Notas iniciais
Boa leitura!!!!

Acordo em um sobresalto quando ouço o tocar da campanhia e Fred se assusta, pulando da cama junto comigo e indo comigo até a porta, latindo para a mesma. Estranho o fato de ninguém ter interfonado e paro com a mão na maçaneta, mas relaxo ao ouvir a voz do outro lado.

— Abre logo isso mulher! — abro a porta e encontro Jorge escorado no batente da minha porta sorrindo para mim — Tá achando que tem alguém querendo te sequestrar? — ele diz passando por mim, mas para ao dar de cara com o latido de Fred e eu fecho a porta.

— Olha, eu sou bem cara viu! — vou em direção a cozinha chamando Fred enquanto ele, se joga no sofá.

— É cara mas nenhum sequestrador aguentaria seu falatório e sua risada por muito tempo! — volto para sala chocada e ele ri — Você fala demais e ri á toa quando está nervosa, todo mundo sabe disso! — rimos e eu retorno a cozinha, a fim de preparar algo para o desjejum e volto para a sala com a jarra do suco de laranja e a geleia de amora.

— Dá pra me ajudar aqui? — Jorge tira o óculos, bufa e vai até a cozinha.

— Tem pizza? — pergunta com a porta da geladeira aberta.

— Não, pega o requeijão pra mim? — volto pra sala carregando os pães, ponho tudo na mesa e sento com Jorge.

— Mudou alguma coisa aqui? — ele pergunta olhando o meu apartamento. Faço o mesmo e reparo em como ele está decorado do meu jeito, nada muito colorido, mas com vários objetos antigos e alguns bem modernos, dando um toque jovial.

— Não que eu me lembre.

— Hum, então esse clima que eu estou sentindo é de alguém que conseguiu o que queria ontem? — ele me sorri passando a geleia no pão e eu sorrio de volta.

— Não! Quer dizer, sim! — ele gargalha e eu sorrio sem graça — Ontem foi ótimo, juro! Dante é o cara que eu achei que nem existia, sabe? Estou me sentindo em um dos meus livros de romance.

— Então ele é bom mesmo? Sabia! Aqueles olhos, aquelas mãos, aquela cor do pecado... — eu o interrompo.

— Calma, nós não transamos não — ele faz uma cara de desapontado.

— Desde quando você é recatada assim? Preferiu esperar? Não quis transar no primeiro encontro? — ele desata a perguntar.

— Não criatura! Você sabe que por mim, nem teríamos ido jantar, mas foi justamente essa questão! Nós saímos e não foi como se ele estivesse desesperado para me levar para a cama, entende? — ele continua comendo.

— Não sei se isso é bom ou ruim. Não quer te levar pra cama? Até eu quero, e olha que você não é bem o meu perfil — ele pisca e eu sorrio.

— Antes de nos despedirmos, no carro, ele me beijou — ele coloca as mãos para o alto e eu rio — Não foi um beijo qualquer, onde boca se encontra com boca e trocam salivas..

— E é uma das melhores coisas que leva a melhor coisa do mundo? — faço careta.

— É sério, é bom assim também. Mas teve tanta conexão e ele tem uma pegada, que nossa! Esquentou tudo ontem — mordo um pedaço do pão com geleia.

— Não sei como você conseguiu resistir, ele não tem nenhum irmão não?

— Não, ele é só.

— Quando vão sair novamente? — ele bebe o suco de uma vez e me encara. — Não marcaram nada?

— Ainda não, mas vamos, você vai ver. — Fred se aproxima de mim e sobe na cadeira ao meu lado me observando comer. — Não roube — digo apontando para ele, que vira a cabeça e eu o afago. Jorge se aproxima de mim para pegar o requeijão e o cão late, assustando meu amigo — Calma, ele é amigo. — continuamos conversando sobre os mesmos assuntos e uma hora depois, ele resolve ir embora. Ficamos apenas eu e Fred e resolvo tomar um banho e lavar os cabelos para dar uma passada na empresa logo depois.

Entro no elevador e vou direto para a minha sala, abro o notebook e revejo alguns documentos da empresa, aquela discussão com a Srtª Queiroz me deixou com a pulga atrás da orelha. Como ela poderia dizer com tanta certeza que a empresa iria cair? Decidi vir a empresa para rever tudo que puder, não posso deixar nada passar, meu pior pesadelo seria deixar o sonho do meu pai ruir por alguma falta de atenção minha. Isso seria inaceitável. Enquanto o arquivo abre, eu vou até a copa pegar um café, será que seria muito errado pedir um lanche? Ligo para a lanchonete que tem perto do prédio e peço umas empadinhas. Volto para a sala checando o meu celular esperando ver uma mensagem de Dante, mas não encontro nada, bufo com a ideia de estar ansiosa somente por isso. Bisbilhoto tudo o que posso no notebook da empresa e acho uma pasta nunca vista antes, tento de tudo para abri-la mas nada faz efeito. Tomo mais três xícaras de café, como o lanche pedido e como um insight, eu lembro de uma técnica que aprendi na escola quando entrei no sistema da mesma, tento a mesma coisa e como um milagre, a pasta se abre. Nomes. Centenas de nomes que eu nunca tinha visto, uma lista deles, o que é isso? Tento achar algo além desses nomes mas não consigo encontrar mais nada e me decepciono. Meu celular toca e eu me desconcentro da lista para atendê-lo, meus olhos param na tela ao ver o nome de Dante brilhar ali e o meu nervosismo aparece.

— Alô — tento transmitir uma voz tranquila.

— Maya? Oi, tudo bem?

— Sim, e você? Tudo bem?

— Sim, melhor agora. Escuta, está tendo um dia ocupado hoje? — olho para a tela do notebook.

— Mais ou menos, não sei te responder isso. — e eu realmente não sei o que fazer, tenho que falar com Ramírez ou com quem quer que seja para me explicar o que é isso, já que eu não posso fazer nada, a não ser guardar esses nomes.

— Então, seria uma má hora para um convite? — sorrio.

— Não, pode fazer — sorri e ouço o som da sua risada ao telefone. Tão rouca, tão ativa.

— Ótimo. Se você estiver livre agora, pensei em irmos almoçar. O que acha?

— Acho que estou com fome.

— Isso é um sim? — puxo a folha impressa e coloco na minha bolsa, fechando o notebook e pegando minha bolsa para sair da empresa.

— Na verdade — dou uma leve pausa — Isso foi um " Por que não almoçamos na minha casa?" — chego no saguão da empresa e peço para o porteiro chamar um carro pra mim.

— Acho que sua ideia é melhor que a minha — ele ri — Então.. daqui a 30 minutos?

— Sim, estou indo para casa agora também. Espera, vai passar e comprar algo ou vai cozinhar para mim? — entro no táxi.

— Mais ou menos. Os dois, na verdade.

— Tudo bem — sorrio — Eu encontro você lá. — nos despedimos e eu desligo. Em 10 minutos estou no meu apartamento com Fred tão ansioso quanto eu, só queria pular como ele. Tomo um banho correndo e espero pela chegada do Dante, e com uma pontualidade inglesa, 30 minutos depois ouço o interfone tocar.

— Oi! Entra. — digo e é automático como meu sorriso abre quando o vejo. Está lindo hoje com esse jeans e essa camisa vermelha de mangas longas, combinando com sua pele. Fred não late pra ele, apenas pula em suas pernas. Esse cachorro sabe o que está fazendo.

— Oi! — sinto ele dá uma rápida checada em mim com um sorriso largo nos lábios. Passa por mim com sacolas nas mãos e eu o indico a cozinha.

— Quanta coisa! — me assusto quando ele se vira e me abraça, me pegando desprevenida. — Isso tudo para o nosso almoço?

— Não é tanta coisa assim, eu só separei em sacos diferentes. — ele diz e para para me olhar, estamos no meio da cozinha e ele dá um passo para frente. Sorrio e permito que me beije, um beijo leve mas que mexe muito comigo. Ele passa a mão em minha bochecha, em um gesto carinhoso e nos afastamos — Bom, acho que vou começar, pelo o que eu me lembre, tem uma mulher linda e loira que disse que está com fome! — eu sorrio e chamo Fred para o quarto comigo, pego meu celular e volto para a cozinha com ele atrás de mim. Chego e Dante está cortando tomate, me aproximo.

— Precisa de ajuda? — ponho a mão no seu ombro e ele se vira me dando um selinho.

— Não, é rápido. Você hoje vai só assistir. — ele me pega pelos braços e me leva até a cadeira da cozinha, me fazendo sentar. Se apoia na mesa e me beija os lábios, tenta se afastar mas eu o puxo de volta colocando minhas mãos em sua nuca. Suas mãos vão para a minha cintura e eu levanto da cadeira, colando o meu corpo ao dele e me afastando da cadeira, ele me empurra contra a mesa e uma de suas mãos sobe para a minha nuca, estava tudo seguindo seu percurso, até que ele para o beijo com um selinho. — Disse que iria cozinhar pra você e eu vou cozinhar pra você. — sorrio — Não tira meu raciocínio, mulher. — ele me dá um último beijo e se afasta, enquanto eu, volto a sentar na cadeira, observando aquela imagem maravilhosa daquele homem cozinhando pra mim. Depois de uns vinte minutos, Fred se solta do meu colo e senta aos pés de Dante, que sorri com a demonstração de afeto. Até o meu cachorro tá aos pés desse homem?

— Ele não está te atrapalhando? — eu pergunto e ele se vira para mim sorrindo.

— Não, está tudo bem. — mas na verdade não, ele prova que não está quando Fred levanta com tudo fazendo ele se assustar e derramar o molho de tomate no chão. Nesse momento, o cão late assustado e vem para o meu lado, enquanto eu, estou apenas rindo da situação.

— Tudo bem, é? — levanto indo atrás de um pano.

— Desculpa, meu Deus, deixa que eu faço isso! — ele tenta tomar o pano de minha mão e eu deixo. — Mexe só a panela para não grudar, por favor.

— Tá tudo bem. Nem foi culpa sua — comento mexendo na panela e ele se levanta, indo lavar o pano na lavanderia. Rio da sua preocupação e ele se mantém focado na operação de limpar tudo. Quando menos espero, sinto suas mãos rodear minha cintura e beijos delicados em meu pescoço, me fazendo ficar arrepiada. Largo a colher e me viro para ele, que me beija de forma alucinada, em pouco tempo sua mão está em meu cabelo e a outra na cintura, apertando o meu corpo contra o seu me fazendo morder seu lábio inferior. Afastamos nossos rostos e sinto seu olhar sobre a minha boca, um olhar escuro e determinado. Sorrio de lado imaginando seus pensamentos e o agarro de volta.

Notas finais
Obrigada!!!