Notas iniciais
O dia seguinte sempre traz novidades...

Entre a Raposa e o Falcão

Escrita por BastetAzazis

Capítulo 8: Descobertas

O dia seguinte sempre traz novidades...

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Quando Karin despertou e percebeu que ainda estava vendada e amarrada na cama, ela sorriu satisfeita. Depois da noite de ontem, o Sasuke ainda estava interessado em continuar a “brincadeira”?

- Sasuke-kun...? – ela sussurrou manhosa. Quem lhe diria que o fechado Sasuke podia ser tão depravado entre quatro paredes. Não que ela estivesse arrependida, muito pelo contrário, ela só lamentava não ter conseguido seduzi-lo mais cedo. Tinha que admitir que estava devendo uma ao Suigetsu...

- Pensei que você jamais fosse acordar – ele respondeu. – A noite foi tão fatigante pra você?

- Sasuke-kun?? – o tom da pergunta era totalmente diferente ao de instantes atrás. Alguma coisa estava estranha com a voz dele. Parecia a voz do... do... – Suigetsu!?

Ela podia imaginar a risada cínica dele só com os ruídos que ele fazia. Assim que ele lhe tirou a venda dos olhos, a imagem era a mesma da sua imaginação.

- Seu porco, nojento! O que você está fazendo aqui? – ela gritou para ele, forçando os braços para frente para se livrar das cordas que a prendiam.

Ele já estava vestido, sentado ao lado dela na cama, mas colocou-se sobre ela imediatamente assim que ela começou a gritar.

- Shhhh... – ele gesticulou com um dedo nos lábios dela. – Não tente me enganar, Karin. Você realmente acreditou que era o Sasuke ontem a noite? Você não é tão ingênua assim...

Ela respondeu com um olhar furioso.

- Você não faz o tipo dele – ele continuou. – Ou ele não precisaria se ausentar determinadas noites, procurando... você sabe... lugares discretos o bastante para o líder da vila freqüentar...

- Saia... de cima... de mim! – Karin sibilou, furiosamente.

Mas Suigetsu respondeu com uma risada cínica.

- Ah... Não diga que você não gostou – disse, levantando-se da cama. – Os seus gritos ontem a desmentiriam, minha cara...

Karin estava furiosa e envergonhada ao mesmo tempo. Como aquele peixe estúpido conseguiu iludi-la tão facilmente? Só de lembrar em todas as coisas que eles fizeram na noite anterior... (Se não fosse o Suigetsu, ela até podia pensar em reconsiderar sua paixão pelo Sasuke... Um amante daqueles não se encontrava em qualquer lugar.)

Indignada por estar pensando no quanto Suigetsu podia ser bom na cama, suas forças finalmente se uniram, e ela conseguiu se soltar sem ter que pedir ajuda ao companheiro que lhe causava nojo. Para a sorte dele, ele já estava na porta quando ela levantou, o corpo apenas enrolado no lençol. Suigetsu conseguiu deixar o quarto antes que ela o esmurrasse na cara, mas aquela noite ainda teria sua vingança. Ele que aguardasse...

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Sakura abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi um jardim de cerejeiras forradas de flores através da janela que ocupava quase uma parede inteira do quarto. Da outra vez que ela acordara naquele lugar, as cortinas estavam fechadas, e ela não pode admirar a beleza que se escondia nos jardins internos acessíveis apenas pelos aposentos do líder do Som. Os olhos preguiçosos focaram para mais perto, caindo na sakura de cristal colocada ao lado dela na cama, no lugar que Sasuke tinha ocupado a noite inteira.

Sakura estranhou a sensação. Era a primeira vez em tantos anos que ela acordava... feliz. Não era a primeira vez que dormia com alguém, mas era a primeira que despertava com aquela sensação de que finalmente estava completa. A única coisa que estragava aquela manhã era o lugar vazio do Sasuke ao lado dela. Sentando-se na cama, ela pegou a delicada flor de cristal nas mãos e contemplou mais uma vez a bela vista do jardim... Até que ponto aquelas cerejeiras tinham a ver com ela? A idéia era assustadora demais... Inacreditável, vinda do Sasuke. Mas o Sasuke de ontem era tão diferente da figura que ela ensinara seu coração a endurecer...

Mas o desaparecimento dele pela manhã ainda lhe deixava com uma pontinha de dúvida. Seria dolorido demais constatar que ela fora abandonada mais uma vez, que suas esperanças renasceram de novo apenas para serem novamente pisoteadas. Mas Sakura não permitiria que aquela menina deixada uma vez desacordada num banco da vila tomasse conta da mulher que ela crescera em si. Sem se preocupar onde suas roupas foram parar, a kunoichi decidiu que não ficaria mais lamentando ou esperando por ele, estava na hora de agir. Levantou usando apenas o lençol para se cobrir e tratou de procurar pelo líder daquele lugar.

Felizmente, ela não precisou sair correndo como uma louca pervertida pelos corredores intermináveis do Som. Bastou correr a porta do quarto para encontrá-lo lendo calmamente, na parte ainda privativa dos seus aposentos. Ele levantou os olhos tão serenamente para admirá-la quando ela entrou, que Sakura precisou se beliscar para ter certeza que não estava sonhando.

Se em algum momento na noite anterior ela temeu se repreender no dia seguinte por causa do Naruto, a visão do Sasuke, considerando-a com uma expressão tão doce, fez qualquer lembrança da vida que ficara em Konoha sumir da sua mente. Naquele momento, sob aquele olhar, ela realmente tinha que admitir que ela era dele. E não havia nada degradante em ser propriedade de Sasuke Uchiha quando se tinha um dono tão obediente, que fazia todos os seus desejos.

Como se levantar e caminhar lentamente até ela, recebê-la com um sorriso de canto nos lábios que o deixava ainda mais sedutor e encará-la com tamanha intensidade que a fazia se perguntar se ela estava mesmo enrolada nos lençóis para depois beijá-la ternamente nos lábios. Não adiantava mais negar, ela sempre estivera presa a ele, e o sorriso escancarado no rosto desmentiria qualquer tentativa de se enganar.

Encantado com a mulher em seus aposentos, Sasuke a considerou por um momento, com um olhar divertido:

- Eu já pedi a Yuzu para providenciar mais algumas roupas enquanto estiver no Som.

Yuzu... Roupas... O Som...

As palavras a fizeram voltar para a realidade. Sakura não sabia o que dizer, o que pensar... Ela só queria protelar aquela manhã e depois pensar como resolver sua vida. E o Sasuke parado na frente dela, com aquele olhar, só aumentava a sensação de irresponsabilidade.

- Sasuke... – ela fechou os olhos para tentar evitar a tentação na frente dela –, eu deveria voltar para Konoha hoje. Minha missão aqui está terminada.

- Então – Sasuke voltou a vestir o olhar duro e inexpressivo do líder do Som –, você decidiu não ficar...

– Você sabe que não é simples assim... – Sakura lamentou. – Mais cedo ou mais tarde, um dia eu terei que voltar.

- Eu pensei – Sasuke respondeu, desviando os olhos dela para um ponto qualquer na parede – que você tinha permissão do próprio Hokage para ficar o tempo que achasse necessário.

O Hokage... Como ela explicaria para ele que “o Hokage” era muito mais que o antigo companheiro de time deles agora?

Mas o Sasuke estava certo. Naruto não parecia muito interessado que ela voltasse tão cedo para Konoha na última carta que recebera dele. E agora ela tinha certeza que aquele noivado havia sido um erro... Isso explicava a falta de interesse dela em marcar uma data, em providenciar a festa, a irritação toda vez que Naruto a interrompia para falar alguma bobagem relacionada com o futuro casamento. Ino passara meses tentando alertá-la, mas ela estava tão magoada com seu amor perdido que só queria se prender a um amor de faz de conta, como se o amor fosse sempre feliz como o Naruto tentava fazê-la acreditar.

Mas ela não podia simplesmente esquecer os compromissos errados que tinha em Konoha. Não era justo com o Naruto, que sempre só quis fazê-la feliz, não se importando dos sacrifícios. Foi com outro sorriso triste que ela retorquiu o Sasuke:

- Mesmo assim, eu não posso ficar aqui para sempre. Eu deixei coisas pendentes em Konoha também. Não posso simplesmente decidir ficar aqui sem antes falar com os meus pais, com a vila...

- Sakura – Sasuke a interrompeu, sério. – Não estou pedindo para você deixar Konoha e viver aqui como uma fugitiva. – Ele voltou a se aproximar dela, acariciando-a no rosto com uma das mãos. – Apenas aproveite que tem permissão para ficar mais algum tempo e, se você achar que pode ser feliz aqui, ao meu lado, nós dois vamos até Konoha e resolveremos isso juntos.

Sakura estreitou os olhos, sem acreditar em seus ouvidos.

- Você...? Você voltaria a Konoha, mesmo que por apenas alguns dias, por mim?

Sasuke levantou um pouco mais o canto da boca, sorrindo discretamente.

- Foi por você que eu nunca voltei.

Sakura franziu o cenho, em dúvida, e Sasuke explicou:

- Não tinha nada em Konoha para mim. O Naruto já era reconhecido por todos na vila a ponto de ser indicado Hokage e você... Eu sabia que tinha te perdido naquela noite, mesmo sabendo que a única coisa certa a fazer era impedi-la de partir comigo. – Sakura abriu a boca para tentar responder, mas ele não deixou. – Você estava diferente, e eu não tinha o direito de exigir que você ainda sentisse o mesmo por mim depois de tanto tempo.

Sakura baixou os olhos.

- Eu... Eu acreditei no que ela disse... Sobre você, sobre vocês dois rindo de mim... – Levantando os olhos novamente para encará-lo, Sakura teve coragem de perguntar: — Como a Karin sabia o meu nome? Como ela sabia daquela noite?

Sasuke virou os olhos antes de responder:

- Um genjutsu. Nada que eu goste de relembrar, mas Karin foi a única pessoa no Som que descobriu que eu não tinha cortado meus laços com Konoha como eu tentava convencer o Orochimaru. E por ela nunca ter me entregado, eu tenho uma dívida com ela.

- Eu não gosto dela – Sakura replicou, estreitando ainda mais os olhos.

Como resposta, Sasuke deu um riso curto e se aproximou dela para beijá-la. No instante que seus lábios se tocaram, Sakura sabia que Karin estava longe de ser uma preocupação e já estava prestes a se entregar aos braços fortes que a seguravam pelo quadril e pelas costas quando uma batida na porta fez os dois se afastarem rapidamente, com suspiros frustrados.

- Sasuke-sama? – a voz de Yuzu veio do outro lado das portas deslizantes. – Trouxe as roupas que você me pediu.

Sakura pulou rapidamente para o quarto separado pela shoji para que Yuzu não a visse coberta apenas pelo lençol. Ela sentiu o rosto aquecer, enrubescida, e esperou Sasuke aparecer com suas novas roupas com um sorriso bobo nos lábios. Fazia anos que ela não sabia o que era sorrir daquele jeito, e a felicidade a impediu de pensar nas conseqüências da escolha recente de não voltar para casa tão cedo.

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Shikamaru sempre manteve seu bom hábito de levantar nas primeiras horas da manhã. Aquilo já lhe rendera muitas vantagens, afinal, o conselheiro principal do Hokage precisa estar com a mente sempre bem viva desde o início dia. Principalmente quando o Hokage costuma aparecer no seu escritório com os olhos ainda inchados e sem nenhuma capacidade de raciocinar antes de uma generosa tigela de ramen. No fundo, as decisões mais estratégicas do líder da Folha tinham sempre um dedo ágil do seu assistente, sempre pronto a atender sua vila.

Naquela manhã, entretanto, Shikamaru amaldiçoara seus costumes tão previsíveis. Ele era o único acordado além das duas kunoichis usando o uniforme ANBU paradas no caminho que conduzia para os portões da vila.

- Ten Ten-san? Hanabi-san? – Ele as chamou assim que suas figuras ficaram claras. – O que vocês estão fazendo aqui tão cedo? O clã Hyuuga está fazendo buscas há dias atrás de você – continuou, olhando fixamente para Hanabi.

- Eu fui indicada para uma missão em Suna – Ten Ten explicou –, mas é a Hanabi que vai no meu lugar, usando a minha máscara para não ser reconhecida. Eu deixarei a vila mais tarde, algumas horas de atraso não farão diferença na minha missão.

Shikamaru estreitou os olhos. Aquilo seria problemático.

- Por favor, Shikamaru – Hanabi implorou. – Não há mais lugar para mim no meu clã. Eu não posso mais viver em Konoha.

- Você deveria pedir permissão ao Hokage para sair da vila – ele respondeu.

- O Hokage me entregaria de volta para minha irmã, você sabe disso.

- Mesmo assim... Você está atrapalhando uma missão ANBU, eu não posso concordar com isso.

As duas kunoichis se entreolharam, e depois de um momento de silêncio, Ten Ten se manifestou.

- A Temari-san já está esperando a gente em Suna...

- Vocês já envolveram Suna nessa história? – Shikamaru a interrompeu, a cabeça já raciocinando alguma maneira de impedir aquelas duas, antes que um incidente diplomático acontecesse. E cortar as relações de Konoha com Suna era a última coisa que ele queria.

- Acalme-se, Shikamaru. A Temari é minha amiga e já está ciente do que aconteceu com a Hanabi-san. Ela só vai ficar alguns dias em Suna até resolver seus problemas com o clã, numa área neutra.

Shikamaru as considerou, ainda desconfortável com o plano das duas. Mas foram as próximas palavras da Ten Ten que o deixaram mais branco que as nuvens.

- Ora, vamos, Shikamaru. A Temari não vai gostar de saber que justo você impediu a Hanabi de chegar até Suna...

Os olhos do shinobi se arregalaram imediatamente, correndo da Ten Ten para Hanabi, perguntando silenciosamente até que ponto a Hyuuga sabia de suas relações com Suna.

- Está bem, está bem... – ele cedeu, deixando um olhar vitorioso estampando no rosto da mestre de armas. – Se vocês vão colocar Suna no meio desta briga de clã, deixem-me intervir. Hanabi partirá agora, fingindo que é você numa missão para a ANBU, e eu convencerei o Naruto a me deixar partir para o País do Vento antes do programado para o Exame Chuunin. Fique escondida em casa e preparada para sair em missão comigo hoje à tarde.

- Hai – Ten Ten fez uma mesura debochada do tom autoritário do conselheiro do Hokage e piscou para a amiga.

- Obrigada, Shikamaru-san – Hanabi agradeceu sinceramente, vestindo a máscara ANBU e seguindo em direção à saída da vila.

Depois que a Hyuuga desapareceu da visão dos dois, ele disse sério para Ten Ten:

- Você sabe que eu terei que contar ao Naruto sobre isso.

A mestre de armas assentiu com a cabeça.

- Apenas faça o possível para impedir esse casamento, ou eu temo que a Hanabi ainda é capaz de uma grande burrada.

Shikamaru balançou a cabeça.

- Vocês, mulheres, são tão problemáticas... Eu posso tentar convencer o Naruto a levar a Hinata para Suna quando o Exame Chuunin começar, onde ela e a irmã poderão conversar e resolver o problema dos Hyuuga. Mas saiba que eu não concordo em envolver Suna nisso, apenas a deixei partir porque vocês envolveram a Temari-san nisso antes do meu conhecimento.

- Pode dizer o que quiser, Shikamaru – Ten Ten respondeu –, mas eu sei que você adorou a idéia de viajar para Suna mais cedo.

- Não sei do que você está falando – ele respondeu, sério. – Estou atrasado, com licença.

Shikamaru deu as costas para a kunoichi que o provocara e saiu em direção ao escritório do Hokage. As poucas pessoas que já estavam na rua naquela hora tiveram o privilégio de ver um raro e enorme sorriso estampado no rosto do conselheiro principal da vila.

Continua...

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N.A.: Sem comentários quanto a demora em atualizar. Espero conseguir atualizar a fic mais rápido, mas infelizmente não posso prometer nada.

De qualquer maneira, espero que tenham gostado do cap. Bjin para os ShikaTema e SuiKa de plantão!