Entre espíritos e humanos
1 A rua das casas coloridas
Notas iniciais
O que eu vejo, você nem em sonhos consegue ver....
- Sério? Mas não dizem que sonhos podem predizer seu futuro?
E você ainda acredita nisso, minha querida?
- Eu acho que é importante acreditar nessas coisas, eu gosto de pensar que existe magia em mim. – Eu sorrio para o mundo que se apresentava diante de mim. O céu azul estava radiante e o vento que batia em meus cachos eram bem-vindos.
Às vezes você me parece tão burrinha, mas é claro que você é uma pessoa mágica.
Eu estava indo embora de tudo que conhecia, estava indo em rumo de um lugar diferente, para mudar minha vida e meu ares. Mas neste momento, exatamente agora, eu estou sentada em uma imensa rocha, em um precipício, olhando para o lindo mar azul que se arrasta até o chão. Eu puxo minhas pernas até meu peito e encosto minha cabeça em meus joelhos e continuo olhando para baixo. Continuo olhando para a onda que batia nas rochas lá embaixo. Eu escuto o som dos pássaros e dos outros animais. Eu sinto a energia limpa daquele lugar solitário.
Será que vamos poder viver juntas dessa vez?
- Eu não sei, Alice. Mas já não tenho medo do que as pessoas pensarão, só quero poder viver uma vida digna.
Eu também quero...
Uma lágrima involuntária escorre de um dos meus olhos e eu levanto meu rosto, pego uma ponta do meu vestido e seco a lágrima.
- Você precisa esquecer Alice, você precisa se esquecer do passado...
Me levanto com intuito de ir em direção ao meu carro, mas antes coloco uma de minhas pedras com formato de lua perto da ponta do precipício. – Eu voltarei aqui, no dia em que o céu estiver tão lindo como hoje.
A rodovia não estava movimentada, e isso já se repete há três dias, eu dirijo sozinha por esse caminho. Eu dirijo me encaminhando a uma pequena cidade, uma cidade simples, mas ao mesmo tempo perfeita.
Acho que não quero me esquecer do passado, Luna, ele é mais interessante que o futuro...
- Então simplesmente controle suas emoções, porque elas me afetam. – Piso forte no acelerador e meus cabelos voam cada vez mais e mais alto. – E eu também acho que não é certo se esquecer do passado, foi um pedido idiota de minha parte.
Agora iremos para a faculdade, irmã. Não podemos ser idiotas!
Eu começo a rir involuntariamente, mas logo depois rio de verdade. Eu estava me esquecendo desse detalhe, desta nossa decisão. – Definitivamente uma nova vida.
Eu sou Claire Redfield. Tenho dezoito anos, assim como minha irmã gêmea, que vive dentro de minha cabeça. Ela se chama Alice Redfield. Somos duas pessoas no corpo de uma, ela não é apenas uma voz, ela é uma alma que vive em mim, que nunca me abandonou, mesmo após seu corpo humano ter morrido, ela vive em mim assim.
*
Enfim, casa nova...
Encaro a fachada da pequena casa que aluguei com o dinheiro do meu antigo trabalho. Ela era bem simples mesmo, já que é só para mim. E também é perto da faculdade, o que é importante.
Eu gosto daqui, eu sei que vamos viver bem aqui.
Sorrio e vou até meu carro para pegar as malas. — Bem, a sua opinião é importante, que bom que realmente gostou, mas ainda nem entramos na casa, sua afobada.
Meu carro é um Gol preto de apenas duas portas, pequeno o bastante para caber na garagem comunitária que tem no fim da rua. Na verdade, o bairro em que moro é repleto de casas idênticas a minha. Todas simples e pequenas, mas cada uma com uma cor diferente, e como eu cheguei hoje, a minha ainda está na cor original, um branco simples. Eu adoro o esquema de cores, combina com o fim de tarde alaranjado. Eu acho coisas assim divertidas.
Eu trouxe quatro malas de roupas, incluindo roupas de cama, e algumas outras coisas realmente importantes. Minha mobília já chegou e já foi montada por uma equipe que contratei, e nem é como se tivesse muita coisa lá dentro.
Essas malas parecem pesadas, boa sorte aí!
- Engraçadinha... – dou um sorrisinho de deboche para o comentário de minha irmã e utilizo todas as minhas miseras forças para pegar uma das malas. Tiro ela do porta-malas e a arrasto até a entrada de casa, e já na terceira mala, eu me encosto no carro exausta.
Quem mandou não fazer uns exercícios básicos? Eu conseguiria dar um jeito nisso rapidinho.
- Me deixa garota, eu hein! – Fecho os olhos e inspiro profundamente. – Eu vou terminar isso logo... – Volto a tentar pegar terceira mala, mas fica difícil e eu começo a dar gritinhos de raiva, até que escuto uma voz atrás de mim.
- Hey, quer uma ajudinha aí? Parece que está difícil! – Me viro e vejo um rapaz alto e musculoso, com apenas um short e com um sorriso maravilhoso. Seus cabelos eram loiros e ele tinha olhos claros.
Mas que clichê, se fosse eu recusava a ajuda desse estranho...
Sorrio para o estranho. – Nossa, eu adoraria, isso aqui está pesado demais! –Ele responde com um sorriso e com uma pequena dificuldade consegue pegar a mala e levar até a entrada de casa. – Aliás, me chamo Claire, você mora por aqui?
- Eu sei que você é, na verdade! – Ele coça a cabeça e cora um pouco, depois pega a última mala e eu fecho o porta-malas e o acompanho até a entrada. – Foi comigo que você fechou o contrato da casa, não lembra?
- Não. Não lembro. – Falo rapidamente, enquanto procuro a chave da casa na bolsa. – Na verdade, nós combinamos tudo por telefone, por isso não te reconheci.
Nossa, que fome...
- Como diabos você pode sentir fome? – Falo em voz alta antes sem perceber e o estranho, que na verdade nem era estranho, olha para mim com uma cara de susto. – Desculpa, estava perdida em pensamentos... E, seu nome é Ricardo, não é?
Acho que esse cara gosta de sair sorrindo por qualquer motivo, e como eu já disse, o sorriso dele é magnifico, mas eu não sou acostumada com pessoas que sorriem por causa de uma pergunta.
- Sim. – Ele responde enquanto eu finalmente abro a porta de minha casa e vejo por dentro dela pela primeira vez. – Espero que goste da casa e me desculpe por aparecer assim, é que eu tinha me esquecido que você iria chegar hoje...
Dou um sorriso para ele e puxo minhas malas para dentro. – Sem problemas... – Me jogo no sofá da casa e faço uma menção para que ele entre na casa. – Você pode me dizer onde posso achar um mercado por aqui? Estou morta de fome!
Eu fui ao mercado andando com o Ricardo e a gente ficou conversando, ele foi lá descalço e sem blusa mesmo, e cada vez que andava mais por ali, eu percebia que as casas estavam repletas de jovens, assim como ele.
Como um cara com essa idade pode ser proprietário de tantas casas?
- Você é dono de todas as casas desta rua? – Pergunto de uma vez, porque essa pergunta estava atingindo a minha curiosidade.
- Na verdade, elas são da minha família e agora eu sou o responsável pelas locações.
- Nossa, você deve se banhar em dinheiro, porque me desculpa, mas o aluguel é bem caro.
Ele sorri novamente e passa a mão naquele cabelo dele. – Eu tenho bastante dinheiro sim, mas adoro morar nessas casas, como os outros estudantes...
- Bem, eu gostei de você, não parece ser um rico mesquinho!
Eu tenho a habilidade de ser um pouco, talvez muito honesta, e costumo falar as coisas repentinamente, mas é verdade quando digo que tive uma boa impressão a respeito desse rapaz.
Aposto que é gay.
Seria um pouco demais perguntar a opção sexual dele, vamos primeiramente comprar coisas para a minha barriguinha.
Notas finais
mas as bostas precisam também de inclusão neste mundo esquisito!
Então... VIVA EU o/
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