Entre moscas e sangue
2 A mulher de branco
— Como assim eu nunca tive uma irmã? Por acaso isso é algum tipo de brincadeira? – Como assim eu não tenho irmã? Como assim a única pessoa que eu amo nessa vida não existe? Quem são eles para dizer isso para mim? Meu rosto está queimando de raiva, meu coração está batendo tão rápido que dói.
— William, você sabe o que aconteceu na sua casa? – A mulher de branco me olha com atenção, mas de uma forma doce. Ao contrário dos “policiais” que me encaram com muita suspeita. — Mas é claro que sei! Eu acordei encharcado de sangue...- Meus Deus, meus pais, agora eu me lembrei, como será que devo...falar. — O que aconteceu...o que aconteceu com meus pais? — Essa é uma das perguntas que também queremos responder, William. E queremos que você nos ajude nisso. – A senhorita volta a falar.— Isso mesmo, por bem ou por mal! – Fala o policial mais gordo, me encarando com aparente raiva. A mulher de branco vira-se para ele com uma expressão de repreensão. – O que foi? Ele é um assassino! — Como assim um assassin... Você por acaso acha que eu fiz aquilo com meus pais?! – Digo, levantando-me furiosamente da poltrona em que estava. Só agora percebo que estou algemado. As algemas prendem minhas mãos à frente de meu corpo. — O que você acha? Você estava coberto de sangue e sozinho em uma casa com dois cadáveres.– Argumenta o soldado.— Como vocês chegaram na minha casa? – Pergunto, ainda confuso.— Tivemos uma denúncia anônima. – Fala o policial mais magro. — Quem me denunciou? – Continuo encarando o policial mais gordo. — Ele já disse que é anônima! – Fala o rolha de poço. — Acho que deveríamos dar um tempo para o rapazinho de 19 anos. Ele deve ter passado por momentos muito traumatizantes. Precisa descansar. – Diz a doce mulher, em um tom quase tranquilizante. Digo quase porque é impossível me tranquilizar com tudo que tem acontecido. Os policiais saem, mas deixam claro que voltarão. A mulher também já vai saindo, quando eu me lembro de perguntar algumas coisas. — Antes que você vá, aonde eu estou? – Ela vira-se novamente para mim e responde. — Você está no Complexo Médico Edgar Poe.— Isso é uma cadeia hospício? — É um hospital psiquiátrico para pacientes que estão sendo acusados de algum crime. — Então eles acham que eu sou um assassino e você que eu sou um louco? – Depois dos meus apagões eu não discordo completamente dela, mas eu sei que não machucaria minha irmã, nunca!— Talvez você só esteja abalado pelos acontecimentos atuais na sua vida. É por isso que eu estou aqui, para determinar isso. — Já que aparentemente vamos passar algum tempo juntos e você sabe muito mais de mim do que eu de você, você poderia me dizer seu nome? — Ah, mas é claro! Como sou esquecida. Meu nome é Elizabeth, Elizabeth Burckle. — Eu diria que é um prazer te conhecer, mas nas condições atuais creio que é melhor eu só me apresentar: William Lacan. – Ela aperta uma de minhas ainda algemadas mãos e finalmente se retira do quarto. Elizabeth Burckle, um nome bonito para uma mulher tão simpática. Ela aparenta ter seus já maduros 38 anos, cabelo loiro e ondulado até os ombros, olhos azuis que mais parecem bolas de gude, é realmente um clichê de coroa bonita. Mas o que mais gostei nela foi sua personalidade, talvez o fato de ela me defender diante daqueles trogloditas que me acusam do que eu não fiz, ou fiz, não sei... Mas sei lá, eu nunca gostei dos meus pais, desde aquele dia, aquele dia que eles me levaram para o porão... mas enfim, não quero lembrar disso! Não agora. Tento me esquecer disso observando o quarto em que estou, e é um quarto bem simples: no meio tem uma cama de solteiro com lençóis brancos, um criado mudo ao lado da cama, com apenas uma gaveta, e, ao lado do criado mudo a poltrona em que estava sentado quando acordei aqui. Tem uma janela paralela a cama, que dá visão para um jardim razoavelmente grande, a janela está fechada com grades de ferro, ferro este que também está presente em toda a porta de entrada do quarto. No lado oposto ao da janela, tem um pequeno banheiro, que por sinal não tem porta. Por um lado eu penso que não quero ficar nesse lugar por muito tempo, quando lembro dos policiais, das algemas e do desconforto, mas também penso que seria agradável passar um tempo com Elizabeth. Mesmo ela sendo essa coroa, ela é muito carismática. Parece ser a única pessoa a se importar comigo depois de anos, mesmo ela provavelmente sendo paga para ter que se importar. Porém, quando penso no que aconteceu, no que está acontecendo, nem mesmo sei onde está minha irmã, e o fato de eles tentarem me fazer acreditar que ela nunca existiu... Eu não posso ficar aqui nem um segundo a mais. Eu tenho que achar minha irmã!
Notas finais
A fic começou como one, mas deu vontade de continuar. Digam o que acharam. Devo continuar? Ficou legal? Comentários são sempre bem vindos, e respondo a todos. Pode demorar uns 2 dias, mas eu respondo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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