- Sem essa! – Matsuda protestou pelo celular. – O caderno não sai das mãos da polícia só porque você quer!

- O caderno vai ter que vir. – Light retrucou calmamente. – Eu ainda tenho uma folha dele comigo. Se você negar, escreverei seu nome nela.

- Como se você fosse me intimidar com uma simples folha!

- Essa “simples folha” era de um Death Note. E você sabe o que acontece quando o seu nome é escrito num Death Note.

Matsuda ficou mudo. A voz de Light era cheia de convicção, o que o deixou apreensivo. O que fazer? Continuar negando o caderno até morrer? Essa ideia lhe dava arrepios.

- Faremos a troca, Matsuda. – L disse através do outro celular. – Misa Amane pelo caderno. Pode falar isso ao Light.

- Ok, Ryuuzaki. – ele respondeu, enquanto tapava o seu celular.

“O que o Ryuuzaki está tramando?”, pensou. “Espero que seja um plano realmente bom.”

- Light – voltou a falar por seu celular. – Mudança de planos. Vamos fazer a troca.

- Sabia que poderia contar com a polícia japonesa. – o Yagami respondeu com sarcasmo. – Quero esse caderno e também a presença de L.

- Agora o Light está abusando! – Aizawa protestou.

- Matsuda, diga a ele que estarei lá. Que ele não se preocupe, porque estarei lá.

- Tem certeza de que quer arriscar sua identidade?

- Não se preocupe, Aizawa. Tenho um plano aqui comigo.

- Tudo bem, Ryuuzaki. Então o Matsuda pode garantir a sua presença?

- Pode.

Matsuda destapou o telefone novamente e voltou a falar com Light.

- Light, o Ryuuzaki vai estar no local combinado. Mas não faça nada com a Misa-Misa.

- Não farei.

- Onde será o local da troca?

- Será num armazém abandonado. Sabe onde é o armazém Yellow Box?

- Sim, sei.

- Vai ser lá o ponto da troca. Amanhã, às oito e meia da noite. E não tentem me enganar, ou a Misa vai arcar com as consequências.

- Entendido. Você quer que eu vá com o Ryuuzaki, ou ele deve ir sozinho?

- Quero todos os integrantes da força-tarefa do Caso Kira.

- O Mogi não pode ir, ele foi baleado por seus “capangas”, Light. – Matsuda ironizou. – E você pretende torturar seu pai ainda mais do que ele já está sendo torturado?

No outro lado da linha, Light ficou mudo por alguns instantes. Estaria ele se sentindo culpado? – essa era a pergunta que martelava na cabeça do policial.

- Eu disse que quero todos os integrantes da força-tarefa. A única exceção será o Mogi.

- Certo. E quem você prefere que esteja com o caderno?

- Pode ser você mesmo. Sinta-se honrado, pois vai ser a primeira vez que você vai ter alguma utilidade.

“Esse cara tá atrevido demais!”, Matsuda pensou, começando a ficar revoltado. “Mas preciso manter a calma.”

- Tudo bem, Light. Amanhã, às oito e meia da noite, no Armazém Yellow Box. Toda a força-tarefa estará lá. Inclusive o caderno e Ryuuzaki.

- Ótimo. Então amanhã nos encontramos no armazém. – e desligou o telefone.

Controlou-se para não arremessar o celular ao chão, de tão furioso que estava. Como Light podia ser tão presunçoso, a ponto de detonar Matsuda, rotulando-o como inútil e idiota? Dificilmente saía do sério, mas o Yagami conseguiu fazê-lo quase perder as estribeiras, não fosse a interferência de L e Aizawa.

- Seu pivete sujo! – deixou escapar, enquanto se contentava em descarregar sua raiva chutando uma latinha jogada no chão.

*

Mais uma vez, os integrantes da força-tarefa estavam reunidos no QG, excetuando-se Mogi. Iriam traçar um plano para que a troca fosse bem-sucedida. Uma coisa era certa: L e o superintendente Yagami iriam ao local onde deveria acontecer a troca do caderno pela Misa Amane.

O caso tomava proporções cada vez mais surreais, em meio a shinigamis, mortes e olhos que poderiam revelar o nome das pessoas.

- Vamos ter que acertar alguns detalhes para amanhã. – L disse. – O Matsuda estará com o caderno, como combinado.

- Sim, mas não seria mais interessante fazer uma réplica do caderno?

- Não, Aizawa. Porque Light logo saberia que o caderno seria falso, apenas de tocar nele.

- Entendo. Mas vai ser um grande risco essa troca. E por que Light exigiu a presença de todos nós? Geralmente se exige apenas uma pessoa com o resgate.

- É verdade! – Matsuda concordou. – Por que o Light iria querer todos nós lá?

- Para nos ver morrer. – L respondeu secamente.

Matsuda ficou trêmulo:

- P-para... Ver a gente... Morrer...?!

- É isso aí. O Kira tem um perfil maquiavélico, por assim dizer. Já leram o livro “O Príncipe”?

- Eu li quando fazia o colegial.

- Você se lembra de uma máxima que tem a ver com esse livro? Creio que já tenha ouvido falar que “Os fins justificam os meios”, não?

- Você está querendo dizer que não importam os meios, mas o Light vai fazer de tudo para continuar a julgar os criminosos?

- Exatamente, Aizawa. Sr. Yagami – olhou para Soichiro. – Não quer dar alguma opinião? Sei que no momento está neutro a respeito, mas gostaria de ouvir alguma colocação sua sobre essa troca.

- Está bem, Ryuuzaki. – Yagami disse. – A respeito de os fins justificarem os meios, creio que Light seguirá essa linha de pensamento até o fim. Conheço meu filho o suficiente para dizer que ele é uma pessoa bastante obstinada. Soa meio irônico, mas isso ele herdou de mim.

- Isso me lembra o incidente na TV Sakura.

- Tem razão, Ryuuzaki. – sorriu. – Acho que nunca mais vou repetir a loucura que fiz naquele dia. Foi uma vez pra nunca mais.

Aquilo acabou descontraindo um pouco o grupo. Mas Soichiro logo retomou o assunto:

- E será que a integridade da Misa será mantida?

- Espero que sim, Sr. Yagami. Se Light também herdou isso, a possibilidade será bem grande de ela não ser agredida ou coisa parecida. O importante é que ela não revele onde está o segundo Death Note, pois levaremos apenas um.

- Mas provavelmente, antes da troca, o Light vai tentar arrancar da Misa onde está esse segundo caderno. – Aizawa observou.

- Podem tentar, mas não conseguirão. – L disse triunfante. – Já aconselhei a Misa como agir numa situação dessas.

- Sério? – Matsuda inquiriu.

- Sim. Ela será meu trunfo mais uma vez. Protegerá a informação e protegerá a si mesma.