Entre dias Sombrios
2 Entre Mortos e Vivos
Notas iniciais
A manhã seguinte chegou silenciosa, mas não menos tensa. Ino e eu estávamos na sala da residência, que havia sido nossa base até então. Sobre a mesa de centro, à nossa frente, estava aberto o guia telefônico, no qual constavam os endereços das principais lojas de conveniência que um dia deram vida à cidade.
Segundo o guia, a pouco mais de duas quadras de onde estávamos, havia um posto de combustíveis com uma pequena loja de conveniência.
Era o ponto ideal para verificarmos se ainda havia gasolina nos tanques, abastecermos o carro e seguirmos viagem por mais alguns dias, até a próxima cidade. Além disso, a loja de conveniência poderia nos oferecer alimentos enlatados, água e outros suprimentos.
O local seria perfeito se não tivéssemos que passar pelo ginásio esportivo da cidade para chegar até lá. Por experiência própria, sabíamos que lugares como aquele costumavam atrair muitas pessoas no início do surto. Todos acreditavam que os ginásios seriam seguros e, por isso, acabavam se reunindo em grande número dentro deles.
O problema era que bastava uma única pessoa começar a se transformar para que o local se tornasse uma armadilha. Uma após outra, as pessoas eram atacadas, infectadas ou mortas, até que o ginásio ficasse completamente tomado por errantes.
— Não sei, testuda. Não temos muitas opções, e esse lugar me parece ideal. Perder tempo procurando outro ponto só vai nos atrasar.
— Eu sei, eu sei. Mas, se o ginásio estiver infestado, não teremos como lutar sozinhas contra uma horda tão grande.
As escolhas sempre pareciam ter um peso maior naquele mundo.
— Ok, porquinha, vamos tentar. Mas, ao primeiro sinal de perigo, caímos fora de lá. E, se por acaso nos separarmos, o acordo continua valendo: esperamos dois dias na base. Se uma de nós não aparecer, a outra continua sozinha. Agora vamos nos preparar.
Munidas de mochilas e sacolas, seguimos rumo ao posto. A cada passo, fazíamos uma prece aos deuses, pedindo que nos acompanhassem mais uma vez.
Escondidas na esquina, atrás de um veículo virado, observávamos ao longe nosso destino e, pior ainda, o caminho que devíamos percorrer até chegar lá. As ruas laterais pareciam livres de errantes. Ainda assim, algo me dizia que aquele lugar não era seguro.
— Está calmo demais.
— Você já disse isso — respondeu Ino, sem tirar os olhos do posto.
— Vamos logo, antes que eu mude de ideia.
Juntas, esgueiramo-nos até a primeira janela do centro esportivo. As janelas sujas não nos davam uma visão clara do que se movia lá dentro, mas os sons que escapavam pela fresta quebrada indicavam que algum problema morava lá dentro; só não sabíamos ao certo qual era o seu tamanho.
Agachadas o máximo que podíamos, atravessamos escondidas entre carros virados, tentando ao máximo não fazer barulho.
Dentro da loja, as prateleiras estavam reviradas, com itens espalhados pelo chão. Teias de aranha e poeira podiam ser vistas em vários pontos do local. As sombras projetadas no chão completavam a imagem de destruição e abandono.
— Você vai pelo lado direito; eu vou pelo esquerdo. A gente se encontra no meio.
— Ok, boa sorte.
O primeiro corredor parecia ser o de eletrônicos. Pacotes vazios de pilhas e baterias estavam espalhados pelo chão. Tentei encontrar, em meio ao caos, lanternas que ainda pudessem estar funcionando.
Eu me aproximava do fim do corredor quando o ruído de algo caindo ecoou no corredor por onde Ino havia seguido. O barulho me deixou alerta. Imediatamente, avancei entre as prateleiras, temendo o que aquele som poderia significar.
Ao dobrar o último corredor, a visão que tive, no entanto, não era a que eu imaginava. Ino estava ajoelhada, com as mãos na cabeça. Seu facão estava no chão, fora de seu alcance. Dois homens a mantinham sob a mira de pistolas.
A última coisa que vi foi o olhar arregalado de Ino, fixo em mim. Então, senti uma terceira presença atrás de mim e o cano de uma pistola encostado à minha nuca.
— Solte o taco, rosada. Ou a cabeça da sua amiga vai estourar, e essa será a última visão que você terá deste mundo de merda.
Senti novamente aquele frio na espinha. Calmamente, soltei o taco, enquanto mantinha os olhos fixos em Ino.
— Ótimo, Hidan. Já conseguimos o que queríamos. Podemos, por favor, sair daqui agora? Esse lugar me dá arrepios — disse o loiro atrás de Ino.
— Cala a boca, Deidara — respondeu rispidamente o homem atrás de mim. — E aí, rosada, quantas outras como você existem?
Continuei em silêncio. Não era idiota a ponto de revelar nada sobre mim ou Ino.
— Vamos, rosada. Colabore, ou as coisas podem ficar feias.
Fitei-o por cima do ombro.
— Acho que vivemos em mundos diferentes. Se não percebeu, as coisas já estão bem feias.
Minha resposta não passou impune. Quando percebi, estava no chão, com sangue escorrendo da têmpora. A dor da coronhada latejava na minha cabeça.
— Está doido, Hidan! Quer chamar a atenção dos errantes para cá? Vamos logo embora, antes que as coisas piorem.
Senti que um dos homens me erguia do chão. Em seguida, amarraram minhas mãos com uma corda e me empurraram, fazendo-me tropeçar alguns passos para fora da loja de conveniência. Ino era empurrada à minha frente.
Seguimos até uma van estacionada em frente ao posto. Próximo à porta traseira, havia mais um homem vigiando o que parecia ser uma garota. Seus pulsos estavam amarrados, e alguns arranhões e marcas arroxeadas demonstravam que ela não estava ali por vontade própria.
Fomos colocadas lado a lado: fiquei à esquerda de Ino, que estava no meio, enquanto a garota, ainda desconhecida, estava à sua direita.
— Ino, precisamos sair daqui. Você está com aquele canivete de emergência? — sussurrei para ela, sem chamar a atenção dos nossos sequestradores.
— Estou tentando alcançá-lo. Me dá um minuto.
Vi seus braços se contorcerem, tentando alcançar a bota direita.
À direita de Ino, a garota continuava quieta, com a cabeça baixa. A cena me comoveu.
— Você está bem? — sussurrei para ela.
Ela demorou alguns segundos para responder. Seus olhos se desviaram na direção dos homens antes de voltarem para mim.
Seu aceno de cabeça não me convenceu de que estava bem.
— Meu nome é Sakura, e essa é Ino. Qual é o seu nome?
— Hinata — murmurou em resposta.
— Olha, Hinata, não sei o que aconteceu com você nem como veio parar aqui, mas, se nos ajudarmos, podemos escapar desses caras. O que me diz?
— Ok, o que posso fazer?
Ao contrário de nós, Hinata estava com os braços amarrados à frente do corpo, o que tornava mais fácil alcançar o que poderia ser o início da nossa liberdade.
Ino pareceu perceber para onde minha mente estava tentando nos levar e se voltou para Hinata.
— Consegue alcançar a lateral da minha bota? Logo acima, você vai sentir o canivete preso.
Hinata olhou rapidamente para os pés de Ino e depois para os sequestradores.
— Acho que consigo. Estique um pouco o pé para o meu lado.
Enquanto as meninas trabalhavam para alcançar o objeto, mantive meus olhos voltados para os quatro homens à nossa frente. Estava atenta a qualquer sinal de movimento deles.
— Consegui! — A exclamação saiu mais alta do que deveria.
Por um breve instante, prendemos a respiração, com medo de chamar mais a atenção.
— Desculpe — murmurou Hinata, com o rosto corado de vergonha.
Depois de cortar a corda que a prendia, Hinata passou o canivete para Ino, que fez o mesmo. Eu fui a última a me soltar.
A primeira etapa estava concluída. Agora, precisávamos pensar em como sair dali sem chamar tanta atenção, embora isso parecesse impossível naquele momento.
A van atrás de nós aparentava não estar em tão boas condições, mas as portas laterais ainda estavam presentes, apesar de a lataria mostrar sinais claros de ferrugem.
Mais à frente, era possível ver o centro esportivo sobre o qual havíamos passado mais cedo. Eu me perguntava quantos errantes estariam infestando aquele lugar.
Um plano se formava em minha mente.
— Hinata, sabe me dizer se a buzina da van ainda está funcionando?
Seu olhar voltou-se para mim.
— Não sei dizer, Sakura. Mas por que a pergunta?
— Estou pensando em como podemos nos livrar desses brutamontes. A poucos metros daqui, há um centro esportivo. Se conseguirmos atrair os errantes daquele lugar para cá, podemos usar o momento de distração para correr até o prédio que fica logo depois da esquina. Quando chegamos no posto, consegui ver a escada do lado de fora. Podemos subir e entrar pela janela dos apartamentos.
— Mas, Sakura, não sabemos o quanto aquele lugar está infestado. E se o que sair de lá for mais do que apenas um errante? E se a buzina não funcionar? E se não chegarmos a tempo à escada? — Ino trouxe à tona todos os questionamentos que passavam pela minha cabeça.
— Acho que posso ajudar nisso. Sei que a bateria da van ainda tem carga. Se eu conseguir fechar o circuito da buzina, ela vai disparar.
— Você consegue fazer isso?
— Se conseguir chegar até o painel interno, sim!
— Acha que essas portas seguram até você completar a ligação? — perguntei, analisando a lataria do veículo.
— Não custa tentar. Acredito que pior do que estamos agora não dá para ficar.
Sua confiança em mim me trouxe algum alívio.
— Ok, meninas! Mas temos outro problema: como vamos entrar lá sem sermos impedidas pelos homens da van?
— Vou providenciar isso. Deixe comigo.
Como se tivesse sido chamado, Hidan se virou para nós. Seus olhos percorreram meticulosamente cada uma de nós, como se sentisse que algo estava errado.
Mantivemos as mesmas posições de antes, mas continuei olhando para ele, como se o desafiasse.
— Perdeu alguma coisa, rosada?
— Só estava tentando descobrir qual dos quatro é o mais pau mandado do grupo. Modéstia à parte, acredito que seja você.
— Repete, sua putinha! — Ele se aproximou, claramente irritado.
Ótimo. Eu havia conseguido chamar sua atenção. Agora, só precisava fazer com que nos colocassem dentro da van.
— Se a carapuça serve…
Senti minhas costas serem pressionadas contra a lataria do veículo por Hidan.
— Eu, se fosse você, aprenderia a manter a boca fechada. Lá dentro, Deidara pode ter te salvado, mas ele nem sempre estará por perto.
— Hidan, chega. Você está chamando muita atenção. Coloque-as lá dentro e vamos terminar o que começamos; sabe que o chefe não irá esperar para sempre.
Aquilo não fazia parte do meu plano inicial, mas agradeci ao ruivo por ter sido meu “salvador”.
— Está certo, Sasori.
Quando percebi, nós três estávamos dentro da van, com as portas laterais fechadas. Finalmente podíamos parar de fingir que nossas mãos ainda estavam atadas.
— Agora é com você, Hinata!
A morena aproveitou a falta de um dos bancos dianteiros e se posicionou atrás do painel exposto, com o canivete em mãos. Esperava que o plano funcionasse, porque não tinha mais ideias.
Ela discutia algo consigo mesma, enquanto uma expressão tensa aparecia no seu rosto.
— Talvez esse... Mas posso queimar o fusível antes de conseguir... Talvez cortar esse e juntar esses dois...
Uma faísca surgiu entre os cabos. Por um instante, nada aconteceu.
Os homens lá fora pareceram despertar da reunião que acontecia e se viraram diretamente para onde estávamos, percebendo a movimentação.
Deidara chegava próximo à porta lateral, com a arma em punho.
— Humm, Hinata, uma luz, por favor.
Nada.
A porta foi aberta bruscamente. A morena puxou os cabos com força. Uma faísca iluminou o interior da van e, por um instante, achei que o plano havia falhado.
Então, a buzina disparou.
O som agudo e insistente rompeu o silêncio da rua. O ruído pareceu ecoar por todos os cantos da cidade, fazendo os vidros da van vibrarem sob nossas mãos.
Do lado de fora, Deidara recuou, assustado. Hidan se virou rapidamente, tentando entender de onde vinha o barulho. Os outros homens começaram a gritar uns com os outros, enquanto o som continuava a se espalhar pelas ruas.
— O que vocês fizeram? — berrou Hidan.
Não respondi. Meus olhos estavam voltados para o centro esportivo.
Durante alguns segundos, nada aconteceu. O ginásio permaneceu silencioso, com as janelas sujas refletindo apenas a luz fraca do dia.
Então, uma sombra se moveu atrás de uma delas.
Outra surgiu logo depois.
Um estrondo ecoou do interior do prédio, seguido pelo som de algo se chocando contra o vidro. A janela tremeu. Depois, uma mão surgiu pela fresta quebrada, arranhando o ar em busca de alguma coisa.
— Meu Deus… — ouvi Hinata sussurrar.
A porta lateral do ginásio se abriu de repente, e o primeiro errante cambaleou para fora. A cabeça pendia para o lado, e a boca se movia em meio a um gemido baixo. Atrás dele, outras sombras começaram a se amontoar na entrada.
Uma segunda criatura apareceu.
Depois, uma terceira.
Em poucos segundos, já não era possível contar quantos estavam saindo. Os errantes avançavam uns sobre os outros, tropeçando e se empurrando para alcançar a rua. O som da buzina parecia tê-los despertado por completo.
— São muitos! — Ino gritou.
Os homens finalmente perceberam o que estava acontecendo. Alguns levantaram as armas na direção do ginásio, enquanto outros recuaram para longe da van.
— Desliguem essa porcaria! — Hidan ordenou.
— Não consigo! — respondeu Hinata, ainda presa aos cabos.
A horda atravessou a rua, espalhando-se em direção ao posto. O plano havia funcionado, mas os errantes eram muito mais numerosos do que imaginávamos.
Olhei para Ino e Hinata. Não precisávamos dizer nada.
Era hora de correr…
Não virei a cabeça em nenhum momento, mas os sons de tiros sendo disparados podiam ser ouvidos.
Minhas pernas doíam do esforço, mas não podia parar, não agora.
Dobramos a esquina, escorregando nos cascalhos soltos no asfalto. À nossa frente, estava a escada de manutenção, acoplada à lateral do prédio baixo de quatro andares, que seria nossa salvação.
Os sons dos errantes estavam mais próximos, e o fato de termos que subir uma a uma ainda me soava como um alerta.
Ino foi a primeira a chegar.
Hinata, correndo ao meu lado, aparentava estar mais afetada com o exercício.
— Vamos, Hinata. Só mais um pouco e conseguimos.
Não sabia o que aquela garota tinha passado para chegar até ali, mas meu instinto de proteção me dizia que por ela valia a pena lutar.
Chegando à escada, empurrei-a para cima, ajudando-a com um impulso inicial. Quando ela estava a uma altura considerável, lancei-me para cima.
Achei que estávamos seguras, até sentir minha calça sendo rasgada e mãos puxando minha perna para baixo, fazendo-me quase perder o equilíbrio. Olhei desesperada para o errante que se agarrava a mim. Seus dentes podres, à mostra, esperavam apenas um deslize para cravá-los na amostra de pele visível.
Ao nosso redor, a horda de errantes apenas crescia.
— Sakura!!!
Troquei um breve olhar com Ino, que já tinha alcançado a janela aberta do terceiro andar. Seu olhar de desespero me desestabilizou. Não gostaria que aquela fosse nossa despedida.
Eu me agarrava firmemente aos degraus abaixo de mim, fazendo preces a qualquer deus que pudesse me ouvir.
Quando dei por mim, Ino atirava tábuas e cacos de vidro, que voavam do alto em direção ao errante que me segurava, enquanto Hinata me puxava para cima, dando-me mais apoio. A tentativa de ajuda vinda das meninas reanimou as minhas forças. Utilizando o pé livre, desferi golpes no errante que me agarrava e, na primeira oportunidade de liberdade que tive, voltei a subir.
Estando as três dentro do cômodo, afastadas da janela, pude finalmente respirar.
— Conseguimos… — Minha frase foi cortada por dois braços que me rodeavam. Podia sentir os braços de Ino tremendo ao meu redor.
— Você está bem? Ele conseguiu te morder?
— Não, apenas pequenos arranhões da corrida. Está tudo bem, Ino. Não foi dessa vez que conseguiram nos separar — respondi enquanto retribuía o abraço que me acalmava.
— Nunca mais me assuste assim, Sakura! Eu não saberia o que fazer se te perdesse.
— Você ainda vai ter que me aturar por muito tempo, porquinha — respondi com leve tom de humor.
Hinata, mais afastada, parecia não querer interromper nosso momento, mas ela também havia ajudado. Estendi o braço em sua direção, chamando-a para participar.
Timidamente, ela se aproximou e se encaixou no nosso abraço.
— Juntas, somos mais fortes.
«☆»
Depois de uma noite de sono perturbada, me vi entrando na tenda de comunicação e rastreamento. Atrás de várias telas e cabos Shikamaru Nara, o mestre em investigação de deu pelotão, trabalhava freneticamente atrás de qualquer pista que pudesse nós levar até a garota.
Ao seu lado, meu braço direito Naruto Uzumaki, acompanhava tudo de perto.
— Alguma novidade rapazes? — a resposta veio acompanhada de uma pasta estendida por Naruto.
— Sakura Haruno, 25 anos, médica formada pela universidade de Maryland, cidade onde nasceu e viveu com os pais até eles serem convidados para trabalhar para o governo. Quando o surto do vírus começou ela estava iniciando a residência em neurociência com a doutora Tsunade Senju. A última notícia que tivemos dela foi através das câmeras, que ainda funcionavam, saindo de Cumberland pela WV-28 em um vículo antigo, modelo Ford Corcel.
— Estou fazendo os possíveis trajetos até Idaho, analisando os bloqueios e identificando quais corredores ainda podem ser usados. — Shikamaru não tirava os olhos das telas.
— Nós nos adiantamos e separamos os relatórios da semana passada sobre a circulação de veículos, enviados pelos nossos postos e abrigos espalhados by the divisas dos estados. Estes são os que mencionam veículos cuja descrição coincide com a das últimas imagens que recebemos.
Naruto abriu a primeira pasta e espalhou algumas folhas sobre a mesa.
— O primeiro relatório veio de um posto próximo a Romney. O funcionário afirma ter visto um Ford Corcel azul-escuro, ocupado por duas mulheres, seguindo para o norte.
— Isso parece promissor — falei.
— Não exatamente. O horário não coincide com o tempo necessário para elas chegarem até lá. Além disso, não temos a exata placa do veículo para confirmar.
— Então pode não ser o carro.
— Sim, mas não podemos descartar o relato sem verificar todos os detalhes.
Ele separou a folha e pegou outra.
— Este veio de um abrigo ao sul de Clarksburg. O veículo também era um Ford Corcel antigo, mas os ocupantes não foram identificados. O problema nesse caso é que ainda não temos nenhuma informação que confirme essa possibilidade.
— Ótimo. Então, nosso último ponto conhecido está em West Virginia — Shikamaru digitava algo. — Com as barreiras impostas ao sul e os bloqueios nas principais rotas, o corredor mais provável segue em direção a Ohio. Se elas continuarem rumo a Idaho, é por lá que devemos começar.
— Naruto, siga em direção à fronteira com Ohio. Verifique todos os postos e abrigos daquela região e mantenha nossos informantes atentos. Quero que qualquer relato sobre o Ford Corcel seja enviado imediatamente. Se elas já tiverem passado por alguma dessas bases ou ainda tentarem passar por lá, precisamos saber.
— Deixa comigo, dattebayo.
Saí da tenda com a pasta debaixo do braço, sem saber para onde a estrada me levaria. Pela primeira vez desde que recebi a missão, entendi que encontrar Sakura não seria apenas seguir uma ordem. Eu teria de atravessar cidades desconhecidas, investigar relatos contraditórios e descobrir qual deles ainda escondia alguma verdade.
E, em algum lugar além de Cumberland, Sakura Haruno continuava se afastando de nós.
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