Ele contara, Edmundo revelara em público sua piada, sua triste desgraça. E agora o responsável por publicar sua façanha encontrava apagado, completamente embriagado. Ela até poderia desculpá-lo, foi a dor e o amor que o fizera agir. Mas, isso não apagava o fato de que ela se atinha no meio dos dois. Jorge ao seu lado direito, prumo, eixo; Ernesto do seu lado esquerdo coração e descoordenação. Ambos a olhavam , um apreensivo, envergonhado até; o outro, ela podia até sorrir, um misto de preocupação e satisfação. Na verdade todos a olhavam, e ela sinceramente não queria se ver.

Precisava sair dali, mas seus pés pareciam fincados no chão, enquanto as lágrimas desciam. Precisava de um refugio, de um prumo. Olhou para Jorge, o direito, o amigo, a calma que ela precisava para encarar aquela situação. Mesmo que tivesse Amélia ao seu lado, ela não queria nada que não fosse um ombro sensato e amigo para afastá-la daquela cena cômica e de péssimo gosto. Porém, Jorge estava estagnado, como sempre estivera, nem um sinal de ação, e ela sorriu de sua própria tolice. A quem ela enganaria agora que tudo tinha sido exposto? Então se viu tentada a olhar para onde menos queria, seu lado esquerdo, sua desordem, sua bagunça, sua verdade, seu coração. E foi nesse exato momento que viu o movimento vindo de lá, o mirou e viu a luta em seu olhar, a dúvida, ela não suportou ver a dúvida em seu olhar. Ernesto nunca tivera dúvida de nada. Ela não admitiria que ele tivesse agora. E como sempre, descoordenados, mas sempre bem sincronizados um para o outro, ela avançou para seu lado esquerdo no mesmo instante que ele se precipitou para segurá-la. Corações. Corações batendo furiosos unidos num abraço.

Ema aconchegou-se ao peito dele, vendo suas lágrimas molharem seu colete. Enquanto sentia o aperto aconchegante de seus braços. Ele era tudo. Era paz e desordem. Era causador e protetor. Ernesto era tudo, e mais que isso, ele era tudo que ela precisava.

— Me tira daqui! — sussurrou contra o pescoço dele.

Ela jurara que o tinha ouvido sorrir.

— Nada me daria mais prazer, Baronesinha!

Ele virou o corpo encaixando o dela ao seu lado, abraçou-a pelos ombros, segurando sua cabeça próxima a seu peito. Ela percebeu, querendo protegê-la daqueles olhares astutos e inquisidores dos convidados. Ele sempre, realmente, era tudo que ela precisava. Passo ante passo, ela percebeu que suas pernas se moviam, seus pés avançavam e já descia as escadas do alpendre da fazenda. Seu corpo sempre reagia a ele.

Aquele homem. Aquele homem que pela ordem deveria ser sua última opção, era sempre o primeiro. E se deu conta que não existia ordem. O amor sempre vencia, lá estava Edmundo, derrotado, no chão do salão da Ouro Verde para não lhe deixar mentir. Amor... Ela se deu conta! Amor. Olhou para Ernesto. Resoluto. A certeza voltara ao rosto dele, e parecia apossar-se dela. Ela entendeu, o próprio Edmundo tinha falado em alto e bom som: “E Ema ama Ernesto, que também a ama! Viva o amor!”, a compreensão adentrando em sua mente fazia um frio delicado apossar-se de todo seu corpo. Sorriu, em meio as lágrimas... Talvez não tivesse pronta para admitir a ele ainda, mas já tinha entendido.

E com isso em mente, por enquanto, pelo menos, iria com ele, iria com seu coração para onde quer que ele lhe levasse.

Notas finais
Ai, ai... eu não resisto, nem desisto, de fazer a Ema entender o que sente pelo Ernesto!! Taí gente, mais um delírio da minha mente sobre nosso casal! Aceito montão de comentários sabe?! Bjo e até...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!