Notas iniciais
A correria e falta de criatividade fizeram isso com a história, que estava há pouco abandonada! Sinto muito pela falta de consideração! Não desistam da história! Mais um capítulo, boa leitura!

Volto pra casa totalmente frustrada e com o coração apertado, o sumiço de Dante me tirou de órbita, como se já não bastasse os federais em cima de mim, ainda tem isso, e o pior é não saber o que aconteceu. Parecia tudo intacto na casa dele, nem o latido do Trovão eu ouvi e isso significa que ele levou o cão, não importa para onde tenha ido, então ele passou em casa alguma hora e não podia me ligar? Sinto falta dele, falta do cheiro, da voz, do abraço, do que ele me diria agora. Já falei com o amigo, já fui em sua casa, não tenho mais para onde ir agora para tentar saber dele,a não ser que... isso! O hospital, é o emprego dele, alguma satisfação ele deve ter dado! Acelero o carro dando a volta e aperto o volante com toda minha força, a ponto dos nós dos dedos ficarem brancos, não consigo pensar de ele estar no hospital como paciente e não como médico, acidente talvez? Não, nada disso.

No caminho, penso em ligar para Jorge e avisar que não obtive resposta, mas resolvo esperar até ter algo definido. Quando chego no hospital, estaciono em qualquer lugar e entro no local extremamente branco e frio, que por sorte, está vazio.

— Com licença — me aproximo do balcão e me dirijo a recepcionista, que tem o olhar um tanto abatido — Queria uma informação.

— Como posso ajudá-la senhora?

— O doutor Dante Oliveira Coutinho ainda se encontra no hospital? — ela franze a testa e parece não saber o que dizer — Um alto..

— Tudo bem, eu.. vou verificar no sistema, certo? — assinto e espero quando meu celular começa a tocar, sem ver quem é, eu desligo e o jogo novamente dentro da bolsa. Mas insistentemente, ele volta a tocar e vejo um número privado, Dante? Me afasto um pouco do balcão.

— Dante?

— Não, é o Fernando, da polícia federal. — suspiro desapontada — Preciso que nos encontre em algum lugar.

— Olha, agora não vai dar, estou... — sou bruscamente interrompida.

— Agora, pode ser no café em frente ao posto de gasolina, o que acha? 20 minutos? — olho para a moça da recepção sem saber o que dizer, já que ela está entretida no computador e de qualquer forma, não acho que vá poder dizer não aos policiais.

— Certo. 20 minutos, mas... — eles não esperam nem eu concluir e já desligam, me deixando sem opção de voltar atrás. Me aproximo do balcão — Escuta — a moça tira os olhos do computador e passa a me olhar — Mais tarde eu volto, tá bom? Tenho que ir por um...compromisso — me afasto e rapidamente saio do hospital, deixando a recepcionista com aparência confusa. Não demora muito e chego no tal café para encontrar os federais, eles estão conversando sentados na mesa do lado de fora do recinto e vestem roupas comuns, jeans e camisa polo.

— Finalmente! Sente — se — Carlos me dirige a palavra e eu o obedeço. Fernando apenas acena com a cabeça e eu repito o gesto.

— Então... Me disseram que era urgente, descobriram alguma coisa?

— Na verdade, precisamos de sua ajuda, nos coloque de forma discreta em contato pessoalmente com Ramírez — Carlos dá um enfoque na palavra "discreta".

— Já entendi, mas vocês não podem fazer isso? — Fernando arqueia a sobrancelha — Digo, não tiveram problemas para me contatar na empresa, não podem fazer o mesmo com ele? Precisam da minha ajuda pra isso?

— A senhorita tem muitas opiniões — Fernando comenta e eu o ignoro, mas Carlos resolve ser mais...compreensivo.

— Escute...Maya, estamos buscando o mesmo que você, a resolução desse problema da sua empresa, então apenas nos ajude, tudo bem? — eu me aproximo dele.

— Sabe que usar meu primeiro nome não nos faz íntimos, não é? Até porque, isso não assegura nada, muito menos confiança, vai que vocês simplesmente me deixam na mão? — desabafo e eles me olham com descrença. Bufo — Ah, tudo bem, eu não estou muito legal hoje, mas posso fazer isso, só não sei como. Posso levá-los até a casa dele e podemos ir agora — levanto da cadeira, puxando minha bolsa junto, mas Fernando me segura o braço, me fazendo sentar de volta.

— Senta aí garota! — Fernando sussurra — Não é apenas indo na casa dele, se fosse isso já estaríamos lá, não acha?

— Olha só — Carlos o interrompe — Invente um encontro, uma social e o convide, nós estaremos lá. Pode ser ?

— Tudo bem, então não é uma social de verdade, é apenas pra juntar vocês? — ele assente — Posso fazer isso. Quando? — pergunto.

— O mais rápido possível. — assinto e ele me entrega um pedaço de papel com um número de celular — Ligue para esse número quando tiver tudo pronto. Até mais — se levantam sem dizer mais nenhuma palavra e vão embora. Não sei se eu deveria ficar mal por não contar nada ao Ramírez, mas não estou afim de me preocupar com mais uma coisa, todos ao meu redor andam estranho, inclusive ele. Levanto da mesa e vou pra rua, na esperança de ir pra casa, pelo menos o Fred ainda parece se importar comigo.

Abro a porta de casa e ele como sempre, pula em mim com toda sua alegria em me ver. Olho ao redor e a casa está uma bagunça, mas algo me chama mais atenção, fecho a porta e caminho para a entrada do corredor, o tênis que eu mais gostava todo estraçalhado por dentinhos ferozes e malvados. Viro para brigar com o Fred e ele está com a cabeça baixa, droga de cãozinho mais fofo!

— Você foi malvado! Como conseguiu achar esse tênis? — pergunto para o cão que não esboça nenhum movimento — Fred, isso está certo? — ainda estátua. Desisto e decido sentar no chão, ele entende o recado e senta praticamente no meu colo. — Eu te amo bichinho, só não faz mais isso, tá bom? — o abraço e ele lambe meu braço. Não sei o que me deu, mas tudo o que está acontecendo, e o Fred nesse amor incondicional mesmo sem saber se mereço, me fez chorar, chorar muito, por tudo o que está acontecendo e ainda pelo Dante ter sumido. Saio do meu transe quando ouço meu celular tocar na bolsa.

— Oi, Alô!

— Gatinha? Que voz é essa? Está chorando? — ouço a voz de Jorge do outro lado da linha.

— O que? Não..não, eu estava arrumando algumas coisas e comecei a espirrar. Mas conta ai, o que foi?

— Sei... Você que tem que me contar né! Eai, cadê o Dante? — passo a mão pelo rosto e levanto, indo para o quarto.

— Não sei, ele não estava em casa e parece não ter aparecido por lá. Até no hospital eu fui, mas na hora tive...um contratempo, fui embora. — me preparo para tomar banho enquanto falo com meu amigo.

— Que estranho, ninguém some assim do nada!

— Eu também acho, ou achava... não sei. — conversamos assuntos breves e após 15 minutos desligamos e eu fui para o banho. Ainda tenho que ligar para o Ramírez e anunciar a tal social aqui em casa, não sei como vou convencer ele a vir comigo para casa e fingir que é apenas uma social, ele vai saber que não é, considerando que nunca o convidei para esse tipo de coisa.

Notas finais
Muitíssimo Obrigada!