Entre cervejas e apostas

1 Entre uma aposta e uma cerveja


Notas iniciais
escrita rapidinho, são duas da manhã e eu necessito dormir
Amanha eu trabalho e ainda to aqui
Obrigado por ler e por favor, sintam-se a vontade para deixar reviews e me julgar!

Todos riem de mim

Sim , se você acha que esse não é um jeito bom de começar essa história, ótimo! Pois é assim que eu irei começar a minha história, pois ela é minha e me pertence

Ao menos eu preciso de uma coisa na minha vida para chamar de minha.

Bem, não vou perder o foco

Todos riem de mim

“Por que todos riem de você, Micha?” (eu fazendo uma voz feminina)

Ah, por nada. Porque eu sou um cara comum.

“Tenho vinte e dois anos. Três graus de Astigmatismo, olhos azuis e cabelos pretos. Estudo engenharia mecatrônica, meus hobbies são enrolar meias perfeitamente e encontrar o chá verde perfeito. Inclusive já fui á China e trouxe um quilo de chá verde, mas ainda assim, não era o meu chá perfeito”

Seria bom se fosse por eu ser estranho. Seria bom se rissem de mim por isso

Riem de mim porque eu sou virgem.Não, não transei com ninguém.

E acrescento: nunca beijei

Acho grotescamente nojento a troca de saliva entre dois mamíferos. É feio, é nojento. Você(s) tem ideia de quantas doenças se pode pegar com isso? A boca de um ser humano tem tantas bactérias, que se algumas delas chegassem ao seu coração, você morreria!

Bem, retomando á minha historia, a única coisa que eu posso chamar de minha nesse universo.

Eu sou Michael Weiss. Tenho 22 anos.

E nunca beijei ninguém

E nas peripécias da minha vida – como se já fosse fácil o suficiente – Vemos meu irmão, Klaus. Um desgraçado ruivo, quatro anos mais novo que eu. A gracinha da família. Namora há um ano uma modelo – “modelo” – e está sempre feliz, sorridente,alegre... Claro! Ele não precisa se matar de estudar como eu. Não tem pais que pegam no pé dele (embora sejam os mesmos) como eu

Pois bem, num mais-que-incrivel dia, me aparecem papai e mamãe

“Você cuidará de Klaus.Estamos indo para Frankfurt á negócios” Dizia minha mãe, retocando seu batom, enquanto papai carregava algumas malas para o porta-malas do carro

“Deixamos dinheiro no seu quarto, Micha. São apenas alguns dias e...”

“FRANKFURT FICA A TRÊS HORAS DAQUI, POR QUE NÃO O LEVAM?”

Eles se encararam por alguns segundos, logo dando a resposta

“Porque não”

E se foram, para um lugar incrivelmente perto daqui. Provavelmente queriam transar sem ter um adolescente idiota gritando por comida – que é Klaus

Retornei para minha casa, fechando a porta com raiva. Klaus descia as escadas apenas de cueca

“Já foram?” ele bocejava “Não via a hora de poder andar de cueca em casa”

“Vá colocar uma roupa. Ainda temos vizinhos”

“Apenas... Me obrigue” ele ia à cozinha, arrastando os pés com toda a preguiça que tinha, abriu a geladeira e tirou uma garrafa de cerveja

“O que você pensa de fazer algo hoje? Ou vai ser o lindo enfeite que você é todos os dias?”

“Será que você é assim... Porque não transa?”

Uma fúria me ferveu á cabeça. Joguei o primeiro treco que vi na minha frente — era uma almofada

“VIU? HAHAHAHAH Se transasse seria mais feliz!”

“Você por acaso sabe da minha vida????” A raiva me consumia

“todos sabem” ele bebia a cerveja “TODOS MEESMO”

Entendem agora? Um pirralho ri de mim. Minha família ri de mim

”Não é como se eu quisesse fazer” bufei, tentando disfarçar a raiva “acho nojento”

“Até mesmo com uma mulher linda?”

“Sim”

“Até mesmo com um homem lindo?”

“Principalmente...”

Ele sorria, dando um gole no gargalo da garrafa

“E comigo?”

Eu não esbocei reação nenhuma. Não tinha reação para esboçar

“Garanto que vai ser bom... eu beijo bem...”

“CALADO!” bati meu pé no chão “é só papai e mamãe saírem e você já abre essas asinhas!?!”

“Vamos fazer uma aposta?”

Foda-se. Não vou apostar nada. Morra você

“Vai...” ele me fazia aquela cara de cachorrinho pidão que comprava a família toda, menos a mim “eu aposto que sei mais do que você”

Não, pirralho. Eu sou o gênio da família. Você nasceu bonito, e só.

“Vamos fazer o seguinte, eu te pergunto quatro coisas, e você tem que saber todas elas”

“E se eu não souber...?” me sentei no sofá. Logo ele fez o mesmo

“Você perde, e eu ganho.” Ele bebia mais “ Caso você saiba, eu perco e você ganha. Mas tem que acertar tudo!”

Isso é fácil. É como tirar mel da boca de uma criança

“Aceito, afinal... Sou mais velho que você, e conseqüentemente mais inteligente” – cruzei meus braços. Para mim, já estava ganho

“Mas olha, isso não é sobre ser inteligente. Tem coisas que você não sabe, e por enquanto, apenas eu sei”

“Não vale segredo?” Perguntei, pois se valesse, seria jogo sujo

“Não, eu não jogo tão baixo assim. Vamos lá, primeira pergunta” ele pigarreou “qual é a raiz quadrada de π? Quero 10 casas decimais, no mínimo!”

“ Um virgula sete sete dois quatro cinco três oito cinco zero nove zero cinco cin...”

“ta bom, essa foi fácil “ ele me interrompeu “a segunda pesa mais, é para aquecer... Qual foi a primeira vez que nós saímos de férias juntos?”

“Isso não era uma aposta?” estranhei “Sinto que você está blefando”

“Se você ganhar, eu vou para casa da Georgia o final de semana inteiro”

Tentador, não?

“ta, agora responde”

Pensei bem... Talvez nem ele se lembrasse

“Fomos para Hessen, na casa da vovó em Wiesbaden” sorri “ você tinha quatro anos e eu tinha oito. Era a primeira vez que você saia de casa”

“Sim, eu me lembro. Agora você entende o desafio? Não precisa ser um gênio como você para saber”

“Quem propôs o desafio mesmo? Ah, você” Apontei para ele “ Você não seria nenhum gênio mesmo que nascesse em meu lugar”

Ele bufou, me fez uma careta e deu mais um gole na garrafa

“Ta, essa é difícil. Qual é o sabor e as principais características da weissbier produzida em Berlin?”

“você está tomando essa cerveja...”

“Responda, ou vai perder”

“Se eu perder o que raios você pensa que vai fazer?”

“Gerogia tem uma irmã e...”

“Já entendi. Ela tem sabor leve, tem pouco nitrato, então é menos viscosa. Tem baixa presença de levedura, é relativamente clara... “pensei em mais algumas coisas “ E é uma cerveja de sabor refrescante”

Ele sorriu

“como você sabe tanto de cerveja se nem bebe?”

“Faça logo a última pergunta, pegue suas coisas e vá para a casa da sua namorada. Tenho mais coisas á fazer”

“você quem manda” ele sorriu “Agora quero que Você me diga qual é o sabor desta weissebier, produzida e embalada em Berlin...”

Antes que eu pudesse dizer que ela já havia questionado isso, e portanto eu havia ganho, veio o complemento da frase

“... na minha boca”

Gelei. Senti que meus olhos se arregalaram. Pisquei diversas vezes, tentando entender

“Eu quero que você me diga o sabor dessa cerveja na minha boca”

“É o mesmo...”

“Você não entendeu.” Ele sorriu “quero que você me diga que sabor tem essa cerveja misturada ao sabor da minha boca”

E... COMO ELE QUERIA QUE EU SOUBESSE?

Ele deu um gole na garrafa, deixou-a de canto, veio andando em minha direção.

“pode dizer que não sabe”

Gaguejei. Meu irmão vinha em minha direção, como se quisesse algo. Me encarava com um sorriso cínico no rosto

“Eu disse que não precisava de inteligência para vencer... Apenas de sabedoria...”

Ele se sentou do meu lado, tirou meus óculos.

Pude ver seu rosto se aproximando de mim

E seus lábios tocando nos meus.

“Me deixe te mostrar como ganhar...”

Não pensei em empurrá-lo, nem em correr dalí. Fechei meus olhos. Não consegui pensar em nada

Apenas abri minha boca, ele se pendurou em meu pescoço e montou em meu colo

Seus lábios eram macios, era diferente do conceito que eu tinha sobre beijo. O gosto levemente amargo da cerveja impregnou na minha boca, era muito gostoso

As mãos de Klaus apertavam meus ombros e pescoços. Eu apenas o abracei.

Era até difícil acompanhar aquele ritmo, mas eu tentei. Sua língua entrava em minha boca, se esfregando na minha. Eu tentava fazer o mesmo, mas saia desajeitado.

Klaus mordeu de leve meu lábio inferior, me fazendo abrir meus olhos e gemer um pouco

O que era aquilo que eu senti...? Era quente, era macio, era confortante

Era meu primeiro beijo

Logo o pirralho separou nossos lábios

“Você pode me dizer agora qual é o sabor da weissbier na minha boca?”

“É a primeira vez que eu experimento... Mas posso concluir... Que sua boca torna essa cerveja... Muito deliciosa”

“Parabens” ele se levantou do meu colo, jogando meus óculos em meu colo “você venceu. Estou indo para a casa da Georgia, volto domingo à noite ou segunda de manhã”

Pirralho maldito

“eu posso ter vencido a aposta, mas...”

Klaus sorriu

“Eu sei que no fundo, quem ganhou o prêmio fui eu. Obrigado”

“De nada, pirralho...”

E na minha própria história, eu pude perceber que mesmo, após todos esses anos tendo minha vida escolhida por meus pais e família, eu não aprendi muito com isso. A minha história é essa. Meu nome é Michael Weiss, tenho 22 anos, ainda moro com meus pais e tenho um pirralho para chamar de irmão.

E no final dessa história, eu não digo mais o que disse no começo

Não, não. Todos ainda riem de mim, ou quase todos. Klaus já não ri tanto.

Mas agora eu sei que riem de mim por algo engraçado. Agora é engraçado.

Riem achando que eu não fiz algo que fiz...

Ainda bem que nem têm ideia do que eu ando fazendo...

E esse, esse não é o fim da historia que eu tenho para chamar de minha. É apenas o começo...

Notas finais
E então? Beijos e boa noite
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!