Entre Vivos e Mortos

27 Capítulo 27 – O lamento do espectro caído


Notas iniciais
Eis o segredo que muitos esperavam!!
Por que Shun tem tanta magoa do irmão?

A face serena de Shun se enfureceu pela primeira vez. Seus olhos se abriram e seu cosmo explodiu de forma incrível espalhando a neblina ao redor e fazendo o vento os rodear mais e mais.

- Não me chame de irmão!! – Sua voz irritada foi o anuncio do ataque. Veio para cima do cavaleiro que mal teve tempo de desviar do ataque. O vento que veio atrás de Shun o empurrou forçando-o, e o jovem de sapuris negra não parou. Vindo novamente, Ikki defendeu seu ataque com dificuldade. Ambos estavam frente a frente, Shun atacava com uma rajada de cosmo que Ikki defendia com os dois braços. Agora Ikki podia ver um sentimento terrível nos olhos do irmão mais jovem.

Sabia que não poderia segurar o ataque muito tempo, ele era incrivelmente poderoso! Seu cosmo tinha uma energia que jamais havia sentido na vida, apenas vinda dos cavaleiros de ouro de Athena. Mas ela ainda sim era diferente, transpassava medo e terror e ao mesmo tempo era sublime como somente os deuses poderiam ter. O seu antagonista era muito habilidoso, e manejava as rajadas de ar como correntes invisíveis que o rodeavam e o reprimiam. Ao mesmo tempo em que detinha seu golpe sentia-se ser pressionado.

Shun recuou um segundo seu golpe. Afastou-se ligeiramente, abriu suas quatro asas negras de brilho magnífico e com elas saltou para o alto. Com ele, o vento mudou de direção, vindo agora de baixo para cima. Flutuava agora a vários metros de altura, movimentando as asas. Sua figura sob o luar era como um vulto fantasmagórico.

- Traidores não são dignos de pena! – Disse, concentrando novamente o cosmo de olhos fechados. O cavaleiro de Fênix previu o golpe e tentou se distanciar. Acima dele, uma ventania se formava em torno de seu corpo.

Ikki não teve tempo de escapar, um turbilhão arroxeado desceu dos céus o empurrando pelas costas. Antes de ser atingido pela energia se virou e com os dois braços esticados segurou o poder da ventania que continuava a empurrá-lo devagar, porém em meio à ventania um golpe inesperado. O corpo de Shun surgiu entre a energia, acertando um soco no rosto do irmão mais velho, este que foi jogado com força no chão a alguns metros.

Fênix permanecia no chão. Sua boca sangrava pelo golpe e seu corpo estava amortecido. Ouviu os passos do inimigo se aproximando, devagar. Forçou os braços para empurrar seu tronco para cima, para poder vê-lo. Agora no chão, Shun o olhava em silêncio enquanto se aproximava. Mesmo sem estar lutando seu cosmo era terrível.

- Você fala demais. Fique quieto enquanto te mando para o inferno. – Disse, elevando o cosmo novamente, mas Ikki o interrompeu ainda caído.

- O que você quis dizer? – Disse. Shun não entendeu. – O que você quis dizer com Traidor?

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Por entre as árvores de onde tinham vindo antes, Dohko e Mu agora tentavam seguir uma presença invisível, que não sabiam o que era, mas que sentiam o cosmo dês de o inicio. Também sentiam o cosmo imaturo da jovem Athena, a infeliz garota que sequer sabia o porquê de tudo aquilo. Inimigo ou aliado, não era possível decifrar o cosmo do ser perseguido.

- Dohko, ainda não entendo como deixou Fênix lutar sozinho contra aquele... espectro. – Mu ainda o questionava enquanto corriam pelo escuro bosque. – você mesmo viu o cosmo dele... Era poderoso como um cavaleiro de ouro.

- Não se preocupe. Aquele cavaleiro de bronze tem um poder muito grande escondido. – Dohko corria na frente do outro.

- Como pode ter tanta certeza do que diz? – Questionou-o novamente.

- Eu o conheço muito bem. – Disse, simplesmente, sem nada a explicar. Mu continuou preocupado, mas agora precisavam é encontrar a garota. Aproximavam-se mais do cosmo perseguido, e viam o movimento dos galhos das árvores. O que significava que o inimigo estava seguindo por cima das árvores.

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Ambos continuavam do mesmo jeito. Shun o encarava, sem entender a pergunta. È como se fosse algo óbvio, por que ele não teria entendido então? Com dificuldade, Ikki se levantou. Agora, ambos se olhavam na mesma linha.

- Responda!! Por que insiste tanto nisso? Dês de que começamos a lutar não para de me chamar de traidor!– Repetiu Ikki. Shun continuava sério, pensativo, ao contrario de Ikki, furioso.

Shun sorriu, como se entendesse o que ouve. Um sorriso simples, irônico, triste.

- Entendi. Você não lembra. – Falou, ainda o encarando, o que fez Ikki ficar mais furioso. – Faz sentido.

- O que?? – Ikki reclamou novamente e sem pensar, ameaçou se aproximar do irmão. Uma rajada de energia foi a resposta do seu ato, o atirando novamente no chão.

- Por isso toda aquela historia de Cavaleiro de Athena fiel, não é? – Falava, se aproximando de novo de onde o cavaleiro de bronze foi jogado. Dessa vez, Ikki permaneceu no chão, apenas o olhava. Mesmo assim, outro golpe foi lançado. E outro. O corpo de Ikki bateu varias vezes no chão, deixando marcas de sangue onde era arremessado. Cessando o ataque, Shun agora estava parado, ao lado do corpo do irmão caído.

- No fundo, você é só isso, um traidor. – falou, sem atacá-lo dessa vez. Ikki se mexeu com dificuldade, tentando virar o rosto para ver o irmão. – Mesmo que não se lembre esta em você. Tenho certeza que trairia Athena também.

Não entendia nada, mas mesmo assim Ikki ouvia Shun. Com dificuldade, virou-se para olhar o irmão, e sentiu algo surpreendente. As palavras dele eram frias como gelo, porém seus olhos não eram assim. Estavam tristes, transpassavam uma imensa tristeza no que dizia. Não ódio. Tristeza.

- Ainda não entendi... – Disse, com dificuldade.

- Eu imaginei. – Shun falou, ainda o observando de cima. – Você não pode ser um fiel cavaleiro de Athena se é um espectro traidor.

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Ambos os cavaleiros de ouro continuavam a correr. O cosmo inimigo havia se distanciado, então tiveram que aumentar ainda mais sua velocidade. As arvores do bosque começaram a se distanciar umas das outras, revelando mais o céu e o caminho. Porém, a escuridão não era apenas no meio do bosque fechado, graças a neblina que tudo cobria. Ainda mais aberto o caminho, podiam ver um cenário diferente.

No meio de uma clareira no bosque, repousava um calmo lago. Suas águas escuras brilhavam refletindo a luz da lua. Em volta dele, pedras e plantas o embelezavam e deixava ainda mais surreal o lugar. O brilho de sua reflexão iluminava a clareira inteira. Mu e Dohko pararam afinal o cosmo que perseguiam também teria parado ali.

- Aonde ele está? Não sinto mais seu cosmo. – O ariano procurava com os olhos o inimigo, mas nada se movia além das folhas ao vento das árvores que o rodeavam.

- Ele desapareceu. – respondeu Libra. – Deve ter nos atraído para cá para nos distrair.

Mu concordou com a cabeça, mas continuou olhando em roda. Sentia algum cosmo. Andou um pouco até o rio quando viu algo estranho.

- Espere, Dohko! Veja! – Disse, tentando enxergar do outro lado do lago. O cavaleiro mais velho que aproximou e confirmou. Mu tocou no ombro dele e ambos surgiram na beirada do outro lado do lago. Sob as pedras da beira, quase junto a água o corpo desmaiado da jovem Saori Kido repousava.

- Athena... – Dohko disse, se aproximando devagar. Mu o seguiu, e ambos se ajoelharam junto dela. Suas ventes e seus cabelos tocavam a água fria formando leves ondas, o corpo encolhido tinha apenas ferimentos leves nos braços e nos tornozelos. Seu cosmo era fraco, mas emanava por toda a clareira. O cavaleiro mais velho a levantou nos braços, e ambos saíram de perto do lago.

- Eu não entendo... – Mu falou, ainda sem entender o que ouve. Dohko, porém parecia calmo, talvez sua experiência contra Hades fizesse com que estivesse acostumado a coisas sem explicação.

- Não importa, o importante é que temos que levá-la imediatamente de volta ao santuário. – Mu concordou com a cabeça. Ambos se direcionaram a saída da clareira correndo. – Espero que Fênix se saia bem sozinho.

Desapareceram na escuridão da floresta, retornando vitoriosos para casa. Apenas observava-os, sentado em um galho de uma arvore centenária, um homem que não parecia estar de nenhum lado.

De roupas estranhas, fumando um cigarro, com um sorriso irritante no rosto, Youma olhava eles sumirem com sua deusa.

- Heh, uma batalha desequilibrada não tem a mínima graça... –

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O jovem inimigo não havia golpeado seu corpo, porém suas palavras pareciam ter sido mais profundas do que qualquer lâmina ou punho. Ainda caído, tentava discernir as informações que recebera. “um espectro traidor”? O que significaria aquilo?

- Do que esta falando?? — Questionou novamente, furioso. Tentando se levantar, um golpe foi sua resposta. Caído novamente, tentou se levantar em vão e, ajoelhado, encarava o irmão com descrença.

- E exatamente o que você ouviu. – Disse Shun, agora não tão próximo ao irmão. – Durante a ultima Guerra Santa você traiu o exército de Hades. Agora, não passa de um espectro caído,.

Aquilo foi um baque. Como poderia ter sido um espectro? E agora ter renascido seguindo o caminho como um cavaleiro? Era algo inconcebível. Por que seu destino seria aquele então?

- Você não deveria ter se metido nessa batalha. Sua função nessa guerra acabou, deveria seguir seu destino. – Shun dizia ainda afastado. Ikki permanecia em silêncio, com o olhar distante, paralisado. – Infelizmente, agora é tarde. Você precisa morrer.

A frase final foi à sentença. O jovem de armadura negra se aproximou devagar, como um algoz que não tem pressa em executar um criminoso. Seu oponente não se movia, não tinha expressão, parecia em transe. Já ao seu lado, de pé, Shun elevava o seu cosmo calmamente.

- Apenas um traidor, não fará falta a Athena. – Disse, erguendo o braço para preparar o golpe de misericórdia, aquele que encerraria tão desigual combate. A energia se concentrou e o ataque desceu do alto, porém foi interrompido. Num rápido movimento, Ikki levantou ambos os braços segurando a mão do irmão e detendo o golpe. Tal ato surpreendeu o inimigo.

Fênix novamente elevava seu cosmo. Sua expressão não era visível, pois sua cabeça se mantinha baixa, mas seu cosmo parecia brilhar mais que antigamente. Shun estava visivelmente surpreso com tal cosmo. Soltou sua mão rapidamente e deu alguns passos para trás. Ikki se levantou e cada vez mais seu cosmo crescia.

- Não entendo por que este foi meu destino. Mas, se me foi incumbido de renascer como um cavaleiro de Athena... Esse é o caminho que eu vou seguir!! – Disse, fazendo seu cosmo explodir e sua armadura reluzir mais e mais. Shun o olhava, sua determinação e vontade de lutar pela Deusa eram incríveis, por quê? – Se eu era um desses malditos demônios do inferno, tenho muitos pecados para pagar ainda!!

Pela primeira vez na luta Ikki atacou o irmão. Partiu para cima de Shun, que se defendeu do golpe, mas sentiu a diferença de seu cosmo. Segurava o poder do cavaleiro com ambas as mãos e foi arrastado por alguns metros. A luta ficou mais dinâmica, ambos agora atacavam com poderosos golpes físicos. As rajadas de energia se misturavam e tornavam-se uma só luz. Shun se esquivava muito rapidamente, porém Ikki não deixava a desejar, e seus ataques eram muito poderosos. Ambos se atacavam e desviavam velozmente.

Parecia que Ikki nunca acertaria Shun, parecia que Shun jamais se livraria de Ikki, e assim seguiam de forma muito rápida. Desviou de um soco enquanto atacava o peito do inimigo, que também se esquivou, era assim que ambos seguiam. Sem palavras, os gestos e seus cosmos diziam tudo, ambos tinham ódio não só do inimigo, mas de muitas coisas. Shun manipulava correntes de ar para manter Ikki longe, mas era insuficiente, e o cavaleiro logo se esquivou. Num descuido do irmão, o ataque veio direto para o seu estomago.

O ataque acertou em cheio, o atirando alguns metros de distancia. Cravando os pés no chão, mantinha as mãos no abdômen, onde não havia sequer um arranhão na Sapuris. Ikki ofegava, agora o observando de longe. Nem acreditava que havia acertado um golpe. Isso fez a luta cessar, e novamente, apenas se encaravam seriamente. A luta reiniciaria logo se o cavaleiro não tivesse questionado o irmão mais jovem.

- Me diga Shun, por que esta lutando por Hades? – A pergunta foi direta, mas ele não se abalou. – Ele quer destruir a terra e acabar com todos os humanos, acha isso certo?

- Hades esta certo e Athena esta errada. – Ikki se surpreendeu com a resposta. – Os humanos são egoístas e perversos, não pensam em ninguém alem de si mesmos. A terra realmente tem que ser purificada.

- Você tem idéia do que esta dizendo?? – Tentou argumentar Ikki. Notou que novamente Shun não o olhava nos olhos. – Essas são as idéias de um Deus que não tem sentimentos!

- Não diga isso!!! – Interrompeu furiosamente o irmão. Ikki se surpreendeu como Shun se alterou. – Não sabe do que esta dizendo!!!!

Foi para cima do irmão, mas este desviou.

- Você tem que entender! Por que concorda com essas idéias? – Desviou de outro ataque. Este foi de raspão. – Afinal, você é um humano!!

O ultimo golpe foi certeiro, no meio do peito. O punho de Shun estraçalhou o peitoral da armadura, fazendo Fênix ser lançado no chão imediatamente. O sangue do ferimento se espalhou, manchando a sapuris do jovem espectro. Caído, Ikki não podia se levantar pelo ferimento grave em seu peito. Só conseguia ver Shun, agora de pé ao seu lado.

- Você jamais entenderia a vontade de Hades. – Disse Shun, concentrando-se para o golpe derradeiro. – E não se engane, eu não sou mais humano.

Notas finais
Achei esse um dos meus melhores capítulos! Realmente estava inspirada!! Espero que todos gostem tanto quanto eu gostei!!

E assim, a historia vai se revelando!

Grata a todos meus leitores amados! Obrigado!!