Entre mundos
4 Paranoica
– Cheguei em casa! – Sophie abriu a porta e entrou correndo para o hall, tentando se aquecer. – Está bem frio lá fora.
– Sophie, meu anjo! Como foi a prova? – Perguntou Helena, mãe de Sophie, que saiu correndo da cozinha – Meu Deus! Você está machucada? O que aconteceu?
– Calma, mãe. Ela deve ter esbarrado em outra coisa de novo. Ou caído. Ou os dois. – Intrometeu-se Vivian, irmã de Sophie, que vinha descendo as escadas. – E então? Como foi?
– Seria muito bom chegar em casa depois de uma prova cansativa que pode decidir meu futuro sem ser interrogada. – Argumentou – Foi boa, nada demais. Apenas uma prova como milhares que já fiz e milhares que ainda farei.
– Você está brincando? Você é muito nerd. Vai passar em primeiro lugar. – Disse Vivian, sorrindo.
– Por favor, nerd não. Mãe, estou com muita fome, tem algo para comer?
– Sim, fiz seu prato preferido, querida.
– Mimada. – Disse Vivian – A propósito, como foi que se machucou?
– Ah, caí da bicicleta. A rua estava molhada, eu estava descendo distraída e devo ter tropeçado em algo. Não é nada sério.
– Conseguiu pedalar até o resto do caminho?
– Não precisei. Um garoto me ajudou.
Helena e Vivian se entreolharam e então olharam para Sophie.
– Um garoto?! – Falaram em um só som.
– É, um garoto.
– Ele era bonito? – Perguntou Vivian com malícia no olhar.
– É o nosso novo vizinho. Ele é bonitinho. Pode me passar o orégano?
– Então ele te carregou até o Instituto? – Helena falou soltando risadinhas.
– Foi só uma pequena carona. Eu nem estava muito longe de chegar lá.
Elas terminaram o jantar e Sophie subiu para seu quarto, a fim de escrever mais um capítulo de sua nova estória. Ela era escritora amadora nas horas vagas. Assim como gostava de ler, amava escrever. Sentia-se parte do enredo e envolvia-se com os personagens, como se fosse tudo fosse realidade. Porém não conseguia parar de pensar no menino estranho que a ajudara mais cedo.
Andrew.
É um nome muito bonito. "Vou checar a origem e o significado. Será que consigo o signo dele?" pensou consigo mesma. Uma das muitas manias dela. Só sentia que conhecia a pessoa depois desses dados. "Hm, de origem inglesa e significa 'másculo, viril'. Não parece ter alguma coisa a ver com ele"
Estava ficando tarde. Sophie decidiu recolher-se e aproveitar a quantidade de horas de sono que ainda lhe restava. Ao se aproximar da janela, sentiu aquele sentimento de novo. "Eu estou ficando paranoica" pensou. Mas ela, no fundo, sabia que não estava. Nunca um pressentimento foi apenas um pressentimento quando se tratava de Sophie. Seus amigos brincavam dizendo que ela era algum tipo de vidente. Decidiu deixar para lá e mergulhar no mundo dos sonhos. Afinal, foi um dia bem estranho.
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