Entre o Amor e Ódio
40 Tequila
Notas iniciais
Quando terminei de virar mais um copo de tequila a raiva só tinha se intensificado e eu precisava extravasar de alguma maneira. Olhei a minha volta e minha vista ficou embaçada, comecei a me sentir diferente como se nada impostasse e nem ninguém. Olhei para pista de dança e caminhei até lá, tudo parecia um borrão a minha volta. Eu senti que precisava dançar e fui até a pista de dança mesmo com os passos inseguros. Vários homens me olhavam e assobiavam e eu sorria em retribuição flertando com eles. Quando um cara estava prestes a chegar a mim, senti alguém me segurar pela cintura e o homem olhou decepcionado e voltou para onde estava.
— Onde você estava Ju? – Will me olhava preocupado – Ficamos loucos atrás de você.
— Eu estava fazendo o que todo mundo queria – abri um sorriso maldoso – Apenas me divertindo. Inclusive já que você está aqui vem dançar comigo?
Will olhou desconfiado e o puxei para pista de dança.
— Juliana a gente tem que ir embora – Will tentou me puxar – Você se esqueceu do hospital?
— Que hospital? – falei confusa – Sabe, Will seus olhos são tão lindos.
— Do que você está falando?
— A Luiza está certa, eu devia prestar mais atenção em você. – gargalhei – Eu sei que você quer me beijar.
— Você bebeu? – Will me olhou boquiaberto – É melhor a gente ir agora.
— Bebi só um pouquinho – sorri – Não era isso que todo mundo queria. A Juliana divertida entrou em ação.
O Will pareceu não acreditar no que estava acontecendo e eu só conseguia gargalhar com toda situação, comecei a dançar sozinha e ele parecia se convencer que eu não ia sair dali tão cedo.
— Juliana você está aí! – Luiza gritou – Desculpa, por favor? Eu exagerei, fui insensível e idiota.
— Não preciso perdoar. Você tinha razão em tudo. Inclusive sobre o Will – olhei para ela e comecei a ri.
— Não liga pra ela. Ela ta bêbada – Will falou – Me ajuda a tirar ela daqui.
— Agora os chatos são vocês – dei de ombros – Vão embora e eu fico aqui.
— Avisem a Marina e o Alê que nós a encontramos e me esperem lá na saída. – Will falou com a Luiza e o Lucas – Eu a levo até lá.
A Luiza e o Lucas saíram correndo e a minha cabeça começou a girar. Quando eu ia cair o Will me segurou.
— Hora de a gente ir. Seu pai vai me matar!
— Não vai, eu não deixo – sorri olhando diretamente nos olhos dele – Já falei que seus olhos são lindos?
— Já, Juliana – ele me largou – Vem comigo.
Fingi que ia cair de novo e o Will me segurou. Eu não sabia nem o porquê de eu estar fazendo aquilo, mas senti muita vontade de beijá-lo. Alguma coisa na minha cabeça alertava que tinha algo errado, só que eu ignorei. Olhei nos olhos dele e levei a minha mão ao seu rosto.
— Juliana, não. Você vai se arrepender depois, eu não sou de ferro. Você não está facilitando pra mim.
Ignorei seu comentário e passei minha mão nos seus lábios pedindo silêncio e fui chegando cada vez mais perto, nossos lábios se encontraram e nos beijamos intensamente. Minha mente começou a vagar e eu não sentia nada, parecia que alguma coisa estava fora do lugar. Quando me dei conta do que eu estava fazendo o empurrei bruscamente.
— O que você fez – comecei a gritar – Ai meu Deus não...
— Você que me beijou.
— Eu não... Eu – Meus olhos encheram de água – O que eu fiz?
— Juliana, calma – Will tentou se aproximar – Não foi nada.
— Não encosta. – falei desesperada – Fica longe!
Minha cabeça começou a girar e a visão começou a escurecer e eu só senti o Will me segurando em seus braços.
***
Abri os olhos letamente e senti uma dor horrível tomar conta da minha cabeça, não conseguia me lembrar de nada do que havia acontecido e nem onde eu estava.
— Onde eu estou? – falei lentamente – Ai minha cabeça!
— Você acordou – ouvi minha mãe falar – Você esta no seu quarto e eu nem preciso dizer que você está encrencada.
— O que aconteceu?
— Você saiu com o Will ontem e bebeu todas. Chegou aqui desmaiada e fendendo a tequila. – ela falou brava – Seu pai está uma fera.
De repente fragmentos do que aconteceu veio a minha mente, a briga com a Luiza, a tequila e o beijo com o Will.
— O que aconteceu com o Will? – perguntei – Ele contou o que aconteceu?
— Ele está bem. Explicou tudo o que aconteceu e francamente Juliana se embebedar só porque seu pai te deixou de castigo?! Agora que ele não vai retirá-lo tão cedo.
— Ficar bêbada por causa do castigo? Que castigo?
Minha cabeça latejava e eu enfiei minha cabeça no travesseiro.
— Ainda está sobre o efeito do álcool – minha mãe falou brava – Você está proibida de ver o Fernando, lembra?
— Espera, você falou que eu saí ontem com o Will?
Ela acenou.
— Então quer dizer que eu dormi direito? – falei desesperada
— Quando vocês chegaram já era quase noite. Você chegou desmaiada carregada pelo Wiliam. Só voltou poucas vezes a consciência e assim mesmo só para vomitar.
Assenti e me senti péssima, a culpa de não ter visto o Fernando ontem começou a bater e principalmente de tê-lo traído. Comecei a me sentir péssima e meus olhos encheram de água, eu nunca deixei de ver o Fernando nenhum dia no hospital e agora eu tinha falhado com ele de todas as formas possíveis. Não sabia nem como iria olhar na cara do Will depois de tudo que aconteceu.
— Mãe, me deixa sozinha? – pedi – Depois você e o papai me dão o sermão.
— Agora você quer ficar sozinha não é? Nada disso, você vai tomar um café forte para cortar essa ressaca.
— Eu não quero levantar – falei – Me deixa voltar a dormir.
— Juliana...
O telefone nos interrompeu e minha mãe saiu para atendê-lo. Respirei fundo e me virei na cama para tentar dormir e esquecer as burradas que eu fiz.
— Juliana? – Will chegou perto da porta – Posso entrar?
— Entra
— Sei que esse não é o melhor momento, mas eu não consigo parar de pensar no que aconteceu ontem e eu sei que você deve estar se sentindo péssima, por isso precisamos conversar.
— Will eu...
— Juliana – minha mãe gritou – Você não vai acreditar!
Minha mãe chegou desesperada em meu quarto.
— O que foi? – perguntei assustada – Aconteceu algo?
— A mãe do Fernando acabou de ligar. Ele acordou.
Meu coração entrou em disparada.
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