Entre espinhos e rosas - Embry Call
1 Prologue

━━━━━━PRÓLOGO━━━━━━
LYANNA ERA A ÚNICA filha de sua mãe, Lorena, seu nome fora dado para combinar com sua prima e melhor amiga Leah. Uma combinação não tanto igual na opinião de Lyanna, já que seus nomes eram bem diferentes.
Sua mãe, Lorena, era a irmã mais nova de Harry Clearwater. Ela e Sue eram melhores amigas também, e quando ficaram grávidas escolheram os nomes juntas, após caçar por horas nos livros que tinha na biblioteca da reserva.
Lyanna cresceu forte e determinada, rodeada de garotos e da única garota de sua idade, Leah. Quando mais novas elas não se desgrudavam por nenhum minuto se quer, sempre aprontando por qualquer lugar que passavam. O pobre velho Quil nunca tinha paz quando o assunto era Lyanna, ele estava sempre emburrado, pois toda o fim de tarde ela inventava de traçar as barbas dele enquanto ele tirava seu delicioso cochilo na cadeira de balanço na varanda.
Uma peste, como a senhora Uley a chamava. Lyanna era muito famosa na reserva, principalmente por roubar os bolinhos que Alisson deixava na janela para esfriar após sair do forno. Ela sempre apanhava por conta disso, mas não podia evitar, os bolos de Alisson era uma atração na reserva, principalmente para o estomago dela.
Alisson tinha um filho, o nome dele era Samuel mas gostava de ser chamado de Sam. Sam era um garoto magricela que tinha os cabelos igual a de um porco espinho, era moreno e tinha os dentes afastados e estava sempre implicando com sua prima Leah. Ela não entendia porquê Samuel ficava sempre fazendo chacota com a cara de Leah sem parar, a chamando de cara de cavalo.
Ela não gostava de Sam, mas ele era um bom companheiro para travessuras. Sam tinha mais dois amigos, um deles era Jared e o outro era Embry, — que não era tão amigo assim dele, mas sempre estavam juntos para brincar.
Jared Cameron era outro garoto que tirava a paciência de Lyanna. Ele não media esforços em chama-lá de macricela e acabar com seus castelos de areia. O mais irônico, era que Jared não passava de um vara pau de cabelos espetados.
Então tinha Embry Call, o garoto de cabelos tigelinha que caia nos olhos e morava no fim da reserva. Embry não ficava para trás quando o assunto era tirar a paciência de Lyanna.
O nome dela era doce na boca de Embry que ficava por todo lado chamando-a mesmo quando não queria nada, isso quando não vivia puxando suas tranças.
A relação entre os dois era entre espinhos e rosas.
Ela odiava Embry com todas as suas forças, ele era o pior de todo o grupo de patetas. Mas não desgrudava dele também, ficavam no final de tarde jogando conversa fora em um dos penhascos junto com Leah, fazendo planos para o futuro.
Embry sempre dizia que iria comprar um caminhão com os melhores carrinhos do mundo, já que na aquela época o único carrinho que sua mãe podia comprar era um caminhãozinho que vinha com sete boi, todos coloridos. Ele torcia o nariz e questionava o porque dos boi ser daquela cor, já que nunca viu um azul, verde, amarelo ou vermelho.
Harry ria e dizia que era porquê os boi tinha sido pintados para não serem roubados, uma mentira que Embry caiu. Lyanna jamais se esquecerá da tarde em que o pegará jogando água sobre os boi que o velho Quil criava, no intuito de tirar a tinta deles.
Lyanna não falou nada, apenas ficou a observar o pateta de Embry Call continuar a molhar os boi sem nem mesmo parar de respirar, fazendo força para trazer os baldes "cheios" até eles e começar o processo tudo de novo.
— Você é mesmo um pateta ou se faz? Os bois não são pintados.
Embry bufou, soltado os baldes de metal sobre o chão de feno.
— O que quer dizer com isso Anna? — ele perguntou raivoso.
— Tio Harry enganou você, e como um bobalhão você caiu. — ela balançou a cabeça, provocando-o — E não me chame de Anna.
— Eu te chamo do que eu quiser, sua vaca mimosa. — respondeu ele, jogando o balde cheio de água sobre Lyanna e saindo correndo.
Lyanna foi atrás de Embry, e quando o alcançou deu um chute bem em suas canelas. Lorena verá a confusão acontecendo entre as duas crianças e saiu correndo ao encontro deles, a essa altura Embry estava com uma das tranças de Lyanna nas mãos enquanto ela mordia com força o braço dele.
A Clearwater ficará de castigo, sentada no milho até sua bunda ficar dormente. Embry sairá impune, como sempre, e ficou rindo junto com Sam e Jared na janela. Leah logo veio ao encontro deles, soltando fogo pelo nariz e fechou a janela com força. Embry e Jared conseguiram tirar as mãos a tempo, mas o pobre Sam não teve a mesma sorte.
No final do acontecimento Sam saiu gritando pela mãe enquanto chorava dizendo que Leah havia decepado suas mãos, a fazendo ficar junto com Lyanna de castigo até sua bunda ficar vermelha.
Lyanna tinha uma coleção de bonecas Blythe, de todas as cores. Ela tinha olhos grandes e cabelos longos, a cabeça era enorme e eram meio macabras. Mas apesar de sua aparência, ela amava as suas bonecas.
O passatempo favorito de Embry era pegar as bonecas dela e jogar no telhado, apenas para ela ir ter o trabalho de ir buscar ou até coloca-las sentadas no milho como um castigo.
— Me devolve seu muleque endiabrado, me devolve! — ela gritava, enquanto a saia do vestido enroscava nas pernas finhinhas dela.
— Vem buscar, vem buscar. — ele cantarolava sem parar, balançando os cabelos da boneca enquanto corria pelo grande quintal dos Clearwater.
— Embry me devolva! — ela gritava, enquanto deixava um dos sapatos fugirem dos pés, um hábito muito grande dela.
— Vem pegar, cara de jacá. — ele cantarolava.
Leah estava logo a frente, encostada de baixo da árvore com um livros sobre as pernas enquanto estudava. Assim que notou o que estava acontecendo ela borcejou e esticou as pernas, fazendo Embry que vinha correndo e olhando para trás tropeçar e cair de barriga no chão.
Lyanna pegou a boneca das mãos de Embry e depositou o pezinho descalço nas costas dele, com um sorriso triunfante e um olhar de cúmplice para Leah.
— Eu ganhei.
Era uma tarde de domingo, todos os adultos tinha ido até a clareira rezar para os deuses e deixaram as crianças em casa para não fazer bagunça. O velho Quil ficará supervisionado, mas ele era a mesma coisa do que nada, já que estava dormindo na poltrona da sala e não poderia ver oque estava acontecendo no quintal.
Leah estava mais brava que o diabo, enquanto socava Sam sem parar. Embry, Lyanna, Quil e Jared estavam sentandos no assoalho velho enquanto observavam a cena a frente deles.
Leah estava pocessa de raiva pois Sam espalhou para todos os meninos da reserva que ela queria namorar com ele e com muito sacrificio, ele se tornou o namorado dela.
— E quem disse que eu quero namorar com você?! — ela guinchou, enquanto dava uma chave de braço nele.
— Aposto que cinco balas que o Sam acaba com ela. — Jared murmurou, pegando as balas que tinha sobre o bolso.
— Eu aposto dez! — Embry rebateu animado, ao ver Sam derrubar Leah no chão.
— Eu percebi o jeito que você me olha Lee-Lee, eu sei que você está caidinha por mim. — ele disse sorrindo, os dentes banquelas aparecendo.
— Seu imundo, pare de me chamar assim! — ela ralhou, o empurrando no chão e desferindo um soco bem na cara dele.
— Aposto quinze que a Leah ganha. — disse Lyanna com um sorriso triunfante.
— E você Quil? — perguntou Jared ao menino que os observava sem nem piscar.
Quil era o filho do velho Quil, ele virá uma vez no domingo para brincar e nunca mais saiu da cola deles.
Quil era engraçado, ele prendia a atenção em coisas fúteis facies e ficava com uma cara de bobão viajando no mundo da lua. Tinha cabelos grandes e cacheados, Lyanna o chamava de miojinho. Ele era gordinho, as blusas que usava eram pequenas e sempre ficava mostrando um pouco de sua barriga.
— Não sei, a Leah está muito brava...- ele murmurou observador, mas ao ver que Leah acertou com tudo um chute na barriga Sam ele quase saltou — Aposto quinze na Lee.
— É a minha garota. — Lyanna murmurou orgulhosa.
A briga dos dois demoraram horas, parou por alguns segundos quando Sam tomou folego e disse algumas palavras do tipo “pare de escândalo, eu também gosto de você.” mas isso só piorou a situação, ele foi pra casa com o nariz jorrando sangue enquanto Lyanna e Quil comemoravam o prêmio de balas que haviam ganhado.
Quando o velho Quil acordou quase caiu para trás quando olhou para Sam e Leah, eles estavam pior do que bicho do mato. Depois daquele dia ele nunca quis cuidar deles, dizia que os espíritos dos ursos haviam entrado dentro dos corpos deles e que ele não iria cuidar de um monte de bichos.
Lyanna bateu o pé irritada com aquela conversa e deu a língua para o ancião, gritando em bom som para todos ouvir.
— Como se você cuidasse da gente, seu velho babão. Só presta pra dormir e resmungar.
Da pra imaginar o que aconteceu logo em seguida. Lyanna ficou sentada com a bunda no milho enquanto Leah ficou de pé olhando para a parede e contanto até cem sem parar. Aquela tarde elas não puderam sair para brincar, tiveram que ajudar com as coisas da casa enquanto o pequeno Seth as seguia curioso.
No aniversário de nove anos de Lyanna, ela se recordava que estava usando um vestido de babados rosa, ele tinha uma meia calça branca e trajava sapatinhos pretos. Sue era uma boa costureira, então todas as roupas de Lyanna e Leah era ela que fazia, as deixando feito bonecas. Tirando o fato que Sue era obrigada a trabalhar para as bonecas de Lyanna também, que trajavam roupinhas diferentes toda semana.
Lyanna sempre pagava a tia com pacotes de bala, ela dizia que um dia ela iria agradecer a ela por tanto pacotes e que a tia iria conseguir viajar o mundo todo com eles.
— Faça um pedido Lyanna. — murmurou Lorena, acariciando o cabelo de maria chiquinha dela.
Lyanna pensou por alguns segundos, tentando desejar algo que ela queria com toda a sua alma. Então ela desejou sapatos espacias, daqueles que ela via na tv, pois tinha certeza que eles nunca fugiria de seus pés como os outros faziam.
Assim que ela assoprou a vela do bolo cor de rosa, sorriu olhando ao redor enquanto as pessoas aplaudiam. Quil logo se aproximará com Embry, ela achou que o garoto Ateara iria lhe perguntar o que ela tinha desejado, mas ao invés disso ele estendeu o pratinho rosa em sua direção.
Diferente de Quil, Embry a olhou com um sorriso sapeca que ela não entendeu de imediato o que significava. Mas as próximas coisas aconteceram muito rápido e antes que ela percebesse, estava com a cara enfiada dentro do bolo de abacaxi que sua mãe tinha feito e com vestígios de chantilly até no cabelo.
— Toma o seu desejo! — ele gritou sorrindo.
— Ah seu menino do demônio! — ela guinchou enchendo a mão de bolo e acertando em certeiro no rosto de Embry, que caiu de bunda no chão.
Depois disso o quintal dos Clearwater virou uma bagunça só, já que tinha bolo para lá e para cá. Nem o pobre Harry escapou, ficou com os cabelos cheio de chantilly cor de rosa.
Quando chegava os fins de tarde, Lyanna gostava de sentar de baixo do pé de goiaba que havia lá no monte da reserva. Era um local calmo
O céu estava limpinho e havia um monte de nuvens gordonas que davam água na boca de Lyanna, pois na cabeça dela as nuvens eram de algodão doce. Embry estava ao seu lado, ele estava silencioso e pediu para ir com ela já que Leah não poderia ir porquê estava estudando.
— Lyanna? — ele chamou, fazendo ela tirar a atenção das nuvens.
— Que é? — perguntou azeda.
Ele não respondeu, ao invés disso se aproximou dela e depositou um beijo rápido em seus lábios a deixando totalmente sem ação.
— Eca! — ela fez uma careta enojada, passando a mão nos lábios e batendo na cabeça dele logo em seguida.
— Ai Lyanna! — ele a olho feio, enquanto acariciava o local que ela havia acertado.
— Por que você fez isso?
— Porquê eu quis. — ele deu os ombros sorrindo, mas não disse mais nada.
Algo estava errado, ele parecia nervoso e encabulado com algo. Lyanna logo fraziu as sombrancelhas, querendo saber o porquê do comportamento estranho dele.
— O que você tem? Parece que comeu bosta e não gostou. — ela disse, ainda limpando a boca.
— Lyanna, você quer casar comigo quando a gente for maior?
Ele perguntou inocentemente e ela fez uma careta, pensando por alguns segundos.
A verdade era que Embry ficou com aquela ideia desde que comprou um chiclete bubo que vinha com um anelzinho de brinde, ele era azul e tinha um diamante gigante. Desde daquele dia ele guardará no bolso da bermuda, achando uma oportunidade para dá-lo a Lyanna.
— Quero, mas só se nois casar aqui, de baixo do pé de goiaba.
— Então ta, a gente casa aqui. — ele disse feliz, dando o anel pra ela.
— Pra que isso?
— É um anel de compromisso.
Ela deu os ombros mas não argumentou em mais nada, só colocou o anel — que quase não entrará — no dedo de apertou a mão de Embry, sentindo um aperto gostoso na boca do estomago ao olhar pra ele.
Mas tudo não foi como planejado.
Dois meses depois, a mãe de Lyanna fora embora da reserva com o pai dela, que havia arrumado uma boa oportunidade de crescer na vida fora dali.
Lyanna jamais esquecerá daquele dia, em que entrou dentro do carro aos berros não querendo ir embora. Todos os seus amigos estavam chorando, Leah era a que mais chorava enquanto Sam a abraçava timidamente de lado. Embry ainda não havia chegado, e ela não queria ir embora sem se despedir dele.
Por fim, ele chegou em sua bicleta quando o carro já dera partida. Ele estava suado e respirava rapidamente, como se tivesse feito muito esforço para chegar a tempo.
Lyanna gritava o seu nome enquanto ele pedalava com toda a sua força para chegar até ela, mas infelizmente ele não conseguiu e o carro virou apenas um pontinho preto no meio da estrada de terra.
Ela nunca mais virá ou saberá dele depois daquele dia. Até o dia 5 de setembro, quando os filhos pródigos a casa tornam após a separação da mãe dela.
Mas tudo estava diferente, Embry não era mais aquele garoto macricela que tinha o cabelo tigelinha que a seguia sem parar e puxava suas tranças.
E ela soube disso no instante que olhou nos olhos dele pela primeira vez depois de muito tempo.
༻──── CONTINUA ────༺
Notas finais
2. O capitulo foi revisado, mas eu sempre deixo alguma coisa passar.
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