Entre Violetas e Turquesa

2 2. Entre caixas e provocações


Notas iniciais
Preparados pra conhecerem o terror de Atena, mais conhecido como os homens Sinclair?

Capítulo 2


O carro parou diante dos portões altos de ferro forjado, que se abriram lentamente com um chiado discreto, revelando a mansão Sinclair — mais parecida com uma miniatura de palácio moderno do que uma casa. Vidros imensos refletiam o céu azul, colunas elegantes sustentavam varandas charmosas e, ao fundo, havia uma piscina cintilante cercada por jardins milimetricamente perfeitos.


Atena, do banco do passageiro, olhou tudo aquilo com a expressão de quem acabara de pisar em um set de filme que não pediu para estrelar.


— É isso? — ela murmurou, mais para si mesma.


Helena, sentada ao volante, sorriu, como quem tenta enxergar beleza na mudança.


— É isso.


— Claro. Um castelo de vidro pra combinar com o produtor de sonhos. — Atena disse, pegando a mochila e saindo do carro. O salto das botas ecoou sobre o piso de mármore da entrada. — Só espero que ninguém quebre nenhum dos dois.


— Se você puder, tenta não dizer isso na frente dele nos primeiros cinco minutos, tá?


Atena respondeu com um sorriso angelical.


- Sem promessas, mãe.


Logo a porta da frente se abriu, e Phillip surgiu com os braços abertos, um sorriso largo e uma energia tão acolhedora que, por um segundo, parecia genuíno demais para vir do mundo da fama.


— Sejam bem-vindas! — ele exclamou, abraçando Helena com leveza e, em seguida, virando-se para Atena. — E você deve ser a famosa filha que a sua mãe tanto fala.


Atena levantou uma sobrancelha.


— Famosa por qual motivo?


— Inteligência, talento, sarcasmo... a lista é longa. — Phillip respondeu, ainda sorrindo.


Ela o observou por um instante. Ele parecia gentil. Mas Atena não era do tipo que confiava na aparência. Ainda assim, ofereceu um leve aceno de cabeça.


— Prazer.


— O prazer é todo meu. — ele respondeu, inclinando-se para o lado e fazendo sinal para entrarem. — Vem, vou mostrar o seu quarto antes de tudo. Aposto que vai querer começar a decorá-lo o quanto antes.


A mansão por dentro era tão impressionante quanto por fora. Pé-direito alto, janelas enormes, obras de arte originais nas paredes e uma escadaria digna de filmes de Oscar. Helena olhava ao redor como quem ainda não acreditava, mas Atena só enxergava o eco das vozes e o vazio bonito demais para ser aconchegante.


Ao chegar no andar de cima, Phillip abriu uma porta dupla.


— Esse aqui é seu. Pode pintar, trocar móveis, fazer o que quiser. O espaço é seu.


O quarto era imenso. Com varanda própria, vista para o jardim e móveis brancos elegantes. Atena caminhou até a janela, abrindo as cortinas.


— Tá… bonito demais. Vai dar trabalho pra ficar com a minha cara.


— É só deixar o sarcasmo pingar nas paredes — Phillip disse, rindo. — Vai combinar com você.


Helena tossiu disfarçadamente, e Phillip deu um passo atrás.


— Vou deixar vocês se instalarem. O almoço tá sendo preparado, e... Apolo deve chegar logo.


Atena se virou.


— Apolo?


— Meu filho. Deve estar chegando do ensaio agora.


Ah. O garoto de ouro da mídia. O astro. O filho do produtor. Atena nunca tinha o visto pessoalmente, mas já ouvira o suficiente para desenhar mentalmente a imagem: narcisista, bajulado, provavelmente encantador até os ossos. Nada do tipo que ela suportasse por mais de cinco minutos.


— Mal posso esperar. — ela disse, com o tom mais neutro e venenoso que conseguiu.



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Uma hora depois, ela estava de short jeans, camiseta velha e joelhos sujos de tinta, rabiscando mentalmente onde colocaria os quadros quando o som de passos ecoou pelo corredor. Um arrastar leve, seguro, quase preguiçoso.


Então ele apareceu na porta do quarto, encostado no batente com um sorriso de quem já sabe exatamente o efeito que causa.


— Uau. — ele disse. — Pensei que meu pai tivesse contratado uma artista plástica moderna, mas era só a enteada. Que decepção.


Atena ergueu os olhos devagar, como quem pesa o valor do que vê. E ali estava ele: Apolo Sinclair em carne, osso e insolência. Cabelos loiros bagunçados como se o vento tivesse um caso com ele, olhos dourados que pareciam guardar piadas e promessas, e um sorriso que certamente já derrubou metade da população adolescente do país.


— E eu pensei que o sol era maior pessoalmente. Mas aqui está você. Tamanho portátil. — ela respondeu, voltando a rabiscar um esboço com fita crepe na parede.


Ele soltou uma risada baixa, entrando no quarto sem ser convidado.


— Ah, então é assim? Direta ao ponto. Gosto disso. — Apolo parou ao lado dela, observando o espaço. — Vai mesmo colocar esse espelho aqui? Vai refletir a cama. Muito clichê de filme adolescente.


— Sorte que eu não tô montando um set de filme adolescente. — ela respondeu, virando-se pra ele. — Diferente de você, pelo visto.


Apolo sorriu mais largo, divertido.


— Ai. Ela é rápida.


— E você é intrometido. Vai dar certo.


— Tá me achando intrometido já? Mal te conheci.


— É. Eu sou rápida. Você mesmo disse.


Eles se encararam por um segundo, o silêncio elétrico entre os dois sendo interrompido apenas pelo som do vento lá fora. Foi Apolo quem desviou primeiro, os olhos indo parar na prateleira onde Atena já havia colocado alguns livros de teatro, música e cadernos de desenho.


— Você gosta dessas paradas artísticas?


— "Essas paradas"? Que vocabulário rico. Deve ser contagiante.


— Eu atuo, danço, componho, toco, dirijo curtas... — ele disse, se encostando na parede como quem apresenta o currículo.


— Então só falta lavar a louça e virar humano.


Apolo arqueou uma sobrancelha, mas o sorriso não vacilou. Pelo contrário — parecia mais interessado do que irritado.


— E você, além de assassinar paredes com fita crepe e sarcasmo, faz o quê?


— Danço, canto, atuo. Já fui campeã nacional de cheer quando era criança. — Ela se virou, encarando-o com firmeza. — Mas diferente de você, não preciso de holofote pra existir.


Apolo piscou, levemente atingido.


— Uau. Isso foi... pessoal.


— Foi só uma observação artística. — ela deu um meio sorriso, inocente.


Eles foram interrompidos pela voz de Helena chamando do andar de baixo:


— Almoço, pessoal!


Apolo olhou para Atena com o mesmo brilho nos olhos que um caçador teria ao encontrar um oponente à altura.


— Vai ser divertido morar com você, Luazinha.


Ela parou no meio do passo. Se virou devagar.


— O quê?


— Ah, não gostou? Você tem cara de lua. Fria, bonita, difícil de alcançar.


Atena apertou os olhos. Então sorriu.


— Então ótimo, Solzinho. Mantenha sua órbita bem longe da minha.


Apolo gargalhou, enquanto desciam juntos. E pela primeira vez, o castelo de vidro pareceu vivo.


Notas finais
Espero que tenham gostadooo, até o próximo capítulo 💋☀️🌙
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.