Notas iniciais
Bem, gente, aqui estou eu de volta com mais um capítulo de "Entre a razão e a loucura", depois de um hiatus de mais de dois anos.
Antes de irmos ao capítulo propriamente dito, gostaria de, primeiramente, pedir desculpas aos leitores que estavam acompanhando esta fic por tê-la praticamente abandonado por tanto tempo. Confesso que não me senti bem com essa situação, porque esta fic é uma das que mais gostei de escrever. Por isso, estou voltando a postar, pois quero dar sequência a ela e terminá-la de forma digna.
Se alguém ainda estiver acompanhando, desejo uma ótima leitura! Tive que deletar um capítulo e reescrevê-lo pra dar continuidade, é este capítulo reescrito que estou postando. Espero que gostem e que tenham uma boa leitura!

- Light Yagami – disse o juiz Hiroshi Kondo. – Diante deste tribunal e por determinação do júri, você foi considerado culpado pelos crimes de homicídio doloso, com agravantes diversos. A sua pena será a prisão perpétua, sem direito a recurso, e será cumprida a partir de agora.

O jovem Yagami não esboçou reação alguma diante do meritíssimo juiz, nem mesmo após a sentença proferida. Com algemas nos pés e nas mãos e escoltado por um policial em cada lado, ele simplesmente se preocupou apenas em olhar para cada pessoa presente ali naquele local.

Não iria se deixar abalar pela sentença que estava levando, a de ter sua liberdade definitivamente perdida, e pelo resto da vida. Ele não era disso.

Seus olhos pousaram primeiramente em Ryo Takahashi, seu até então advogado de defesa. Sua atuação fora boa, porém os argumentos da acusação, representada pela promotora Masami Higashi, foram fortes e definitivos. A promotora fazia jus à sua fama de “dura na queda”, possuía um senso de justiça bem forte, e por trás dela havia as provas sólidas e surpreendentes coletadas por L.

Era inegável que L era mesmo um gênio. Até as coisas mais improváveis serviam para incriminar Light. Quem imaginaria que o lixo de sua casa era minuciosamente examinado? E que um bilhete inocente o comprometesse, bem como as perfurações minúsculas em seu pulso esquerdo, onde usava seu relógio? Aliás, seu relógio de pulso e sua mini TV – que estava em um saco de batatas fritas – o traíram.

Mas não foram apenas objetos que o traíram. Pessoas também o traíram. Todos que testemunharam contra ele eram traidores. Mogi, Aizawa, Matsuda, L... Até mesmo da parte de seu próprio pai Soichiro, visto que ele também era da equipe que investigava o caso...

... Mas nunca esperava uma traição de Misa.

Porém, a punhalada nas costas aconteceu. Não conseguia acreditar que ela estaria ali como testemunha de acusação, em vez de estar em sua defesa. Por que ela o traíra? Por que cometer tamanha burrice?

Definitivamente ela era mesmo uma loira burra. Nunca a iria perdoar por isso. Nunca.

Esperava ser atacado duramente por toda a força policial, por L, até mesmo pelo próprio pai, mas não por Misa, que lhe era tão fiel quanto um cachorro. E o pior de tudo é que ela havia contado tudo tintim por tintim à acusação. E, para dar mais credibilidade, os jurados tocaram em um pedaço de papel do Death Note, permitindo, assim, que os shinigamis fossem vistos.

Certamente Misa revelara tudo a L. E tudo ficava mais claro a partir do bilhete que revelava o seu padrão de escrita, que batia com grande parte da escrita usada para escrever os nomes no caderno.

E agora era condenado por pessoas com entendimento curto, que não compreendiam que, para dar um fim definitivo á criminalidade, era necessário se lançar mão de todos os meios possíveis.

“Os fins justificam os meios”, dizia Maquiavel. Porém, pouquíssimos compreendiam isso. Como um dos membros do júri, que, por coincidência, estudava na mesma universidade que ele; porém, estava no fim de seu curso de Direito.

Era a esse jurado que Light dirigia seu último olhar antes de seus olhos pousarem em sua família, que estava abraçada, tentando suportar, unida, a dor da separação.

Seu pai procurava se manter impassível, a fim de transmitir a impressão de “ser forte”, contrastando com sua mãe e sua irmã visivelmente abaladas e indo às lágrimas.

Nisso, a escolta policial o retirou dali pela porta dos fundos, para percorrer o caminho para a penitenciária. Um caminho sem volta.

Deu uma última olhada para trás, dirigindo seus olhos cheios de ódio para Misa.

Light jamais a perdoaria. Se tivesse uma chance de acabar com a vida de alguém, ela certamente seria a primeira da sua lista negra.

Ryuk apenas assistia a tudo sem nada fazer. Afinal, era apenas um mero espectador em meio àquele circo armado no Fórum.

*

Por mais que quisesse, não conseguia considerar o Caso Kira como encerrado. Não com a impressão de que isso ainda iria mais longe, muito além da condenação à prisão perpétua de Light. Mesmo oculto, L pudera perceber que o olhar do jovem Yagami era repleto de ódio e passava a impressão de que ele não ficaria para sempre encerrado numa prisão.

Além disso, não sabia do que os shinigamis eram capazes. Rem dissera que os deuses da morte não interferiam em nada que fosse feito no mundo humano, porém não conseguia acreditar muito nisso. Seu lado detetive sempre o deixava desconfiado de tudo. Ainda mais em se tratando de um oponente tão genial como Light.

Não adiantava relaxar, mesmo com a sentença proferida pelo juiz. Algo lhe dizia que isso ainda não havia acabado. Assim como ele, Light era infantil e não sabia perder.

Eles se pareciam, mesmo em lados opostos da história.

Precisava se manter alerta, porque a cada dia que passava, aumentava a sensação de que esse caso não havia acabado.

Não, com Light Yagami sendo quem era. Por muito pouco, conseguira enganá-lo, mas L tivera um golpe e tanto de sorte com Misa Amane se aliando a ele. Isso fora determinante para que a máscara de Kira caísse, e, por conseguinte, a máscara de Light.

Soubera aproveitar a chance de causar uma reviravolta e, assim, mais uma vez, provara que ele era a justiça. Mais uma vez havia vencido, mais um caso fora solucionado.

Porém, não era o fim. L sentia que esse caso fora solucionado, mas que ele não estava encerrado.

Não em definitivo.

*

Dias, horas, minutos e segundos se passavam ali naquele solitário cubículo de poucos metros quadrados. Estava completamente isolado do mundo exterior, sem ter nenhuma forma de comunicação.

Mas, mesmo assim, sorria. Sorria ante seu maior trunfo obtido ali.

Ao contrário do que todos pensavam, Light Yagami, o Kira, não ficaria ali para sempre. Não. Havia uma carta em sua manga. E ela acabava de surgir ali, atravessando a reforçada parede da cela solitária.

- Pronto, Light. – uma voz áspera se fez ouvir no local. – Tudo conforme o combinado.

- Ótimo, Ryuk. Em breve nosso tédio terá um fim e você não precisará mover nem mais uma palha. Vai contemplar de camarote mais um espetáculo, como parte de nosso pequeno acordo.

- Isso é ótimo! – respondeu o shinigami após soltar uma áspera gargalhada. – As coisas vão voltar a ser muito interessantes!

- Com toda certeza. – Light sorriu, enquanto seus olhos assumiam aquele típico tom escarlate quando deixava transparecer seu “lado Kira”. – Em breve as coisas voltarão a ser realmente interessantes...!

E, assim, o jovem soltou sua gargalhada assustadora, que ecoou por toda a cela. Nem a prisão perpétua seria capaz de segurar o poderoso Kira.

O espetáculo estava prestes a ter um novo ato!

Notas finais
Continua...