Entre a honra, o desejo e a traição - Os Vanne Ros
5 Capítulo 4: O Intruso
Julian estava no escritório quando ouviu o primeiro som de música vindo do jardim. Não era o piano clássico que ele costumava ouvir, mas uma batida eletrônica, moderna e invasiva. Ao abrir a janela, seus olhos arderam. A mansão, que ele tentava manter como um templo de ordem, estava sendo invadida.
Isadora não tinha apenas convidado "alguns amigos". Ela tinha transformado o deck da piscina em um lounge de elite. E, no centro de tudo, estava ela.
Mas ela não estava sozinha.
— Quem é esse? — Julian rosnou para o segurança na porta, apontando para o rapaz de cabelos escuros e sorriso convencido que mantinha a mão possessivamente na cintura de Isadora.
— É Theo Albuquerque, senhor. Filho de um dos sócios do Sr. Marco. Isadora disse que ele tinha permissão para entrar.
Julian sentiu o sangue ferver. Ele desceu as escadas com passos que faziam o chão tremer. Ao chegar na área externa, o cheiro de álcool e perfumes caros o irritou. Ele viu Isadora rindo, algo que ela não fazia com ele há dias. Ela usava um biquíni azul sob uma saída de praia transparente, parecendo uma deusa intocável — exceto pelas mãos de Theo.
— Isadora — a voz de Julian cortou a música como uma lâmina.
Ela se virou lentamente, com um copo de drink na mão, e fingiu surpresa.
— Ah, Julian. Que bom que saiu da sua caverna. Conhece o Theo? Ele é um... grande amigo da faculdade.
Theo estendeu a mão, com um olhar de quem sabia exatamente quem Julian era.
— O famoso guarda-costas do Sr. Rossi. Prazer. Isadora me contou muito sobre suas... "regras" rígidas.
Julian ignorou a mão estendida de Theo. Seus olhos estavam cravados em Isadora.
— Essa festa acaba agora.
— Por que, senhor Vane? — Isadora deu um passo para trás, encostando as costas no peito de Theo. O rapaz aproveitou o movimento para abraçá-la por trás, descansando o queixo no ombro dela. — Estamos apenas nos divertindo. O Theo é inofensivo, não é, Theo?
— Completamente — Theo sussurrou, e então, deliberadamente, depositou um beijo demorado no pescoço de Isadora, subindo para a mandíbula dela.
Julian fechou os punhos com tanta força que as juntas ficaram brancas. A visão da boca de outro homem na pele que ele sonhava tocar todas as noites quase o fez perder o controle ali mesmo.
— Isadora, sai de perto dele. Agora — a voz de Julian era um trovão contido.
— Você está sendo inconveniente, Julian — ela disse, com um tom de falso tédio.
Para piorar a situação, Isadora se virou nos braços de Theo. Ela colocou as mãos em volta do pescoço do rapaz e o puxou para perto. Theo não perdeu tempo. Ele a beijou. Não foi um beijo de filme, foi um beijo provocativo, possessivo, feito para ser assistido.
Julian deu um passo à frente, a fúria cega nublando sua visão. Ele queria arrancar Theo de perto dela e jogá-lo da sacada. Ele queria gritar que ela era dele, mesmo que isso fosse a maior mentira e a maior traição do mundo.
Isadora interrompeu o beijo, ofegante, e olhou para Julian por cima do ombro de Theo. Seus olhos azuis não tinham nada de carinho; tinham um desafio mortal. Ela queria que ele quebrasse. Ela queria que ele traísse o pai dela na frente de todos.
— O que foi, Julian? — ela perguntou, com os lábios ainda vermelhos pelo beijo de outro. — Você parece tenso. Por que não vai lá dentro tomar um copo de água e me deixa aproveitar o meu convidado?
Theo deu uma risadinha e tentou puxar Isadora para outro beijo, mas Julian não aguentou mais. Ele avançou e agarrou Theo pelo colarinho da camisa social, suspendendo-o quase do chão.
— Julian, para! — Isadora gritou, mas o brilho nos olhos dela dizia que ela tinha conseguido exatamente o que queria.
— Fora da minha casa — Julian disse entre dentes, o rosto a centímetros do de Theo. — Se eu te vir encostando nela de novo, eu juro que o seu pai vai ter que te reconhecer pelas impressões digitais.
— Você está louco! — Theo gaguejou, pálido.
Julian o soltou com um empurrão que o fez tropeçar nos móveis de jardim.
— Segurança! Escoltem o Sr. Albuquerque e todos os outros para fora. Agora!
A festa acabou em minutos sob o olhar gélido de Julian. Quando o último carro saiu pelo portão, restaram apenas os dois no jardim, sob a luz dos refletores da piscina. O silêncio era pesado, elétrico.
Isadora cruzou os braços, um sorriso de puro veneno no rosto.
— Você está com ciúmes, Julian? Que feio... O que o meu pai diria se visse o "irmão" dele quase matando um rapaz só porque ele me deu um beijo?
Julian caminhou até ela, a respiração pesada, os olhos fixos nos dela.
— Você não tem ideia do perigo que está correndo ao brincar comigo desse jeito, Isadora.
— Eu não estou brincando — ela rebateu, a voz subindo de tom. — Eu cansei de ser ignorada! Se você não me quer, alguém quer! O Theo me toca como se eu fosse mulher, não como se eu fosse um fardo!
Julian a prensou contra uma das colunas de mármore do deck, as mãos segurando o rosto dela com uma possessividade violenta.
— Você quer ser tratada como mulher? — ele rugiu. — É isso que você quer? Pois saiba que nenhum daqueles moleques saberia o que fazer com você. Eles não queimam por você como eu queimo. Eles não morrem um pouco a cada vez que você respira perto deles!
Ele estava tão perto que Isadora conseguia sentir o calor saindo do corpo dele.
— Então prova — ela desafiou, a voz falhando. — Para de falar do meu pai, para de falar de honra e prova que você é homem o suficiente para me tirar daquele garoto.
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