Entre duas paixões (Pausado)
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Quando saí da sala cheia de mim, não imaginei que seria difícil a saída disso aqui, só consigo ver corredores brancos e bem iluminados, o que não é estranho considerando que estou em um hospital. Viro á direita e consigo encontrar algo que parece a recepção, eu não deveria estar na emergência?!
— Mulher! Finalmente você apareceu, ninguém sabia me informar sobre você! — Jorge praticamente grita ao me abraçar e fazer uma cara feia para a recepcionista, que o ignora.
— Tudo bem, não foi nada de mais.
— Como assim "nada de mais", Maya? Seu carro está com uma batida feia e você veio parar em um hospital! Se o seu carro tivesse com um pouco mais de velocidade, eu nem sei o que poderia ter acontecido! — ele desata a falar e eu o abraço forte na tentativa de fazê-lo calar a boca.
— Eu sei Jorge, eu sei. Foi um descuido meu, nada que irá se repetir. — ele me solta e me encara.
— Com certeza não! Já descasquei em cima do Ramírez aqui, é isso que dá te encher de trabalho desse jeito. Que tal tirar umas férias? — ele me pergunta com brilho nos olhos e eu só consigo sentir pena do tio.
— Que férias doido?! Olha, isso foi apenas porque eu não dormi direito ontem a noite. Estava...ocupada — o puxo em direção a saída e ele me acompanha.
— Ocupada é? Aposto um milhão meu que você estava lendo mais um daquele seus romances antigos — ele faz cara de nojo e eu rio.
— Você é insuportável! Cada um com seu gosto, okay? — ele me abraça e seguimos em direção a grande porta, mas uma voz me faz parar.
— Senhorita? — me viro e o médico gato está parado no meio da recepção. Meu amigo se vira junto comigo mas não entende o que se passa, apenas nos observa.
— Sim?
— Não esqueceu de nada? — ele me pergunta caminhando até mim e me entregando minha bolsa, e eu achando que ele estava falando de um beijo ou algo do tipo.
— Ah, sim. Obrigada — ele me estende a bolsa e eu demoro uns segundos para pegá-la. Só nesse momento, ele parece notar meu amigo e estende a mão para o mesmo.
— Você deve ser o acompanhante da senhorita Nóbrega, certo? Sou o médico que a atendeu, por sorte nada de grave aconteceu — meu amigo aperta sua mão e confirma com a cabeça.
— Sim, eu a mataria se acontecesse — o médico dá um sorriso de compreensão e eu não estou acreditando que isso está acontecendo de novo. Então o moreno é gay? Reviro meus olhos. — Ela largou a bolsa no seu consultório?
— Sim, acho que a Stª Nóbrega estava com pressa para ir — ele finalmente me olha e parece estar me investigando por dentro. Dou de ombros e tento disfarçar.
— Milagre, ela nunca esquece nada. — meu amigo diz e se aproxima do médico — Nada mesmo! — Jorge sorri olhando para o médico enquanto ele me olha com uma sobrancelha arqueada.
— Não esquece de nada? Que estranho, ela... — interrompo o moreno maravilhoso.
— Acontece não é? Temos que ir agora, estou cansada. Vamos Jorge? — viro para meu amigo que assente — Obrigada por trazer e minha bolsa e por... tudo — aceno para o médico que apenas assente discretamente com a cabeça. Puxo meu amigo para fora do hospital e vamos em silêncio até o carro.
— Que gato! — eu sorrio confirmando — Mas eu senti uma coisa estranha na hora que ele falou de você. O que aconteceu naquela sala? — ele pergunta me olhando de canto de olho e eu me remexo no banco, sem saber o que explicar.
— Ele é estranho, todo desconfiado. Muito audacioso pro meu gosto. — fecho a cara e ele entende que não quero falar sobre o assunto — O que houve com meu carro?
— Mandei para o conserto né, linda? Vai ter que pegar táxi esses dias, o poste deveria se envergonhar de bater em uma Nóbrega. — ele comenta e eu sorrio com seu comentário ridículo. Chegamos e ele me deixa na porta do prédio depois de muitas perguntas sobre minha saúde. Subo e entro no meu solitário apartamento, eu poderia ter um cachorro assim nesses momentos, não me sentiria tão só. Decido entrar no banho para dormir e deixo esse pensamento para amanhã.
Acordo no meio da noite e quase choro querendo voltar para o sonho. Levanto para pegar uma água pensando no maravilhoso sonho que tive com o médico, pena que na melhor hora ele foi interrompido. Paro para me olhar no grande espelho da sala e noto minhas bochechas rosadas, o suor, meus cabelos desgrenhados e sinto meu tesão em alta. Estou precisando me divertir seriamente! Volto pra cama focada em dormir.
— Droga! — dou um pulo da cama quando noto a hora e corro para o banho. Me arrumo rapidamente e tento comer algo enquanto chamo um carro no aplicativo, não demora muito e e já está a minha espera. Quando chego na empresa, vou logo para a minha sala começar o que tem de ser feito.
— Alice, pode vir até minha sala por favor? — chamo minha secretária para rever a saída de hoje a tarde. Não demora 10 segundos e ela está na minha porta. — Entre. Então, pode me lembrar o que tenho para fazer hoje ?
— Claro — ela abre a agenda de sempre — Hoje de manhã não tem nada marcado, mas me pediu há uma semana atrás para não deixá-la ir embora enquanto não terminasse os relatórios — bufo com a ideia e ela dá um sorriso compreensivo. — Pela tarde, tem um coquetel com o Sr. Paulo Gomes.
— Okay, tudo bem, obrigada. — ela faz menção de sair, mas para no lugar e se vira para mim.
— Posso perguntar uma coisa? — eu assinto.
— O que aconteceu com a senhorita? O curativo.. — ela aponta para a própria sobrancelha e eu lembro.
— Ah, acidente de carro — ela arregala os olhos — Mas não foi nada de mais, só esse pequeno corte — sorrio e ela confirma, indo embora. Começo adiantando o tal dos relatórios e fico horas entre meu notebook e os papeis do financeiro. Só sou despertada quando ouço uma batida na porta. — Entra! — digo sem tirar meus olhos do papel. Alice entra e para em frente a minha mesa. — O que foi?
— O Sr. Paulo ligou. Disse que não vai poder vir hoje e pediu milhões de desculpas. — largo o papel e encosto na cadeira.
— Ele ao menos deu algum motivo?
— Sim. Disse que teria que acompanhar sua esposa em sua cirurgia.
— Hum, entendi. Falou algo de remarcar?
— Disse que uma data da sua preferência. — analiso a ideia, odeio quando desmarcam algo em cima da hora, sou muito ocupada para ficar esperando. Resolvo dar mais uma chance ao homem.
— Próxima semana, quarta á tarde. Se ele não comparecer, delete o nome dele da lista de investimentos, certo? — ela confirma e se afasta. Mordo a tampa da caneta e olho pra vista que sempre fica atrás de mim. Não é nada como a vista do Sr. Grey do livro, mas é uma bela visão. Pelo menos agora tenho a tarde livre, o que é uma ótima ideia já que hoje é sexta. Ligo para Jorge e combino com ele de nos encontrarmos no shopping, a ideia do cachorro ainda não saiu da minha mente. Quando da a hora do almoço, Alice bate na minha porta novamente.
— Stª, poderia sair mais cedo hoje? Queria ir na casa da minha irmã, é o aniversário do meu sobrinho.
— Claro, manda feliz aniversário pra ele — ela sorri e me deixa na sala. Olho para tudo concluído e fico feliz com o meu desempenho. Desço e sigo para o shopping na intenção de encontrar meu amigo. Pode parecer estranho, mas até agora penso no médico, que por sinal, não me disse o nome. Não penso nele como o amor da minha vida ou algo do tipo, mas a beleza dele me atraiu demais para passar despercebido, me arrepio só de pensar em como ele poderia me satisfazer. Chego na praça de alimentação e encontro Jorge comendo.
— Não me esperou? — ele me sorri e dá de ombros.
— Eu estava morrendo de fome, precisava me alimentar e além do mais, você demorou de chegar.
— Ah verdade! — digo me sentando — Deve ser muito complicada essa vida de Bon vivant. — ele me faz uma careta e eu deixo a bolsa em cima da cadeira para ir buscar algo para comer. Demoro 10 minutos escolhendo o que vou comer, como sempre, e resolvo optar pelo chinês mesmo, até porque a fila está bem menor do que os outros lugares. Chega na minha vez e vou recolhendo tudo que quero, mas parece haver alguma confusão na fila, todos estão passando por alguém que estar perdido entre os sushis. Acho graça da ideia e me aproximo do rapaz perdido.
— Dúvida aí? — pergunto e quase largo meu prato no chão quando ele se vira para mim. É o médico! Ele semicerra os olhos numa tentativa de me reconhecer e sorri.
— Olá Stª Nóbrega!
— Oi...
— Dante, meu nome é Dante. — ele me estende a mão e aperto. — E respondendo a sua pergunta, estou sim, poderia me ajudar? Ou esqueceu? — fecho minha cara para ele e passo direto quando sinto sua mão tocar o meu braço, me viro e ele levanta a mão em posição defensiva — Tudo bem, desculpe. — me diz sorrindo e eu assinto.
— Esse daqui é o de salmão — começo a explicar mas ele me corta.
— Pronto, é esse mesmo. — coloca dois no prato e eu continuo meu caminho. Chego no caixa, pago e sigo para a mesa onde Jorge está. Estaco a uns dois metros quando vejo Dante sentado na minha mesa com o Jorge, ando rápido até eles.
— Como você chegou tão rápido? — pergunto a Dante e Jorge me olha de cara feia.
— Perdi alguma coisa? — Jorge olha de um para o outro.
— Nos encontramos na fila, ela me ajudou — Dantes está me olhando e eu quase me arrepio só com seu olhar. — Seu amigo me chamou para sentar aqui, mas se estiver incomodando — ele faz menção de levantar e eu noto que ainda estou em pé. Sento.
— Tudo bem, fica. — digo e os dois sorriem. Me preocupo com a comida enquanto os dois desatam uma conversa animada, não acredito que estou dando chances para o meu amigo seduzir esse homem.
— Sério? Eu também estava pensando em adotar um, algum de raça? — o moreno me pergunta e eu entendo que eles estavam falando sobre a minha ideia do cachorro.
— Não, na verdade. Só pensei que seria bom ter alguém comigo e pensei na companhia de um cachorro. E não tenho preferência de nada não. — digo e ele concorda.
— Foi a minha ideia também. Vida muito solitária?
— Um pouco. Você também?
— Sim. Só tem eu e eu — ele ri e eu o acompanho admirando essa fileira de dentes brancos e perfeitos.
— Não vai ser difícil considerando sua profissão? — ele franze a sobrancelha — Digo, médico costuma ter um tempo apertado não é? — ele parece entender e dá de ombros.
— Acho que o tempo tão apertado quanto o de a dona de uma empresa. — ele pisca e volta a comer. As malditas borboletas no estômago se retorcem e eu quase perco meu apetite. Eu disse, quase. De vez em quando, enquanto comemo sinto o olhar de Dante pesar sobre mim e pelo visto Jorge também percebeu, já que ás vezes solta um sorriso para mim.
— Prontos? Acho que podemos ir para a loja, fica no segundo piso. — o moreno diz e nós levantamos.
— Gente, desculpe. — Jorge começa e eu já imagino o que ele vai fazer, e definitivamente, não sei se quero matá-lo ou dar um presente a ele — Infelizmente eu terei que ir, mas acho que você está em boa companhia não é, Maya? — ele me olha e sinto a pele do meu rosto corar brutalmente — Cuida dela para mim, Dante? — depois desse comentário eu não tenho coragem para sair do lugar.
— Será um prazer. — Dante diz e eu falto gritar. Sou obrigada a dizer que as borboletas que antes estavam no meu estômago, resolveram descer e brincar um pouco abaixo, caramba que calor! — Vamos? — ele toca no meu braço e eu o olho, notando apenas nós dois ali.
— Claro! Tem alguma preferência? — óbvio que não irei deixar transparecer o meu nervosismo e sigo plena.
— Não, acho que não vou escolher. — o olho achando estranho aquela fala e franzindo minha sobrancelhas, ele continua a andar.
— Não vai? — pegamos o elevador com mais três pessoas e elas ficam na nossa frente, nos deixando no fundo. Ele finalmente me olha e se abaixa para aproximar a boca do meu ouvido.
— Prefiro ser escolhido.
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