Notas iniciais
Desculpem a demora!!!!!! Tive uns problemas, mas voltei! Boa leitura!!

Ainda estou pensando no que Dante me disse, é mesmo errado ficar me lamentando por meu pai ter me escolhido, afinal quais pais não fariam isso? Admiro a história deles, passaram por algumas dificuldades mas mesmo assim não se abateram e no final, deu tudo certo, ou quase isso, considerando o final trágico de mamãe e como isso abalou a todos nós. Era a bonita a forma que ele falava dela, as lembranças que guardava e todo o amor transmitido pela sua fala, ele sempre foi assim, comigo era um amor em pessoa e totalmente compreensível, mas na empresa se mostrava uma fera, voraz, sagaz, perspicaz e foi toda essa sua força que fez os negócios deslancharem e a Nóbrega ser a empresa que é hoje.

Isso torna as coisa muito mais difíceis pra mim, tudo que ele construiu pode ser posto á baixo por um deslize meu. Desde que assumi, a minha obrigação era analisar toda a situação da empresa mas deixei coisas passarem por debaixo do meu nariz. Não sei de fato o que está havendo, se a empresa tem algo a ver com aquele homem ou ele também nos enganou, mas não é só isso que me preocupa. Ramírez que era a pessoa pra estar mais preocupada, não quer se envolver nisso, além de ter ouvido conversas estranhas dele. Ainda não falei com Jorge sobre isso, preciso da opinião do meu amigo e decidir o que eu faço, Dante me aconselhou a informar a polícia responsável pelo caso mas meu medo é o escândalo que a mídia vai aproveitar. Depois da conversa de ontem, nós dormimos na casa dele mesmo e a noite foi ótima, dormir em seus braços e sentir seu cheiro é uma das melhores sensações, adormeci com tanta facilidade que até me surpreendi. Pena que o que é bom dura pouco e Dante teve que ir ás pressas para o hospital e não eram nem 6h ainda, ele ainda me pediu para esperá-lo mas não dava, queria me encontrar com Jorge antes do almoço.

— O que foi gatinha? Que cara é essa? — meu amigo me pergunta quando conseguimos uma mesa numa cafeteria perto do meu apartamento.

— Melhor pedirmos antes, o que acha? — tento ganhar tempo enquanto finjo escolher entre as opções do cardápio. Não é algo fácil de se contar e já falei tantas vezes que a ideia de retomar o assunto começa a me enjoar, é um tema bastante desconfortável e talvez, perigoso.

— Muita dúvida aí? — ele pergunta e eu abaixo o cardápio com um sorriso amarelo, encontrando-o com a sobrancelha arqueada. Só então, noto o garçom parado nos esperando para anotar o pedido.

— Vou querer um capuccino, obrigada. — ele anota e sai.

— Sério?! Tanta demora para escolher o de sempre? — dou de ombros e desbloqueio a tela do celular na tentativa de ter tempo para pensar em como dar início ao assunto — O que quer dizer? No telefone, parecia preocupada com algo e agora você ainda está estranha. — confirmo e ele se mexe na cadeira.

— Então, estávamos eu e o Dante lá em casa um dia desses e... — sou interrompida bruscamente.

— Sabia! Problemas com o namorado? O que o Dante fez? Pode contar, vou acabar com ele! Conheci um pessoal bom nessas coisas na última viagem que eu fiz, você vai ver! — ele desata a falar e parece mesmo irritado.

— Ei, não! Não é nada disso — torço meus dedos na intenção de relaxar e ele nota, segurando-os. Sorrio para ele.

— Tem certeza que não é o Dante? — assinto — Ótimo, gosto dele, colocar ele para conhecer meus novos amigos seria péssimo!

— Para de falar nesses amigos, me arrepio só em pensar em com que tipo de gente você está andando! — ralho com ele que me sorri — Mas é sério o que eu tenho pra falar..

— Jorge! — ouvimos uma voz masculina chamá-lo e nos viramos em um susto conjunto. David está de pé em frente a nossa mesa sorrindo com uma alegria que me parece bem honesta, meu amigo ainda não disse nada, apenas o olha surpreso e com um quase sorriso. Eu o chuto por debaixo da mesa e ele parece acordar, me olha e se volta para o loiro.

— Oi! — ele ainda parece embasbacado mas se levanta — Oi! — repete e agora são os dois com essas caras.

— Sério? Não rola um abraço, só "oi"? — eu comento chocada com a forma de se expressar daqueles dois. Entendo que eles tiveram uma fofa e conturbada história de amor e que foram obrigados a se afastarem bruscamente, mas vê-los assim tão perto e sem se tocar parece tão errado. David é o primeiro a reagir e dá um passo para frente, puxando meu amigo para um abraço forte, enquanto eu, assisto isso e espero pelo meu capuccino.

— Senta com a gente! — Jorge pede e David me olha, eu sorrio e puxo a cadeira fazendo menção para ele aceitar. Jorge me olha e sinto um pedido de desculpas, mas pisco pra ele dizendo que está tudo bem. Não é sempre que você encontra o seu primeiro e acho que único amor numa cafeteria do nada.

— Meu Deus Maya! Você cresceu e está linda! — vejo meu amigo fazer uma careta e gargalho.

— Obrigada David! Você também está ótimo! Me conta, você aqui? — apoio meu queixo na mão que está em cima da mesa e espero ele responder, mas ele está tão nervoso com Jorge ali que vira o rosto e sorri pra ele.

— É... depois de tanto tempo você de volta.. — meu amigo reinicia.

— É, eu voltei! — essa conversa não vai muito longe. O garçom se aproxima trazendo meu pedido e agradeço para o mesmo.

— Férias? — indago tomando um gole.

— Não. — olha pra Jorge — Vim pra ficar mesmo, eu espero. — sorrio com sua resposta. Pelo visto ele finalmente saiu das saias da mãe , que nunca assumiu sua orientação sexual e o tratava como um boneco, levando-o para todos os lugares. Era e ainda é revoltante esse tipo de atitude, e foi por esse motivo que ela o levou para longe quando descobriu do romance dele e de Jorge. Tomo meu capuccino enquanto assisto o entrosamento dos dois e como eles ainda mantém o brilho no olhar e a empolgação ao se reencontrarem, estou viajando em meus pensamentos quando Jorge me toca a mão.

— Acordei — digo quando o olho.

— Em que mundo estava? — David me pergunta — Não me diga que alguém conquistou o coraçãozinho de Maya! — sorrio.

— Ah, tenho é coisa pra te contar sobre isso! E valeu a pena viu! — Jorge se intromete e eles riem enquanto eu, faço careta.

— Parem com isso — sinto minhas bochechas arderem e sei que devo estar muito vermelha — O que foi?

— Então, o David estava morando no Nordeste não era? — o olho um tanto confusa — Nossa, você não estava prestando atenção mesmo, hein? Mas enfim, ele estava lá esse tempo todo, naquele lugar tão...quente, mas isso não vem ao caso, agora que voltou pra cá descobriu uma casa de show que homenageia a cultura de lá, e está nos chamando para ir. Vamos? — ele diz e eu sei que mesmo que eu não fosse ele iria sem reclamar. — Leva o Dante, bom que David já conhece ele!

— Não sei. Vou ver se ele vai poder ir.

— E você? — David pergunta.

— Não sei se estou muito no clima de festa — digo e Jorge segura minha mão.

— Seja o que for que esteja passando ou sentindo, uma festa sempre cai bem pra animar e até nos encorajar a certas coisas, você vai se sentir novinha em folha — ele dá um leve aperto e sorrio, ele sabe que estou com coisas na cabeça e não esqueceu que precisava falar com ele.

— Ai,tá bom! — ergo a xícara — Rumo a festa! — eles me olham e enrugam a testa ao mesmo tempo, tão parecidos — Ah gente!

— Sabe que isso é uma xícara não é? — David se aproxima mais — E com capuccino — faço careta.

— Vocês são tão sem graça! — me limito a responder e eles continuam a conversa empolgadíssima. Eu resolvo ir embora e no caminho recebo uma mensagem da oficina avisando que meu carro já está pronto, como não iria mesmo pra empresa agora, decido ir lá pra pegar meu bebê de volta. Penso em ligar para Dante no caminho pra casa mas desisto, não quero cometer outro acidente e não tenho mais motivo nenhum para voltar ao hospital.

Tento ligar para ele quando chego em casa mas o celular está desligado e deixo de lado, mais tarde eu aviso a ele que vou com os meninos para a tal festa. Fred como sempre está agitadíssimo, sempre com uma felicidade e animação que eu não sei de onde ele tira mas é contagiante e sem escolha, acabo por sorrir e relaxar sempre que estou com ele. A noite chega e Jorge não para de me enviar mensagens confirmando a minha ida e o local, essa ansiedade dele não condiz em nada com o lugar para onde ele vai. Pelo que conheço do Nordeste é um lugar bem quente e forte, e o meu amigo gosta de lugares frios e sobriedade, mas compreendo totalmente que ele está indo pelo David, seu amor de verdade. Nessa confusão toda esqueci de perguntar sobre o Diego, o cara que ele estava saindo antes. Ouço meu celular tocar e no susto, abro meus olhos permitindo que o sabão caia neles e eu grito. Merda!

— Ah não! — tento lavar mais rápido que posso e além do celular tocando, ouço os latidos de Fred do outro lado — Calma cãozinho, eu não morri! — respiro aliviada e o celular para de tocar, depois eu retorno para seja lá quem tenha ligado. Termino meu banho e saio encontrando um Fred deitado na porta, faço-lhe um carinho na barriga e levanto em busca do meu celular, quando encontro vejo uma ligação perdida de Dante e retorno.

— Oi meu bem! — ele atende no primeiro toque.

— Oi! Não pude atender, estava no banho — vou falando com ele e vestindo minhas roupas — Dia muito cheio?

— Um pouco. E o seu?

— Foi tranquilo.

— Ótimo, quem vai á festa? — ele pergunta fazendo menção a festa que mencionei na mensagem que havia deixado no seu celular.

— Jorge, David e acho que mais uns amigos de Jorge — deito na cama.

— Só posso chegar um pouco mais tarde, tudo bem?

— Tudo bem, nos encontramos lá então? Vou te mandar o endereço por mensagem.

— Tudo bem — ouço um barulho do outro lado da linha — Vou precisar desligar, beijos amor.

— Beijos. — levanto e vou terminar de me arrumar. Ponho uma espadrilha e um vestido mais rodado e deixo meus cabelos soltos, Fred caminha junto comigo a cada passo que dou mas volta para a cama quando saio de casa. Lembro de mandar o endereço para Dante, mas escolho fazer isso no carro, é melhor. Chegando lá, encontro Jorge e David conversando mas posso ver a cara de Jorge um tanto desconfortável e rio com vontade daquela situação.

— Finalmente! — ele me abraça e sussurra no meu ouvido.

— Amiga, aqui só toca forró aqui? — rio com sua pergunta.

— Criatura, é uma homenagem ao Nordeste e você queria que tocasse o que? Ópera? — falo baixo e vou cumprimentar David, que me apresenta uns amigos, Karine e Gabriel. Não demora muito e um rapaz me chama para dançar, fico um pouco receosa de aceitar mas David me diz que não significa que o cara queira algo comigo, então aceito.

Notas finais
Obrigada por continuarem!!!