Notas iniciais
Hinata toma uma decisão depois de sua conversa com Hanabi. Mas o que Naruto tem a dizer? Enquanto isso, no Som, Sasuke e Sakura se enfrentam.

Entre a Raposa e o Falcão

Escrita por BastetAzazis

Capítulo 11: Confissões – Parte 1

Hinata toma uma decisão depois de sua conversa com Hanabi. Mas o que Naruto tem a dizer? Enquanto isso, no Som, Sasuke e Sakura se enfrentam.

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Quando Naruto deixou o escritório do Kazekage, tomou cuidado para não ser notado nem pelo seu amigo Gaara, e seguiu direto para seus aposentos. Não queria falar com ninguém; muito menos ser interrogado sobre a conversa que acabara de ter com o líder do Som.

Admirando o famoso luar de Suna pela pequena sacada na janela do quarto, seu espírito era o mesmo de anos atrás, quando estava acostumado a ser ignorado pela Sakura e obrigado a testemunhar os olhares silenciosos entre ela e seu amigo / irmão. Tudo voltara à tona. O dia que ele levara Tsunade-sama para salvar o Sasuke e teve que sair do quarto quando seu amigo acordou e foi abraçado por ela, um abraço que ele tanto desejava para si. Ou o dia que ele acordara na Floresta da Morte e encontrara o Sasuke estranho e a Sakura com o cabelo curto, mas ninguém lhe contara o que havia acontecido. Até mesmo quando seu amigo deixara Konoha, enquanto ele só descobrira no dia seguinte, Sasuke e Sakura tinham se despedido na noite anterior... Ele sempre soubera que além do amor escancarado que a Sakura demonstrava pelo Sasuke, seu amigo escondia que também sentia o mesmo por ela.

E ele fora estúpido o suficiente para tentar se intrometer na relação confusa deles. Sasuke se recusando a procurar a Sakura, Sakura chorando em silêncio a falta do Sasuke... E ele, Naruto, no meio dos dois. Perdido entre a recusa do amigo em aceitar um amor e a antiga atração infantil que sentia pela companheira de time. A tentação de finalmente conquistar a Sakura talvez tenha cegado seus olhos, e ele fora idiota o bastante para achar que conseguiria fazê-la feliz.

Mas era óbvio que ele estava errado. Ele mentira para a Sakura, escondera dela o que sabia sobre o Sasuke, fazendo-a acreditar na figura ingrata que cortara os laços com os antigos companheiros de time que ela mesmo havia criado em sua mente quando Sasuke deixara Konoha pela segunda vez. E depois, ainda aceitara a provocação do Sasuke e praticamente a obrigara a passar no Som mais tempo que qualquer noivo zeloso suportaria. Era claro que mais cedo ou mais tarde ela perceberia que o Sasuke ainda era o mesmo Uchiha que completava o Time 7. Era claro que cedo ou tarde ela voltaria a amá-lo como quando ainda eram gennins. Onde ele estava com a cabeça quando pensou que podia provar o contrário para o líder do Som?

E agora ele os odiava. Seus dois laços mais preciosos, Sakura e Sasuke, traíram seu amor e sua amizade. Seu chakra mais maligno ligado à Kyuubi queria esganar a Sakura, matá-la vagarosamente bem na frente do Sasuke. Queria fazer o amigo que ele um dia considerara um irmão sofrer com a perda de mais um laço. Queria negar aos dois o amor.

Mas Naruto não teria se tornado Hokage se não tivesse aprendido a controlar seu lado irracional. Descontando a raiva na força com que suas mãos seguravam a murada da sacada, ele dissipou os pensamentos mais malignos da sua mente. Como ele podia culpar a Sakura de traí-lo no último mês quando ele mesmo andava preferindo a companhia de outra mulher que da sua própria noiva?

Foi quando a imagem da Hinata, encarando-o assustada antes dele desmaiar, voltou a sua consciência com um toque de remorso. Ele lembrou das palavras tranqüilas dela, aconselhando-o a não se preocupar com a partida da Sakura para o Som. Depois, lembrou daquela sensação estranha no Ichakaru, quando o mundo pareceu parar depois que ela depositou todas suas esperanças nele com aqueles olhos perolados enormes o encarando. Não lhe importava o olhar reprovador do dono do estabelecimento, coisa que, aliás, ele ainda não tinha compreendido o motivo. Até que, seguindo a linha de suas lembranças, recordou o terror e o desespero que se apossou dele quando, na emboscada a caminho de Suna, entendeu que estava morrendo e não poderia cumprir sua última promessa para a Hinata. Seu coração estava comprimido como naquele dia, e tudo o que ele queria era sentir novamente aquela paz que só a Hinata conseguira trazer ao seu coração, capaz de fazer o tempo estancar.

Assustado, ele compreendeu que aquilo não podia ser definido como uma simples amizade. Havia algo na líder dos Hyuuga que o atraía, desde que eles eram gennins e ele se sentiu obrigado a defendê-la de um primo incapaz de reconhecer a força escondida nos seus gestos gentis. Ele, Naruto Uzumaki, foi o primeiro a reconhecer a força que Hinata guardava escondida atrás de suas palavras delicadas e seu enorme coração, e uma lágrima escorreu quando ele se lembrou que fora ela, Hinata Hyuuga, a única pessoa que acreditou que ele podia derrotar Neji, o melhor gennin da turma dos mais velhos.

A luz da lua ficou distorcida com as lágrimas que encheram seus olhos, e logo se transformou na figura de uma mulher. Uma mulher que ele conhecia há muito tempo, mas só então passou a admirar. E sua mente lhe dizia como ela era linda, imaginando-a num kimono de seda, diferente das roupas pesadas que ela usava em suas reuniões. Apesar de fechado até o pescoço, o tecido leve enaltecia os seios e caía levemente sobre as curvas do corpo, fazendo-o desejar segurá-la nos braços, beijá-la, sussurrar palavras doces e descer seus lábios por trás da orelha até o pescoço, arrancando os botões recatados de sua roupa e...

E então ele percebeu que a imagem não era fruto da sua imaginação. Ele estava encarando a verdadeira Hinata, em pé, com o rosto virado para o luar, na sacada dos seus próprios aposentos, já que todos os quartos de visita eram virados para o jardim interno da residência do Kazekage.

Naruto só percebeu que ela era real quando, depois de desviar os olhos da lua e constatar que era observada avidamente, Hinata corou como uma criança e entrou toda atrapalhada para o quarto. O Hokage sentiu suas próprias bochechas se aquecerem com aquela situação e ficou um instante perdido, sem saber como reagir. Felizmente, o tempo que ficara refletindo sobre sua relação com a Sakura e seus sentimentos pela líder Hyuuga fora suficiente para ele tomar uma decisão: não podia deixar que a Hinata o visse como um pervertido qualquer que espiona mulheres como seu antigo sensei. Precisava esclarecer aquela situação o mais rápido possível.

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Karin deixou o escritório do líder do Som sentindo-se vitoriosa. Não lhe importava se não tinha mais nenhuma chance com o Sasuke, o que mais a incomodava era a presença da rosada no Som. Não bastasse ter toda a atenção do líder da vila, ela também estava sempre se metendo na Ala Hospitalar, querendo se intrometer no seu trabalho e ensinando jutsus médicos para qualquer chuunin. Karin sempre fora a principal médica da vila, não aceitaria perder sua posição tão facilmente! Mas agora, ela tinha certeza que não seria mais um problema, pois descobrindo que foi enganada pelo seu amado Sasuke-kun por tanto tempo, Sakura com certeza sairia do Som assim que pudesse, para nunca mais voltar.

- O que você estava fazendo no escritório do Sasuke? – a voz de Suigetsu surgiu atrás dela.

- Não é da sua conta – ela respondeu, mordaz.

Suigetsu a segurou por um braço, fazendo-a se virar para ele.

- Eu vi a Sakura entrar há pouco tempo e agora você sai de lá sorrindo desse jeito. O que você aprontou? – ele perguntou com os olhos estreitos e ameaçadores.

- Nada demais – ela respondeu sem se intimidar. – Apenas me certificando que ela vai sair do nosso caminho em breve!

Suigetsu balançou a cabeça em negação.

- Karin, Karin... – ele suspirou. – Quando você vai entender que, com ou sem Sakura aqui, você não tem nenhuma chance com o Sasuke?

- Eu não fiz isso pelo Sasuke, seu idiota! – ela explodiu. – Foi por nós dois! Já imaginou que se ela continuar aqui, não vai demorar muito para começar a se intrometer em tudo! Já chega o que ela está fazendo na Ala Hospitalar...

Suigetsu levantou um canto da boca num leve sorriso antes de interrompê-la:

- Você pensou em mim também, é? – E completou com uma piscadela.

Karin estreitou os olhos, mas sem saber o que responder, acabou bufando. Os olhos vermelhos se desviaram de Suigetsu, correndo para o lado, depois para o teto, até que caíram sobre os verde-claros dele novamente.

- Estou lisonjeado – Suigetsu concluiu, irônico.

- Espero que você saiba como agradecer – ela respondeu, séria, mas indicando o caminho para o seu quarto ao inclinar a cabeça.

O ninja do Som sorriu e a soltou, deixando-a seguir sozinha. Afinal, ele não era nenhum cachorrinho de estimação para seguir sua ama cegamente. Mas claro, assim que ele terminasse suas ocupações, a noite prometia terminar muito bem...

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- Hinata-chan! Eu não vou parar de bater e gritar até você abrir esta porta!

A voz do Naruto e as pancadas na porta do quarto de Hinata enchiam os corredores que levavam aos aposentos dos hóspedes do Kazekage. A jovem Hyuuga se arrependeu dos segundos de dúvida que a deixaram imóvel, pensando se devia ou não abrir a porta quando ele a chamou, calmamente, pela primeira vez. Antes que aquilo se tornasse um escândalo, ela girou a chave na fechadura e encontrou um Hokage atônito, que praticamente invadiu seu quarto fechando a porta atrás de si.

- Hinata-chan, me desculpe – disse, assim que virou-se novamente para ela. – Eu... err... Eu não estava olhando para você. Quer dizer... eu estava, mas não era o que você está pensando... Eu... Eu...

- Naruto-kun... – Hinata o interrompeu, mais vermelha que o Hokage. – Você não tem pelo que se desculpar. Eu... Eu não estou ofendida. É só que... quando vi você na outra janela eu... Eu lembrei que prometi a minha irmã que não sairia de Suna antes de lhe dizer uma coisa...

Naruto franziu o cenho, confuso.

- Você tem algo para me dizer? O que é?

- Er... É... É por isso que eu fugi toda atrapalhada antes – ela respondeu, baixando a cabeça. – Eu não sei como lhe dizer isso.

- Hinata – Naruto disse aumentando o tom de voz e aproximando-se mais dela. – Você está me deixando preocupado.

Com isso, a Hyuuga levantou os olhos perolados ansiosos, encarando as belas orbes azuis que tanto lhe encantavam. Ele estava tão perto, e seu coração batia tão forte... O rosto dele ficava ainda mais lindo quando parecia sinceramente preocupado com ela.

Como no dia que ela levantou a voz para os anciões Hyuuga para garantir seu lugar como sucessora após a morte do pai, Hinata sabia que não teria outra chance de demonstrar seus reais sentimentos. Ela respirou fundo, fechou os olhos, e disparou:

- Eu amo você, Naruto-kun!

Ainda de olhos fechados, Hinata não viu os olhos azuis se arregalarem assustados com o que ouviram. O rosto de Naruto passou instantaneamente do vermelho para o branco, e por mais que ele abrisse a boca e mexesse os lábios, nenhum som conseguia sair dele.

Preocupada com o silêncio, a garota finalmente resolveu abrir os olhos para investigar as conseqüências de sua confissão. Naruto ainda a encarava boquiaberto, e ela não conseguiu conter as lágrimas que começaram a escorrer no rosto.

- Eu sei que você ama a Sakura-san – ela continuou, a voz um pouco embargada pelo choro. – E se você está realmente feliz com ela, eu também ficarei feliz, porque... porque eu te amo e tudo o que me importa é saber que você está bem, com todos os seus sonhos realizados. – Ela sorriu em meio as lágrimas. – E veja só! Você se tornou um excelente Hokage e vai se casar com a menina que sempre amou! – Naruto continuava encarando-a em silêncio, e Hinata sentiu que precisava continuar a se explicar. – Por isso eu só queria dizer que estou feliz por você... E eu... bem, eu gostaria que você soubesse... do que eu sinto... por... você.

As últimas palavras saíram quase num sussurro depois que Hinata percebeu a expressão do Naruto se moldando num franzir zangado das sobrancelhas.

- Não, Hinata – ele disse.

Hinata engoliu um suspiro e levantou os olhos corajosamente para ele, pronta para encarar a recusa.

- Você está errada – ele afirmou.

Ela abaixou a cabeça num assentimento, mas Naruto a levantou forçando os dedos contra o queixo dela.

- É verdade que eu amo a Sakura – ele disse com a voz terna –, mas não do jeito que você imagina. E hoje eu entendi que eu jamais fui realmente feliz ao lado dela, não com a sombra do que ela sempre sentiu pelo Sasuke ao nosso lado. E eu, mais que qualquer um, sei que é impossível ser feliz vendo a pessoa que amamos amando outra pessoa.

Com isso, Hinata arregalou seus enormes olhos perolados, e as lágrimas cessaram instantaneamente de brotar. Naruto levantou sua cabeça ainda mais um pouquinho, obrigando-a a encará-lo bem de perto.

- Você não está feliz me vendo junto com a Sakura – ele afirmou, sem abrir espaço para que ela revidasse. – E pensar que eu sou a causa da sua infelicidade faz meu coração se apertar tanto que... Hinata... – Seus olhos fugiram dos dela, perambulando pelos lados e pelo teto do quarto, procurando as palavras certas para explicarem a revolução que seus sentimentos fizeram em sua cabeça. Exausto e sem saber o que dizer, repentinamente, ele simplesmente se ajoelhou, abraçando-a pela cintura e mergulhando a cabeça logo abaixo dos seios dela, sentindo o toque sedoso kimono que a vestia. – Hinata-chan... me desculpe. Eu fui um idiota por nunca ter percebido... por nunca ter entendido o que sentia por você...

Surpresa e constrangida por ver o Hokage ajoelhado aos seus pés, Hinata também se abaixou, até que suas cabeças ficassem novamente na mesma altura. Ela segurou o rosto dele aconchegando o maxilar com as duas mãos até que as pontas dos narizes quase se tocassem, e sussurrou:

- Não faça isso, Naruto-kun. Não é culpa sua... Eu é que sempre me escondi, sempre o observei de longe, envergonhada demais para...

Mas Naruto não estava interessado, nem queria ouvir a Hinata procurando desculpas para sua distração. Ele era o único culpado. Só que ao invés de ficarem tomando a culpa um do outro, Naruto decidiu que o que mais queria dela era um beijo, e foi assim que a fez se calar.

Hinata sentiu o coração acelerar e o estômago dar cambalhotas dentro dela quando seus lábios foram impedidos de se mexer pelos lábios do Naruto. Ela agradeceu internamente por estar ajoelhada, pois se aquilo continuasse por muito tempo, tinha certeza que acabaria desmaiando, estatelada no chão.

Felizmente, ela não desmaiou. Pelo contrário, forçou-se a ficar bem atenta, ciente de todas as sensações que o toque dele faziam brotar nela. Os lábios, as línguas entrelaçadas, as mãos dele passeando pela cintura e pelo quadril, e depois subindo até os seios. No início ela recuou quase que instintivamente, mas embriagada pelos beijos e pelos arrepios crescentes em sua pele, ela logo se deixou tocar, cada vez mais encantada pelo prazer recém-descoberto. Apenas quando os dedos dele alcançaram os botões no alto do pescoço, tentando abri-los, foi que ela se afastou.

- Naruto-kun, eu... – ela tentou se explicar, os olhos no chão e o rosto enrubescido. – Eu nunca... Eu não... Eu...

Ela apenas levantou os olhos para ele, envergonhada, sem saber como continuar. Naruto, apesar da fama de distraído e alienado, entendeu imediatamente a súbita timidez.

- Está tudo bem, Hinata-chan – ele lhe assegurou, sorrindo ternamente e também se afastando um pouco. – Me desculpe se eu fui apressado demais, eu... Acho melhor eu voltar para o meu quarto.

- Não! – Hinata gritou apressada, segurando Naruto pela roupa quando ele tentou se levantar. – Eu quero que a minha primeira vez seja com você, Naruto-kun. Aqui. Esta noite.

Naruto encarava a mesma menina que se postou diante dos anciões do clã mais poderoso de Konoha e os obrigou a seguir as suas ordens desde então. Agora ele entendia porque o clã Hyuuga respeitava fielmente sua líder, era impossível negar qualquer ordem daqueles olhos sinceros e gentis. A força da Hinata-chan por trás da delicadeza era invencível, e quem era ele – um mero Hokage – para negar alguma coisa para ela.

Com um sorriso lisonjeado, Naruto se aproximou da sua musa, passando um braço pelas suas costas e o outro atrás dos joelhos. Num único impulso, levantou-se com ela nos braços e caminhou para a cama, deitando-a com todo cuidado, lutando contra seus gestos atrapalhados para que nada saísse errado.

- Naruto-kun – ela sussurou em meio aos beijos que ele depositava em seu pescoço. – Não sei o que tenho que fazer, eu...

- Shhhh – ele respondeu, subindo os lábios até a parte de trás de uma das orelhas. — Você é linda...

Com o corpo mole e entregue às carícias, Hinata simplesmente deixou Naruto despi-la aos poucos, beijando cada parte descoberta, permitindo-a conhecer sensações inteiramente novas e agradáveis. Ele a incitava vagarosamente, aos pouquinhos, deixando-a relaxar a cada nova caricia. Aos poucos, ele percebeu que ela também procurava agradá-lo, com as mãos sondando-o por baixo das roupas, sentindo a pele quente dele cada vez mais excitada. Logo, os dois estavam livres de qualquer barreira que impedisse suas peles de se tocarem e, naturalmente, se tornaram um só.

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Uma hora antes do sol nascer em Suna, Shikamaru já estava acordado. A grande chateação de se envolver com a irmã do Kazekage era ter que sair do quarto dela se esgueirando antes do dia amanhecer para que não fossem descobertos. Felizmente, ele sempre fora um homem de hábitos diurnos e levantar cedo não era o maior dos seus problemas.

Olhar para o rosto da Temari adormecida – o único momento do dia em que ele podia dizer que ela estava tranqüila – e saber que era o último dia que a veria rasgava seu coração. Seria tão mais fácil se apaixonar por uma kunoichi de Konoha, pedi-la em casamento quando ele tivesse condições de manter sua própria casa e formar sua família... Mas não... Sua vida sempre tinha que ser problemática! Até na hora de se apaixonar.

Com um suspiro, Shikamaru deixou um beijo terno na testa da sua amante dorminhoca e se vestiu para seguir até seus aposentos, onde fingiria que estivera durante toda a noite. Abriu a porta vagarosamente para evitar qualquer barulho, saiu e a fechou com cuidado. Virou para seguir até seus aposentos e começou a andar, até sentir uma mão o segurar pelo ombro.

- Posso saber o que você fazia no quarto da minha irmã até essa hora?

Shikamaru deu meia volta para encontrar a figura mal humorada de Kankurou. A resposta para a pergunta dele era óbvia, e o ninja de Konoha preferiu o benefício do silêncio.

- Acho melhor levá-lo até o meu irmão.

Kankurou não foi despertar o Kazekage aquela hora da madrugada, mas os dois esperaram até o amanhecer e as primeiras movimentações na casa para esclarecer o acontecido. Gaara, muito mais compreensivo que o irmão mais velho, mandou chamar Temari para a reunião também. Afinal, ela parecia ser a maior interessada no assunto. Quando Kankurou a trouxe ao escritório, os gritos dos dois eram ouvidos a distância.

- Muito bem – Gaara deu início à reunião, fazendo seus dois irmãos silenciarem as mútuas ameaças de morte. – Temari, eu a chamei aqui porque nosso irmão Kankurou parece estar muito preocupado com esse seu... – Ele pigarreou, procurando as palavras certas – essa sua... amizade... com um ninja de Konoha.

Temari estreitou os olhos, e por um instante Shikamaru temeu pela saúde de Kankurou.


— Pois o Kankurou já devia saber muito bem que isso não é problema dele – ela respondeu, os olhos fixos no ninja das marionetes.

Gaara deu um suspiro. Embora Temari fosse sua irmã mais velha, ainda assim ele se sentia responsável por ela, e temia por sua felicidade ao se envolver com um ninja de outra vila, um relacionamento que não prometia nenhum futuro.

- Shikamaru! – ele chamou pelo outro lado do problema. – Você deve partir para Konoha esta manhã, com o Hokage, não é mesmo?

O rapaz apenas assentiu, cabisbaixo.

- E com isso, você pretende deixar a minha irmã sozinha, aqui em Suna? – Gaara contiunou, sério.

Com aquele interrogatório, direcionado ao Shikamaru apenas, como se ela não existisse, Temari já estava ficando vermelha de raiva e prestes a explodir contra os irmãos intrometidos. Shikamaru, por outro lado, levantou a cabeça calmamente e encarou o Kazekage.

- Gaara-sama – ele começou –, eu sei como a Temari-san é importante para Suna. E eu sei também que, como irmã do Kazekage ela merece algo muito melhor que um casamento com um reles conselheiro de outra vila. – Fazendo uma pausa, ele olhou de relance para Temari, que estava no meio caminho entre a raiva pelos irmãos e a surpresa com aquelas palavras, e continuou: — Entretanto, desde que nos tornamos responsáveis pela diplomacia entre nossas vilas, minha vida se resume a esperar pelos dias que nos encontraremos novamente, a cada semestre, para organizar os encontros dos Kages e os Torneios Chuunin. Eu sei que o certo seria pedi-la em casamento e levá-la para Konoha, mas eu sou apenas um jounin... Não poderia dar a ela a vida que ela tem em Suna, separá-la da família e das responsabilidades com o Kazekage. Por isso, eu aguardo pacientemente os dias em que podemos nos encontrar. Me desculpe se, com isso, acabei ofendendo sua família.

Com um leve sorriso, Gaara desviou o olhar do jounin de Konoha para sua irmã. Temari agora estava branca, os olhos arregalados e a boca aberta. Baixinho, ela começou a balbuciar:

- Casamento? Você... você disse que... me espera todos os dias? Que não pode me levar...? – Uma pequena lágrima apareceu deslizando pelo rosto.

- Realmente, Shikamaru-san – o Kazekage respondeu, ignorando os murmúrios da irmã –, Temari é uma irmã muito querida e Suna sentiria muito sua ausência.

O jounin da Folha apenas concordou com a cabeça, resignado.

- Entretanto, há algum tempo que eu venho cogitando a idéia de enviar um conselheiro permanente de Suna para Konoha. Facilitaria muitas coisas para mim e para o Hokage. E quem melhor que minha irmã para ocupar um cargo de tamanha responsabilidade e confiança?

Temari continuou encarando o irmão boquiaberta e com os olhos ainda mais arregalados. Gaara, entretanto, conseguiu perceber o brilho escondido atrás do assombro no olhar dela e sorriu internamente.

- Neste caso – Shikamaru interrompeu o diálogo silencioso entre os dois irmãos – eu só posso dizer que o Kazekage me faria o ninja mais feliz em Konoha e Suna se permitir que eu peça a mão de Temari em casamento.

- Você conhece minha irmã, Shikamaru-san – Gaara respondeu, divertido. – Nem mesmo o Kazekage consegue mandar nela. – E virando-se para Temari, perguntou: — O que você acha?

Mas a kunoichi de Suna não respondeu ao irmão. Saiu correndo em direção a Shikamaru, como se fosse abraçá-lo, mas parou bem na frente dele com as mãos em punho e os olhos cheios de lágrimas.

- Seu idiota! – ela praguejou entre as lágrimas, socando o peito dele levemente com as mãos. – Por que você nunca disse isso pra mim? Eu... Eu nunca pensei que... É claro que eu quero ir para Konoha com você!

Era a primeira vez que Shikamaru via sua Temari tão fragilizada pelas emoções, e de repente, ele se lembrou de uma velha conversa do seu pai sobre as mulheres.

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Quando o sol nasceu nos campos de arroz que escondiam os caminhos subterrâneos que levavam à Vila do Som, Sasuke e Juugo já estavam no corredor principal que terminava nos aposentos onde o Uchiha imaginava que encontraria Sakura ainda dormindo.

- Sasuke-sama – Juugo o chamou quando os dois estavam prestes a se separar no labirinto de corredores escuros. – Você não disse nada no caminho até aqui. Aconteceu alguma coisa para você resolver voltar tão repentinamente?

- Aconteceu, Juugo, mas nada que você deva se preocupar. O Som não está em perigo.

- É alguma coisa com Konoha e a Sakura-sama, não é? – o ninja questionou. – Você decidiu partir depois de falar com o Hokage...

- Não é da sua conta – Sasuke respondeu, seco.

Juugo já estava acostumado com o temperamento hostil do seu líder quando questionado sobre assuntos pessoais. Mas desta vez, ele sentiu que devia se intrometer sem dar ouvidos às grosserias do Sasuke:

- É só que... Eu acho que a Sakura-sama fez muito bem para a vila, com a ala hospitalar e os jutsus médicos que ela nos ensinou. Acho que todos sentirão muita falta dela se ela tiver que partir.

Os olhos pretos se estreitaram impiedosamente para Juugo, que entendendo a ameaça, baixou a cabeça e seguiu para seu próprio aposento. Sasuke ainda permaneceu parado, em silêncio, observando o companheiro desaparecer nas sombras dos corredores. Aquele brutamontes sabia exatamente o que lhe afligia... “Sakura...” Por mais ódio que ele tivesse dela, imaginando-a com o Naruto, ele não podia negar o bem que ela fizera para o Som e para ele mesmo. Juugo podia não saber dos detalhes sórdidos da conversa dele com o Hokage, mas tinha razão em temer pela permanência da Sakura no Som. Ele não podia continuar fingindo que não se importava com ela e o Naruto, ou que nunca soubera sobre os dois – mesmo que fosse apenas uma desconfiança. Depois de deixar tudo às claras com seu amigo, estava certo que o melhor para os três era cada um viver sua própria vida. Ele já estava acostumado com a dor que o amor trazia, devia saber que não valeria a pena.

Deixando Juugo para trás, Sasuke seguiu até seus aposentos. Franziu uma sobrancelha quando percebeu luz através da porta do escritório. O que a Sakura estava fazendo acordada até aquela hora? E sua dúvida, somada à decepção depois de encontrar o Naruto em Suna, se transformou imediatamente em raiva quando ele abriu a porta e a encontrou remexendo em seus papéis.

- Sakura? O que você está fazendo aqui? – perguntou, embora não estivesse exatamente interessado na resposta. Ele estava com raiva de si mesmo por ter deixado-a sozinha com o Naruto, com raiva dela por ter colocado os dois numa disputa estúpida, com raiva do Naruto por mais motivos que ele podia enumerar naquele momento.

Sakura tampouco se preocupou em responder a pergunta do Sasuke. Ela se sentia enganada, tinha acabado de descobrir que não passara de um troféu entre os eternos rivais. Sasuke tinha decepcionado-a mais uma vez, e ela sentia que seu coração não agüentaria mais uma provação. A única coisa que conseguiu dizer foi jogar toda sua decepção para um Sasuke tão indignado quanto ela:

- Você e o Naruto... Vocês... Vocês trocavam correspondência, se encontravam regularmente, faziam apostas entre si! – Os olhos verdes estavam secos. Sakura havia prometido a si mesma que não choraria na frente de um amor que não a merecia.

- Parece que eu não fui o único a mentir sobre o Naruto – Sasuke respondeu, indiferente.

Sakura ficou calada por um instante, com uma pontinha de remorso pelos fatos que ela tinha escondido do Sasuke no período que estivera em Suna. Até se lembrar que ela é que fora a primeira a ser enganada, e sua raiva contra os dois ex-companheiros de time voltou imediatamente.

- Você me deixou em Konoha duas vezes! Me fez acreditar que não se importava comigo, que não sentia nada por mim. – Sem perceber, Sakura aumentava cada vez mais o tom de voz. – Você desapareceu, nunca deu notícias... Precisou o Satoshi estar a beira da morte para lembrar que eu existia... E aí... Depois de perceber que eu não era mais uma companheira inútil, aí você pede para o Naruto escrever e me deixar ainda mais confusa sobre meus sentimentos.

Sasuke poderia explicar que ele também estava confuso quando fez aquele pedido ao amigo. Ele queria a Sakura no Som, queria arriscar deixar o amor envolvê-lo uma vez, e temia que uma pergunta direta sobre a vida amorosa do Hokage acabasse com suas esperanças para sempre. Mas o Sasuke daquele momento estava magoado demais com o amor para se preocupar com explicações.

- E você está confusa sobre os seus sentimentos agora? – ele simplesmente perguntou, o tom indiferente machucando a Sakura mais que qualquer arma ou ninjutsu que ele pudesse usar.

Sakura respirou fundo para se acalmar e não atacá-lo com os punhos concentrados de chakra.

- Eu não posso amar alguém que passou a vida inteira brincando com os meus sentimentos – respondeu, seca e fingindo quase tanta indiferença quanto o Sasuke.

- Então parece que estamos resolvidos – Sasuke concluiu, dando as costas para ela e voltando-se para a porta. – Vou pedir para alguém ajudá-la a arrumar suas coisas e acompanhá-la até a saída da vila.

Sakura fechou as mãos em punho para segurar a raiva. Ela já devia saber que com o Sasuke as coisas se resolveriam em poucas palavras. E sinceramente, um lado dela agradecia que a conversa não tivesse se prolongado. A presença do Sasuke era dolorida.

- Espere. – Entretanto, Sakura ainda tinha uma pergunta. – O que o Naruto disse para você?

De costas, sem encará-la, Sasuke respondeu:

- Ele disse que pretendia se casar com você dentro de seis meses. Mas acredito que ele já tenha mudado de idéia agora.

Antes que Sakura pudesse importuná-lo com mais perguntas sobre Suna, ele abriu a porta e saiu. Felizmente Sakura não estava chorando e implorando como naquela noite que ele partira de Konoha. Ele não suportaria a dor de vê-la chorando por sua causa novamente.

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Em menos de uma hora Sakura já percorria os corredores escuros do Som. Juugo, embora cansado da recente viagem, fez questão de acompanhá-la como guia pelo labirinto. Os dois caminhavam em silêncio. Juugo queria dizer que esperava que ela voltasse um dia, mas conhecia seu líder muito bem para não ter grandes esperanças de rever a ninja médica de Konoha novamente.

- Sakura-sensei!

O grito desesperado numa voz que lutava contra o choro fez os dois pararem e iluminarem o caminho atrás deles.

- Momiji-chan! – Sakura exclamou assim que reconheceu a pupila.

A menina correu ainda mais rápido assim que a viu, e quando se aproximou, jogou-se nos braços da mestra.

- Sakura-sensei! Por favor, não vá embora. – E abraçando-a com força, colocou a cabeça nos ombros da Sakura, que logo os sentiu umedecidos pelas lágrimas.

- Eu tenho que ir, Momiji-chan. Eu sou uma kunoichi de Konoha, não posso ficar no Som para sempre.

- Mas... mas... você não disse nada... Você simplesmente está indo embora...

Sakura afastou a menina dos ombros para poder encará-la diretamente nos olhos.

- Foi uma decisão repentina – respondeu. – Mas você evoluiu muito este mês. Já aprendeu o bastante para proteger seus companheiros nas missões.

- Mas eu não quero aprender só técnicas básicas – Momiji retorquiu. – Eu queria me tornar uma médica ninja, como você!

Sakura soltou um sorriso triste.

- Antes você tem que terminar seu treinamento como uma chuunin. Quem sabe um dias... – Mas Sakura sabia que não havia possibilidades de voltar um dia e, ao invés de terminar a frase, deixou as lágrimas que segurava desde que se encontrara com o Sasuke finalmente rolarem livres pelo rosto.

- Eu vou sentir sua falta... – Momiji acrescentou, afundando o rosto novamente nos ombros da mestra.

- Eu também, Momiji-chan. Vou sentir saudades de todos vocês.

Até Juugo já estava emocionado com a despedida entre mestre e pupila. Controlando os olhos avermelhados pela cena, ele interrompeu o abraço.

- Sakura-sama, acho melhor seguirmos logo. Ainda há um longo caminho até Konoha.

As duas se separaram, e Sakura olhou com pesar uma última vez para Momiji. Lembrou da menina desesperada que lhe implorou para treiná-la. Lembrou de Yuzu e em como ela trabalhara duro para ampliar a ala hospitalar. Lembrou dos habitantes do Som que viviam escondidos em seus corredores escuros, envergonhados com sua aparência modificada pelas antigas experiências do Orochimaru. Jamais imaginou que seria tão difícil se despedir destas pessoas, e acabou agradecendo por tudo ter acontecido de maneira tão rápida.

- Adeus, Momiji-chan.

Sakura precisou reunir todas as suas forças para dar as costas àquela menina e seguir seu caminho. Ela andou por muito tempo em silêncio, deixando as lágrimas escorrem até secarem sozinhas. Juugo também não tinha vontade de conversar. Foi só quando eles atingiram as fronteiras do País dos Campos de Arroz e do País do Fogo que ela falou:

- Adeus, Juugo. Também sentirei sua falta.

Ela se inclinou para abraçá-lo, mas o ninja do Som a impediu.

- Eu vou seguir com você – explicou. – O Sasuke-sama jamais me perdoaria se eu não me certificasse que você chegou segura em Konoha.

Sakura deu uma risada incrédula e balançou a cabeça.

- O Sasuke não se importa...

- Não importa o que ele lhe disse – Juugo a cortou. – Quando eu voltar, ele vai querer saber se você chegou bem, e eu não poderei dizer que a deixei aqui sozinha.

Com um suspiro, Sakura deu de ombros, imaginando que Juugo estava enganado quanto ao seu líder. Em silêncio, os dois continuaram o caminho até os portões de Konoha.

Continua...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.