Entre o Amor e a Morte.
11 Kily
Notas iniciais
Acho que encontrei alguém quase tão bipolar quanto eu.
Uma hora chora e outra ri, eu só me dou bem com maluco mesmo. Aliás não sei o que deu em mim mais cedo( falando da bipolaridade....)eu podia ter morrido só por encostar na garota, mas mesmo assim vou e abraço ela.
Acho que estava tão desesperado que nem liguei pras consequências, nunca uma garota havia chorado na minha frente. Também nunca imaginei que a primeira garota a chorar iria ser a Helena, justo ela que me parece tão durona, até tentou esconder o choro. Mas todos temos nossos problemas não é?
A Helena retribuiu meu abraço e as piadas, mas eu também via em seu olhar um pouco de desconfiança. Eu não a julgo, em um lugar desse era impossível viver bem.
— Hey, avoado.- algum mané me tira de meus pensamentos, olho em volta a procura do responsável, era um dos capangas do local.- Você está sendo solicitado.
Bufando vou atrás do homem, passamos por toda a área e entramos numa sala onde mais 4 competidores estavam.
— Kily, Jasper, Alex, Quenian e Brumiam.- A loira da qual eu tenho mais falado ultimamente chama.- haverá uma mudança nos planos, a próxima prova será adiada e vocês cinco viram comigo numa missão até a cidade.
— Que será...- alguém pergunta mas estou muito ocupado encarando tediosamente os olhos verdes esmeralda da loira.
— Agora mesmo. Coloquem essas roupas como desfarce e vamos logo.- ela taca pra cada, um par diferente. Vejo que o que ela me entrega é um estilo empresario, arqueiro as sombrancelha pra ela sorrindo, ela apenas da de ombros, mas sorri também.
— E nós vamos nos trocar aqui mesmo, princesa?- alguém pergunta.- não que eu ligue, na verdade tenho certeza que você vai adorar o que vê.
— mais uma dessas e eu arranco sua lingua, babaca.- ela o ameaça e eu seguro a risada.- há um banheiro alí, mas só cabem 4, então vão vocês aí.
A garota aponta para os outros caras do meu lado. Eles dão de ombro e vão para o banheiro. Helena me olha, apoio a cabeça nas mãos.
-Se eu pudesse descrever a beleza dos teus olhos e enumerar teus atributos em épocas vindouras... diriam: o poeta mente! A Terra jamais foi acariciada por tal toque divino.- recito olhando a loira profundamente.
— Shakespeare?- ela pergunta.
— Ele pode ter escrito, mas com certeza não tinha alguém com olhos tão perfeitos como você para ter recitado.- comento, ela parece estar um pouco sem graça, me aproximo um pouco mais dela.
— Esta roupa é ridícula!- jasper aparece interrompendo. Olho para ele e estava vestido de gari. Alex de faxineiro, Quenian de entregador e Brumiam de segurança.
— Combina com você.- digo, é o cara me encarando. Entro no banheiro troco de roupa e volto logo em seguida de terno e gravata.
— o plano é o seguinte rapazes, Kily vai entrar comigo no prédio como meu advogado, Jasper vai ser o gari que vai recolher o lixo e descobrir se eles jogam algo de importante na lixeira, Alex vai entrar no prédio infiltrado de faxineiro e fingindo que limpa a sala de arquivos vai roubar o arquivo que precisamos. Brumiam vai disfarçado de segurança do prédio e vai se instalar em frente a porta de reuniões do conselho e Quenian vai ficar na van, esperando qualquer emergência.
— não me parece difícil.- falo e todos me olham, eu não costumo falar muito na frente dos caras.
— só espero que saiba ser um bom delegado, vai ter que defender o meu caso.
— Se lascou, é o mais difícil!- alguém ri.
— Não quando se é chamado de ipnotizador.
....
— Você está bem Helena?- pergunto enquanto viramos a esquina já pondo o plano em ação.
— Estou ótima.- ela responde, mas vejo que mente. Sua cara dizia realmente o contrario. Arranco uma flor de um canteiro pelo qual passamos, me lembrando de meu sonho. Ainda não sabia se a bebê era realmente a mesma Helena que a ao meu lado.
— Não fica triste, Lena.- entrego a flor pra ela. A garota fica encantada com aquele gesto simples e me dá um beijinho na bochecha.
— Não estou mais mentindo quando digo que estou feliz.- ela sorri. Por incrível que pareça, ela me dá impressão que sabe do meu sonho.- vamos entrar.
Viramos a rua e entramos no grande prédio existente ali. Seguimos pelos corredores e paramos numa secretaria.
— No que posso ajudá-lo?- a recepcionista se dirigi a mim, claramente interessada.
— Sou Helena kricher, temos uma reunião agora.- a loira entra na minha frente.
— Quinto andar senhorita kricher.- a moça indica murchando seu sorriso.
— Obrigada.- Helena agradece a olhando de forma superior. Entramos no elevador.- não está aqui para paquerar Johns.
— Fala como se eu estivesse dando em cima dela, muito sem sal ainda por cima.- comento, e parece que isso a agrada.
Chegamos na sala onde ocorreria a reunião e nos sentamos. As pessoas estavam entrando e se sentando e logo demos início.
— Boa tarde senhores, sou Steven Mir.- digo usando o meu disfarce.- estou aqui com Helena kricher filha de William kricher e viemos para tratar de uma falsa acusação.
Na verdade, pelo que Helena me dissera não tinha nada de falso na acusação, mas eu tinha que fazer que fosse.
— William kricher é acusado de tráfico de armas.- um dos homens lê a acusação.
Ele foi acusado só por isso? Eles não sabem de nada.
— Senhores tenho aqui algumas provas de que ele não é o homem que pesam que é. Temos todas as transições da conta de William, nenhuma delas condiz ao valor do tráfico.- mostro o documento.
— Ele pode ter dado dinheiro vivo.
— Mas nas provas dizem que há uma transição.
Começo a debater sobre o fato de nas provas da justiça haverem dito ter uma transição, mas que não temos provas de nenhuma transição.
Percebo que conseguiria conquista-los de outra forma, vendo alguns dos funcionários da justiça percebo que os mesmos têm filhos, uma tática.
— Doutor Jean, o senhor tem dois filhos não tem? O senhor os poria em risco? Meteria sua linda filha nessa enrrascada? Meteria ela em perigo?
— Não.- o homem responde.
— É por isso que queremos que acreditem em nós. O senhor Kricher perdeu a respeitosa esposa a vários anos, e ela o deixou uma garota. O pobre viuvo só quer proteger a filha de todos os perigos para evitar que aconteça o que aconteceu com a mãe. Então me digam, porque ele a poria em risco?- finalizo meu discurso, todos me olham emocionados com as palavras, por mais simples que fossem.
— Dou o caso como encerrado, William kricher é inocente.- o juiz declara.
Saímos da sala a passos lentos. Passamos em frente a outra sala, um guarda pisca pra gente, era Brumiam disfarçado. Continuamos andando para não levantar suspeitas, e quando ninguém mais podia nos ouvir, Helena falou:
— Você conseguiu fazer eles ficarem sentimentais, justo ele que são preparados para esses tipo de coisa. Como conseguiu.
— Tenho psicopatia passiva.- digo dando de ombros, talvez já tivesse até dito isso a ela, sei lá.
— Já li sobre isso, mas só encontraram indícios de um único caso.- ela comenta.
— Olha que sorte a sua, está do lado do único caso de uma doeça mental quase totalmente desconhecida onde não tem cura, que divertido!- lhe forço um sorriso.
— Mas você não é perigoso, é por isso que se chama passiva.
— Errado, eu só sou perigoso se eu quiser, há uma diferença.- digo.
— É mesmo? Qual?
Porém não dá tempo de responder pois assim que viramos a esquina no prédio aparecem atrás da gente alguns homens armados.
— É ela, peguem ela! — um deles grita e aponta a arma para Helena e preparam para atirar, a garota não percebe, por tanto quando ouço um disparo a empurro para longe.
— Kily! Você está bem? Kily!- ouço a gritar mais já estou muito tonto para prestar atenção.
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