Entre espinhos de gelo...
1 Capítulo Único
Notas iniciais

Elsa desperta pouco tempo depois de dormir. Estava tendo falta de sono constante, que perpetrava a uma semana. Não contara a irmã para não preocupá-la, estava exausta, seus afazeres de rainha, junto a sua falta de sono, estava fazendo mal para sua saúde. Até sua neve estava mais fraca e frágil. Ela se levantou e chegou perto da janela e observou a linda paisagem de Arendelle, seu reino, o reino cujo prometeu proteger desde sua coroação e o mesmo que quase destruiu na mesma noite. Lembrava-se como se fosse ontem, não seis longos meses, que aceitou seu dom que a mesma julgava ser um pesadelo. Olhava como se fosse à última vez que faria isso. Estava sentindo exaustão, cansaço como algo sugasse suas forças constantemente. Olhou-se no espelho, encontrava-se tão exausta que nem colocou seu pijama, ainda estava com seu vestido azul, soltou uma risada.
–Como sou desleixada. — falou rindo da sua aparência.
Estava com o cabelo despenteado, o vestido amarrotado, e sem seus sapatos de gelo. Totalmente bagunçada. Sem sono, caminhou até o guarda-roupa e pegou uma caixa. Ela era azul, pequena com o símbolo de Arendelle na tampa em dourado, com bordados de renda roxos nas extremidades. Pegou e foi a sua cama, uma grande cheia de lençóis brancos e travesseiros de plumas. Respirou fundo e a abriu. Lá era guardado o objeto que mais dava medo à rainha: Suas luvas cor azul-ciano. Com um tanto de receio a mesma segurou as luvas na mão. Elsa tinha horror a esse objeto, só a lembrava das palavras que Anna falou em sua coroação: “Anna o que sabe de amor verdadeiro?” “Bem mais do que você, Tudo que sabe é afasta as pessoas”. Elsa largou as luvas na cama, já parcialmente congeladas, com lágrimas no rosto. Aquela frase a abalava mais do qualquer outra. No fundo ela sabia que Anna tinha razão. Fora insensível por 13 anos, só “Vá embora Anna”, todo tempo. Ela nunca se perdoou que quando seus pais morreram, não foi nem ao enterro e apoiar sua irmã. Pelo contrário, Anna sempre quis a reaproximação, mas ela não queria. Limpou as lágrimas no rosto, pegou as luvas e as guardou novamente.
Observava seu quarto, até aquele dia não sabia porque ficou trancada todo tempo, não era seu desejo. Queria ficar perto de Anna, mas seus poderes, que ela julgava, era o responsável por isso. Mas agora entendia que foi somente sua culpa. Sentia raiva de si mesma, tinha sido tão burra. Toda vez que sua irmã batia na sua porta, com um simples pedido: “você quer brincar na neve?”, sempre a repelia. Agora seria diferente, cada dia seria único com sua irmã, depois de ficar tão perto de perdê-la. Seu sono não voltava, precisava se distrair. Abriu a porta do seu quarto com cuidado pra não acordar Anna que dormia ao seu lado, e foi à sala de música. Todo esse tempo, trancada tinha servido ao menos para uma coisa: Aprender a tocar. Buscou com os olhos seu instrumento favorito: a ocarina. Sentou-se no gelo e começou uma melodia suave, uma pequena nevasca começou a aparecer ao seu redor, vários flashes de memórias passava em sua cabeça, tanto bons como ruins. Elsa parou de tocar, estava assustada com os próprios pensamentos, acabou congelando a ocarina. Estava confusa, e começou a chorar. Ao redor, gelo, estava entre espinhos de gelo, igual quando perdeu seus pais. Encolhida e chorando. Por que agora os sentimentos de culpa vieram à tona? Ela não sabia. Não estava bem, por toda volta gelo. Somente culpa e remorso profundo.
–Elsa?-era Anna. Com sua camisola verde, permanecia com cara de sono e confusão de ver sua irmã naquele estado. Estava abraçada ao travesseiro.
–Elsa o que houve? Você está chorando. -ela perguntou chegando perto de sua irmã.
Elsa nada respondeu, só abraçou sua irmã com força. Anna nada entendeu, mas correspondeu o abraço. Elsa contou a Anna, finalmente, sua situação. A falta de sono, a fraqueza e sua culpa.
–Elsa por que não me disse antes?-Anna fitou Elsa preocupada.
–Não queria lhe causar outra... Bem... -não conseguia completar a frase.
–Vamos ao seu quarto e conversa. -Anna completou.
Depois de algumas horas de conversa, Anna voltou ao seu quarto e Elsa fora dormir. No dia seguinte já estava se sentindo melhor, seu humor e poderes voltaram ao normal. Ficava com Anna durante seus afazeres. Dormira bem pela primeira vez na semana.
Mas pra ela pareceu pela a primeira vez na eternidade...
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