Notas iniciais
Mais um!!!! Boa leitura!! Desculpem pela demora.

Estamos nos olhando enquanto aprecio a torta e o meu tio toma café, digamos que a situação meio constrangedora, eu não sei como começar e nem ele.

— Viu o nome no noticiário? — ele assente e eu continuo — Já viu aquele nome em algum lugar?

— Provavelmente no mesmo lugar que você — ele responde me olhando nos olhos — Será que não nos confundimos? Não faz muito sentido, faz?

— Eu realmente espero que não, mas só há um jeito de saber se estamos certos ou errados — pontuo colocando o pratinho, agora vazio, em cima da mesinha de centro. Ele me olha com a testa franzida — Com a lista.

— Ah, claro! Mas a lista está apenas no notebook e está na empresa.

— Mandamos alguém trazer. A Ana não está lá hoje? — ele assente — O caminho dela pra casa, passa por aqui não é? — ele parece entender meu raciocínio e balança a cabeça em concordância, pegando o celular e discando pra ela. Demora apenas uns 4 minutos a ligação que ele faz pra ela e logo teremos a resposta — E se estiver? Se for mesmo o nome?

— É melhor pensarmos nisso quando confirmarmos, agora não passa de achismos. Se for mesmo.. — ele balança a cabeça em negativa e passa a mão pelo queixo.

— Estou com medo — ele me olha — Esse tipo de coisa é assustadora!

— Ei — ele segura minha mão — Nada vai acontecer, calma! Isso não deve passar de um mal-entendido — ele tenta conversar amenidades comigo apenas para passar o tempo enquanto nos comemos por dentro ansiosos para pegar naquele notebook e confirmar o nome. Demora uns 20 minutos e a campanhia toca, meu tio levanta apressado e vai até a porta, eles se cumprimentam e Ana entrega o aparelho a ele.

— Vamos com isso — ele me entrega o notebook e eu abro, indo direto no lugar da pasta — Que porra é essa?! — falo sem pensar e me recrimino logo depois, é estranho xingar na frente dele.

— O que foi? É ele mesmo? — ele vem para o meu lado e passa o olhar da tela para mim — Abre a pasta.

— Está aberta.

— Como assim? Cadê os nomes?! — ele continua a perguntar e eu me concentro apenas em tentar achar a pasta com a lista, vasculho todo o notebook e nada.

— Não está aqui! Alguém apagou! — levanto em um rompante e passo a andar de um lado para o outro — Quem apagou isso daí? Não é possível que isso tenha sumido do nada!

— Calma Rapunzel! Senta aqui — ele tenta pegar na minha mão para me fazer sentar e eu a puxo de volta.

— Não quero sentar Ramírez! Quero saber quem apagou isso do notebook presidencial da empresa, pode apostar que o filho da mãe vai ser despedido por justa causa e eu vou garantir que nunca consigo trabalho em lugar algum!

— Chega! — me assusto com seu grito e paro — Você precisa ficar calma! Eu sei que não está aqui, mas talvez, isto tenha sido bom — ele diz e eu me espanto com suas palavras — Querida, sente-se aqui — eu aceito para tentar entender essa teoria — Olha, é melhor que isso tenha sumido, assim não ficamos envolvidos com nada, nem nós e nem a empresa. Até porque, não sabemos se realmente tinha algo na lista que ligasse a empresa a algo...

— Ai meu Deus, acha que a empresa está ligada a isso? Merda! Descobriríamos com a lista, mas não, ela teve que evaporar!

— Foi melhor assim, Rapunzel. Deixa isso pra lá, então, soube que conheceu um rapaz.. — ele me olha com olhos brilhantes e está claramente tentando esconder o nervosismo, ainda estou de pé.

— O que? Isso não é importante agora — ele desfaz o sorriso — Ramírez, por que está tão contente com o desaparecimento da lista? — pergunto um pouco mais baixo e ele arregala os olhos.

— Não estou feliz! — sua voz aumenta de tom — Apenas aprendi que é melhor ficar fora de escândalos e afins.

— Sim, isso seria possível se a lista não estivesse na empresa! Já estamos envolvidos, não acha? E esquecer que o problema está lá, não altera em nada! E se esse tal cara souber de algo que nós não sabemos? Como vamos nos defender? E quem são as outras pessoas? Os outros nomes??? Me admira muito o seu descaso quanto a isso, meu pai estaria chocado com sua atitude.

— Não se atreva a falar pelo seu pai Maya! Ele concordaria comigo, sempre se manteve longe de holofotes justamente para não se envolver com nada que não lhe fosse de interesse empresarial — ele suspira e passa as mãos pelos cabelos, dá uma volta na sala e se volta para mim — Olha Maya, entendo que queira saber, entendo sua curiosidade, mas confie em mim, tem coisas que é melhor não sabermos. Tudo bem? — Ramírez está irredutível em sua tentativa de me fazer esquecer a lista e toda essa situação, mas simplesmente não posso, eu necessito saber o que o nome daquele homem estava fazendo naquela lista junto com os outros. Uma pasta nunca vista antes, que por um descuido, foi aberta sem querer quase no momento em que o tal de Oscar Swarosky foi preso por tráfico, não um simples, tráfico de mulheres! Algo que abomino com todas as minhas forças e tenho medo, não só por mim, mas por todas. Ao mesmo tempo, não posso falar para o Ramírez que não vou desistir.

— Tudo bem, deixamos pra lá então — respondo depois de algum tempo em silêncio e ele senta do meu lado, pondo as mãos em cima das minhas.

— Você vai ver que será melhor assim, meu bem. Esse sumiço foi um livramento! — dou de ombros e assinto, me levanto para ir embora — Já vai?

— Sim, tenho um...encontro — ele arqueia a sobrancelha — O tal cara que eu conheci — ele parece compreender e sorri.

— Tudo bem, divirta-se — pego minha bolsa e ele me leva até a porta — Maya.

— Sim? — me viro para olhá-lo.

— Não tente bancar a justiceira — não respondo — Por favor — assinto e caminho para fora de seu jardim com o coração na mão.

— Como eu queria você aqui pai, com certeza saberia o que fazer — sussurro quando passo pelo jardim e chego no portão, abro e é nesse momento que lembro que estou sem carro. Droga! Tento chamar um pelo aplicativo, mas estou sem crédito, que tipo de empresária fica sem crédito no celular? Tenho que lembrar de ativar novamente o plano, mas até lá, eu ligo para alguém.

— Oi gatinha! — Jorge atende no terceiro toque — Tudo bem?

— Mais ou menos, pode me buscar aqui na casa do Ramírez?

— Estou na revisão do carro aqui, vai demorar um pouco — bufo — Por que não pede ao seu namorado? — ele foca na palavra "namorado" e eu gargalho.

— Acho que ele está no hospital agora.

— Eu encontrei com ele há pouco, não acho que esteja trabalhando. Liga e tenta — encontrou?

— Tudo bem, vou ver aqui, beijo. — ele desliga e eu tento discar para Dante.

— OI baby — ele atende no segundo toque.

— Pode me buscar na casa do Ramírez?

— Claro, já chego aí, me espera.

— Não é como se eu tivesse opção — comento e ele ri do outro lado. Desligamos e sento na varanda em frente ao portão, poderia entrar de volta mas não quero começar aquela história com ele novamente, não esto convencida e ele vai tentar isso de qualquer forma. Ainda não entendi a sua preocupação em me deixar de fora dessa confusão, além de não engolir aquela história da lista ter sumido do nada, as únicas pessoas que tinham acesso a ela eram nós dois, apenas, pelo menos, até onde eu saiba. Sou desperta quando ouço o som de um carro, mas não de fora do portão, e sim, de dentro. Tento me esconder entre os arbustos, não estou afim de explicar o motivo de ainda estar ali e consigo ver Ramírez saindo com o carro, ele parece estressado falando no telefone no viva-voz do carro, não consigo ouvir o que é com os vidros fechados. O carro dele vai embora e eu saio de trás dos arbustos no momento em que o carro de Dante para na porta.

— Finalmente! Vamos. — falo depois de lhe dar um beijo.

— Houve algo? — ele pergunta ao notar minha expressão.

— Mais ou menos.

— Você saiu daquele jeito do apartamento e agora está aqui assim. Quer conversar sobre? — ele me olha de soslaio e eu confirmo.

— Você não trabalha hoje?

— Não, estou livre — ele para o carro em um sinal vermelho e me olha, acaricia minha perna — Para onde?

— Não quero ir pra minha casa.

— Então, pra minha? — assinto e o sinal abre. Ele para o carro em uma rua com casas grandes, mas é um lugar um tanto afastado, gosto das árvores e do clima familiar que isso aqui apresenta. A sua casa tem um portão grande de madeira e tem dois andares, é clara e tem muito verde. Passo tocando nas flores.

— É uma linda e enorme casa. É sua mesmo? — ele toca minha cintura me guiando.

— Não roubei — ele ri e eu o acompanho — É, quando me mudei pensei em comprar uma casa grande assim, é solitário agora, mas espero não ser assim por tanto tempo. — me faço de desentendida com esse comentário enquanto ele ri de lado, um tanto fofo, confesso. Apesar dos problemas, não deixo de ficar nervosa com sua fala, não freio meu pensamento de imaginar como seria morar aqui com ele.

Notas finais
Muitíssimo obrigada!!