Notas iniciais
Oie gente, saiu maisrápido do que esperavam não foi? Bem, ai está maisum cap. esperoque gostem. Artmeu amigo, não sei se o Shijima e o Kaiser ficaram como os conhece, masfoi como os imaginei. Bem, Boa leitura!!

Sentiu a claridade invadir seu quarto e resmungou baixo. Uma leve irritação tomou conta de si, ao ouvir mais uma vez a voz feminina lhe chamar.

– Hyoga, está na hora de levantar, vamos logo, já te chamei várias vezes. – Natássia o chamava a fim de o ver levantar. — Seu pai ligou cedo, disse que vem aqui lhe acordar, nos poupe desse incomodo, agora ele quer ser o pai presente... Hunf!

Ditou irritada, não aturava mais Camus, sua raiva era por conta de seu ex-marido ter preferência por homens. Desde que se separaram ela passou a implicar muito com o detetive, usando o artifício da alienação parental para colocar o filho contra o pai, fazia sempre o oposto do ruivo, o que fez do garoto, uma pessoa mimada, irresponsável e cruel.

O loiro Suspirou com aquelas palavras e levantou devagar. – Não sou menino pra ele vir me acordar. – Respondeu impaciente. – Vou tomar um banho, e pare de entrar no meu quarto sem permissão, odeio isso Natássia.

Ditava frio, não tinha respeito algum pela mãe, e nem por ninguém. Foi para o banheiro tomar banho. Ligou o chuveiro na água fria, deixou-se envolver pelo alívio que o banho lhe proporcionava, levantou o rosto, deixando a água bater ali, seu pensamento foi longe, não estava no pai ou na escola, mas no namorado e sentiu uma raiva crescente o invadir. Desligou o chuveiro, saindo do box, pegando a toalha e enrolando-se nela, ditou para si mesmo entre dentes.

– Então não veio me ver por causa daquele moleque e daquele puto loiro que você arrumou não é? Você não perde por esperar Ikki. – Depois de seco e vestido, Hyoga pegou a mochila e saiu do quarto, passou pela mesa do café da manhã, pegando apenas uma maçã. – Estou indo... Não me espere para almoçar.

Natassia suspirou. — Hyoga, não pode sair sem comer e não fale comigo como se fosse uma de suas amiguinhas, eu sou sua mãe.

O rapaz lhe lançou um olhar frio, que se comparava ao do pai. — Não faça charme, ninguém merece esses chiliques sem razão! – Ditou seco e impaciente. – Não venho almoçar, “mamãe”, satisfeita? Não me trate como criança! A propósito, por que não vai fazer as unhas, ou praticar seu passatempo preferido, ficar brigando com o Camus, quem sabe vocês se ocupem e me deixem em paz.

Deu as costas à mãe e saiu dali. Apesar de estar com a mochila não foi à aula, mas ao trabalho do namorado, queria falar com ele. Foi de táxi, ao chegar ali, pagou o motorista, entrando na empresa em seguida, passou direto para a sala do dono, mas ela estava vazia e aquilo lhe aborreceu.

Voltou-se para a mulher que ali se encontrava, ela não gostava dele, era secretária de Ikki, mas não tratava mal o “namorado” do seu chefe. – Ele não chegou ainda... E não sei se vem, disse que tinha coisas a resolver...

O loiro cerrou os dentes. – Coisas a resolver? Aquele puto está é dando o rabo por aí! – Ditou frio e pegou o telefone, discando o número do namorado, ligando em seguida. Esperaria ele atender, mas fechou os olhos respirando fundo quando a ligação caiu na caixa postal.

– Ele deve ter ido ver o irmão no hospital, Shun está internado... Ele me falou ontem a tarde senhor. – A mulher falou de um jeito educado.

O loiro não respondeu, colocou o aparelho no bolso e saiu dali. Pegou outro táxi e seguiu para o hospital, sabia qual era, pois sempre o levavam para o mesmo hospital, ele devia estar lá. Não demorou a chegar, ao entrar ali, procurou saber onde estava internado o pequeno Shun. Foi informado sobre o quarto dele e seguiu até o quarto da criança. O loiro tinha o olhar frio. Viu que não tinha ninguém, entrou sorrateiro, vendo o pequeno dormindo.

Aproximou-se da cama e o olhou por um tempo. – Oi moleque... Então você inventou isso só para o Ikki te dar atenção não é? Cansei de você, dessa sua carinha enjoada. Por que você não sai logo do meu caminho em? – Falava com ira, tocando os fios castanhos e o rostinho pálido de Shun. – Sabe, pessoas como você não deviam estar aqui, chamando atenção, vivendo doente... Se fazendo de vítima, tirando o que é meu, sempre assim... O Ikki não vem mais ver você, nunca mais!

As palavras cruéis saíam com raiva contida, sem gritos ou desespero, apenas ódio. Tocou a mangueira do soro com os dedos, tencionava puxar, tirar os remédios do menino, porém, a porta abriu e Aiacos entrou por ela. – O que faz aqui? Tire as mãos do meu filho, Hyoga, e saia já desse quarto!

O moreno não soube o que sentir, era uma mistura de medo e raiva. O que ele pensava que ia fazer? Estava nervoso agora, mas não conseguia ter ação.

O rapaz por sua vez manteve-se calmo, era incrível como ele não demonstrava o que sentia. – Vim apenas visitar ele, não pode não? O Ikki me disse que ele passou mal. Mas não pode vir... Sabe como é... A gente estava meio que ocupados! — Falou como quem não quer nada, sabendo bem que o outro ficaria irado com o filho mais velho. – Eu vou indo... Vou falar pro Ikki que me proibiu de vir aqui... – Disse como quem não quer nada e saiu do quarto sem demonstrar qualquer receio.

Aiacos se aproximou do filho e procurava algo nele, nem sabia bem o que, mas não confiava naquele rapaz e muito menos nele mexendo naquele soro. Encostou a testa levemente na do pequeno e afagava o rosto dele. – Não vou sair mais, não te deixo só... E seu irmão... Eu... Filho eu sinto muito, mas não vou permitir que ele te coloque em perigo, portanto ele não vai mais lhe ver.

Ditou perturbado, mesmo sabendo que Shun provavelmente não ouviria, pensava onde estaria Ikki, e por que mandou Hyoga ali, ele sabia o quanto o pai detestava aquele garoto. Ficou agarrado ao pequeno como se ao se afastar, fosse perdê-lo, o medo lhe dominava.

–oooOooo-

Longe dali e alheio ao que acontecia, Ikki dormia tranquilo na grande cama, macia e cheirosa. Os lençóis de seda escorregavam sobre a pele do moreno. Cobriam apenas parte de suas nádegas, já que o mesmo encontrava-se deitado de bruços. Há tempo não dormia tão bem.

Remexeu-se na cama, e tateou por algo que não encontrou, o que o fez abrir os olhos, no início meio embaçados não conseguiu distinguir onde estava. À medida que sua visão tomava foco, o rapaz viu-se num ambiente novo, no primeiro momento achou que fosse um quarto de motel luxuoso, mas depois percebeu que não, pois viu um porta-retratos virado de costas para si, sobre uma prateleira de vidro.

O local era bem arrumado até, bonito demais, espaçoso, com uma cama grande e confortável encostada a uma parede de cor preta, as outras eram brancas. Um criado mudo, com um abajur discreto em cima e uns dois livros ao lado. Alguns quadros na parede, algo abstrato, e outros de paisagens. Uma poltrona que ficava próxima a janela que agora encontrava-se escondida pela Cortina blakout .

Levantou devagar e se viu nu, o que fez seu coração disparar. Onde estava e com quem? Não conseguia lembrar. Enrolou-se em um dos lençóis e foi em direção à porta do quarto. Ao abri-la ouviu vozes e seguiu na direção delas. Ao chegar à sala, seus orbes arregalaram-se, devia estar bêbado, só podia. Não fossem as roupas, pensaria mesmo que estava louco.

Ali, a sua frente, dois homens completamente iguais conversavam. Um deles estava de paletó, mas o outro trajava um roupão apenas. O que pensar daquilo? Um deles olhou em sua direção, e isso o deixou sem jeito e ao mesmo tempo irritado.

– Se estava acompanhado, por que não me disse Kanon? Eu teria voltado outra hora!

Saga Mercouri era irmão gêmeo de Kanon, mais velho por alguns minutos, o homem era engenheiro, tinha um escritório muito bem sucedido e bastante procurado no mercado imobiliário. Era inteligente, educado, sério... Mas inseguro no quesito relacionamento, sobretudo no que dizia respeito a seu marido, Shura Aguire. E estava ali, na casa do irmão juntamente para desabafar, dizer que ele andava estranho, e isso o perturbava.

Ao ouvir as palavras do irmão, Kanon virou-se para trás e viu Ikki ali. Sorriu de forma divertida. – Bom dia dorminhoco! Saga, não estou acompanhado, não da maneira que pensa. – Disse contendo o riso ao ver a expressão dos dois. – Bem, esse é Ikki Amammyia, ele é um amigo, bebeu demais e acabei o trazendo para cá. E... Ikki, esse é meu irmão gêmeo, Saga!

O loiro mais velho saudou o rapaz com um aceno de cabeça, ele estava enrolado num lençol e isso o deixou sem jeito.

Ikki por sua vez, ditou emburrado, depois de devolver a saudação do outro loiro. – Então não fizemos nada? Por Budha, ainda bem! – Ditou Aliviado. – Mas então, dá pra me dizer onde estão minhas roupas?

A risada divertida de Kanon tomou conta do lugar e deixou Saga e Ikki sem jeito. – Ora... Você vomitou tudo, coloquei para lavar, já devem estar secas! Mas não tinha outra e quando coloquei algo meu, você pareceu incomodado e tirou... O que eu podia fazer, te amarrar? – Perguntou divertido, ditando por fim: – Não sei como não pensei nisso ontem!

As palavras do loiro deixaram os outros dois ainda mais sem Jeito. Mas Ikki respondeu logo. – Idiota! — Disse virando-se para sair dali. Mas lembrou-se que não sabia onde estavam suas roupas. – Vai me dizer onde estão minhas roupas engraçadinho?

Kanon não se mostrava abalado com nada. – Vou buscar pra você! – Ditou e saiu dali, indo até a lavanderia pegar as roupas na secadora. Pegou as peças e levou para o moreno. — Aí está... — Ditou jogando as peças para ele, voltando a sentar-se. – Então Saga, como estava dizendo, talvez você precise mostrar mais carinho, o Shura é um cara reservado... Mas ele te ama muito, você que anda pensando bobagem demais. Faça uma surpresa pra ele... Sei lá... O leve para jantar, compre um presente... – O mais novo dos gêmeos ditou calmo. Deixando Saga sem jeito e Ikki sem ação. O moreno não imaginava ver no outro um conselheiro amoroso, ele nem parecia do tipo que se apegava a alguém.

Ikki suspirou e saiu da sala, vestiu sua roupa, e sentiu uma leve dor de cabeça, mas ia em casa, tomaria um banho e trocaria de roupas e depois iria ver Shun. Ao menos era o que planejava.

Saga por sua vez apenas suspirou. – Vou pensar nisso! – Ditou, se aproximando e abraçando o irmão se despedindo, saindo quase em seguida.

Kanon olhou para o quarto, agora tinha algo a resolver com certo moreno, sorriu de seus pensamentos enquanto seguia ao encontro do outro. Entrou no quarto o vendo vestido e sorriu de canto. – Está mais calmo? Não rolou nada... Você estava bêbado demais. – Explicou encostando-se a parede.

Ikki por sua vez o olhou sério. – Obrigado... Mas já abusei demais de sua hospitalidade. Eu vou indo... Até um dia! – Despediu-se pegando a carteira. Não sabia como poderia devolver o favor de Kanon. – Bem, fico lhe devendo... – Ditou, mas não concluiu sua frase, pois teve sua mão sustenta pelo outro que o puxou e tomou seus lábios em um beijo intenso que o deixou sem ação, Embora devesse o afastar, acabou correspondendo ao beijo dele na mesma intensidade.

Suas línguas se tocavam e sentiam um o sabor do outro. O fôlego ia embora e seus corpos inevitavelmente se esquentavam. Apartaram o beijo e antes que Ikki dissesse algo, Kanon o olhou intensamente e falou rouco. – Já não me deve nada! Até logo Ikki, tem meu número, ligue se precisar de algo!

Disse se afastando para que o moreno passasse. O mais novo dos dois estava sem ação, mas não disse nada, seguiu para fora dali, mas não lembrava de ter beijado alguém daquele jeito, nem mesmo Hyoga. Respirou fundo quando pensou no loiro, não havia sentido falta dele em momento algum, procurou o telefone não o achando nos bolsos, devia ter deixado no apê de Kanon, mas já estava no elevador e não ia voltar agora, depois procuraria o promotor e pegaria com ele o celular. Saiu dali pegou um táxi, iria para casa, queria logo ir ver Shun.

–oooOooo-

Shura tinha marcado uma reunião com o tal detetive, mas seria num lugar informal. Precisava falar isso para Aioros, mas ele não atendia ao telefone. Como secretário, o moreno tentava ser o mais competente possível. Iria a reunião e explicaria pessoalmente que seu chefe se atrasaria, assim veria Afrodite e Matteu.

Levantou pegando sua carteira e celular dirigindo-se a porta. Saiu dali, pegou um táxi e seguiu direto para o restaurante onde havia marcado. No caminho, seu telefone tocou, era Saga. O moreno estava de táxi, então atendeu o aparelho. – Oi amor... Aconteceu algo? Você saiu mais cedo hoje... – Ditou calmo, mas sério.

Saga suspirou. – Sim... Precisava resolver umas coisas. Mas nada demais. — Respondeu num tom de desculpa. – Amor, quer almoçar comigo? Eu te pego e depois te deixo no trabalho, prometo não passar do seu horário.

Shura suspirou. – Hoje não dá, tenho que resolver umas coisas do escritório, daí... Almoço não dá, fica pra outro dia! – Respondeu sério, não estava muito bem aquela manhã, se sentia mal, desde que ouvira as palavras de Afrodite sobre ter mudado avaliava isso. E chegava a conclusão que não vivia mais o que gostava, não saía, não via ninguém... Era apenas Saga e os amigos dele... Ou nem isso, por que ele não gostava de estar com muita gente e não deixava ele, Shura se aproximar de ninguém.

Saga irritou-se, ele vivia para aquele escritório, estava farto daquilo. Desligou sem responder nada. Agora tinha perdido o pouco de bom humor que ainda o restava e quando isso acontecia, era possível desconhecer o tão controlado e educado engenheiro. Não foi para o escritório, mas seguiu para um restaurante, ia beber algo antes de ir ao trabalho.

Enquanto estava ali, viu alguém que não esperava ver novamente, observava de longe e lembrava mil coisas. Vira um outro entrar e sentar perto dele. Era mais forte e parecia um mafioso. É, pelo jeito do loiro, só podia se envolver com quem não presta.

O engenheiro pedira um whisky e enquanto tomava, observava os dois homens ali. Quando levou mais uma vez o copo a boca, seus orbes azuis se arregalaram e ele cuspiu fora o líquido que tocava sua língua. Pela porta do local entrava Shura, seu marido, e ele estava lindo, vestido de um jeito tão elegante e sensual aquele dia. Então... Então era isso que tinha a resolver? Coisas do escritório? Virou o que restava do líquido de vez na boca, colocando o copo sobre a mesa com raiva, pedindo mais uma dose da bebida. Agora queria ver até onde ia aquela mentira dele. Sabia que havia algo errado, ele estava de novo com amizade com o vadio do Afrodite.

Alheio aquilo, Shura se aproximou da mesa e ao ver Afrodite abriu a boca um tanto encantado. — Bom dia! — Ditou baixo e viu os dois pares de olhos ali se voltarem para si. — Como vão? Oi Matteu e como vai Afrodite?

Os orbes azuis do sueco o encontraram, por um momento ele se perdeu ali. Foi preciso um pigarrear de Matteu que ainda não respondera ao cumprimento do moreno para trazê-lo de volta. Os olhos azuis do moreno caíram mais uma vez sobre o outro que agora lhe estendia a mão.

– Sente-se Shura, não sabia que era você Mio cliente! – Ditou sem muita emoção, mas com certo sarcasmo. – Fique a que a vontade.

Shura suspirou. – E não sou eu, mas meu chefe Matteu, ele deve chegar em breve, eu mandei uma mensagem, mas ele ainda não respondeu, como não queria desmarcar, eu mesmo vim e assim converso um pouco com vocês, antes dele chegar. – Explicou educadamente.

Até então Afrodite estava em completo silêncio, observava o rapaz de forma inquisidora. Via sua postura, sua educação, mas estranhava e muito o jeito contido dele. – Então... Como está você? Conta pra gente o que fez depois da faculdade... Nossa, você está diferente Shu, tá bem elegante em! – Disse num tom divertido, mas um tanto preocupado. Afrodite era de origem sueca, tinha os fios loiros ondulados, uma fisionomia andrógena que chamava a atenção por onde passasse. Era charmoso, os orbes azuis e uma pequena pinta em seu rosto, lhe conferiam um ar sedutor. Vestia-se elegante e sensual ao mesmo tempo.

Shura sorriu de canto. – Eu sou secretário de um advogado, não cheguei a concluir mesmo a faculdade e mesmo mudando de curso depois. Gosto do que faço, e vocês? Até onde sei Matteu você queria ser delegado, mudou de ideia? E Você Dite, é secretário do Matteu? Só você mesmo! Achava que ia te ver fazendo arte por aí, pensei que um dia chegaria o convite de ir ver uma exposição sua.

Afrodite corou. – Ainda lembra disso... Bem... Na verdade ainda faço arte mocinho, mas nunca pensei em expor. E sim, secretário do Matteu, eu e ele estamos casados, nada melhor do que estar peto dele, é bom, e nos traz um pouco de emoção, não é Matteu?

O outro mantinha-se apenas observando tudo. — Si... Eu queria ser delegado, mas depois que vivi como policial nas ruas, eu vi tantas coisas, que decidi mudar de rumo e ser detetive. Gosto do que faço hoje! – Disse firme olhando o moreno.

Os três continuaram conversando. Falavam um pouco do passado agora. Shura pediu licença e tornou a ligar para Aioros, dessa vez ele atendeu, e quando foi lembrado do compromisso disse que logo chegaria, embora agora tivesse dúvidas de que quisesse encontrar seu passado. Mas não podia desistir, precisava saber dele, ouvir dele o porquê de tê-lo abandonado.

–oooOooo-

O advogado desligou o aparelho e olhou para o lado, seu coração estava aflito agora. Ali na cama, entre os lençóis estava Aioria, o rapaz ressonava baixo, tinham feito sexo mais de uma vez. Não conversaram, deixaram-se apenas levar pelo momento, mas chegava a hora de dizer alguma coisa um ao outro.

Sentou-se a beira da cama e afagou os fios loiros. – Ei dorminhoco... Preciso sair... Não vai comer nada? – Perguntou carinhoso e ouviu um resmungo, viu o rapaz abrir os olhos e fechar de novo, talvez na tentativa de não acordar e descobrir que foi um sonho.

O mais velho achou graça daquilo que julgou ser uma atitude infantil e beijou o pescoço do médico. – Vamos meu amor, acorda Oria...

Dessa vez o mais novo não resistiu e abriu os olhos encarando o mais velho. – Não foi um sonho? – Perguntou o vendo negar. – Pai eu... Céus... Nós... – Sorriu sem jeito, mas algo lhe passou na mente, o olhou desconfiado, como ele podia saber que seria correspondido? Tinha que dizer a verdade, que sempre o amou. – Pai eu... Eu sempre gostei... Não, eu sempre amei você!

Aioros respirou fundo. – Aioria... Eu sei... Quer dizer... Eu sempre soube, quando você me beijou ainda bem moleque. Mas...

Parou o que dizia ao ver os orbes verdes marejarem. Abriu a boca para dizer algo, mas o mais novo não deixou. Ergueu a mão aberta para o pai, como quem mandava parar.

– Sai do meu quarto... Sai daqui, Agora! – Falou contido, sem gritar. – Você sabia... Você... Nunca disse nada! Sai... – Falou, mas logo mudou de ideia. – Não... Eu vou sair e por favor... Por favor, não me procura, deixa eu esfriar minha cabeça. Droga pai, você sabia e nunca fez nada, e de repente resolve fazer? Você... Quer dizer... Só sirvo quando você acha que sirvo? — Perguntou num misto de raiva e tristeza, via que o outro ia responder e não deixou, falando em seguida. – Olha, não tenta dizer nada, eu não quero ouvir... – Levantou indo para o banheiro, uma dor o invadia, por que se sentia mal agora? Não era por ele ser seu pai, por que ainda o amava, mas... Por que se sentia a última opção, o prêmio de consolação.

Sentou-se no chão do banheiro chorando, estava doendo mais do que doía não dizer nada. Precisava respirar, sair dali, falar com alguém... E a primeira pessoa que lhe veio a mente foi Shaka, precisava dele.

Aioros sentiu o estômago embrulhar, sabia quando o filho estava perturbado e sentiu-se culpado. Foi até o banheiro e a porta estava trancada. — Oriá, não é nada do que está pensando filho! — Falou, mas ouviu ele o mandar embora e suspirou. — Eu vou, mas a conversa não termina aqui! Quando eu voltar, vamos conversar.

Ditou saindo dali, mas agora mancava mais, sentia que o peso de tudo estava sobre sua perna. Andou até seu quarto, tomou um banho rápido, não se deu tempo de pensar, trocou de roupas e saiu, precisava resolver isso de uma vez por todas. Enquanto dirigia, pensava no loiro, nos orbes azuis e calmos, e seu pensamento o levou para um tempo distante, um tempo que não voltaria mais.

Flashback on

– Aioros, onde estamos? Olha, eu não vim aqui brincar, o professor nos mandou estudar juntos, e eu não vou tirar notas baixas, onde estamos? – Perguntou o loiro emburrado, andando devagar pelo caminho, tinha a mão na mão de Aioros, afinal ele estava de olhos vendados.

Há um tempo os dois vinham na companhia um do outro, Shaka ajudava Aioros a estudar algumas matérias nas quais o rapaz não era bem sucedido. Apesar de mostrar-se duro, Shaka havia se acostumado com o jeito moleque de Aioros, e mesmo sem perceber uma amizade havia nascido, ou seria mais que isso?

Aioros sorriu divertido. – Você reclama demais sabia? Já, já chegamos! – Ditou guiando o loiro pela trilha a sua frente. Andaram mais um pouco, chegando a um lago, o lugar era bonito, árvores e uma relva verdinha cercava o local, o tornando mágico.

O moreno parou e devagar tirou a vendo dos olhos do loiro que de início estreitou os olhos pela claridade que os feriu, mas logo se deu conta de onde estava e abriu a boca descrente.

– Que lugar lindo! – Disse olhando tudo com um olhar curioso, seus olhos encontraram os de Aioros e não desviaram mais. Sentiu certo calor e antes que pensasse os lábios grossos do moreno colaram-se aos seus. Deveria repeli-lo, mas não conseguiu, o que conseguiu foi fechar os olhos que encontravam-se arregalados e corresponder ao beijo.

Flashback off

Aioros parou num sinal e fechou os olhos, ainda podia sentir os lábios macios de Shaka. Encostou a testa no volante e suspirou ditando ao vento.

– Ah Shaka, quero olhar nos seus olhos e saber por que me abandonou. Aliás todos me abandonaram.

Agora existia uma raiva dentro de si, pelas lembranças, por se sentir mexido, abandonado. Enquanto seguia para o restaurante, ligou para Shijima, contou por alto o que houve e pediu que ele o encontrasse a tarde, precisava conversar com alguém, antes de conversar com Aioria.

–oooOooo-

O médico estava em sua sala, ele era um dos sócios de uma clínica médica. Procurava em seus arquivos, o papel onde anotara aquele nome. Olhava no prontuário médico de Aioros, Pegou uma pasta e começou a olhar, era uma das últimas quando viu em letras miúdas escrito o que procurava.

– “Kaiser Rouvas”, isso mesmo, o primo do Aioros que foi ver ele escondido. Lembrava bem das palavras dele, dos olhos tão fortes. Suspirou pensando em como faria para encontra-lo, mas daria um jeito, talvez ele soubesse o que tinha havido, desde que assumira cuidar do rapaz, Shijima sabia que ele não lembrava o que tinha lhe sucedido, precisava esclarecer isso, sentia que se o fizesse ajudaria seu paciente e amigo a se recuperar do trauma vivido ainda na adolescência.

Sentado em sua cadeira agora, tinha o papel em mãos, pensava numa forma de começar a procurar pelo rapaz. Mas então foi obrigado a sair de seus devaneios quando ouviu o telefone. Olhou para o aparelho e atendeu. – Pois não senhorita Sônia? – Perguntou a secretária.

A moça então respondeu com certa calma. – Senhor Nagesh, o senhor Schultz está aqui e deseja falar com o senhor. – Explicou calmamente e ouviu dele a permissão para o mandar entrar. A jovem acompanhou então o homem que ali se encontrava, até a porta da sala do seu chefe e a abriu, permitindo que o homem ali parado entrasse na sala. Fechou a porta e se afastou indo pegar um cafezinho e uma água.

Shijima estava encostado em sua cadeira tinha os olhos fechados, parecia meditar, dada a expressão tranquila em seu rosto. Abriu os olhos ao ouvir a porta ser fechada, mas os arregalou surpreso. – Você?

O outro sorriu de canto, de certa forma, saber que ele não esquecera de si era uma grata surpresa, mesmo por que estava ali, em parte para conquistá-lo. — Então lembra de mim doutor? Faz tempo... Como vai? – Perguntou se aproximando da mesa do ruivo.

Shijima o observava atento. – Sim, me lembro bem! Mas não era esse seu sobrenome, estou certo, senhor Kaiser Rouvas? É primo de Aioros Rouvas, não? A sua chegada não podia ser em melhor momento!

O homem a frente do médico emudeceu, a expressão de seu rosto mudou, agora estava mais seria do que antes, se é que era possível. – Sim, me chamo Kaiser Rouvas Schultz, mas atualmente uso somente o nome do meu pai. Mas então... Por que a Pergunta?

– Bem, tem haver com seu passado, com seu primo Aioros, você foi a única pessoa que foi visitá-lo e que poderia esclarecer o que houve, pois ele não tem lembranças e tudo que sabe é que foi vitima de uma bala perdida.

Kaiser o encarava sério. – Não há o que ser explicado doutor, para mim está claro, foi um acidente. – Disse irritado, não era bem falar que o deixava assim, mas o não dizer a verdade. Lembrava bem o que tinha havido, mas não podia dizer nada, seu pai o orientou para que esquecesse aquilo, afinal seu tio custeou parte de seus estudos. — Aioros sabe o suficiente.

Shijima o olhava perplexo, será que todos daquela família iam mesmo ficar mentido descaradamente? – Certo, obrigado! Já que não vai dizer, então descobriremos da forma mais difícil, vamos atrás da verdade, saber o que realmente aconteceu. Espero que não tenha motivos para que seu primo fique decepcionado, a mentira ou mesmo omissão, gera angústia, não sabe o que ele tem passado.

Kaiser sentia-se um tanto mal, mas não podia sair falando de coisas assim. Não sobre aquele assunto. Suspirou e colocou as mãos na mesa. – Escute aqui doutor... Estou aqui para falar da clínica, de negócios, e não da vida pessoal de outras pessoas... Fui claro? Se tem algo com o senhor Rouvas, então resolvam seus assuntos fora dessa clínica!

Os olhos do médico se arregalaram e seu rosto ficou rubro, mas não de vergonha e sim de raiva por aquelas palavras ácidas. – Escute aqui, estou fazendo meu trabalho e não insinue coisas sem sentido, Aioros é um grande amigo e nada mais, fui claro? – Perguntou irritado e firme. — Agora sente... Vamos discutir sobre a clínica!

Kaiser percebia a irritação, e gostou de saber que ele não tinha nada com Aioros. Mudou de assunto falando da clínica e assim teve a atenção do outro apenas para si. Ele não estava disposto a desistir.

–oooOooo-

O táxi estava parado no estacionamento, aquele dia não tinha rodado ainda. Seu motorista estava naquele momento envolvido nos braços gentis do gerente do retiro.

O sorriso aberto e os olhos brilhando eram suas marcas registradas – Bom dia Mu... – O saudou voltando a beijar aqueles lábios, ao que foi correspondido na mesma intensidade.

Após o beijo, Mu sorriu espreguiçando-se. — Bom dia! Que horas são agora? Nossa... Fazia tempo que não dormia tão bem! — Ditou rouco e malicioso. Ouviu a gargalhada gostosa de Aldebaran e estreitou os olhos, levantando de seu lugar na cama, sentando-se sobre o quadril do outro. – Tá achando graça é? Pois bem... Vamos ver se vai rir agora! – Falou emburrado e inclinando-se sobre o outro, passou a brincar diretamente com a língua em seu mamilo, enquanto rebolava sobre o quadril dele.

Aldebaran gemeu baixo com aqueles toques. – Hnnnn... – Mordeu o lábio inferior ao sentir as carícias e o toque do corpo de Mu sobre o seu. – Não me enlouquece Mu, já é dia e não queremos chamar a atenção de ninguém, não é mesmo? Já passa das onze agora! – Falou rouco segurando o quadril dele, ditando o ritmo que ele se movia em cima de si, ao mesmo tempo em que não o permitia parar.

Segurou os fios lilases e o beijou com desejo, apertando com a mão livre a nádega durinha de Mu. Os gemidos ecoavam abafados pelo beijo, quando ouviram bater a porta, Mu fechou os olhos apartando devagar o beijo, respirando fundo em seguida, pigarreando para limpar a garganta antes de responder, dada a insistência das batidas na porta. – Pois não, pode esperar uns dez minutos?

Quem batia a porta era Shaka, o monge se sentia envergonhado, mas precisava falar algo com Mu, era um assunto do próprio retiro. Um problema surgido logo cedo. – Mu, sou eu Shaka, desculpe atrapalhar, mas... Temos um problema administrativo, poderia, por favor, ver se consegue resolver? Estarei esperando na recepção. – Ditou dirigindo-se a sala de espera e ali permaneceu esperando pelo administrador. Mu, por sua vez escorou a cabeça no peito do outro suspirando. – Certo... Bem, Deba, o dever me chama... Mas não pense que as coisas ficarão assim, venha hoje e fique aqui, e vamos resolver essas pendencias pessoais, que estão ficando pelo caminho. – Ditou sensual, rebolando sobre o quadril do taxista. Levantou em seguida e puxou o outro para um banho. O dia prometia.

–oooOooo-

Aioria havia ido até o hospital, trabalhar, ver seus pacientes, embora não tivesse cabeça para trabalho. Mas tinha que se concentrar. Não conseguiu e com isso, decidiu, impensadamente, pedir demissão. Dirigiu-se ao seu chefe, bateu na porta da sala dele e esperou autorização para entrar.

E logo veio, numa voz forte, mas um tanto irritada. — Entre! — Fora tudo que ouviu e respirando fundo, entrou na sala do chefe. Pigarreou e olhava para o homem que agora o encarava. – Como vai senhor Tashi, eu... Eu vim aqui por que... Eu não estou em condições de cumprir meu dever, então... Eu vim pedir demissão, não posso no momento acabar prejudican...

Não terminou o que dizia, o homem a sua frente estendeu a mão num sinal claro de que ele deveria parar de falar. – Aioria, primeiro, me chame de Shion, e segundo, você é um dos melhores médicos que tenho aqui, não vou abrir mão de seu profissionalismo. Olha, eu sei bem que não TIra férias há um tempo, então vou te dar férias, acredito que isso irá te ajudar.

O rapaz abriu a boca em descrença, sorriu de canto e assentiu, movendo a cabeça. – Olha Shion, eu... Agradeço, vou resolver tudo nesse período, obrigado! – Agradeceu – Não vou mais ocupar seu tempo, mais uma vez obrigado, vou indo! – Disse calmo e depois de apertar a mão do outro, saiu da sala do chefe.

Aioria queria sair dali o mais rápido possível, mas não faria isso sem deixar tudo certo sobre suas férias, queria, precisava ver Shaka, por algum motivo, só pensava nele, e iria conversar com ele.

–oooOooo-

Shion sorriu de canto, após a saída de Aioria. – Jovens... Tão precipitados. – Voltou ao que fazia quando a porta de sua sala foi aberta, e uma jovem e bela mulher adentrou o local. O homem levantou os olhos do papel e sorriu de canto ao vê-la ali. Abaixou os papéis. – O que houve meu amor, parece aborrecida!

Seu tom era um misto de carinho e certa paciência. Observava a mulher a sua frente e avaliava seu olhar, parecia furiosa. Levantou e foi até ela, já que a mesma não saiu do canto, e lhe fuzilava com o olhar.

– Não voltou para casa Shion, e eu liguei para o hospital, então essa desculpa não cabe, melhor achar outra! — Pandora ditou irritada, era casada com Shion, mas a vezes o sentia distante, como se não a quisesse mais não a amasse.

Shion, porém, mantinha uma postura firme, era um homem ocupado, diretor do hospital, mas não tinha paciência para a mulher. Embora procurasse cumprir o que ele chamava “obrigações de marido”. – Desculpe minha querida, não foi algo que fiz de forma proposital, apenas me perdi no tempo, fiquei aqui olhando uns documentos e quando sai, acabei recebendo uma ligação de um amigo, e... Bem, acabei indo beber um pouco e como já era tarde, vim direto para cá. Dormi, nesse confortável divã – Falou apontando para o móvel. Bem, deixe que eu me redima com você! Vou levar você para almoçar e tiramos o resto do dia de folga, o que acha? Um dia para nós dois.

Pandora suspirou, mas abraçada ao homem, acabou sorrindo com a proposta. — Tudo bem... Mas por favor, Shion, não faz mais isso! Quase morri de preocupação. – Ditou por fim e teve o queixo sustento por ele, de forma carinhosa e sentiu os lábios do marido nos seus. Envolvente e dominador como só ele sabia ser com ela.

Apartou o beijo e sorriu para a Pandora. – Linda... Você é linda! Vou só pegar minha carteira, por que não avisa que não vai mais voltar hoje? – Falou a incentivando, a vendo concordar com um sorriso e sair de sua sala, quando a mesma fechou a porta seu sorriso morreu, respirou fundo e pegou seus documentos, parecia que o que faria era um esforço tremendo.

Saiu de sua sala ao encontro da morena, avisou que não votariam aquele dia. E seguiu ao encontro da esposa, passando por Milo que Conversava com um ruivo ali. E esse tinha certeza que não era um de seus médicos. Por algum motivo a postura do homem lhe incomodou, mas nada disse, passou por eles e depois de encontrar a mulher saiu, mas aquele homem não saiu de sua cabeça, quem seria ele? Decidiu saber se a mulher conhecia. – Vi Milo com um ruivo, bem... Claro que podia ser um paciente, mas não tinha aspecto de doente, você o conhece?

Pandora o olhou e mordeu o lábio inferior, numa expressão clara de desconforto. — Bem, na verdade eu acredito que seja o policial que o ajudou ontem, eu te disse lembra? Sobre o pai de um paciente que quis matar o Milo, coisa estranha, e ele estava lá e deteve o tal pai, não fosse por ele, acho que Milo estaria morto agora. – Contou com calma enquanto o marido tirava o carro do estacionamento.

Shion ouviu tudo em silêncio, e por fim ditou calmo. – Nossa, que sorte! Espero que ele esteja por perto caso algo como isso torne a acontecer.

Suas palavras saíram sérias e desprovidas de preocupação, não disse mais nada a respeito daquilo, e procurou mudar de assunto. Conversando sobre algo particular dele e da esposa, levando-os a sorrir, não gostava de discutir o mesmo assunto por muito tempo.

Continua...

Notas finais
Esperoquetenham gostado!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.