Notas iniciais
Gente, esse capítulo é especial. Por tanto nós duas resolvemos dividir em Kily e Helena, começando por Kily e seguido por Helena ( após os ##). Espero que gostem, foi feito com muito carinho. Ps: para quem não entender o lance do remédio. A doença de Kily interfere em seu sistema nervoso, o que faz reagir de forma diferente a várias substâncias.

Acordo meio atordoado, não reconheço o local onde estou, a cama é mais confortável, e o comodo é bonito e arejado. Percebo imediatamente que não estou no acampamento. Tento me levantar para entender mais sobre oque estaria acontecendo, mas sinto uma dor insuportável no braço, olho para o mesmo e vejo que está enfaixado. A imagem de vários homens tentando acertar Helena me vem a cabeça, me lembro do tiro e o associo com o meu braço. Merda. Minha pontaria já era.

Consigo me sentar, e ao olhar em volta percebo que não estava sozinho na cama, do lado direito da cama, envolta em uma coberta estava Helena, dormindo angelicalmente. Do que mais eu estava me esquecendo?

-Mas que merda acontec...- me interrompo ao ver que minha garganta estava extremamente seca, pego o copo na cabeceira e bebo toda a água em um só gole. Só quando ponho o copo de volta e volto a me virar, percebo que minha tentativa de exclamação acordou a loira, que me encarava com seus grandes olhos esmeraldas.

— Está bem? — ela pergunta aparentando preucupação

— Tirando o fato que eu fui baleado, e de que estou me sentindo um garoto do primário que acordou com uma loira linda do lado, mas não faz ideia de como foi parar ali, estou ótimo.- sorrio para ela, que da uma risadinha.

— Você não perde o humor nem mesmo numa hora dessa, não é?- a garota se aproxima para olhar melhor o curativo.

— Para quem vivia numa família feliz, e perdeu tudo de uma hora para outra sem nem ter culpa,um furinho no braço não faz muita diferença.- digo dando de ombros, oque doeu um pouco.- agora me responda uma coisa.

— O que ?

— Não abusastes de mim durante a minha invalidade, não é? Não teria coragem de fazer esta proeza comigo não é? Ai de mim.- coloquei a mão boa na testa fingindo fazer drama e me jogo para traz na cama. Helena gargalha.

— Como se você fosse achar ruim.- ela revira os olhos mas ainda ri da minha palhaçada.

— exatamente, eu estaria desacordado.- sinto um tapa no meu braço ruim, gemo de dor.

— Oque deu em você hoje?

— O que você me deu?

— Como assim?- ela me encarando, mas depois leva as mãos a boca. — Ah, meu Deus. Você não pode tomar remédios, não é?

— Não, eles não tem o mesmo efeito em mim.- Helena sai correndo e trás uma jarra de água na mão.

— Bebe.

— Mas...

— Bebe, tudo!- ela manda. Olho desanimado pra jarra e dou um pequeno gole.- eu mandei beber tudo, Kily.

Bufo, e bebo um pouco mais, a jarra chega na metade, mas não aguento mais. Ela toma o recipiente da minha mão e leva na minha boca.

— Abre a boquinha, Kily fresquinho, a Heleninha não vai matar você por causa de um remedinho pra dor. Então ó o bocão.

— Helena, eu não vou morrer por causa do remédio.- digo em meio a água que ela me enfiava goela abaixo.- só altera a minha personalidade por um tempo.

Ela me olha e depois põe a jarra na cabeceira. Parece mais aliviada.

— Acho melhor trocar essa faixa.- a loira diz e se levanta para ir até outro comodo.

— Alguém sabe que estamos aqui? — pergunto vendo ela andar de lá para cá pegando coisas.

— acho que avisei um dos caras que estavam na missão.- ela da de ombros como se isso fosse insignificante.

— Então quando seu pai descobrir que está aqui com um dos caras do acampamento, fazendo sabe se lá o que, vai me matar?

-Não, ele não faria isso.- ela diz e eu ergo uma sobrancelha.- Ele é um pouco preguiçoso, acho que ele mandaria fazerem isso por ele, mas ainda assim matar é uma palavra muito leve.

— Arrancar os olhos, esquartejar e depois da der comer para os cachorros seria mais apropriado.- Digo irônico.

— Mas não reclama, estou salvando sua vida.- olho para o meu braço depois volto a encara-lá

— Ou retardando a minha morte.

— Só por ficar reclamando aí, vai ter que vir andando até a sala.- ela fala já do outro comodo.

Com certa dificuldade me levanto e saio do quarto, vou em direção a sala, porem vejo um banheiro no meio do caminho e me lembro daquele litro de água. Imediatamente paro e resolvo entrar.

— Onde pensa que está indo?- Helena pergunta do sofa.

— Ao banheiro horas.

— Precisa de ajuda?

— Nem ferrando.- entro no banheiro.- já é ferir demais o orgulho de um homem.- ouço a gargalhada de Helena vinda da sala.

Fico uns cinco minutos no banheiro, de tanta água que tinha para sair. Depois vou para a sala e a garota me obriga a me sentar no grande sofá. Ela tira a faixa velha, que já está um pouco suja. Com cuidado e atenção ela vai limpando o ferimento. Observo tudo.

— Lena,- pego o seu rosto com delicadeza a fazendo olhar pra mim.- Obrigado.

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Kily pegou no meu rosto com as duas mãos e falou:

— Lena... Obrigado. — Porém, no momento eu não estava prestando atenção no seu agradecimento, não, Minha Mãe, só conseguia sentir aquelas mãos segurando meu rosto com tanta delicadeza, aqueles safiras me encarando com tanta certeza, e... Minha mãe, Helena! Invés de curtir o momento fico inventando rimas. Ninguém merece.

Voltando onde haviamos parado... Percebi que o clima tinha mudado um pouco. Kily não parava de encarar minha boca, e acho que eu também estava da mesma forma com a dele. Por que tem que ter uma boca tão perfeitinha? Provavelmente deve ser quentinha també... Fui interrompida pelos lábios de Kily que se encontraram com o meu. Minha Mãe! Não consegui pensar em mais nada apenas... naquela boca.

Ele parecia meio receoso, como se eu tivesse medo de eu o bater. Por isso, quando separamos nossos lábios, tinha uma grande dúvida em seus olhos. Fiquei olhando, aquelas grandes órbitas azuis procuravam por respostas, que eu com certeza iria dar para ele. Me aproximei dele devagar, sentindo sua respiração batendo em meu rosto a medida que eu chegava mais perto. Por fim, uni nossas bocas, que pareciam bem felizes com tal feito, já que não paravam quietas.

Com o tempo senti a mão dele chegar no meu pescoço me apoiando, enquanto isso, sua língua pedia passagem, que eu, por acaso, sedi com prazer.

Continuamos nos beijamos por um tempo, até nos separarmos em busca de ar.

— Uau! — Foram as primeiras palavras dele. — Além de uma lutadora nata, também é um beijoqueira de primeira! — Não sei por que, mas nunca me senti tão envergonhada. Abaixei a cabeça sabendo que estava extremamente vermelha. Por fim soltei uma risadinha de princesinhas que vivem em arco-íris com 7 tons de cor de rosa. Mas que merda ele fez comigo?

Me levantei rápido indo em direção ao banheiro.

"Princesinhas que vivem em arco íris com 7 tons de cor de rosa. " Minha mãe! Alguém me explica o que aconteceu! Lavei meu rosto esperando acordar para a realidade.

— Helena! Me desculpa! Não sabia que você iria ficar tão sentida! Não deveria ter feito isso eu... — O interrompi abrindo a porta com um baque. Meu lado racional gritava desesperado para eu não fazer aquilo, enquanto o meu lado emocional (e minha boca) concordavam plenamente com as minhas atitudes seguintes.

Fui o empurrando até a outra estremidade do quarto, até que sua costas bateram na parede com um barulho alto.

— Helena, eu prometo que eu não vou fazer mais isso, eu...

— Cala a boca e me beija. — Falei, e logo depois juntei nossas bocas de novo.

Notas finais
Desculpem qualquer erro. E comentem, isso nos ajuda muito, além de nos deixar feliz. Beijos.