze o cenho.

GRISSOM:

Algo não está certo.

BRASS (curioso):

Deixe-me ver isso.

(lendo)

Parece uma armadilha, mas… se for sobre Sara, acho que você vai querer ir de qualquer jeito.

Grissom o encara, pensativo.

GRISSOM:

Eu não posso ignorar.

(se levanta)

Se há alguma chance de ela estar em perigo, eu preciso ir.

BRASS:

Então vamos.

Sara sentada, folheando revistas sem realmente ler. Uma enfermeira chama seu nome.

SS:

Aqui.

Ela entra na sala, o médico sorri cordialmente.

MÉDICO:

Bom dia, senhorita Sidle. Pronta para confirmar o que suspeita?

Sara sorri timidamente, coração acelerado.

SS: Mais do que nunca.

Grissom e Brass chegam. O entomologista observa o prédio, o olhar tenso.

BRASS:

Então, qual o plano?

GRISSOM:

Primeiro: descobrir se essa mensagem é verdadeira;

Depois, descobrir quem mandou essa mensagem… e por quê.

Brass e Grissom perguntam na recepção se Sara tem alguma consulta nos hospital e a recepcionista, depois que os dois se identificam como da policia, dá a informação de onde a morena está.

Sara esta deitada na maca, observando o monitor de ultrassom.

Grissom e Brass estão caminhando pelos corredores, procurando a sala indicada pela funcionaria.

O som do coração do bebê ecoa — suave, constante.

Sara leva as mãos ao rosto, emocionada.

MÉDICO (sorrindo):

Parabéns, Sra. Sidle. Você está grávida.

Grissom, para diante da porta com o nome “Dr. Haynes – Obstetra”.

Ele hesita, confuso.

GRISSOM (murmura):

Obstetra?…

Brass observa o amigo congelar, tentando entender o que o destino acabava de unir naquele instante.