Notas iniciais
Cinco anos depois, Naruto recebe um pedido de ajuda vindo do Som.

Capítulo 2: Cinco Anos Depois

- Agora você não pode mais fugir de mim, Sakura. – A voz dele a fazia se arrepiar enquanto sentia seus pulsos serem levantados e amarrados apertados, o corpo dele quase esmagando-a contra a parede fria de pedra.

- Sasuke-kun... – ela sussurrou, implorando para que ele a libertasse.

- Shhh... – ele continuou sussurrando ao ouvido dela. Um tom malévolo que fazia seu estômago gelar.

- Você está me machucando... – ela insistiu.

Sasuke se afastou, facilitando a respiração dela e ao mesmo tempo fazendo-a lamentar perder o contato com ele, com o calor que o corpo dele passava para ela.

- Sakura, Sakura... – ele começou, balançando a cabeça e rindo sensualmente. – Você ainda não entendeu que é minha prisioneira? Eu tenho que fazer isso com você.

Ela o considerou. O olhar obscuro a fazia sentir-se nua apenas com um sorriso malicioso. A camisa aberta chamava toda a sua atenção, até ela resolver descer os olhos para a cintura, onde a calça pendia frouxa sem o cinto característico dos ninjas do Som. Engolindo em seco, ela sabia o que ele pretendia, e uma mistura de medo e prazer se apossou dela.

- Sasuke-kun... – ela lamuriou.

- Não se preocupe – ele respondeu depois de uma risada, enquanto uma das mãos fazia o zíper da sua blusa se abrir –, eu sei do que você gosta... – Sasuke completou com a voz ainda mais ameaçadora e, ao mesmo tempo, sensual.

Antes mesmo que ela pudesse implorar para que ele a soltasse, um gemido se soltou quando ele abocanhou um dos seios, acariciando o mamilo com a língua e, depois, sugando-o avidamente. Enquanto isso, as mãos pesadas percorriam seu corpo, arrancando a roupa que ainda sobrara. Sakura mordeu os lábios para repreender outro gemido com as ondas de prazer que ele fazia percorrerem em sua espinha apenas apertando os mamilos já enrijecidos. Ela queria agarrá-lo, forçá-lo contra o corpo dela, mas as mãos presas a impediam, fazendo crescer uma angústia em seu peito, uma vontade desesperada de senti-lo dentro dela, golpeando-a contra a parede.

Mas Sasuke era cruel, e quando os olhos dele levantaram para encará-la, o brilho malicioso neles lhe alertava que ele ainda a faria sofrer mais. As mãos dele desceram para a cintura e, num único golpe arrancaram a última peça de roupa. Ela estava presa e indefesa contra a fera que despertava cada vez que o Uchiha a olhava daquela maneira. Num instinto, seus músculos se contraíram e as pernas se fecharam, apertadas. Ele apenas sorriu, satisfeito com a pequena resistência.

Antes que Sakura percebesse, suas pernas foram abertas a força, e uma das mãos a explorava atrevidamente, brincando com as sensações que o toque tão íntimo provocava nela. Ele apenas roçava seus dedos contra ela, sentindo a umidade que se formava neles, sorrindo ao vê-la mordendo os lábios com força a cada toque dele.

- Sasuke-kun... não... – ela começava a se debater contra a parede, as mãos puxando com força as amarras.

Mas Sasuke não era um captor benevolente. Quanto mais assistia o desespero dela, mais ele gostava de brincar. Ele se ajoelhou em frente a sua prisioneira e logo não eram mais os dedos que a acariciavam, mas a língua quente e molhada, explorando-a com movimentos ora suaves, ora firmes e profundos. Sakura não conseguia mais se agüentar, e começou a gemer mais alto, suplicando para que ele a tomasse de uma vez:

- Sasuke-kun... Por favor...

- Sakura-chan?

Não, não... Sasuke-kun...

- Vamos dorminhoca! Você não disse que tinha que chegar cedo no hospital?

- Sasuke-kun... – ela lamuriou enquanto assistia Sasuke desaparecer nas sombras. Seu corpo ainda estava preso na parede, e uma sensação de abandono apoderou-se dela. Ela queria correr atrás dele, mas não conseguia se mover...

- Vamos, Sakura! Hora de acordar!

A voz estridente feria os seus ouvidos. Ela ouviu uma cortina ser aberta ao longe e uma luz incômoda atingiu seus olhos. Sakura moveu os braços, estava livre; e assim que sua consciência despertou e ela entendeu que não estava no seu quarto, sentou-se abruptamente na cama.

- Já é de manhã?

- Bom dia, Sakura-chan! – A voz, e logo depois, o rosto alegre e divertido do seu noivo apareceram a sua frente. – Você estava dormindo tão bem, eu não tive coragem de acordá-la.

- Naruto, você enlouqueceu? – Sakura gritou irritada para ele. – Como eu vou explicar para os meus pais que eu não dormi em casa?!

- Sakura-chan... Você tem que parar com essa mania de acordar mal-humorada! – Naruto sorriu e a beijou levemente nos lábios. – Você vai dizer que estava com o seu futuro marido, oras, que por acaso é o Hokage.

Ela deu um suspiro contrariado, mas então decidiu conceder um sorriso ao Naruto. Afinal, ela estava sempre perdendo a paciência com ele, mas desta vez não podia culpá-lo pelo desfecho inacabado do seu sonho. Na verdade, ela devia se repreender por ainda ter aqueles sonhos com o Sasuke; ele fazia parte do seu passado, era uma página virada, uma página que ela gostaria que nunca tivesse existido.

- Me desculpe, Naruto – ela disse. – Você tem razão, nós não temos nada a esconder de ninguém. Bom dia – acrescentou, devolvendo o beijo.

- Eu preparei nosso café da manhã – Naruto contou alegremente. Entretanto, ao ver o olhar preocupado da noiva, explicou rapidamente: — E não é ramen!

Ele tomou o rosto dela nas mãos, desta vez para um beijo de verdade, antes de se levantar e dirigir-se para a porta do quarto.

- Espero você na cozinha.

Sakura o observou deixar o quarto, apreciando as costas do Sexto Hokage e descendo os olhos até a samba-canção colorida, a única peça de roupa que ele usava enquanto andava pela casa. Era engraçado ver como o Naruto havia amadurecido e ao mesmo tempo ainda conseguia manter alguns traços do ninja hiperativo que o falecido Kakashi-sensei se orgulhava de ter treinado. Ele se transformara numa pessoa maravilhosa, e era tão seguro estar com ele... Diferente dos sonhos que a assombravam durante a noite. Ele era sempre tão bom para ela que Sakura começava a se sentir culpada por não conseguir controlar seu subconsciente. Ela odiava aqueles sonhos, ao mesmo tempo que se perguntava porque quando estava com o Naruto, que era de carne e osso, ela nunca conseguia se entregar como a Sakura dos seus sonhos se entregava.

Naruto era o único que a entendia. Depois que Sasuke partiu de Konoha pela segunda vez, eles tinham apenas um ao outro. Claro, tinham também os demais amigos da vila, mas Ino, Sai, Shikamaru ou qualquer outro jamais entenderiam os laços que os uniam. E com o tempo, Sakura se tornou tão dependente da amizade que ela aprendera a apreciar no Naruto, que ele lhe parecia o único a merecer o seu primeiro beijo e, tempos depois, a sua primeira vez. Eles descobriram juntos a amizade e, depois, o amor. Agora ela entendia que amava o Naruto, que aquilo que sentia pelo Sasuke era apenas uma obsessão, algo forte demais que só a fazia sofrer. Nos braços do Naruto ela tinha tranqüilidade, algo que jamais teria se estivesse com o Sasuke, e aqueles sonhos eram só mais uma prova disso.

Deixando suas dúvidas de lado, Sakura passou por toda a rotina da manhã e deixou a casa do Naruto seguindo diretamente para o hospital. Com a morte da Godaime, Sakura se tornou a médica-nin mais importante de Konoha, e a principal responsável pelo hospital. Seria mais um dia como outro qualquer, até que Shizune a avisou que estava sendo chamada para o escritório do Hokage, imediatamente.

Sakura estava pronta para mais uma bronca sobre a falta de responsabilidade do noivo, chamando-a para a sala dele no meio do dia, provavelmente para discutir algum detalhe insignificante do casamento. Entretanto, ao contrário do que imaginava, quando entrou na sua sala, ela o encontrou com a expressão séria atrás da mesa, e um pergaminho recém aberto nas mãos.

- Naruto? O que aconteceu de tão urgente para você me chamar?

O Hokage a considerou por um instante e depois voltou os olhos para seu principal assistente, Shikamaru. Com um aceno de cabeça, o jounin se retirou, deixando-os a sós.

- Eu recebi uma carta – ele respondeu assim que a porta se fechou. – Do Sasuke.

Sakura arregalou os olhos, espantada, mas continuou em silêncio.

- Ele está pedindo a nossa ajuda – Naruto continuou.

- Hunf! – Sakura desdenhou. – É uma armadilha. O Sasuke jamais escreveria pedindo a nossa ajuda.

- Na verdade – Naruto respondeu, estendendo a carta para ela –, ele está pedindo a sua ajuda.

Sakura olhou desconfiada para o pergaminho nas mãos de Naruto, mas o pegou e leu atentamente. Sasuke havia se tornado o novo líder do Som depois de acabar de uma vez por todas com o que restara de Kabuto e Orochimaru. Com o fim das experiências sem sentido do antigo sannin das cobras, o Som havia se tornado uma vila importante e reconhecida entre as demais vilas shinobi, e seus ninjas eram respeitados e temidos no mundo todo. Ela jamais tivera notícias dele nos últimos cinco anos, e não conseguia enxergar por que ele se lembraria dela, depois de tanto tempo.

A carta endereçada ao Hokage explicava tudo, entretanto. A melhor médica-nin viva estava em Konoha, e era justamente a presença dela que Sasuke requisitava ao Naruto. Mesmo contando com alguns ninjas com incríveis poderes de cura, havia um garoto que fora envenenado e desenganado por todos no Som. Sakura era sua única esperança.

- Quem é esse garoto? – ela perguntou, desconfiada, assim que terminou de ler. – Por que o Sasuke se preocupa tanto com ele?

Naruto a observou por um momento, estranhando o modo como Sakura falava do antigo companheiro de time. O Sasuke havia errado no passado, mas ele se redimira e sempre dera provas que, mesmo separados, eles nunca deixaram de ser o Time 7. Por que Sakura sempre fazia tanta questão de recriminá-lo?

- É um chuunin do Som – Naruto respondeu, num tom próximo à repreensão. – E como líder do Som, ele está preocupado com o garoto como eu estaria se fosse um chuunin da Folha.

- Eu entendo – ela devolveu, baixando os olhos, envergonhada por duvidar do antigo companheiro de time enquanto Naruto parecia falar num tom tão maduro. – Pelo que está na carta, eu devo partir o quanto antes. Quanto mais tarde ele for atendido, maiores são as chances do veneno atingir os órgãos vitais.

- Se você não quiser... – Naruto começou, percebendo uma certa relutância nas atitudes da Sakura.

- Não – ela o interrompeu. – Não seria justo com o Sasuke, não é mesmo? Negar-lhe ajuda depois do que ele fez por Konoha.

- Eu sabia que você entenderia – Naruto respondeu com um sorriso. Levantando-se do seu lugar, caminhou até ela e a beijou levemente nos lábios. – Eu vou ficar com saudades, mas sei que você voltará logo. Você vai conseguir curar esse menino antes mesmo que o Sasuke consiga fazer alguma coisa para te irritar, dattebayo!

Sakura sorriu para os olhos azuis que sempre depositaram tanta confiança nela, e sem querer, seus olhos acabaram pousando no retrato da Quinta Hokage, pendurado na parede logo atrás do Naruto. Sem saber o porquê, uma conversa de anos atrás voltou a sua mente, da época em que ela era apenas uma aprendiz que via em sua mestra um exemplo a ser seguido, e um oráculo para suas dúvidas mais profundas...

- Tsunade-sama, posso lhe fazer uma pergunta pessoal?

Ela havia acabado de chegar da missão de encontrar o esconderijo do Orochimaru e resgatar o Sasuke, mas descobriram que seu antigo companheiro estava tão cego pelo desejo de vingança que preferia morrer para dar mais poder a um inimigo de Konoha que voltar para sua vila e seus amigos. Depois daquele dia, a certeza de que o Sasuke retornaria, de que eles voltariam a ter o time reunido, estava quase morta no seu coração. Além disso, ela começava a entender o verdadeiro Naruto por trás da figura amaldiçoada do Jinchuuriki, e sentia-se culpada por todas as vezes que ele a convidara pra sair e ela nunca aceitava pelo simples motivo de que ele não era o Sasuke.

Tsunade a considerou calmamente antes de responder. Ela sempre via si mesma mais jovem cada vez que mirava sua aluna, e isso a fazia considerá-la a filha que nunca pode ter.Talvez tenha sido apenas isso que salvara Sakura da fúria pela qual a Godaime era famosa.

- Diga, Sakura.

- Você nunca pensou em dar uma chance ao Jiraya-sama?

Tsunade olhou brava para ela, mas seu coração apaziguou ao ver o semblante preocupado da aluna, e resolveu conceder-lhe uma resposta:

- Sim, Sakura, já pensei. Mas não seria justo com ele.Eu jamais poderia dar a ele o mesmo amor que dei ao Dam.

Sakura a encarou com olhos tristes.

- Eu entendo... eu acho.

Compreendendo todo o desespero que corroía o coração da sua aprendiz, Tsunade ainda lhe deu um sorriso e continuou:

- Sakura, você e o Naruto são como filhos para mim. Eu sempre vou rezar pelo melhor para vocês. Por isso, aceite meu conselho. Duas pessoas não serão felizes se o coração de uma delas pertence a uma terceira pessoa.

- Mas e quando não é fácil assim? – Sakura perguntou com os enormes olhos verdes lutando para não derramarem mais lágrimas. – E quando você sabe que faz uma pessoa sofrer porque seu coração teima em olhar para outro lado? Para um lado que não encontra nada, a não ser rejeição?

Numa cena que poucos tiveram a chance de presenciar na Quinta Hokage, Tsunade aproximou-se da Sakura e a abraçou fortemente, deixando que a menina descasasse a cabeça sobre os seus ombros, e as lágrimas começaram a rolar livremente.

- Eu não posso responder isso, Sakura. Os assuntos do coração, apenas o coração entende.

- A vovó Tsunade estaria orgulhosa de você agora, Sakura – Naruto interrompeu suas lembranças, depois de perceber que ela passara minutos observando a foto da última Hokage.

Sakura voltou os olhos para ele, mas a voz da antiga mestra ainda ressoava em sua mente.

- O Naruto é um garoto excelente. Ele merece encontrar alguém que o ame com a mesma intensidade que ele dedica a todos a sua volta...

Uma batida na porta do escritório, entretanto, a fez voltar os olhos rapidamente para o presente. Logo em seguida, o rosto corado de Hinata Hyuuga apareceu numa pequena abertura.

-Des... Desculpe, Naruto-kun... Eu... não sabia... que estava ocupado...

- Hinata-chan! – Naruto deixou o lado de Sakura e correu para abrir a porta totalmente. – Não se preocupe, eu não esqueci da nossa reunião. É só que apareceram algumas questões que me atrasaram.

Hinata entrou no escritório e cumprimentou Sakura com um aceno. A jovem Hyuuga havia amadurecido muito depois da morte do pai na última guerra. A necessidade de se impor como líder do clã a fez romper as barreiras da sua timidez, espantando a todos com sua força e capacidade de liderança. Hinata foi uma das peças principais na reunião entre os clãs para garantir a aceitação de Naruto como o próximo Hokage, e desde então, ela se tornara uma das figuras mais respeitadas de toda a vila. Entretanto, Sakura ainda ficava intrigada com a maneira como ela e Naruto se dirigiam entre si como se ainda fossem gennins.

- A Sakura-chan deverá partir numa missão de última hora – Naruto explicou para Hinata. Depois, voltando para perto da noiva, continuou com a voz baixa: — Imagino que você precisará de tempo para juntar suas coisas antes de partir. Eu encontro você na saída da vila para me despedir.

Sakura sorriu e concordou com um mero assentimento de cabeça, saindo do escritório do Hokage. Não havia muita coisa para levar consigo, apenas algumas ervas que poderiam ser úteis e que dificilmente cresceriam nos terrenos mais áridos do Som. O mais importante seria avisar Shizune e Ino de sua ausência, para que as duas a substituíssem no que fosse necessário no hospital.

- Você tem certeza disso, Testuda? – Ino perguntou, desconfiada, quando ouviu a missão da amiga. – Não quer que eu vá no seu lugar? Um caso de envenenamento não deve ser tão complicado...

- Eu sei o que você está querendo, Porquinha – Sakura a interrompeu, provocando-a sem medir as palavras. – Mas o Sasuke pediu que eu fosse ajudá-lo. Você perdeu essa!

Ino recostou-se na cadeira e considerou a amiga, preocupada.

- Sakura! – a loira a repreendeu. – Nós não somos mais gennins competindo pelo número um da classe. Você está noiva do Naruto, lembra-se?

Só depois de raciocinar o que acabara de falar, Sakura enrubesceu, atrapalhando-se com os papéis que juntava em sua mesa para entregar a Shizune antes de partir. Considerando a amiga, ela ainda se perguntou da onde aquilo tinha saído, por que tinha que relembrar da antiga rixa das duas? Só podia ser a lembrança do Sasuke, que parecia mais viva que o normal naquele dia.

- O que eu quis dizer – Sakura tentou se explicar – é que ele pediu a minha ajuda especificamente. Não seria apropriado mandar outra pessoa.

Ino apenas considerou a amiga sem falar nada. Quando as duas estavam prestes a sair, Ino para continuar seus afazeres no hospital e Sakura para seguir até os portões da vila, a loira ainda acrescentou:

- Você tinha um cabelo tão bonito naquela época. Por que nunca mais deixou crescer?

Sakura virou o rosto para Ino, surpresa com a pergunta.

- O que você quer dizer com isso, Porquinha?

- É só que o Naruto, o seu noivo – ela reforçou –, ficou tão chateado quando viu que você cortou o cabelo. Talvez ele gostaria de vê-la com o cabelo comprido de novo...

- Não era o Naruto quem gostava de meninas de cabelo comprido – Sakura rebateu, estreitando os olhos.

- Não – Ino concordou. – Mas eu nunca vi o Sasuke reclamar...

- O Sasuke nunca reparou em nada além do próprio umbigo – Sakura replicou, irritada. – E quem é você para me dar conselhos sobre meu relacionamento com o Naruto? Você ainda corre atrás do Sai como se ele fosse o substituto do Sasuke.

Ino respondeu com um longo suspiro. Era verdade que ela não desistira de convencer o ANBU a exprimir seus sentimentos, mas há muito tempo que isso deixara de ser uma busca por um novo Sasuke. Ela entendia o Sai, gostava de ficar perto dele e não criara para ele a figura de um herói inatingível como ela fazia quando achava que era apaixonada pelo Uchiha. Quanto mais ela entendia seus sentimentos com o Sai, mais perto ela chegava à conclusão que Sakura estava fazendo uma grande burrada. Quem sabe essa missão não abriria os olhos da amiga?

- Sakura – Ino começou, tentando aconselhar a amiga -, você pode dizer para todo mundo, até para si mesma, que ama o Naruto, mas eu sei que você jamais esqueceu o Sasuke. Eu sou sua amiga, não quero que você se machuque nessa missão.

- Não se preocupe comigo, Ino – Sakura respondeu. – Eu vou para o Som ajudar esse garoto e, quando voltar, tenho certeza que o Sasuke nunca mais vai lembrar de Konoha novamente, a não ser que precise da nossa ajuda uma segunda vez.

Dando as costas para a amiga, Sakura deixou o hospital irritada. Ela tinha jurado a si mesma que jamais deixaria que o Sasuke ditasse o rumo da sua vida novamente, e agora vinha a Ino dizer que ela jamais tinha esquecido de tudo que ela sofrera por ele. Talvez Ino estivesse certa, ela realmente não tinha esquecido o que sofreu por ele, por isso que estava com o Naruto agora, seu porto seguro, seu amor verdadeiro que faria qualquer coisa para sempre vê-la sorrindo.

Para ressaltar seus sentimentos, lá estava ele, na sua frente, no ponto que combinaram para se despedir.

- Eu voltarei em breve – Sakura garantiu, beijando-o discretamente nos lábios, antes que fossem vistos. – Casos de envenenamento não costumam ser demorados.

- Sakura – Naruto insistiu uma última vez, percebendo que ela estava um pouco irritada –, se você não quiser ir, se quiser mandar outra pessoa, não tem problema. A gente pode falar com a Shizune, ou...

- Está tudo bem, Naruto – ela respondeu. – É você que eu amo. O Sasuke foi só uma ilusão infantil. Eu vou para o Som cumprir meu papel como médica e voltar assim que puder. – Levando uma mão ao rosto dele, ela acrescentou: — Obrigada por confiar em mim.

Ele se assustou com a capacidade que Sakura tinha de ler seus pensamentos, mas sorriu com a certeza com que ela lhe afirmou seu amor. Sem poder dar muitas mostras de carinho, já que estavam em público, ele apenas segurou a mão dela que estava em seu rosto com as duas mãos e sorriu ternamente.

- Eu vou sentir saudades – disse, beijando as costas da mão que segurava ternamente.

- Eu também, Naruto – Sakura respondeu, devolvendo um sorriso.

Naruto ficou observando Sakura seguir seu caminho para fora da vila até que fosse quase impossível distinguir suas feições no horizonte. Ele tentou fingir que não se preocupava com o fato dela encontrar o Sasuke no Som, mas naqueles cinco anos, Sakura parecia ter aprendido a adivinhar o que atemorizava sua mente. Quando recebeu aquela carta, sua primeira intenção era ignorá-la, ou mandar algum outro médico de Konoha. Mas se o Sasuke havia passado por cima do próprio orgulho e pedido a ajuda da Sakura, era porque ele já havia considerado todas as alternativas e depositava nela suas últimas esperanças.

Como Hokage, ele se viu numa encruzilhada. Ajudaria seu melhor amigo e líder de uma vila aliada, ou inventaria uma desculpa qualquer para se poupar da preocupação de entregar a mulher que ele sempre amou para os braços do seu maior rival? Sua consciência sabia que devia confiar nos seus dois melhores amigos, mas as lembranças dos três quando ainda eram um time às vezes teimavam em assombrá-lo. Quando se tratava de Sasuke e Sakura, ele sempre acabava fingindo que não entendia os gestos, os olhares, a antiga cumplicidade entre os dois. Da mesma forma que ele ainda fingia que não a escutava murmurar o nome do Sasuke nos seus sonhos mais agitados.

Continua...

Notas finais
N.A.: Obrigada a todos que deixaram reviews. Fiquei feliz em saber que muitos gostaram do cenário do Vale do Fim para a luta Sasuke vs. NAruto - imagino que eles ainda voltarão para lá no mangá!

E não esquecem de dizer o que acharam desse cap também!